13 Reasons Why | Precisamos falar sobre suicídio

Eu não tinha certeza se escrever uma resenha sobre 13 reasons why seria a coisa certa a ser feita porque tinha medo de me expor demais. Mas desde que terminei de assistir a série ontem às 2h da manhã, não consegui parar de pensar sobre a Hannah, Clay, Justin, Alex, e as vidas de todos aqueles personagens e como não podemos julgar ninguém. 

Pensei sobre minhas dificuldades e das pessoas próximas a mim que também já passaram por problemas. Aliás, quem não passa por problemas? 

O mais importante da série é o efeito que ela provoca. A conscientização, as conversas que ela gera e, se tudo der certo, as transformações na forma como nos relacionamos. Uma pessoa deprimida não pode passar despercebida. 

Hannah é uma adolescente que muda de escola e, sem ter muitos amigos, ganha uma reputação de “vadia” depois que os meninos viralizam uma foto dela pra todo mundo ver. Aos poucos, o bullying vai crescendo e se torna uma bola de neve, que ela chama de “efeito borboleta”. Os acontecimentos vão se embolando e piorando tudo. E durante todo esse tempo, Hannah sofre silenciosamente. 

Ela é uma menina incrível, bonita, inteligente, que escreve bem, e poderia ter sido feliz. Mas, conforme ela relata nas fitas que gravou justificando seu suicídio, as pessoas destruíram pouco a pouco sua alma, quem ela era, deixando-a completamente vazia e sem propósito. Ela se sente um fardo para os pais e imagina que a vida de todos seria melhor sem ela, porque a vida dela deixa de ter valor pra ela própria. 

O cyberbullying também marca presença na série, ressaltando que o sofrimento não surge apenas cara a cara. As pessoas se escondem por trás de um dispositivo e se sentem mais livres da responsabilidade de propagar determinada imagem ou boato, sem pensar que aquele simples ato traz sérias consequências. 

Às vezes algo que parece pequeno pode provocar uma dor muito grande no outro. E não é fácil perceber isso. 

É uma série forte e muito pesada, mas extremamente necessária. É muito importante que as pessoas assistam. Tanto as que possivelmente cometem atitudes semelhantes aos dos colegas de escola da Hannah, quando as pessoas que se sentem como ela. 

E se você precisa de ajuda, conversa com alguém, se abre, mostra o que está sentindo, mesmo que não esteja sentindo nada. Há muitas pessoas que também se sentem assim. Você não está sozinho, ainda que tudo indique que está. 

Em setembro de 2015, tudo o que eu queria era sumir. Mas consegui falar e contar pros meus pais o que estava acontecendo. Vamos falar sobre isso, vamos enfrentar e enxergar que há sempre uma saída, que as coisas melhoram e a escuridão passa. 

A história da Hannah não precisa ser a história de outras meninas e meninos.

Se você estiver procurando o que assistir, veja 13 Reasons Why. Se não estiver procurando, assista. Não seja um porquê na vida de alguém, e se você tiver um porquê, fale sobre isso. Nem todo mundo é ruim. Ainda há pessoas boas. Acredite em mim. 

Centro de Valorização da Vida: http://cvv.org.br

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