One Day At A Time: a sitcom mais incrível da atualidade

Preciso compartilhar com o mundo minha mais recente descoberta na Netflix, a sitcomOne day at a Time.

Música tema e abertura da série, cantada pela Gloria Estefan.  É uma das poucas séries que eu faço questão de assistir a abertura de todos os episódios porque eu fico dançando também.

A série conta a história de uma família de cubanos que mora nos EUA. A “abuelita”/Lydia, interpretada pela rainha Rita Moreno, foi embora de Cuba muito cedo, devido aos problemas políticos, deixando parte de sua família para trás e começando uma nova nos Estados Unidos.

Apesar da perda, a narrativa nos leva para uma nostalgia muito grande por parte da avó, onde aprendemos e sentimos de perto sua dor, além de nos trazer problemas bastante atuais com a história dos netos e da filha.

One day at a time é um remake* de uma sitcom com o mesmo nome. A série foi exibida entre os anos de 1975 – 1984 no canal CBS no EUA, tendo um total de nove temporadas.

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Cartaz da série original.

A série original contava a história de Ann Romano (Bonnie Franklin), uma mulher recém divorciada que se muda para a cidade de Indianapolis com suas duas filhas.

Apesar de ser uma série antiga, ela também abordava assuntos bastante delicados pra época, como uma mulher divorciada que, ao mesmo tempo em que quer educar as filhas, quer dar a liberdade que ela nunca teve quando mais nova.

O remake da Netflix segue o mesmo caminho, atualizando os papeis dentro da família e alguns temas abordados.

1) Lydia ou “Abuelita” (Rita Moreno)

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Rita Moreno como Lydia.

Quem é a melhor personagem e porque é a “abuelita”?

Sinceramente, nem sei como começar a falar dessa personagem. Eu amo a Lydia de todas as formas! Ela é absurdamente engraçada, mas também nos faz chorar toda vez que ela relembra seu passado, é conservadora, mas aceita toda a diversidade que está presente em sua casa, ela faz drama, drama, drama, ou seja, ela é simplesmente incrível.

Eu tenho esse carinho especial pela “abuelita”, pois a associo com pessoas da minha vida, como minhas tias por parte de pai. Assim como Lydia, minhas tias eram musas inspiradoras quando jovem, os homens babavam por elas – e babam até hoje – e foram mulheres absurdamente corajosas e guerreiras, então não tem como eu não me apaixonar por essa personagem. Tudo nela é encantador e é só ela abrir a boca que eu já estou rindo com suas maluquices.

Para não ficar uma hora falando desse amorzinho de pessoa, vou fechar com uma notícia que enche meu coração de alegria. A atriz que interpreta a Lydia é ninguém mais, ninguém menos, que Rita Moreno. Moreno é uma atriz, cantora e dançarina porto-riquenha, ganhadora do Oscar, Emmy, Grammy e Tony, que tem 86 anos de idade e esbanja juventude, talento e carisma. Quer mais o quê?

Vídeo feito pela Netflix em homenagem a carreira de Rita Moreno.

2) Penelope (Justina Machado)

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Justina Machado como Penelope.

Penelope é filha de Lydia, nascida nos Estados Unidos e ex-veterana de guerra. Quando sua filha mais velha, Lena, nasceu, ela e seu ex-marido decidiram se realistar no exército devido ao ataque terrorista de 11 de setembro em Nova Iorque. Anos depois, ela voltou para o EUA e, atualmente, mora com os filhos e a mãe em Los Angeles, onde trabalha como enfermeira.

Essa personagem tem uma trajetória muito interessante e quanto mais a gente conhece a história dela, mais nos apaixonamos por ela. Penelope está em processo de separação do marido por vários motivos pesados e agora cuida dos filhos com a ajuda da mãe, mas é ela quem banca os custos da casa.

Ou seja, além de ser mãe solteira e ter que lidar com todas as dificuldades que vem com esse papel, Penelope também lida com sua depressão pós-guerra. Ela toma anti-depressivos e faz terapia, mas a gente vê de perto a dificuldade que é enfrentar tudo isso e manter um sorriso estampado no rosto. Eu simplesmente adoro a veracidade dessa personagem e a força dela como mulher independente num mundo tão machista quanto o nosso.

3) Elena (Isabella Gomez)

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Isabella Gomez como Lena.

Porque ela é a segunda melhor personagem e eu a AMO tanto? Talvez seja porque Lena é FEMINISTA, MARAVILHOSA, luta pela diversidade e é contra o privilégio dos homens brancos heteros. Ela é o pacote completo da perfeição e só não é a minha favorita porque a “abuelita” me ganha toda vez que acorda dançando.

A primeira temporada mostra a descoberta da sexualidade de Lena de uma forma extraordinária. A personagem começa a questionar se ela gosta de meninas ou meninos e vai descobrindo aos poucos, de uma forma muito bastante sincera. Eu sou completamente apaixonada por essa personagem e pela narrativa abordar a homossexualidade de uma forma natural e acolhedora. Para mim, a série vale só pela jornada da Lena.

Além disso, Elena é uma personagem muito fiel as meninas e mulheres que estão cansadas de serem diminuídas por causa do seu gênero e por isso abraçam o feminismo. Eu AMO essa personagem e a riqueza que vem junto com ela. Por favor, que venham mais Lenas na televisão, no cinema, na música, no MUNDO.

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“Ei ,mãe, eu acho que gosto de garotas.”

4) Alex ou “Papito” (Marcel Ruiz)

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Marcel Ruiz como Alex ou “Papito”.

Pra quem tem um irmão, seja mais novo ou mais velho, sabe o que é ter um “Papito” na sua vida. Que menino mimado, senhor! A avó não cansa de elogiar o Alex e dizer o quão especial ele é e deixa a Lena de lado. Apesar de ser engraçado, eu vejo muito isso ao meu redor, onde só por você nascer homem, sua família automaticamente te enxerga como alguém especial.

Felizmente, isso tem mudado bastante. Com Lenas vindo por aí, dou alguns anos para os paparicos virem tanto para meninas quanto meninos, cis ou trans, heteros ou gays, não importa. Todo mundo tem um quê de especial e os privilégios vão acabar, eu tenho certeza disso.

No entanto, eu admito que na segunda temporada o Alex tem um salto gigante na narrativa e ele começa a enfrentar a xenofobia* na escola, ou seja, por ele ser descendente de cubanos, ele é ofendido o tempo todo. É muito incrível a forma como a série aborda esse assunto e, pela idade dele, eu fico boba quando ele dá uma banho de ensinamento na mãe e na avó ao aceitar super bem o fato da Lena talvez gostar de meninas assim como ele.

Tomara que os meninos que estão vindo por aí aprendam com esse personagem e deixem de lado essa mania de querer socar tudo e achar que pra ser homem é preciso esconder sua dor. Homens, por favor, se libertem do machismo assim como o “Papito”, ser homem não te impede de chorar, nem de ser sensível e nem de aceitar as diferenças dos outros, pelo contrário, está mais do que na hora dos homens entrarem na luta e acabar de ver com o machismo da sociedade. Juntos somos mais!

5) Schneider e Dr. Berkowitz

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À esquerda, Todd Grinnell (Schneider), e a direita Stephen Tobolowsky (Dr. Berkowitz).

Eu queria dedicar uma seção para cada um desses personagens, mas devido a todas as acusações em Hollywood, temo estar dando espaço para quem não merece. No entanto, como esses dois personagens são muito especiais, não vou deixar de falar deles.

O Schneider é um canadense que mora nos EUA há anos e é dono do prédio em que a família da Penelope mora. Ele é um homem branco hetero mega privilegiado, mas que aos poucos vai entendendo, mesmo que MUITO DEVAGAR, o quão privilegiado ele é e vai mudando a partir do momento em que entende as vantagens que ele tem sobre os outros.

Ele tem um passado com drogas e álcool que a série ainda não abordou muito a fundo, mas que a gente começa a entender sua trajetória quando ele fala da sua família, que não parece ser tão conectada quanto a família dos seus vizinhos cubanos. No entanto, ele tem um jeito muito sensível e acaba conquistando seu lugar na família cubana que ele tanto perturba.

Já o Dr. Berjowitz é uma figura! Sério, que personagem divertido. Ele é apaixonado pela Lydia, mas ela diz que pertence ao Berto, seu falecido marido, e deixa o médico na zona de amigo e ele leva de boa. Às vezes, eu torço por esse casal, mas ao mesmo tempo eu entendo que a “abuelita” não quer e fico feliz pela série abordar essa amizade inusitada e extremamente engraçada.

No geral, gosto muito desses dois personagens, pois são homens heteros fora da caixinha, visto que eles abraçam a diversidade, choram, são amigos e sensíveis, ou seja, o tipo de homem que a gente torce pra ver na vida real. Tomara que seja o começo de personagens masculinos assim na ficção e que a era do “macho fazendo machice” acabe de vez.

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Está esperando o que para começar a maratona?

*sitcom: comédia de situação, onde existem uma ou mais histórias de humor encenadas em ambientes comuns, como família, grupo de amigos ou local de trabalho.

*remake: refilmagem de algum filme ou série antiga.

 

 

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Joey & Barney: o mulherengo que NÃO precisamos em nossas vidas

Como toda fã de Friends, recentemente voltei a assistir o seriado, pois é e sempre será uma das melhores séries de comédia que já existiu. Ao mesmo tempo, também decidi rever How I Met Your Mother porque é outra sitcom maravilhosa e tem minha amada Robyn Scherbatsky (Cobie Smulders).

No entanto, agora, já com 25 anos de idade e bastante engajada no feminismo, não consigo deixar de notar e me incomodar com dois personagens dessas comédias: Joey (Matt LeBlanc) e Barney (Neil Patrick Harris).

Para quem entende das séries, provavelmente já sabe o porquê deu ter escolhido justamente esses dois personagens, mais conhecidos como os mulherengos e pegadores do grupo. Assim, farei uma breve análise e introdução dos dois e, depois, explicarei o porquê esses personagens precisam de uma bela repaginada.

1) Joey Tribbiani – FRIENDS

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“Ichiban, batom para homem.”

O Joey é um aspirante a ator, não muito inteligente, descendente de italiano, tem sete irmãs e leva muito jeito com as mulheres. Com o passar das temporadas, ele finalmente consegue um papel importante na sua carreira, como o famoso Dr. Drake Ramoray, no entanto, ao contrário dos outros, não muda muito o seu jeito de ser.

Sim, ele é hilário. Sim, tem cenas que matam a gente de tanto rir. Sim, é fofo quando ele se apaixona pela Rachel (Jennifer Aniston) e, sendo bem sincera, torci mais por esse casal do que por Rachel e Ross (David Schwimmer). Sim, sim, sim. Sabemos de tudo! Agora, vamos aos fatos:

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“Como você vai?”

Com a famosa frase “Como você vai?”, nosso querido galanteador conquista milhares de mulheres, mesmo não sendo esse colírio todo (ao menos não pra mim). E qual o problema disso?

O problema é que de todas as mulheres, apenas 2 ou 3 tem nome e mexem com os sentimentos do personagem. O resto não tem nome, sobrenome, não falam e ainda viram deboche das inúmeras piadas machistas do programa.

Além disso, lembro de um episódio que o Joey vai num apartamento que ele já tinha ido antes e fica revoltado porque acha que a mulher não lembra de ter dormido com ele. Ou seja, esquecer o nome delas, mentir, não ligar no dia seguinte, tudo bem, MAS, esquecer o famoso Joey, NÃO PODE, pois ai você mexe com o ego do bonitão. Outro episódio que me recordo, é quando a Rachel passa a morar com o Joey e eles combinam que ela iria ajudá-lo a despachar as mulheres que dormiam com ele.

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“Não estou arrependido!” Sabemos que você não está arrependido.

Novamente, eu gosto da série e do personagem, porém, devemos problematizar essas atitudes machistas e misóginas. Depois que eu falar sobre o Barney, vou refletir melhor sobre o assunto. Sigam-me os bons!

2) Barney Stinson – HOW I MET YOUR MOTHER

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O Barney tem uma ótima vida financeira, detesta relacionamento sério, foi criado, junto de seu irmão, somente por sua mãe e é o cara mais pedante e carente possível, que passa a maioria dos episódios tentando levar alguma mulher desconhecida pra sua casa e, adivinha… ele consegue!

Apesar de adorar a série, eu realmente não gosto do Barney. Acho ele chato e desnecessário, mas entendo o motivo do personagem existir e é ótimo pra discussão.

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“Desafio aceito!” Também aceitei o desafio, querido.

O personagem pega milhares de mulheres, todas sem nome, se envolve amorosamente 2 ou 3 vezes, o relacionamento mais importante é com a Robyn e, inclusive, tem um livro de cantadas, ao qual ele se vangloria e acha que deve ensinar outros homens a serem iguais a eles.

Agora que fiz uma pequena introdução dos personagens, vamos problematizar direito.

Qual o problema deles serem mulherengos e não gostarem de relacionamento sério?

O problema é simples: nossa sociedade machista. Mas como assim? O que isso tem a ver com machismo?

Tudo, eu lhes digo. Pois enquanto você, homem, é ensinado que deve sair e se relacionar com o máximo de mulheres possíveis, até encontrar a tal pra casar, caso encontre, nós, mulheres, somos ensinadas a buscar um príncipe encantado (ao qual nunca existirá) e claro, se dar ao respeito e ter poucos parceiros na vida.

Ou seja, é muito fácil pra um Joey ou um Barney paquerar uma mulher, levar ela pra cama e no dia seguinte esquecer o nome dela, pois ele já está pensando na outra que ele vai conquistar. Mas, não é fácil pra uma mulher, dentro da sociedade MACHISTA, se libertar dos ensinamentos dados a ela e ir pra cama com um cara, sem envolver sentimentos. Pior ainda é que, quando envolvemos sentimentos e ficamos interessada no outro, somos grudentas e carentes. Quando dormimos e não nos importamos com o nome dele, somos, no mínimo, vadias ou mulheres que não são pra casar.

Eu sei que muitas mulheres incríveis estão quebrando isso na vida delas e ajudando outras amigas a quebrarem também, no entanto, a verdade é que a maioria das mulheres ainda vive dentro dessa bolha e é muito difícil rompê-la, é mais difícil ainda quando vemos séries, filmes ou novelas, com os tais galãs, que perpetuam esses ensinamentos de tratar mulher como objetos sexuais e depósito de esperma.

Claro que rimos e nos divertimos com Joey e Barney, mas, se trouxermos essas histórias pra vida real, com certeza eu ou você, conhecemos alguma mulher que foi tratada desse jeito e levou bastante tempo pra superar isso, até porque, a sociedade ensina as mulheres a sempre verem defeito nela mesma, enquanto o homem vê defeito no outro.

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“Morto para mim!” Isso aí, Lily… temos que ACABAR com essa cultura machista!

Digo isso, pois, nos últimos dias, tive uma conversa com alguns amigos e eles admitiram que já xingaram muitas mulheres que o rejeitaram, enquanto eu, quando fui rejeitada, critiquei a mim mesma, pois sempre achei que o defeito estava em mim. Isso ainda é um processo, mas hoje em dia já quebrei mil tabus que não voltam mais, só que ainda sei que muitas meninas vão passar pelo o que passei e serão poucas as pessoas que vão conversar com elas e explicar que NÃO, o problema não está nelas. E pior ainda é quem justifica, dizendo que é instinto de homem. Não é instinto, mas, SIM, cultura.

Homens não pegam mulheres só por instinto, pois nós também temos instintos e todos sabemos o quanto sexo é bom. No entanto, eles são ensinados e provocados a todo o instante a irem atrás de mulheres diferentes e gozarem o máximo que puderem, sem se preocupar com o nome delas, em ligar no dia seguinte, muito menos em ter um relacionamento sério, pois, “macho que é macho”, faz isso tudo e um pouco mais.

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“Foda-se essa porra sexista.”

Sexo por sexo seria ótimo se todos tivéssemos a mesma criação, porém, enquanto nossa cultura ensinar que mulheres devem ser “belas e recatadas e que saibam o promoção do dia dos mercados” e homens “devem se sentir o máximo e acharem que seus órgãos genitais são mágicos”, Joeys e Barneys vão sempre ser homens idiotas e covardes, mas, que a sociedade sempre criticará as mulheres fáceis que quiseram deitar com eles, ao invés de criticá-los, por terem tratado elas como a presa do dia.

Me questiono ainda mais, como Joey, que tem sete irmãs, é capaz de fazer isso, sem se sentir mal. Aparentemente, se não for família, ai pode tratar mulher como objeto, né? Muito menos entendo justificarem as atitudes do Barney, dizendo que ele foi abandonado pelo pai, sem mencionar que ele tem uma mãe fantástica, que deu tudo do bom e do melhor pra ele. Claro que tem outras justificativas, como ele ter gostado de uma garota que destruiu seu coração, mas, coração partido todo mundo tem e nem por isso é razão pra tratarmos os outros de uma forma desprezível e descartável.

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Assim, fica a reflexão, do por quê não é legal ser um Joey ou Barney, ainda mais na era Tinder, em que o sexo ficou muito mais acessível. Precisamos falar de amor e sexo, mas deixando claro e evidente que amor e sexo só será algo lindo e maravilhoso de se viver, quando mulheres e homens tiverem direitos iguais, inclusive e, especialmente, na vida amorosa, evitando, assim, que mulheres sofram ou se punam por motivos e pessoas desnecessárias e que entrem em relacionamentos abusivos e destrutivos.

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Adiós, muchachos!

Para as pessoas que querem mudar isso, independente se você sai com homem ou mulher, se é hetero, bi ou gay, não importa, apenas sejam sinceros e tratem o outro como uma pessoa com sentimentos. Caso você queira só sexo, dê a chance do outro escolher, se ela/ele quer e aceita só isso, também. Talvez algo não te afete tanto, mas pro outro pode ser uma grande facada. Sendo sincero (a), você já permite que o outro escolha o melhor caminho nessa situação.

Vai ter FEMINISMO, SIM! Juntas enfrentamos o machismo de todo o dia.

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Juntinhas!!!