This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

This is US

Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

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Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

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Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

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Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

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Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

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Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

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Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

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Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

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Shonda Rhimes: a jornada de uma incrível contadora de histórias.

Já faz um tempo que eu queria dedicar um post exclusivo sobre a deusa Shonda Rhimes e, finalmente, esse dia chegou.

Aliás, chegou no momento certo, pois hoje, 13 de janeiro, é o aniversário dessa diva amada criadora das melhores histórias.

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Feliz Aniversário, Shonda! Com o parabéns da rainha Michelle Obama!

A Shonda é uma grande inspiração pra mim, não só pelo trabalho como roteirista e produtora executiva, mas também pelas causas sociais que ela adere. Assim como venero a Tina Fey, que é minha roteirista preferida do gênero da comédia, eu defino a Shonda como a melhor criadora de séries do gênero Drama.

Aliás, não só no ramo da televisão, os filmes que Rhimes escreveu o roteiro, também são maravilhosos.

Com isso em mente, resolvi fazer uma pequena resenha de todos os trabalhos de sucesso da minha diva amada, justificando e enfatisando o quão importante eles são pra diversidade e representatividade no mercado audiovisual.

SÉRIES TELEVISIVAS

1) Grey’s Anatomy (2005 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, que também é a showrunner*.

Sinopse: Um drama médico centrado em torno de Meredith Grey, uma aspirante a cirurgiã e filha de uma das melhores cirurgiãs, Dr. Ellis Grey. Ao longo da série, Meredith passa por desafios profissionais e pessoais, junto de outros colegas cirurgiões, no Seattle Grace Hospital.

Vamos deixar algo claro: Grey’s é dramalhão SIM, no entanto, é o drama médico mais extraordinário que existe. Sabe por quê?

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Han?

A história central, ao menos em boa parte das temporadas, é a vida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), uma pessoa tão cheia de problemas, mas ao mesmo tempo, maravilhosa, que é impossível não se encantar e se indentificar com suas dores.

Dr. Grey lida com o alzheimer de sua mãe, enquanto também tem de lidar com a reprovação desta e o desenvolver da trama é incrível e tem cenas que tocam à alma. Já na sua vida profissional, Meredith encara os desafios de um médico residente cirúrgico, junto de seus colegas, Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers) e, assim, o roteiro se desenrola muito bem, nos envolvendo nos casos médicos, torcendo junto deles, para que salvem seus pacientes.

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Os pupilos: Karev, Yang, O’Malley, Grey e Izzie.

Na vida pessoal, Grey se envolve com o Dr. McDreamy, ou Dr. Derek Sheperd (Patrick Dempsey), que é casado com a diva, deusa, amada, Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh). E claro, ao invés de explorar a rivalidade delas, a trama vai muito além e te faz torcer para que os três resolvam seus problemas e sejam felizes juntos, separados, a três, a dois, a um, do jeito que quiserem.

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Addison diz pra Meredith “Eu não te odeio.”

Além disso, ao invés de depender do boy magia, a pessoa mais próxima de Grey, é ninguém mais, ninguém menos, que Cristina Yang. Amo a amizade delas e como uma é “a pessoa” da outra. Aliás, a Dr. Yang supera qualquer um naquele lugar, por toda sua determinação, inteligência, força e, principalmente, por não deixar  o machismo de cada dia afetar sua evolução como médica cirurgiã.

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You are my person!

Ainda temos a pessoa mais fofa do mundo, Dr. Izzie Stevens e, essa personagem é tão bem construída e interpretada, que você fica feliz por ela, até quando ela tem relações com um fantasma.

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YOU GO GIRL!

Como não falar da Dr. Miranda Bailey (Chandre Wilson)? Ela é a mentora dos cinco internos, super rigorosa e carinhosa, do jeito especial dela. Adoro sua sabedoria, seu lado humano e como ela sabe se portar diante das dificuldades em ser chefe dos futuros cirurgiões.

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Você mesmo, sua linda!

Ademais, Shonda mostra o mundo como ele é, ou seja, tem diversidade pra dar e vender nesse programa. Primeiro que o elenco foge do padrão de homens brancos, segundo que temos casais homosexuais incríveis, sem contar nas relações entre pessoas de diferentes etnias.

A história de amor entre Dr. Richard Webber (James Pickens Jr.) e Dr. Ellis Grey (Kate Burton), mãe de Meredith, é linda e, também, muito real, pelo simples fato de que eles não ficam juntos no final, mesmo tendo muito amor um pelo outro. Claro que ao longo da série você entende os motivos e um dos principais é por ele ser casado com a linda Adelle Webber (Loretta Devine), mas tem muito nó ali, que a narrativa vai desfazendo, e seu coração se derrete toda vez que eles estão juntos, ela com sua doença e ele como seu ex e eterno amor.

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Richard e Ellis Grey.
LORETTA DEVINE, JAMES PICKENS JR.
Adelle e Richard Webber.

Para eu não ficar 365 dias falando sobre a trama, algo que eu conseguiria porque tem muita história e muitos personagens, vou finalizar com o casal mais incrível e associável possível. Sou team Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez) total. Adoro como esse relacionamento é mostrado, nu e cru, assim como qualquer outra relação entre homem e mulher. Apesar dos pesares, não quero dar spoiler, é impossível não torcer por elas até o fim. Amo, amo, amo!

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Arizona e Callie.

Aliás, uma curiosidade válida de ser contada é que, a criadora, em uma entrevista, disse que ao tentar vender a série, teve dificuldades, pois no piloto, a personagem principal passa uma noite com um desconhecido e isso seria um “absurdo” de ser mostrado em um canal aberto. Depois de treze anos, acho que esses produtores estavam completamente enganados, hein?

Deusa Rhimes criou essa série e você deverá assistir, porque senão é pecado. Só um conselho: como a série está na 13 temporada, com 20-25 episódios cada, veja aos poucos, porque senão sua cabeça pode surtar, como a minha surtou. E claro, vai com o coração na mão, preparada(o), pois nossa diva Shonda, infelizmente, adora matar nossos personagens favoritos.

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Façam suas apostas! Quem sobreviverá até o final, na ShondaLand*?

2) Private Practice (2007 – 2013)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, quem também é a showrunner.

Sinopse: Um spin-off *do drama médico “Grey’s Anatomy”, centrado na vida da cirurgiã neonatal Dr. Addison Montgomery.

Pra quem já assistiu Grey’s Anatomy, deve se lembrar do último episódio da terceira temporada, que é basicamente a introdução da série Private Practice. Aliás, muita gente deve ter estranhado, pois no capítulo, Dr. Addison (Kate Walsh) se despede do Seattle Grace Hospital, pega o carro e vai pra famosa LA, reencontrar com sua melhor amiga, Naomi Bennett (Audra McDonald).

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“Será que alguém notaria se eu sumisse?” Tanto notamos, querida Addison, que fomos atrás de você nessa nova jornada.

Sendo assim, nessa história, seguimos a vida de Dr.Addison Montgomery, que se muda definitivamente para Los Angeles e começa a trabalhar numa clínica privada, The Oceanside Wellness Group.

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Os médicos da clínica.

Por enquanto, só assisti alguns episódios da primeira temporada, mas posso te dizer que a Addison continua maravilhosa e diva como sempre. Eu reclamava que ela devia aparecer mais em Grey’s Anatomy, porque ela dá de mil em muitos personagens, até mesmo pro Dr. Sheperd, mas isso é somente minha opinião pessoal. Então, como os fãs enlouquecidos como eu, pediram, deusa Shonda atendeu e criou o projeto, aonde nos divertimos e também sofremos com Dr. Addison.

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É muita alegria!!!

Como é uma clínica privada relativamente pequena, o foco é praticar a medicina de cidade pequena e conectar-se com os pacientes e suas famílias. No entanto, no piloto da série, a gente já tem uma noção de que o drama vem dos casos mais difíceis, em que os médicos são obrigados a realizar cirurgias de última hora ou levar seus pacientes ao hospital mais próximo, para não perdê-los.

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“Não consigo. Não consigo. Eu não queria estar sozinha.”

Aliás, nossa amada Montgomery já arrasa no primeiro episódio, nos mostrando que não é àtoa que ela é a melhor cirurgiã do ramo. Além disso, nessa etapa de sua vida, nossa protagonista está decidida a ser mãe solteira, mas descobre que ela não pode ter filhos. Assim, a narrativa desenvolverá esse drama, à la ShondaLand, e nós, torceremos até o fim, pela felicidade de nossa querida médica. E lógico, como o projeto é carimbado pela Rhimes, não vão faltar histórias fantásticas, às quais podemos nos identificar.

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SPOILER ALERT: tem personagem de Private Practice que vai para Grey’s Anatomy e o inverso também acontece. Não é, Dr. Amelia Sheperd?

3) Scandal (2012 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado pela Shonda Rhimes, que também é a showrunner.

Sinopse: Olivia Pope é uma “reparadora” profissional, ou seja, ela faz com que os problemas desapareçam antes que alguém saiba que eles existem. Para os ricos, os poderosos e, até mesmo, o presidente, Olivia é uma lenda em seu campo. Seu sucesso é devido à sua regra inquebrável de sempre confiar em seu intestino. Semanalmente, à medida que a equipe corre contra o relógio para desfazer novos problemas intrigantes antes de se tornarem verdadeiros desastres, eles também têm que lidar com suas próprias questões pessoais.

Esquece tudo o que eu falei antes, pois agora o assunto não é medicina, e sim política. Aliás, política e escândalos, e somente uma pessoa pode resolver esse tipo de problema: Olivia Pope (Kerry Washington).

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Sou eu, aham, aham!

Se você gosta de babados cabeludos, que envolvem até mesmo o presidente dos Estados Unidos, você tem que começar a maratona Scandal HOJE. Inclusive, como toda séria Shonda Rhimes, o drama corre solto nessa narrativa, mas é intrigante e cativante.

Aliás, todo mundo que assiste essa série e passa por algum problema difícil de se resolver, sonha em descobrir o telefone da Olivia e ter esta e sua equipe resolvendo seus problemas. Mas, como tudo é ficção (quase tudo), infelizmente temos que resolver nossos problemas por conta própria, porém podemos aprender os truques. E são eles:

Truque número um:

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Seja melhor amiga de um Hacker*.

Truque número dois:

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Tenha contatos na Casa Branca. “Alô, seu presidente?”

Truque número três:

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Vinho, muito vinho.

Truque número quatro:

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Seja um personagem da Shonda e torça para sobreviver.

Truque número cinco:

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Assista à série.

E aí, preciso falar mais alguma coisa pra te convencer desse “escândalo” de série?

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4) How to get away with murder (2014 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Peter Nowalk, sendo este e a Shonda Rhimes, uns dos produtores executivos.

Sinopse: Um grupo ambicioso de estudantes de direito e sua brilhante professora de defesa criminal, Annalise Keating, se envolvem num misterioso assassinato que irá mudar o rumo de suas vidas.

PARA TUDO QUE AGORA O ASSUNTO FICOU SÉRIO!

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Não pera… volta aqui! Eu me empolguei, mas vamos ao que importa.

How to get away with murder já está na terceira temporada e mostrou que veio pra ficar e abalar nossas estruturas porque, senhoras e senhores, esta trama é de enlouquecer.

Primeiro que a protagonista, Annalise Keating, é interpretada pela Viola Davis, que dá um show de talento e nos assusta com essa personagem incrível e medonha, ao mesmo tempo. Me arrepiam as cenas em que ela engole todas suas dores e é extremamente fria e calculista, resolvendo todo e qualquer problema que envolva assassinatos, mas também me emociono com os momentos em que ela se mostra humana, com dificuldades, como qualquer outra pessoa.

Segundo que os alunos, que antes eram jovens inocentes, agora são cúmplices uns dos outros, sendo praticamente obrigados a manterem esses laços de amizade, caso não queiram ser punidos por seus atos.

Tudo começa com uma festa da faculdade e um assassinato. E aí, achou pouco? Vou tentar de novo. Tudo começa com era uma vez e fim, não pera. Tudo começa com Annalise ensinando como se livrar de um assassinato e seus alunos, também “estagiários” da professora, aprenderem na prática a matéria. Caso você não tenha entendido o que eu falei, está mais do que na hora de PARAR toda a sua vida e ASSISTIR ao programa.

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Calma, calma… não precisa parar tudo. No fim de semana dá pra ver os episódios.

Além disso, assim como praticamente todos os trabalhos em que Shonda põe as mãos, o que não falta é empoderamento feminino, principalmente das mulheres negras, diversidade, com casais maravilhosos, como Connor Walsh (Jack Falahee) e Oliver Hampton (Conrad Ricamora), personagem latino, Laurel Castillo (inclusive, a intérprete Karla Souza é mexicana) e histórias de tirar o fôlego e deixar qualquer um confuso e admirado.

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Esse beijos, hein? Queremos!

Também não posso deixar de falar que um dos personagens é soropositivo e eu acho maravilhosa a forma como eles nos fazem entender melhor quem passa por isso, os respeitando e não mais os excluindo, como nossa sociedade costuma fazer.

Por último, é importante avisar que, se você começa a série gostando de alguém, as chances de você parar de gostar dessa pessoa, nos próximos capítulos ou temporadas, são grandes. A história muda, tantas vezes, assim como os personagens, que é impossível não seguir essas transformações e refletir sobre todos os assuntos abordados, além de claro, se questionar o que você faria no lugar deles. Acho que eu estou feliz em só assistir e não estar na pele de ninguém.

Madamentos da ShondaLand: Deverás assistir essa série.

Violas Davis recebendo o Emmy de melhor atriz em 2015. Um dos melhores e mais lindos discursos que você vai assistir.

5) The catch (2016 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur, tendo Shonda Rhimes como uma das produtoras executivas.

Sinopse: Segue a vida de uma investigadora particular, cuja especialidade é expor fraudes.

Se você é aquela pessoa tem preguiça de começar uma série que já tem muitas temporadas, eis a solução dos seus problemas. The Catch está indo para a segunda temporada, com somente 10 episódios cada e, logo no piloto, já temos a maior reviravolta de todas.

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Mireille Enos como Alice Vaughan.

Alice Vaughan (Mireille Enos), uma detetive particular, está prestes a se casar com Benjamin Jones (Peter Krause), quando ela descobre todas as mentiras de sua vida e que seu noivo, na verdade, é o maior trambiqueiro e dá golpes e mais golpes, tudo em prol do dinheiro. Inclusive, ele se aproximou de Alice para justamente estar sempre um passo à frente desta e não ser pego em seus crimes.

No entanto, acredite se quiser, o dois se gostam de verdade. A partir disso, começa a caçada. Nossa heroína está decidida a pegar o ex, custe o que custar. Viu como foi rápido?

Então para de drama e vai logo por essa série em dia!

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Que comece
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a caçada!

FILMES

1) Crossroads: Amigas para sempre (2002)

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Dirigido pela Tamra Davis e escrito pela Shonda Rhimes.

SinopseTrês melhores amigas enterram uma caixa, fazendo um pacto para abri-la à meia-noite no dia da graduação do colégio. No entanto, o tempo passa e suas vidas mudam. Na noite da formatura, elas abrem a caixa e depois de muita conversa, decidem ir para Los Angeles, para que Lucy (Britney Spears) faça a audição para ser contratada por uma produtora musical. Com um pouco de dinheiro, elas partem na estrada com um cara chamado Ben (Anson Mount), e uma delas conta o boato de que ele pode ser um maníaco homicida. Agora, elas enfretarão a jornada de suas vidas, com ou sem maníaco.

Gente, para tudo porque “It’s Britney Bitch!”.

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Se você, assim como eu, nasceu nos anos noventa, com certeza viveu a época Britney Spears e cantava suas músicas, num inglês completamente errado, e se achava o máximo por isso.

E o que dizer desse filme?

Eu lembro até hoje o dia em que assisti ao filme no cinema e com quem eu fui. Imagino que a maioria das pessoas que saíram da sala, ficaram encantados e emocionados com a história dessas três amigas, sua força e união, e, sonhou em também viver uma viagem na estrada com suas melhores amigas.

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Kit (Zoe Saldana), Mimi (Taryn Manning) e Lucy (Britney Spears).

E o que falar dessa trilha sonora que me faz chorar até hoje?

Clipe da música I’m not a girl, Not Yet a Woman interpretada pela Britney Spears.

Caiu um cisco aqui, pera… É que a nostalgia chegou ao nível máximo!

Esse filme é sobre amizades que duram pro resto de nossas vidas, do apoio entre amigas e sobre seguir seus sonhos, ou seja, tudo que é essencial em nossas vidas. E claro, quando as coisas ficarem difíceis, nada como cantar I Love Rock ‘N’ Roll com suas “migs” do coração.

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Aliás, não posso deixar de mencionar que a atriz que interpreta a Mimi (Taryn Manning), pra quem não reconheceu, é a Tiffany Doggett de Orange is the New Black. RAPAZ, como o tempo passa! E também tem Kim Cattrall no auge de Sex and The City. Peraí que eu vou ali preparar as pipocas!

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Sabemos que é você, “Mimi Tiffany Manning”.

2) O diário da Princesa 2: Casamento Real (2004)

Dirigido por Garry Marshall e roteirizado por Shonda Rhimes.

Sinopse: A Princesa Mia acaba de completar 21 anos e é esperado que ela assuma o lugar de sua avó como a rainha de Genovia. Mas o visconde Mabrey lembra a todos da lei que afirma que uma mulher solteira não pode ser nomeada rainha, e com o apoio do parlamento, ele se opõe à coroação de Mia. No entanto, a rainha Clarisse pede que Mia tenha tempo para encontrar um marido e ela recebe 30 dias. O sobrinho de Mabrey, Nicholas, encontra-se com Mia e estes se interessam um pelo outro. Agora, eles tem 30 dias para decidir o que fazer com esses sentimentos.

Falando em Nostalgia…

Trailer de O Diário da Princesa 2.

Se tem um filme que levou Anne Hathaway ao estrelato, esse filme foi O diário da Princesa. E, como todo filme de sucesso, ele acabou tendo uma sequência, que foi escrito pela nossa aniversariante do dia, Shonda.

Esse filme tem empoderamento feminino dentro do universo das princesas e rainhas. Apesar de ser da Disney, esse conto de princesa tem um toque especial, até porque, nossa protagonista irá mudar essa péssima tradição, de que uma mulher só pode se tornar rainha se for casada com um homem.

Como todo filme romântico à la princesas, Mia Thermopolis encontra o par ideal, mas acaba se apaixonando pelo “vilão” da história e, com isso, terá que enfrentar os desafios de ser feliz no amor e continuar o legado de sua família.

Aliás, esse filme tem um charme, pois a Rainha Clarisse Renaldi é interpretada por nossa querida Noviça Rebelde, linda como sempre, Julie Andrews.

Além disso, tem até uma participação da Raven-Symoné. Sério, se você está na faixa dos vinte e poucos anos, tem que se lembrar da série infantil “As Visões da Raven”. EU AMAVA!

Julie Andrews e Raven-Symoné.

Para finalizar a resenha dessa produção cinematográfica, eis as maiores lições do longa-metragem:

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“Uma rainha nunca está atrasada. Todos é que simplesmente chegaram cedo.”
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Um beijo de amor verdadeiro só é válido quando tem a “levantadinha” da perna.

Shonda por Shonda

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Capa da revista “The Hollywood Reporter” com Shonda Rhimes.

Após essa leva de projetos vitoriosos, eis que finalmente podemos concluir que Shonda Rhimes mudou muito o conceito de série de sucesso, com suas histórias extraordinárias, que mostram, sempre, o mundo com toda a sua diversidade.

Para os que se interessam pelo trabalho dela, é possível conhecer um pouco mais, através do seu livro Year of Yes e, também, aos que pretendem seguir a carreira do mercado audiovisual, esse ano de 2017 será lançado o curso intensivo de Escrita para Televisão, dado pela própria Shonda, no masterclass.com.

Ademais, ela é um exemplo pras futuras roteiristas como eu e para qualquer menina/mulher que está cansada dos padrões de nossa sociedade. Para todos que querem uma melhor representação e oportunidades para mulheres, negros, latinos, LGBTs, entre muitos outros, eis que as narrativas de nossa guerreira provam que é possível fazer sucesso e quebrar tabus, ao mesmo tempo.

Me encanto, me impressiono e me inspiro muito com o trabalho de Rhimes e torço, para que um dia, eu possa ser ao menos um terço do que ela é hoje, pois já estarei muito satisfeita.

Ted Talk 2016: Meu ano de dizer “sim” para tudo.

BÔNUS DO DIA

Para quem gostaria de ver nossa deusa atuando, é só checar o episódio 5, da terceira temporada de The Mindy Project, ao qual eu falo no texto “13 comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir“.

Não me procurem, pois eu fui ver minhas séries! Beijos.

*Hacker: uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento na área da informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema informático.

*ShondaLand: é uma produtora de televisão americana fundada pela escritora/produtora Shonda Rhimes.

*Showrunner: é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

*Spin-off: é um programa de rádio, televisão, videogame ou, qualquer outra obra narrativa, derivada de uma ou mais obras já existentes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em: http://www.imdb.com/name/nm0722274/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

IMDB. The Devil wears Land’s End. 2014. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4029966/?ref_=nm_flmg_act_1&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

Significado de Hacker. Disponível em: <https://www.significados.com.br/hacker/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Shonda_Rhimes&gt;. Acesso em: 12 de jan. 2017.

13 Comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir

E mais uma de bônus!

Eu já ouvi inúmeras pessoas, principalmente homens, dizendo que mulheres não são engraçadas. Isso é algo tão relativo, que se fizermos uma análise sobre esses comentários, claramente chegaremos a um dos maiores problemas da nossa sociedade: o machismo.

No entanto, pra rebater esse pensamento, simplesmente darei dicas e exemplos de séries de comédia, criadas e/ou protagonizadas por mulheres, que fizeram e ainda fazem muito sucesso e merecem nossa atenção.

1) Ally Mcbeal (1997 – 2002)

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Ally Mcbeal (Calista Flockhart) e o elenco.

Ally, uma série do final dos anos 90, criada por David E. Kelley.

O motivo de eu colocá-la na lista é porque, pra uma comédia dramática da década de noventa, ela é espetacular e quebra tabus, mesmo que de uma forma suave, além da personagem principal ser a pessoa mais desajeitada, fofa e independente possível.

A série tem como trama a vida pessoal e profissional de Ally Mcbeal (Calista Flockhart) que começa a trabalhar num famoso escritório de advocacia em New York, onde reencontra o amor de sua vida, Billy Thomas (Gill Bellows), agora casado com Georgia Thomas (Corutney Thorne-Smith). A cada episódio temos um caso de justiça diferente que abordam assuntos interessantíssimos, como o machismo e o assédio dentro do trabalho, por exemplo.

Ademais, Ally trabalha no mesmo lugar que Billy e Georgia e, ao invés de gerar uma rivalidade feminina, como normalmente retratam, Ally e Georgia se estranham no começo, mas logo se dão bem e, a partir disso, a protagonista consegue se libertar do que sente pelo ex e seguir em frente.

E claro, não podemos deixar de falar sobre a amizade de Ally com sua colega de quarto, a também advogada, Renee Raddick (Lisa Nicole Carson). As duas são mulheres independentes, com histórias incríveis e uma amizade muito forte.

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“Temos sorvete. Quem precisa de um cara?” Renee mandando a real para Ally.

O programa é de comédia, mas contém muito drama, inclusive o formato foge do padrão de 30 minutos, sendo cinco temporadas com 40/50 minutos, por episódio. Indico a série por milhares de razões e garanto que você assistirá e sonhará em ser uma advogada(o) da firma, porque no final do expediente, todos saem pra beber ao som da cantora Vonda Shepard ou de algum cantor famoso convidado.

2) Chewing Gum (2015 – 2017)

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Elenco da série.

Série britânica exibida pelo canal E4, criada e estrelada por Michaela Coel. Esse roteiro foge de tudo o que conhecemos sobre comédia.

A narrativa conta a vida de Tracey (Michaela Coel) e sua relação com a família e o namorado, extremamente religiosos. A protagonista tem 24 anos de idade e ainda não teve relação sexual, mas decide mudar isso, mesmo que não seja com o namorado. A Tracey é divertidíssima e toca em assuntos que são quase “proibidos” na nossa sociedade, como sexo, virgindade e religião.

É muito interessante ver como a protagonista lida com seus desejos, mas, tenta, a todo o custo, não decepcionar a família. Além do mais, sua melhor amiga, Candice (Danielle Walters), é o oposto dela e a ajuda bastante em sua nova fase de vida.

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“Nosso querido e abençoado Salvador, eu preciso da coragem que você teve para contar a todos que era filho de Deus.”

Apesar de ter somente 6 episódios, a série lançará sua segunda temporada nesse ano e virá com tudo, pois Tracey está só começando sua aventura.

3) Divorce (2016 – 2017)

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Sarah Jessica Parker e Thomas Haden Church.

Uma das novas apostas do canal HBO, criada por Sharon Horgan e estrelada por Sarah Jessica Parker.

A história mostra o começo da separação e divórcio do casal Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church), que após anos de casados, se descobrem infelizes um com o outro.

Ainda está na primeira temporada, com a segunda pra estreiar nesse ano novo, e aborda algo importante, como o divórcio, e como é difícil, porém normal, marido e mulher buscarem algo diferente depois de muito tempo juntos.

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Estamos na torcida por essa série!

Além disso, essa série é outro exemplo de mulher protagonista que trai o marido, como eu havia comentado num texto anterior, e que tem dado muito certo. Eles tem dois filhos pequenos e agora terão que lidar com essa separação, sem que a família se desfaça por completo.

4) Faking It (2014 – 2016)

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Karma Ashcroft (Katie Stevens) e Amy Raudenfeld (Rita Volk)

Série da MTV, criada por Carter Covington, Dana Goodman e Julia Lea Wolov.

Conta a história de duas amigas, Amy Raudenfeld (Rita Volk) e Karma Ashcroft (Katie Stevens), que decidem fingir ser um casal, para finalmente serem populares na escola. No entanto, Amy acaba se apaixonando por Karma e agora as duas terão que descobrir como manter essa amizade, sem que ninguém saia magoado.

Uma série que gira em torno do ensino médio, fase adolescente e de descobertas. É muito interessante por retratar a sexualidade dos adolescentes, em fase de questionamento, sendo que alguns já sabem do que gostam e não gostam, enquanto outros, ainda vão descobrir e está tudo bem. A questão é se permitir, sempre.

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Esse beijo, hein? Ai, ai.

Apesar de ter sido cancelada na terceira temporada e não ser perfeita em tudo, eu recomendo, pois ela é divertida e lida com a homosexualdiade e a bisexualidade na era moderna, em que existem tinders da vida e, assim como a relação heterosexual, são relações humanas, com altos e baixos, o tempo todo.

5) Girls (2012 – 2017)

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Elenco da série.

Série da HBO, criada e estrelada por Lena Dunham.

A trama conta a história de quatro amigas, Hannah Hovarth (Lena Dunham), Marnie Michaels (Allisson Williams), Jessa Johansson (Jemima Kirke) e Shoshanna Shapiro (Zosia Mamet) e seus ganhos e perdas na vida pessoal e profissional.

O gênero segue o estilo de uma comédia dramática, pois vemos de perto as dificuldades das personagens na entrada da vida adulta e nos relacionamentos amorosos.

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“Minhas circunstânicas mudaram e não posso mais aceitar trabalhar de graça.”

Além disso, ela aborda a sexualidade feminina, assim como Sex and The City (1998 – 2004) fez alguns anos atrás, como normal e livre, podendo, nós mulheres, fazermos o que quisermos, pois o corpo e as regras são nossas. Inclusive teve a polêmica cena do sexo oral por trás, uma sequência super rápida e maravilhosa e, a sociedade, como sempre, tentando regredir nossas conquistas. Mas não permitiremos isso! Vamos que vamos, rumo ao sucesso das mulheres, sempre! Inclusive na cama.

6) Grace and Frankie (2015 – 2017)

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Jane Fonda e Lily Tomlin.

Original do Netflix, criado por Marta Kauffman e Howard J. Morris, indo para a terceira temporada.

A criadora, Marta Kauffman, ficou famosa depois da série Friends e, mais recentemente, lançou essa obra prima, estrelada por Jane Fonda e Lily Tomlin.

O argumento conta a história de Grace Hanson (Jane Fonda) e Frankie Bergstein (Lily Tomlin) que são surpreendidas por seus maridos. Os dois, Robert Hanson (Martin Sheen) e Sol Bergstein (Sam Waterston), melhores amigos e sócios há anos, assumem seu amor e relacionamento e se separam de suas mulheres. Agora, as duas terão que lidar com a separação, após anos de casamento e com as mudanças em sua rotina.

Eu adoro essa série por tantos motivos, mas o principal é por abordar a homosexualidade de uma forma muito natural, além de retratar o amor e o sexo na terceira idade da mesma forma, como normal e saudável.

Uma trama incrível, em que tanto o casal de homens, quanto as duas novas amigas, Grace e Frankie, surpreendem o público com suas reviravoltas e nos encantam com a forma como lidam com tantas modificações, sem deixar o preconceito da sociedade arruinar suas famílias e felicidade.

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“Larga o microfone.”

Jane Fonda e Lily Tomlin, não só atuam, como também são produtoras excecutivas, e tem dado um show de interpretação e talento, mostrando que envelher pode ser tão bom quanto ser jovem.

7) Insecure

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Issa Rae no cartaz da série.

Outra aposta da HBO, lançada em 2016 e criada por Issae Rae e Larry Wilmore.

A trama segue a vida de Issa Dee (Issae Rae) e de sua melhor amiga, Molly Carter (Ivonne Orji), duas mulheres negras, lidando com profissão, vida amorosa e amizade.

A série é inspirada na websérie “The Misadventures of Awkward Black Girl” e é um marco para o canal televiso, pela temática central ser a vida de duas mulheres negras, de forma bastante humorada e inteligente.

Além disso, a personagem Issa não só é divertidíssima, como arrasa ao cantar raper. No piloto da série, numa tentativa de reviver momentos do passado e quebrar a monotomia de sua vida, ela sobe no palco e improvisa um rap. No entanto, Issa acaba magoando sua amiga, pois ela canta sobre um assunto pessoal de Molly, mas as duas se entendem ao final do episódio, mostrando que a amizade delas é o apoio principal uma da outra.

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Quem tem amizade, tem tudo.

Está na primeira temporada e esse ano lançará a segunda. Issa Rae é uma das criadoras e estrelas do programa, ainda trabalhando como produtora excecutiva.

8) My Mad Fat Diary (2013 – 2015)

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Elenco da série.

Segunda série britânica de comédia dramática da lista. Foi exibida no canal E4, baseado no livro My Fat, Mad Teenage Diary por Rae Earl – que também escreve para a série – e desenvolvida por Tom Bidwell.

A trama se passa nos anos 90, na cidade de Liconlnshire e gira em torna da vida de Rachel ‘Rae’ Earl (Sharon Rooney), uma adolescente com dificuldades em se aceitar, que passou quatros meses num hospital psiquiátrico, por tentativa de suicídio. Depois de deixar o hospital, Rae reconecta-se com sua melhor amiga, Chloe Gemell (Jodie Comer), e o grupo desta. Ninguém sabe dos problemas de saúde mental da protagonista e sobre sua permanência no hospital psiquiátrico.

Apesar de lidar com um tema tão complicado, como saúde mental e autoaceitação, essa série é maravilhosa. Eu adoro personagens aos quais podemos nos identificar com suas dores, mesmo que não as mesmas, e entendemos que todos temos dificuldades nessa vida.

A protagonista é simplesmente incrível e foge completamente do padrão, sendo uma de suas maiores dificuldades, a aceitação de seu corpo. A todo o tempo, ouvimos os pensamentos de Rae e entendemos seus problemas, além de rirmos com sua imaginação adolescente e louca.

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“Não estou bem. Acho que não estou bem há anos!” Ninguém está, querida Rae.

Aos poucos ela vai se encaixando no novo grupo de amizade e se aceitando, ao mesmo tempo em que continua o tratamento com o psicólogo, onde temos diálogos fortes e emocionantes, e outros engraçadíssimos. Os efeitos visuais são hilários e a trilha sonora de adolescente dos anos 90, está imperdível.

Mesmo que você não esteja acostumado com a comédia britânica, que tem um humor diferente do que normalmente assistimos, essa série vale muito a pena por tratar de assuntos delicados e universais. A série teve somente três temporadas, de 6 episódios, cada.

9) New Girl (2011 – 2017)

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Elenco da série no cartaz da segunda temporada.

Projeto do canal FOX, criado por Elizabeth Meriwether.

A narrativa gira em torno da vida de Jess Day (Zooey Deschanel), uma professora que adora cantar espontaneamente, que  pega seu namorado com outra mulher e precisa de um novo lugar para morar. Ela se muda para um estúdio, onde dividirá com três homens desconhecidos. Assim, terá que descobrir como lidar com as mudanças da vida, além de se relacionar com os seus colegas de quarto.

Um humor leve, inclusive a Jess é uma adorável professora, sempre positiva, que agora tem que lidar com essa “derrubada” da vida e receberá a ajuda de sua melhor amiga e seus novos roomates*.

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“Eu gosto de cantar sozinha… bastante, por sinal.”

Já está na sexta temporada e, muitas coisas já aconteceram, mas vale a pena por fazer rir quando a gente menos espera e dar voz a uma protagonista mulher, com uma personalidade incrível.

10) Parks and Recreation (2009 – 2015)

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Amy Poehler como Leslie Knope.

Exibido pelo canal CBS e criado por Greg Daniels e Michael Schur.

Como falar dessa série que é o amorzinho dos amorzinhos?

Primeiro que é estrelado por Amy Poehler que interpreta a amada Leslie Knope, aquela pessoa fofa e positiva que trabalha na prefeitura de Pawnee (Indiana) e faz tudo pela sua cidade natal.

Além disso, o elenco é bastante diverso, com personagem descendente de latino, descentende de indiano, negros e mulheres. Tem o formato de um falso documentário, com depoimentos dos personagens, que nos fazem rir alto.

A trama começa quando Andy Dwyer (Chris Pratt) sofre um acidente numa das obras abandonadas da prefeitura e Leslie Knope (Amy Poehler) faz de tudo para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que tenta reconstruir o parque onde ocorreu o incidente.

A partir disso, seguimos o dia a dia na prefeitura da cidade de Pawnee, com a Leslie sendo a pessoa mais empolgada e os outros seguindo as maluquices dela. Seu chefe, Ron Swanson (Nick Offerman), vive de cara emburrada e não fala muito, mas é o melhor amigo da Leslie e ele é o fofo que você mais respeita e quer por perto.

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Sim Ron, é você!

Além disso, temos Tom Haverford (Aziz Ansari) e Donna Meagle (Retta), que inventaram o famoso dia “Treat Your Self” – um dia especial em que eles cuidam de si mesmos, comprando e fazendo tudo o que querem. É muito amor por esse dia!

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“Cuide de si mesmo.”

Temos a jovem “rebelde”, April Ludgate (Aubrey Plaza), que vive entediada no seu estágio, mas no fundo adora o pessoal e sempre os ajuda, mas nunca sorri e mantém a pose de rebelde séria.

O Andy, já mencionado, é um desmiolado que adora cantar e não faz nada da vida. Ele é o namorado da Ann, relação que não dá muito certo, e ao longo da série vai amadurecendo e tendo um crescimento muito bom como personagem. Inclusive, foi a partir dessa série que o ator Chris Pratt saiu, rumo ao estrelato, em Guardiões da Galáxia e Jurassic World.

E claro, não podemos esquecer da amada Rashida Jones, que interpreta Ann Perkins, uma enfermeira certinha que com o passar do tempo decide seguir suas próprias vontades, errando e acertando, com o apoio de sua mais nova melhor amiga, Leslie Knope. Rashida também é roteirista e tem projetos incríveis, como o filme Celeste and Jesse forever.

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“Amiga é coisa pra se guardar…”

Quem não assistiu ao programa tem que parar TUDO e começar a série HOJE! A primeira temporada não é tão empolgante, mas a partir da segunda, a trama fica hilária e é interessantíssimo vermos a realidade, mesmo que fictícia, do trabalho governamental nos EUA. Aliás, spoiler super válido, tem um episódio que a Michelle Obama aparece e é maravilhoso.

CORRE PRA ASSISTIR!

11) The Mindy Project (2012 – 2017)

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Cartaz da série, com Mindy Kaling.

A série teve suas primeiras temporadas transmitidas pela FOX e, atualmente, é exibida pelo canal de streaming, Hulu. Argumento criado e protagonizado por Mindy Kaling.

A série acompanha a vida pessoal e profissional da ginecologista e obstreta, Mindy Lahiri (Mindy Kaling), numa clínica em New York. A atriz e roteirista começou sua carreira na televisão, com a série americana, The Office, e tem no currículo sucessos como: Divertidamente (ela é a Nojinho).

Eu adoro esse programa porque a Mindy é absurdamente engraçada. O melhor de tudo é acompanhar o crescimento pessoal da protagonista que não aceita os padrões impostos à ela.

Ao longo das temporadas, Mindy toma decisões difíceis, mas você torce por ela o tempo todo. Além do mais, o pessoal da clínica são maravilhosos, e eu dou destaque ao Morgan Tookers (Ike Barinholtz), Tamra (Xosha Roquemore) e Beverly (Beth Grant).

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Go Mindy, go Mindy!

Essa narrativa também é incrível, por ter como protagonista uma mulher fora dos padrões hollywoodianos, visto que Mindy é uma descentende de indiana, não é magrela e se aceita muito bem, além de escrever e produzir seu próprio show.

12) Veep (2012 – 2017)

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Julia Louis-Deyfrus como Selina Meyer.

Série da HBO, criado por Armando Iannucci.

A narrativa gira em torna da ex-senadora Selina Meyer (Julia Louis-Deyfrus), que aceitou o convite para servir como vice-presidente dos Estados Unidos. Vemos o cotidiano de Meyer e sua equipe, que tentam deixar sua marca e um legado duradouro, sem tropeçar nos jogos políticos que tomam conta de Washington.

O projeto já foi bastante premiado, inclusive, no último Emmy, recebeu várias estatuetas. Julia, além de atuar, também é uma das produtoras excecutivas. No seu discurso, do ano passado, além de homenagear o pai, já falecido, ela falou como a série a surpreende, por ser uma comédia, mas parecer tanto com a realidade da política americana.

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Ficção ou realidade, hã?

13) 30 Rock (2006 – 2013)

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Elenco da série no cartaz da sexta temporada.

Exibida pelo canal NBC, criada por, ninguém mais, ninguém menos, que Tina Fey.

Na série, acompanhamos os bastidores da sala de roteiristas de um programa de humor semanal e ao vivo. O projeto é baseado nas experiências da atriz e roteirista, Tina, quando trabalhou em Saturday Night Live.

Além disso, vemos a vida pessoal de Liz Lemon (Tina Fey), chefe dos roteiristas, uma pessoa que adora comer e ver televisão, que tem que provar aos colegas de trabalho que ela é a chefe e todos devem escutá-la.

Também vemos o dia a dia das estrelas do programa fictício, Jenna Maroney (Jane Krakowsky) e Tracy Morgan (Tracy Jordan), e suas bizarrices e mimos nos bastidores.

Alec Baldwin (Jack Donaghy) é o presidente da rede televisa e incorpora um empreendedor extremamente capitalista e de direita. A série contém diálogos incríveis, entre Liz e Jack, uma visionária e um conservador.

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Troféu joinha!

Essa é outra série que é o amorzinho dos amorzinhos, simplesmente por ser criada pela amada e diva Tina Fey. Eu rio horrores com esse programa, todos os personagens são hilários e é incrível ver os bastidores de um show, exibido ao vivo. Ainda, aprendemos muito sobre o famoso writersroom*, que é uma sala onde um grupo de roteiristas discutem o que acontecerá no show.

30 Rock foi muito premiada, sendo Tina Fey nomeada várias vezes ao Emmy, pelo papel de Liz Lemon. Essa série é ótima pra ver uma protagonista que não entende nada dos padrões femininos e é o máximo por isso e dá as melhores festas, porque:

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“Não existe festa como a festa da Liz, porque a festa da Liz é OBRIGATÓRIA.”

BÔNUS

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015 – 2017)

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Ellie Kemper como Kimmy Schmidt.

Já que estamos falando dos trabalhos da Tina Fey, não posso deixar de mencionar sua série mais recente. Lançada pelo Netflix, Unbreakable Kimmy Schmidt foi desenvolvida por Tina e Robert Carlock.

A trama tem como protagonista Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma das cinco mulheres resgatadas de um culto apocalíptico. Depois de anos vivendo num sótão subterrâneo, enganadas pelo religioso Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm), elas são finalmente achadas pela polícia. Assim, Kimmy decide ver o lado positivo da vida e resgatar todos os anos perdidos, indo morar na cidade de New York.

O humor é bastante sarcástico e o roteiro dá várias alfinetadas na alta sociedade nova iorquina. Em Manhattan, Kimmy divide apartamento com Titus Andromedon (Tituss Burgess), personagem assumidamente gay, que tenta conquistar o sucesso no meio musical. A dona do apartamento, Lillian (Carol Kane), vive acima deles e luta contra as “conspirações” da sociedade.

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Temos o famoso hit de Titus, “Pinoooot Nooooir.”

Além disso, a série também toca em assuntos delicados, como o machismo, racismo, homofobia, elitismo e fanatismo religioso. Na primeira temporada, os diálogos são fantásticos e as mensagens por trás deles, são incríveis. A segunda temporada se perdeu um pouco, mas acredito que a próxima virá cheia de novidades, com o humor irônico de sempre.

Assistam mais essa produção de Fey, porque vocês não vão se arrepender, nem que seja pra ver o Titus tendo aula de como ser um homem hetero ou a Kimmy, tentando achar bondade numa cidade grande, como NY.

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“Você gritou, negou ajuda e quebrou alguma coisa. Essa é a primeira lição para se tornar um homem hetero.”

*roomate: colega de quarto

*writersroom: sala de roteirista

UnREAL: o drama, sem drama, que você respeita.

Recentemente um professor comentou que as séries que a esposa dele assiste, Grey’s Anatomy e Scandal, são dramalhões muito chatos. Fiquei com isso na cabeça e tentei fazer uma análise com o outro exemplo que ele citou, Breaking Bad.

Não posso negar que os trabalhos da deusa Shonda Rhimes são dramalhões, mas muito maravilhosos. Também não posso negar que Breaking Bad é puro drama, só que o foco do protagonista vai da família ao poder, enquanto os personagens da Shondaland lidam e focam em milhares de coisas.

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“Alguém me dê um sedativo.” Até Yang sofre em Grey’s, admitimos isso. #tamojunto

Para não rebater o argumento usado com outro projeto que a própria Shonda tenha criado ou produzido, pensei em abordar outro programa, que também tenha protagonismo feminino, seja do gênero drama, além de ser o oposto das séries citadas.

Com isso em mente, o seriado escolhido foi UnREAL. A trama foi criada por duas mulheres, Marti Noxon e Sarah Gertrude Shapiro, e o protagonismo é encabeçado por Rachel Goldberg (Shiri Appleby) e Quinn King (Constance Zimmer).

 

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Quinn King (Constance Zimmer) e Rachel Goldberg (Shiri Appleby) no cartaz da segunda temporada.

A história mostra os bastidores do reality show Everlasting, que é baseado no famoso reality The Bachelor. O programa original, The Bachelor, é um show onde várias mulheres disputam o coração de um homem. Hoje em dia existe o The Bachelorette, que é a versão onde homens disputam o coração de uma mulher.

Em UnREAL, nós vemos toda a parte da produção e filmagens do programa fictício, Everlasting, e descobrimos que o “príncipe”, tão disputado, não tem nada de encantado, que a maioria das falas das participantes são induzidas pelos produtores e, posteriormente, editadas, além de vermos todos os podres dos bastidores, que apesar de ser ficção, tem muita veracidade.

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Pois é…

Para você ter uma noção de como esse drama é surreal, na primeira temporada, uma das candidatas comete suicídio no local onde o programa é filmado e na segunda temporada, um personagem é morto por racismo. Não estou entrando em detalhes porque não quero dar spoilers, mas quero provar que essa série é um drama bastante pesado e muito bem desenvolvido.

Além do mais, diferentemente de protagonistas como Meredith Grey, nós não gostaríamos nenhum pouco de conhecer Rachel e Quinn, mas a amamos de tão monstras e bizarras que elas são. Sinceramente, Walter White vai pro chinelo perto delas, porque elas conseguem manipular muito bem, tudo e todos, sem precisar fabricar drogas para isso.

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Go Rachel, Go Rachel!

Antes que pensem, eu gosto muito de Breaking Bad. No entanto, é exaustivo quando as pessoas só falam e elogiam esse tipo de programa, com protagonismo masculino, com o argumento de que é excelente e bem desenvolvido, mas nunca ouviram falar de UnREAL, que é tão maravilhoso quanto.

A intenção da série parece bem clara: mostrar todas as mentiras de um reality show, não é à toa que o nome é UnReal (Não Real). Ele mostra como essa indústria é perigosa pras próprias pessoas que participam dela, por tudo o que são obrigados a passar e por toda a competitividade fora e dentro das câmeras.

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O “bachelor” da primeira temporada Adam (Freddie Stroma)
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O “bachelor” da segunda temporada Darius Hill (B.J.Britt)

Aliás, o mais interessante do programa é justamente mostrar como a mídia cria fantasias românticas como se tudo fosse real, mas, na verdade, as pessoas do programa são bastante problemáticas, assim como qualquer outro ser humano, e vivem dentro de um sistema sedutor e destrutível, ao mesmo tempo.

Além disso, a relação das duas anti-heroínas, Rachel e Quinn, é muito questionável, pois elas são uma dupla dinâmica incrível, porém se atacam toda hora, se necessário. A Rachel tem vários problemas de saúde mental e uma mãe psicóloga que cuida dela, mas acaba piorando seu estado, enquanto a Quinn é uma pessoa que só pensa na audiência e em fazer o seu querido show, o melhor de todos, e nunca derrama uma lágrima sequer.

Ou seja, temos duas mulheres ambiciosas e excelentes exemplos de personagens femininas que vivem dramas, sem fazer drama, até porque, elas são obrigadas a esconder tudo, senão seriam presas em três segundos. E claro, não posso deixar de comentar que ambas tem relacionamentos amorosos péssimos, com homens, mas uma acaba sendo o suporte da outra e sempre dão a volta por cima dos ex, que também não são flor que se cheire.

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“Isso é o poder feminino.”

Em contra partida, temos outros persongens como Jay (Jeffrey Bowyer-Chapman) e Madison (Genevieve Buechner) que tem atitudes mais associáveis, mesmo fazendo besteiras, de vez em quando. Aliás, as próprias candidatas do falso reality são maravilhosas, porque cada uma tem uma história diferente e por mais que elas queiram ganhar o “prêmio”, elas não fazem ideia do que estão fazendo ali e questionam a produção do programa o tempo todo, além de terem medo do que pode acontecer com elas. É si por si, mas volta e meia algumas alianças são formadas, até algo quebrar essa união.

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Elenco da primeira temporada.

É importante frisar que essa narrativa é bem forte e mostra o pior do ser humano e da televisão, nos fazendo refletir e questionar sobre o que assistimos, sobre relacionamentos humanos e ambição profissional, e pior, como que vale tudo por audiência.

Sendo assim, eu recomendo essa série pra quem gosta de assuntos pesados e uma realidade nua e crua, cheia de reviravoltas, com personagens mulheres maravilhosas, algumas assustadoras, mas incríveis, e também porque cada temporada tem somente dez episódios de 40/50 minutos e a terceira temporada ainda vai começar.

BIBLIOGRAFIA

IMDB, UnREAL.2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3314218/&gt;. Acessado em: 29 de dez.

Nurse Jackie: a protagonista que trai o marido.

Você sabia que existe uma “regra” na televisão americana, em que mulheres não podem trair seus maridos?

De acordo com o livro Na sala de Roteiristas, escrito por Christina Kallas, essa é uma, de provavelmente muitas, das regras veladas das emissoras. O livro fala sobre a sala de roteiristas, muito comum na televisão norte-americana, em que alguns ou vários roteiristas sentam-se numa sala e discutem os episódios da série em questão.

A autora entrevista diversos profissionais da área, alguns roteiristas e produtores-executivos, sobre suas experiências no writer’s room e seus trabalhos em séries famosas como: Sex and the city, Gilmore Girls, Game of Thrones, Mad Men, etc.

O assunto que mais me chamou a atenção foi na entrevista do showrunner* Warren Leight, em que ele comenta sobre essa regra, dizendo que se o personagem feminino trair o marido no programa, as chances do público não gostar mais dela são grandes.

trairnaopodeTrecho do livro Na sala de roteiristas.

Com isso em mente, fiz questão de assistir a série que quebra essa norma, Nurse Jackie, e entender melhor esse regulamento, que mais parece uma imposição. O programa teve sete temporadas e, até agora, assisti as duas primeiras.

Antes de tudo, gostaria de deixar claro que traição não é legal. Quando estamos numa relação monogâmica, seja com quem for, trair é mentir e enganar o outro. Isso quebra a confiança e, pior, afeta a auto-estima do outro e pode causar feridas incuráveis. É muito melhor e mais saudável, quando se há vontade de ficar com outras pessoas, que o casal discuta a respeito e chegue num consenso, onde eles podem abrir a relação ou ser poliamoristas, por exemplo.

Porém, a verdade é: traição existe e ela não é restrita a nenhum gênero. Ela acontece por várias razões e a intenção aqui não é julgar, mas sim compreender o motivo desse princípio absurdo, em que personagens mulheres não podem ou não devem trair seus companheiros, mesmo que na ficção.

Esse assunto surgiu depois que a escritora perguntou “Você dá ouvidos a coisas como ‘o público não vai gostar disso’?” Com essa questão, Warren diz que na sala de roteiristas de Mad Men, eles queriam que a esposa do protagonista, Don Draper (Jon Hamm), tivesse um caso. Eu não assisti essa série, mas na sequência ele conta que a personagem, Betty Draper (January Jones), “acabou traindo, mas não gostou, ou a experiência só serviu para ela dar o troco no marido, mas foi um erro”.

img_8761-jpgTrecho tirado do livro Na sala de Roteiristas.

Refletindo sobre o assunto chego a conclusões óbvias: numa área de trabalho onde a maior parte dos escritores são homens brancos, é difícil conseguir mudar regras as quais eles mesmos criaram.

Além disso, Nurse Jackie, citada na entrevista, tem como protagonista Jackie Peyton (Edie Falco) e ela trai o marido. A série exibida no canal Showtime, foi lançada em 2009 e teve sete temporadas de dez a doze episódios cada. Ou seja, a série pode ser considerada de sucesso, pois um programa que chega ou passa da quinta temporada, já ganha tal mérito.

A trama é protagonizada por Jackie, uma enfermeira de personalidade forte, que entende mais do que alguns médicos sobre salvar vidas, é uma viciada em remédios, e você a ama porque ela faz coisas como: jogar a orelha cortada de um homem na privada porque ele batia na mulher. Isso é contra os princípios da medicina em que a médica ou enfermeira tem que tratar todos os pacientes da mesma forma, mas nossa personagem nunca se contém.

Ademais, um dos arcos principais da trama, é a vida amorosa de Jackie em que, já no piloto da série, a vemos tendo relações com o farmacêutico, Eddie Walzer (Paul Schulze), e retornando a casa para seu marido, Kevin Peyton (Dominic Fumusa), e suas filhas, Gracie (Rubie Jerins) e Fiona (Mackenzie Aladjem).

Essa parte da série não só é importantíssima pra história, como nos prende a todo o instante, e nos provoca a desvendar essa misteriosa mulher, que esconde sua vida pessoal no trabalho e conta poucos detalhes para sua família sobre seu dia a dia no hospital. Até onde vi da série, não dá pra entender os motivos pelo qual Jackie tem um amante – que por sinal, ele não sabe que ela tem marido e filhas – mas isso é o de menos. Assim como é “aceitável” que Don Draper trai sua mulher e sua vida segue normalmente, a vida de Jackie tem o mesmo rumo e nos deliciamos com essa série de comédia dramática que é muito bem escrita e desenvolvida.

Outro caso famoso de traição de uma mulher, também citado na conversa com Warren, é a de Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh), em Grey’s Anatomy. Essa mulher linda e maravilhosa retorna a vida de seu marido, Derek Shepherd (Patrick Dempsey), depois de todos os problemas da traição, e faz tanto sucesso com o público que ganhou sua própria série, chamada Private Pratice (2007-2013). Uma série que inclusive teve seis temporadas e é trabalho da deusa Shonda Rhimes.

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Kate Walsh no papel de Addison Sheperd. “Oi, Eu sou Addison Sheperd.”

Mais um exemplo de caso extraconjugal é Skyler White (Anna Gunn), da série Breaking Bad, que trai o famoso professor de química e traficante, Whalter White (Bryan Cranston). Dizer que alguma dessas séries não fez sucesso é loucura. Dizer que essas personagens não são adoradas pelo público é insanidade.

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A atriz Anna Gunn que interpretou Skyler White.

Isso prova que essa regra está dentro da cabeça dos homens que escrevem as séries, que deixam clara sua visão de mundo. Talvez por nunca aceitarem ser traídos, talvez por querer impor isso, ou pelo simples fato de que nossa sociedade impõe tantas coisas as mulheres, como ser uma boa esposa e fiel a seu marido, que isso fica nítido nas histórias por trás e dentro da ficção.

Mesmo sendo dito na entrevista que esse padrão vem da televisão aberta, o exemplo citado – a traição em Mad Men – vem de um canal fechado e passou pelo mesmo problema que qualquer outro canal aberto teria: ser escrito e produzido por homens brancos.

Assim, ao escrever uma série, é impossível a visão de mundo do roteirista não tomar conta de seus personagens e suas tramas, e como a maioria são produzidas por pessoas do sexo masculino, acaba sobrando pras personagens mulheres as regras que os homens sempre nos impõem. Ainda bem que temos Jackies, Addisons, Skylers, para romper com esses padrões e nos encantar com suas histórias fictícias.

*O Showrunner é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

Bibliografia

KALLAS, Cristina. Na sala de roteiristas. 2014.

 

Séries de sucesso criadas por mulheres: vamos falar sobre elas, TODAS elas?

“Tony Soprano é um mafioso que faz terapia e tem demaios por aí.. ele é uma mulherzinha frágil.” Entre esses e muitos outros adjetivos, eu tive o prazer e em alguns momentos, desprazer, de assistir uma palestra sobre roteiro no Festival do Rio 2016.

Minha crítica aqui não é ao palestrante, mas sim a alguns termos usados aos personagens durante a palestra e a falta de assunto sobre séries criadas e protagonizadas por mulheres.

Resumidamente, o Masterclass foi sobre criação de roteiro, com exemplos de filmes e séries de sucesso, e seus respectivos personagens. Todas as séries de sucesso mencionadas foram criadas por homens, a não ser Friends. Até ai, sem problema algum. Era a preferência do orador e realmente são séries maravilhosas, como Breaking Bad.

No entanto, fica a pergunta: num universo pós Shonda Rhimes, quando será que o foco no mundo masculino reduzirá e assuntos mais interessantes como quem vai morrer na próxima temporada de Grey’s Anatomy serão mencionadas em aulas e palestras de roteiro/cinema?

O evento teve quatro horas de duração e o tema do momento eram os heróis contemporâneos, que até então, são chamados de anti-heróis, pois são pessoas com muitos problemas e defeitos. Estes são protagonistas e fazem bastante sucesso com o público, pois nos identificamos com o seu jeito “errado” de ser.

Quando começaram os exemplos de personagens – Walter White, Tony Soprano, Don Draper – a primeira coisa que veio na minha cabeça foi: será que ninguém vai mencionar Meredith Grey ou Annalise Keating?

Grey’s Anatomy é uma das séries de maior sucesso dos EUA, criado pela deusa Shonda Rhimes, está na sua décima terceira temporada e a protagonista é uma das personagens mais problemáticas de uma série médica. São tantos problemas na vida dessa pessoa e tantos “erros” que ela comete em prol de suas ambições, que estou longe de chamá-la de heroína, e justamente por isso, nos identificamos e amamos tanto Meredith e sua bestie Cristina Yang, por exemplo.

Shonda Rhimes na capa da revista The Hollywood Reporter

Além de Meredith, temos outros exemplos de protagonistas como Olivia Pope (Scandal), Annalise Keating (How to get away with a murder), Rachel e Quinn King (Unreal), que são monstros de pessoas e monstros de personagens, com sentido de grandiosas e peversas, que não entra na minha cabeça numa aula de quatro horas, com um público igualmente dividido entre homens e mulheres, o professor da vez não mencionar nenhum desses grande exemplos de anti-heróis femininas.

Parece que sucesso válido de ser discutido em aulas e Masterclasses só servem se tem heróis e anti-heróis homens. Essa não foi a primeira Masterclass que tive de roteiro e muito menos a primeira aula de roteiro na minha vida, eu estou mais do que acostumada a questionar sobre quando iremos falar de personagens femininas e séries/filmes criadas por mulheres.

Apesar de muitas aulas serem excelentes, eu fico muito decepcionada por quase ninguém citar criadoras e produtoras como Shonda e Tina Fey, entre muitas outras, e seus respectivos trabalhos e métodos de escrita. Ou será que ninguém sabe que “Regina George trai o Aaron Samuels toda quinta na sala de projeção em cima do auditório”?*

A maravilhosa Tina Fey também atuou em Meninas Malvadas

Além de não serem mencionadas, mesmo em tempos de Jessica Jones, alunas de cinema como eu ainda são obrigadas a ouvir as “falhas” dos personagens masculinos sendo caracterizadas como falhas femininas ou o tal “mulherzinha”.

Ao mencionar o protagonista da série The Sopranos, um personagem que mata, mete a porrada, rouba, mente, e sabe-se lá mais o quê, vale lembrar e enfatizar que um dos motivos de sucesso deste programa é justamente um mafioso fazer terapia e, assim, as pessoas conseguirem se aproximar e, quem sabe, se identificar com este anti-herói.

Tony não foi o primeiro e nem o último mafioso da ficção a fazer sucesso, mas o seu destaque é ter problemas do dia a dia como qualquer outro ser humano. Olha o quão inusitado é um bandido tendo uma psicóloga particular porque quer achar meios que o ajudem a resolver seus conflitos internos. O que estou querendo dizer é que justamente o lado “mulherzinha” dele, de acordo com a palestra, é que o faz interessante e um dos personagens de maior sucesso da televisão.

Sendo assim, no momento atual da televisão e do cinema, fica complicado negar o predomínio do universo masculino em aulas e masterclasses de roteiro/cinema, e acaba sendo inevitável questionar o motivo desse predomínio. Claramente a supremacia do homem branco ainda nos rodeio e nos impede de ver e glorificar a diversidade do mundo e do audiovisual afora. Sorte que temos Tinas, Amys, Shondas e futuras criadoras que querem e vão mudar isso.

Tina Fey e Amy Poehler

 

*Essa piada foi uma referência ao filme Meninas Malvadas, escrita e eternizada por Tina Fey.