Oscar 2017: Melhor Atriz

A grande premiação do Oscar 2017 será no dia 26 de fevereiro e como neste ano ocorreram mudanças positivas, ainda que poucas, sobre as quais eu falo no texto Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade, eu decidi fazer uma análise do trabalho das Maravilhosas Mulheres que estão concorrendo ao prêmio.

Nesse primeiro texto falarei das performances das atrizes indicadas na categoria de Melhor Atriz.

1) Isabelle Huppert por Elle

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Escrito por David Birke e dirigido por Paul Verhoeven.

Sinopse*: Como Michèle, Isabelle Huppert interpreta uma CEO bem sucedida que se recusa a ir à polícia quando é estuprada em sua casa e decide encontrar o crimonoso por conta própria.

Esse filme me deixou um pouco dividida, pois, ao mesmo tempo em que achei a personagem principal incrível, me questionei bastante a respeito da trama. É difícil entender a relação que a protagonista tem com todos ao seu redor, mas, conseguimos entender seu jeito frio de ser.

Quando criança, Michèle sofreu um grande trauma, graças ao seu pai – quem ela repetidamente chama de monstro – e ficou conhecida como a “criança ensanguentada”.

A partir disso, entendemos o porquê da personagem não expressar qualquer tipo de emoção e, particularmente, achei que a atriz Isabelle Huppert fez isso majestosamente. É como se ela fosse um “robô” – ou alguém extremamente frígido- na maior parte do tempo, porém, nas poucas vezes em que expressa sentimentos, o público sente sua dor, especialmente na cena em que ela é violentada.

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“Não dá para inventar isso.”

Apesar de questionar um pouco o roteiro, pois muitas das cenas e diálogos não me agradaram, eu gostei de ela estar decidida a se vingar do homem que invadiu sua casa e abusou dela. Aliás, eu adorei o fato de que esta heroína não precisa e não aceita a ajuda de ninguém, até mesmo em casos extremos. Não que esta fosse a melhor opção, no entanto, é raro vermos um personagem feminino agir dessa maneira e isso chamou minha atenção. Também achei maravilhoso que ela é presidente de uma empresa de jogos de videogame, um mundo que, normalmente, é dominado pelo homens.

Assim, acredito que Isabelle fez uma excelente performance e é, sem dúvida, o melhor do filme. Além disso, acompanhamos sua história sem que os homens roubem a cena, algo que costuma acontecer quando o roteiro é escrito por um homem, mas, felizmente, não foi o caso. Acredito que ela é uma das mais cotadas a ganhar o prêmio, visto que ela já conquistou o Globo de Ouro 2017 pelo mesmo papel e seria uma ótima escolha da Academia.

2) Ruth Negga por Loving

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Filme escrito e dirigigo por Jeff Nichols.

Sinopse: Ruth Negga é Mildred, uma mulher afrodescendente, cujo amor por Richard, seu marido branco, acaba mudando leis que proibem casamentos interraciais nos Estados Unidos.

E O Oscar Vai Para…

Sim, admito que estou na torcida por Ruth Negga. A história do filme é baseada em fatos reais e, Mildred é uma protagonista extraordinária. Numa época em que o racismo era extremo e violento nos EUA, é lindo ver um casal como Mildred e Richard (Joel Edgerton) que usa o amor de um pelo outro como arma contra o preconceito cego da sociedade.

A personagem de Ruth é tímida, carismática e, apesar de ser frágil, se mostra mais poderosa e corajosa do que qualquer um que já conhecemos. É doloroso e sofrido assistir ao filme, no entanto, também é emocionante e cativante, pois o longa nos faz refletir até onde os preconceitos do nosso dia a dia pode nos levar e como estes são completamente massacrantes e desumanos.

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Mildred (Ruth Negga) e Richard (Joel Edgerton).

Me emocionei do começo ao fim com Mildred e achei a química dos atores maravilhosa. Adoro filmes que contam histórias verídicas, porque, normalmente, eles nos dão um show de ensinamentos e humanidade. Me arrepiei com todas as cenas da protagonista e, como esta, conseguiu ser firme com seus desejos e vontades, sem ceder ao ódio e preconceito dos outros.

Assim, ao meu ver, Ruth foi uma das maiores surpresas de 2016 e, com certeza, é minha favorita nessa disputa. Além de que, está mais do que na hora de uma atriz negra ganhar o Oscar de Melhor Atriz, já que nos últimos anos, somente mulheres brancas venceram. Tomara que 2017 faça jus a isso!

3) Emma Stone por La La Land

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Escrito e dirigido por Damien Chazelle.

Sinopse: Emma Stone interpreta Mia, uma aspirante a atriz que tenta equilibrar seu amor por um pianista de jazz com suas tentativas de encontrar seu próprio caminho para o sucesso.

Para quem acompanha a carreira da atriz deve ter se surpreendido bastante com a mudança e o desenvolvimento de seus personagens, esta que alavancou sua carreira como Olive em “A Mentira” (2010) e, agora, nos emociona do começo ao fim em La La Land.

Admito que o filme não me conquistou inicialmente e tampouco entendi o “medo” dos produtores em acharem que este filme não faria sucesso de bilheteria. No entanto, quando me deparei com a narrativa de uma sonhadora, assim como eu, buscando uma chance de mostrar seu talento, mudei de ideia e me apaixonei pela protagonista.

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Não é fácil!

Mia mora em Los Angeles e busca uma chance na carreira de atriz, mas, vive uma decepção atrás da outra. Senti todas as suas dores como se fossem minhas, tanto para conseguir uma chance na profissão, quanto para manter o amor de sua vida. Adorei o fato de que ela e suas amigas são próximas e se ajudam muito, pois, normalmente, Hollywood adora colocar mulheres como rivais, porém, fiquei triste que estas amizades pouco aparecem. Ainda achei o amor do casal sincero e real, inclusive com o desfecho que teve.

Mesmo sendo um musical que mantém o estilo clássico desse gênero, o roteiro consegue inovar e trazer uma protagonista encantadora e associável com qualquer pessoa que tem um grande sonho.

Assim, apesar de adorar os trabalhos da Emma e ter me encantado com o filme, questiono um pouco essa nomeação, mas, não ficarei decepcionada caso ela ganhe. Estou sempre na torcida, ainda mais por personagens tão parecidos comigo.

4) Natalie Portman por Jackie

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Filme escrito por Noah Oppenheim e dirigido por Pablo Larraín.

Sinopse: Como Jackie Kennedy, Natalie Portman retrata a primeira dama aflita e bastante reclusa com assuntos pessoais, que procura garantir o legado de seu falecido marido – e o seu próprio – após o assassinato deste.

Ao assistir 30 segundos de uma entrevista com a verdadeira Jackie Kennedy fiquei pasma com tamanha semelhança à Jackie da Natalie Portman. É impressionante como os trejeitos e o modo delicado de falar estão parecidos.

Sendo bem sincera, não fui fã do filme, pois a protagonista é silenciada o tempo todo e por mais que ela tente fazer uma homenagem ao marido assassinado, parece que todos querem se livrar dela, inclusive o diretor do filme. Esperei uma história mais cativante e emocionante, porém, fiquei a ver navios*.

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Jacqueline Kennedy e Natalie Portman.

Entretanto, Natalie está maravilhosa no papel, inclusive, até mesmo o jeito de rir está parecido com o de Jackie Kennedy. Apesar de achar que o roteirista e diretor pecaram feio na trama, em dar pouca margem ao desenvolvimento da história e da personagem, a atriz entrou por completo na vida de sua personagem e deu um show de interpretação.

Assim, acredito que Portman teve a melhor performance no filme, não sendo à toa sua nomeação. Não ficarei surpresa caso ela ganhe, porém, acredito que ela não esteja entre as favoritas deste ano.

5) Meryl Streep por Florence: Quem é essa mulher?

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Roteiro de Nicholas Martin e direção de Stephen Frears.

Sinopse: Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins, uma herdeira rica cujo entusiasmo por cantar é tão nítido que – apesar de sua falta de talento – ela decide dar um concerto no Carnegie Hall.

Gente, vamos ser sinceros?

Todas as premiações cinematográficas deveriam ter a categoria Prêmio Meryl Streep. Convenhamos que essa mulher é maravilhosa e sempre surpreende, então, seria mais fácil ter um prêmio exclusivo pra ela, pois faria todo o sentido.

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Meryl Streep poderia interpretar o Batman e ser a melhor escolha. Ela é perfeição!
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Meryl concorda.

Quando ouvi falar do longa não dei muito atenção pra sinopse, mas, claro, como tinha Meryl, animei de assistir. A partir disso, mudei completamente minha visão sobre o projeto, pois me diverti muito com a trama e, principalmente, com Meryl, que dá um show de “horrores” ao cantar mal e desafinar, assim como a verdadeira Florence.

O filme é baseado numa fantástica história real, em que nos deparamos com a força de vontade de Florence, uma mulher apaixonada pela música. Mesmo sem ser apoiada pelas pessoas, com exceção do seu segundo marido, St Clair Bayfield (Hugh Grant), a protagonista está decidida a cantar profissionalmente e o faz, conquistando muitos fãs em New York.

É impossível ver o filme sem rir e chorar com Meryl no papel de Florence. A protagonista não canta bem, mas ela sonha tanto com isso, que você torce junto dela, para que ela realize seu maior sonho. Ademais, este longa só comprova que Meryl é um furacão! Ela pode interpretar uma máquinha de café quebrada e concorrer ao Oscar, porque ela provavelmente estará maravilhosa e não foi diferente com Florence.

Assim, acredito que a atriz não levará o prêmio, até porque, senhoras e senhores, ela não precisa, mas, a indicação fez muito sentido, visto que este personagem foge de tudo o que ela já interpretou e Meryl transborda talento (ou “falta” de talento) com a personagem.

BÔNUS DO DIA

Como eu não poderia deixar de entrar no “bolão 2017”, eis minhas previsões do OSCAR.

  1. Quem eu acho que irá ganhar: Isabelle Huppert ou Emma Stone.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Ruth Negga.

E vocês, quais suas apostas no bolão do Oscar 2017 e para quem estão torcendo?

*Sinopse: no caso, todas as sinopses descritas seguem a linha narrativa da personagem principal.

*Fiquei a ver navios: é uma expressão popular da língua portuguesa que significa ser enganado, ludibriado, ver suas expectativas serem frustradas e ficar desiludido.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Elle. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3716530/&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Florence: Quem é essa mulher? 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4136084/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Jackie. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt1619029/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. La La Land. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3783958/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Loving. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4669986/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

THE OSCARS. Best Actress Nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

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13 Comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir

E mais uma de bônus!

Eu já ouvi inúmeras pessoas, principalmente homens, dizendo que mulheres não são engraçadas. Isso é algo tão relativo, que se fizermos uma análise sobre esses comentários, claramente chegaremos a um dos maiores problemas da nossa sociedade: o machismo.

No entanto, pra rebater esse pensamento, simplesmente darei dicas e exemplos de séries de comédia, criadas e/ou protagonizadas por mulheres, que fizeram e ainda fazem muito sucesso e merecem nossa atenção.

1) Ally Mcbeal (1997 – 2002)

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Ally Mcbeal (Calista Flockhart) e o elenco.

Ally, uma série do final dos anos 90, criada por David E. Kelley.

O motivo de eu colocá-la na lista é porque, pra uma comédia dramática da década de noventa, ela é espetacular e quebra tabus, mesmo que de uma forma suave, além da personagem principal ser a pessoa mais desajeitada, fofa e independente possível.

A série tem como trama a vida pessoal e profissional de Ally Mcbeal (Calista Flockhart) que começa a trabalhar num famoso escritório de advocacia em New York, onde reencontra o amor de sua vida, Billy Thomas (Gill Bellows), agora casado com Georgia Thomas (Corutney Thorne-Smith). A cada episódio temos um caso de justiça diferente que abordam assuntos interessantíssimos, como o machismo e o assédio dentro do trabalho, por exemplo.

Ademais, Ally trabalha no mesmo lugar que Billy e Georgia e, ao invés de gerar uma rivalidade feminina, como normalmente retratam, Ally e Georgia se estranham no começo, mas logo se dão bem e, a partir disso, a protagonista consegue se libertar do que sente pelo ex e seguir em frente.

E claro, não podemos deixar de falar sobre a amizade de Ally com sua colega de quarto, a também advogada, Renee Raddick (Lisa Nicole Carson). As duas são mulheres independentes, com histórias incríveis e uma amizade muito forte.

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“Temos sorvete. Quem precisa de um cara?” Renee mandando a real para Ally.

O programa é de comédia, mas contém muito drama, inclusive o formato foge do padrão de 30 minutos, sendo cinco temporadas com 40/50 minutos, por episódio. Indico a série por milhares de razões e garanto que você assistirá e sonhará em ser uma advogada(o) da firma, porque no final do expediente, todos saem pra beber ao som da cantora Vonda Shepard ou de algum cantor famoso convidado.

2) Chewing Gum (2015 – 2017)

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Elenco da série.

Série britânica exibida pelo canal E4, criada e estrelada por Michaela Coel. Esse roteiro foge de tudo o que conhecemos sobre comédia.

A narrativa conta a vida de Tracey (Michaela Coel) e sua relação com a família e o namorado, extremamente religiosos. A protagonista tem 24 anos de idade e ainda não teve relação sexual, mas decide mudar isso, mesmo que não seja com o namorado. A Tracey é divertidíssima e toca em assuntos que são quase “proibidos” na nossa sociedade, como sexo, virgindade e religião.

É muito interessante ver como a protagonista lida com seus desejos, mas, tenta, a todo o custo, não decepcionar a família. Além do mais, sua melhor amiga, Candice (Danielle Walters), é o oposto dela e a ajuda bastante em sua nova fase de vida.

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“Nosso querido e abençoado Salvador, eu preciso da coragem que você teve para contar a todos que era filho de Deus.”

Apesar de ter somente 6 episódios, a série lançará sua segunda temporada nesse ano e virá com tudo, pois Tracey está só começando sua aventura.

3) Divorce (2016 – 2017)

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Sarah Jessica Parker e Thomas Haden Church.

Uma das novas apostas do canal HBO, criada por Sharon Horgan e estrelada por Sarah Jessica Parker.

A história mostra o começo da separação e divórcio do casal Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church), que após anos de casados, se descobrem infelizes um com o outro.

Ainda está na primeira temporada, com a segunda pra estreiar nesse ano novo, e aborda algo importante, como o divórcio, e como é difícil, porém normal, marido e mulher buscarem algo diferente depois de muito tempo juntos.

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Estamos na torcida por essa série!

Além disso, essa série é outro exemplo de mulher protagonista que trai o marido, como eu havia comentado num texto anterior, e que tem dado muito certo. Eles tem dois filhos pequenos e agora terão que lidar com essa separação, sem que a família se desfaça por completo.

4) Faking It (2014 – 2016)

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Karma Ashcroft (Katie Stevens) e Amy Raudenfeld (Rita Volk)

Série da MTV, criada por Carter Covington, Dana Goodman e Julia Lea Wolov.

Conta a história de duas amigas, Amy Raudenfeld (Rita Volk) e Karma Ashcroft (Katie Stevens), que decidem fingir ser um casal, para finalmente serem populares na escola. No entanto, Amy acaba se apaixonando por Karma e agora as duas terão que descobrir como manter essa amizade, sem que ninguém saia magoado.

Uma série que gira em torno do ensino médio, fase adolescente e de descobertas. É muito interessante por retratar a sexualidade dos adolescentes, em fase de questionamento, sendo que alguns já sabem do que gostam e não gostam, enquanto outros, ainda vão descobrir e está tudo bem. A questão é se permitir, sempre.

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Esse beijo, hein? Ai, ai.

Apesar de ter sido cancelada na terceira temporada e não ser perfeita em tudo, eu recomendo, pois ela é divertida e lida com a homosexualdiade e a bisexualidade na era moderna, em que existem tinders da vida e, assim como a relação heterosexual, são relações humanas, com altos e baixos, o tempo todo.

5) Girls (2012 – 2017)

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Elenco da série.

Série da HBO, criada e estrelada por Lena Dunham.

A trama conta a história de quatro amigas, Hannah Hovarth (Lena Dunham), Marnie Michaels (Allisson Williams), Jessa Johansson (Jemima Kirke) e Shoshanna Shapiro (Zosia Mamet) e seus ganhos e perdas na vida pessoal e profissional.

O gênero segue o estilo de uma comédia dramática, pois vemos de perto as dificuldades das personagens na entrada da vida adulta e nos relacionamentos amorosos.

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“Minhas circunstânicas mudaram e não posso mais aceitar trabalhar de graça.”

Além disso, ela aborda a sexualidade feminina, assim como Sex and The City (1998 – 2004) fez alguns anos atrás, como normal e livre, podendo, nós mulheres, fazermos o que quisermos, pois o corpo e as regras são nossas. Inclusive teve a polêmica cena do sexo oral por trás, uma sequência super rápida e maravilhosa e, a sociedade, como sempre, tentando regredir nossas conquistas. Mas não permitiremos isso! Vamos que vamos, rumo ao sucesso das mulheres, sempre! Inclusive na cama.

6) Grace and Frankie (2015 – 2017)

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Jane Fonda e Lily Tomlin.

Original do Netflix, criado por Marta Kauffman e Howard J. Morris, indo para a terceira temporada.

A criadora, Marta Kauffman, ficou famosa depois da série Friends e, mais recentemente, lançou essa obra prima, estrelada por Jane Fonda e Lily Tomlin.

O argumento conta a história de Grace Hanson (Jane Fonda) e Frankie Bergstein (Lily Tomlin) que são surpreendidas por seus maridos. Os dois, Robert Hanson (Martin Sheen) e Sol Bergstein (Sam Waterston), melhores amigos e sócios há anos, assumem seu amor e relacionamento e se separam de suas mulheres. Agora, as duas terão que lidar com a separação, após anos de casamento e com as mudanças em sua rotina.

Eu adoro essa série por tantos motivos, mas o principal é por abordar a homosexualidade de uma forma muito natural, além de retratar o amor e o sexo na terceira idade da mesma forma, como normal e saudável.

Uma trama incrível, em que tanto o casal de homens, quanto as duas novas amigas, Grace e Frankie, surpreendem o público com suas reviravoltas e nos encantam com a forma como lidam com tantas modificações, sem deixar o preconceito da sociedade arruinar suas famílias e felicidade.

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“Larga o microfone.”

Jane Fonda e Lily Tomlin, não só atuam, como também são produtoras excecutivas, e tem dado um show de interpretação e talento, mostrando que envelher pode ser tão bom quanto ser jovem.

7) Insecure

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Issa Rae no cartaz da série.

Outra aposta da HBO, lançada em 2016 e criada por Issae Rae e Larry Wilmore.

A trama segue a vida de Issa Dee (Issae Rae) e de sua melhor amiga, Molly Carter (Ivonne Orji), duas mulheres negras, lidando com profissão, vida amorosa e amizade.

A série é inspirada na websérie “The Misadventures of Awkward Black Girl” e é um marco para o canal televiso, pela temática central ser a vida de duas mulheres negras, de forma bastante humorada e inteligente.

Além disso, a personagem Issa não só é divertidíssima, como arrasa ao cantar raper. No piloto da série, numa tentativa de reviver momentos do passado e quebrar a monotomia de sua vida, ela sobe no palco e improvisa um rap. No entanto, Issa acaba magoando sua amiga, pois ela canta sobre um assunto pessoal de Molly, mas as duas se entendem ao final do episódio, mostrando que a amizade delas é o apoio principal uma da outra.

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Quem tem amizade, tem tudo.

Está na primeira temporada e esse ano lançará a segunda. Issa Rae é uma das criadoras e estrelas do programa, ainda trabalhando como produtora excecutiva.

8) My Mad Fat Diary (2013 – 2015)

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Elenco da série.

Segunda série britânica de comédia dramática da lista. Foi exibida no canal E4, baseado no livro My Fat, Mad Teenage Diary por Rae Earl – que também escreve para a série – e desenvolvida por Tom Bidwell.

A trama se passa nos anos 90, na cidade de Liconlnshire e gira em torna da vida de Rachel ‘Rae’ Earl (Sharon Rooney), uma adolescente com dificuldades em se aceitar, que passou quatros meses num hospital psiquiátrico, por tentativa de suicídio. Depois de deixar o hospital, Rae reconecta-se com sua melhor amiga, Chloe Gemell (Jodie Comer), e o grupo desta. Ninguém sabe dos problemas de saúde mental da protagonista e sobre sua permanência no hospital psiquiátrico.

Apesar de lidar com um tema tão complicado, como saúde mental e autoaceitação, essa série é maravilhosa. Eu adoro personagens aos quais podemos nos identificar com suas dores, mesmo que não as mesmas, e entendemos que todos temos dificuldades nessa vida.

A protagonista é simplesmente incrível e foge completamente do padrão, sendo uma de suas maiores dificuldades, a aceitação de seu corpo. A todo o tempo, ouvimos os pensamentos de Rae e entendemos seus problemas, além de rirmos com sua imaginação adolescente e louca.

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“Não estou bem. Acho que não estou bem há anos!” Ninguém está, querida Rae.

Aos poucos ela vai se encaixando no novo grupo de amizade e se aceitando, ao mesmo tempo em que continua o tratamento com o psicólogo, onde temos diálogos fortes e emocionantes, e outros engraçadíssimos. Os efeitos visuais são hilários e a trilha sonora de adolescente dos anos 90, está imperdível.

Mesmo que você não esteja acostumado com a comédia britânica, que tem um humor diferente do que normalmente assistimos, essa série vale muito a pena por tratar de assuntos delicados e universais. A série teve somente três temporadas, de 6 episódios, cada.

9) New Girl (2011 – 2017)

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Elenco da série no cartaz da segunda temporada.

Projeto do canal FOX, criado por Elizabeth Meriwether.

A narrativa gira em torno da vida de Jess Day (Zooey Deschanel), uma professora que adora cantar espontaneamente, que  pega seu namorado com outra mulher e precisa de um novo lugar para morar. Ela se muda para um estúdio, onde dividirá com três homens desconhecidos. Assim, terá que descobrir como lidar com as mudanças da vida, além de se relacionar com os seus colegas de quarto.

Um humor leve, inclusive a Jess é uma adorável professora, sempre positiva, que agora tem que lidar com essa “derrubada” da vida e receberá a ajuda de sua melhor amiga e seus novos roomates*.

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“Eu gosto de cantar sozinha… bastante, por sinal.”

Já está na sexta temporada e, muitas coisas já aconteceram, mas vale a pena por fazer rir quando a gente menos espera e dar voz a uma protagonista mulher, com uma personalidade incrível.

10) Parks and Recreation (2009 – 2015)

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Amy Poehler como Leslie Knope.

Exibido pelo canal CBS e criado por Greg Daniels e Michael Schur.

Como falar dessa série que é o amorzinho dos amorzinhos?

Primeiro que é estrelado por Amy Poehler que interpreta a amada Leslie Knope, aquela pessoa fofa e positiva que trabalha na prefeitura de Pawnee (Indiana) e faz tudo pela sua cidade natal.

Além disso, o elenco é bastante diverso, com personagem descendente de latino, descentende de indiano, negros e mulheres. Tem o formato de um falso documentário, com depoimentos dos personagens, que nos fazem rir alto.

A trama começa quando Andy Dwyer (Chris Pratt) sofre um acidente numa das obras abandonadas da prefeitura e Leslie Knope (Amy Poehler) faz de tudo para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que tenta reconstruir o parque onde ocorreu o incidente.

A partir disso, seguimos o dia a dia na prefeitura da cidade de Pawnee, com a Leslie sendo a pessoa mais empolgada e os outros seguindo as maluquices dela. Seu chefe, Ron Swanson (Nick Offerman), vive de cara emburrada e não fala muito, mas é o melhor amigo da Leslie e ele é o fofo que você mais respeita e quer por perto.

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Sim Ron, é você!

Além disso, temos Tom Haverford (Aziz Ansari) e Donna Meagle (Retta), que inventaram o famoso dia “Treat Your Self” – um dia especial em que eles cuidam de si mesmos, comprando e fazendo tudo o que querem. É muito amor por esse dia!

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“Cuide de si mesmo.”

Temos a jovem “rebelde”, April Ludgate (Aubrey Plaza), que vive entediada no seu estágio, mas no fundo adora o pessoal e sempre os ajuda, mas nunca sorri e mantém a pose de rebelde séria.

O Andy, já mencionado, é um desmiolado que adora cantar e não faz nada da vida. Ele é o namorado da Ann, relação que não dá muito certo, e ao longo da série vai amadurecendo e tendo um crescimento muito bom como personagem. Inclusive, foi a partir dessa série que o ator Chris Pratt saiu, rumo ao estrelato, em Guardiões da Galáxia e Jurassic World.

E claro, não podemos esquecer da amada Rashida Jones, que interpreta Ann Perkins, uma enfermeira certinha que com o passar do tempo decide seguir suas próprias vontades, errando e acertando, com o apoio de sua mais nova melhor amiga, Leslie Knope. Rashida também é roteirista e tem projetos incríveis, como o filme Celeste and Jesse forever.

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“Amiga é coisa pra se guardar…”

Quem não assistiu ao programa tem que parar TUDO e começar a série HOJE! A primeira temporada não é tão empolgante, mas a partir da segunda, a trama fica hilária e é interessantíssimo vermos a realidade, mesmo que fictícia, do trabalho governamental nos EUA. Aliás, spoiler super válido, tem um episódio que a Michelle Obama aparece e é maravilhoso.

CORRE PRA ASSISTIR!

11) The Mindy Project (2012 – 2017)

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Cartaz da série, com Mindy Kaling.

A série teve suas primeiras temporadas transmitidas pela FOX e, atualmente, é exibida pelo canal de streaming, Hulu. Argumento criado e protagonizado por Mindy Kaling.

A série acompanha a vida pessoal e profissional da ginecologista e obstreta, Mindy Lahiri (Mindy Kaling), numa clínica em New York. A atriz e roteirista começou sua carreira na televisão, com a série americana, The Office, e tem no currículo sucessos como: Divertidamente (ela é a Nojinho).

Eu adoro esse programa porque a Mindy é absurdamente engraçada. O melhor de tudo é acompanhar o crescimento pessoal da protagonista que não aceita os padrões impostos à ela.

Ao longo das temporadas, Mindy toma decisões difíceis, mas você torce por ela o tempo todo. Além do mais, o pessoal da clínica são maravilhosos, e eu dou destaque ao Morgan Tookers (Ike Barinholtz), Tamra (Xosha Roquemore) e Beverly (Beth Grant).

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Go Mindy, go Mindy!

Essa narrativa também é incrível, por ter como protagonista uma mulher fora dos padrões hollywoodianos, visto que Mindy é uma descentende de indiana, não é magrela e se aceita muito bem, além de escrever e produzir seu próprio show.

12) Veep (2012 – 2017)

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Julia Louis-Deyfrus como Selina Meyer.

Série da HBO, criado por Armando Iannucci.

A narrativa gira em torna da ex-senadora Selina Meyer (Julia Louis-Deyfrus), que aceitou o convite para servir como vice-presidente dos Estados Unidos. Vemos o cotidiano de Meyer e sua equipe, que tentam deixar sua marca e um legado duradouro, sem tropeçar nos jogos políticos que tomam conta de Washington.

O projeto já foi bastante premiado, inclusive, no último Emmy, recebeu várias estatuetas. Julia, além de atuar, também é uma das produtoras excecutivas. No seu discurso, do ano passado, além de homenagear o pai, já falecido, ela falou como a série a surpreende, por ser uma comédia, mas parecer tanto com a realidade da política americana.

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Ficção ou realidade, hã?

13) 30 Rock (2006 – 2013)

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Elenco da série no cartaz da sexta temporada.

Exibida pelo canal NBC, criada por, ninguém mais, ninguém menos, que Tina Fey.

Na série, acompanhamos os bastidores da sala de roteiristas de um programa de humor semanal e ao vivo. O projeto é baseado nas experiências da atriz e roteirista, Tina, quando trabalhou em Saturday Night Live.

Além disso, vemos a vida pessoal de Liz Lemon (Tina Fey), chefe dos roteiristas, uma pessoa que adora comer e ver televisão, que tem que provar aos colegas de trabalho que ela é a chefe e todos devem escutá-la.

Também vemos o dia a dia das estrelas do programa fictício, Jenna Maroney (Jane Krakowsky) e Tracy Morgan (Tracy Jordan), e suas bizarrices e mimos nos bastidores.

Alec Baldwin (Jack Donaghy) é o presidente da rede televisa e incorpora um empreendedor extremamente capitalista e de direita. A série contém diálogos incríveis, entre Liz e Jack, uma visionária e um conservador.

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Troféu joinha!

Essa é outra série que é o amorzinho dos amorzinhos, simplesmente por ser criada pela amada e diva Tina Fey. Eu rio horrores com esse programa, todos os personagens são hilários e é incrível ver os bastidores de um show, exibido ao vivo. Ainda, aprendemos muito sobre o famoso writersroom*, que é uma sala onde um grupo de roteiristas discutem o que acontecerá no show.

30 Rock foi muito premiada, sendo Tina Fey nomeada várias vezes ao Emmy, pelo papel de Liz Lemon. Essa série é ótima pra ver uma protagonista que não entende nada dos padrões femininos e é o máximo por isso e dá as melhores festas, porque:

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“Não existe festa como a festa da Liz, porque a festa da Liz é OBRIGATÓRIA.”

BÔNUS

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015 – 2017)

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Ellie Kemper como Kimmy Schmidt.

Já que estamos falando dos trabalhos da Tina Fey, não posso deixar de mencionar sua série mais recente. Lançada pelo Netflix, Unbreakable Kimmy Schmidt foi desenvolvida por Tina e Robert Carlock.

A trama tem como protagonista Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma das cinco mulheres resgatadas de um culto apocalíptico. Depois de anos vivendo num sótão subterrâneo, enganadas pelo religioso Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm), elas são finalmente achadas pela polícia. Assim, Kimmy decide ver o lado positivo da vida e resgatar todos os anos perdidos, indo morar na cidade de New York.

O humor é bastante sarcástico e o roteiro dá várias alfinetadas na alta sociedade nova iorquina. Em Manhattan, Kimmy divide apartamento com Titus Andromedon (Tituss Burgess), personagem assumidamente gay, que tenta conquistar o sucesso no meio musical. A dona do apartamento, Lillian (Carol Kane), vive acima deles e luta contra as “conspirações” da sociedade.

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Temos o famoso hit de Titus, “Pinoooot Nooooir.”

Além disso, a série também toca em assuntos delicados, como o machismo, racismo, homofobia, elitismo e fanatismo religioso. Na primeira temporada, os diálogos são fantásticos e as mensagens por trás deles, são incríveis. A segunda temporada se perdeu um pouco, mas acredito que a próxima virá cheia de novidades, com o humor irônico de sempre.

Assistam mais essa produção de Fey, porque vocês não vão se arrepender, nem que seja pra ver o Titus tendo aula de como ser um homem hetero ou a Kimmy, tentando achar bondade numa cidade grande, como NY.

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“Você gritou, negou ajuda e quebrou alguma coisa. Essa é a primeira lição para se tornar um homem hetero.”

*roomate: colega de quarto

*writersroom: sala de roteirista