Moonlight: Sob a Luz do Luar

Ainda na maratona do Oscar 2017, decidi que estava mais do que na hora de falar sobre o filme Moonlight: Sob a Luz do Luar, pois ele está concorrendo na categoria de Melhor Filme e, ao meu ver, este realmente foi o MELHOR FILME de 2016.

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Filme escrito e dirigido por Barry Jenkins.

Sinopse: Moonlight narra a vida de um jovem negro desde a infância até a idade adulta, em que luta para encontrar seu lugar no mundo enquanto cresce em um bairro violento de Miami.

O filme é divido em três partes: Little, Chiron, Black. Inclusive, é possível notar esta divisão no poster do filme, aonde vemos os três rostos de Chiron, nas distintas etapas de vida – infância, adolescência e vida adulta. Sendo assim, falarei de cada fase, separadamente, sem dar spoilers*.

1) Parte 1: Little

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Alex R. Hibbert como Little.

Na primeira parte do filme somos apresentados a Chiron, mais conhecido como Little (Alex R. Hibbert), um menino de mais ou menos 9 anos de idade, bastante tímido e fechado. O ponto principal dessa fase é mostrar os dois temas que serão trabalhados no longa-metragem: machismo e homofobia.

Little tem uma relação difícil com sua mãe, Paula (Naomie Harris), pois esta é viciada em drogas e, ao mesmo tempo em que quer cuidar do filho, acaba não sabendo exercer o papel de mãe e sempre perde sua batalha para as drogas. Eu falo melhor dessa personagem no texto Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante.

Além disso, Little sofre bullying de seus “colegas” porque eles o consideram afeminado, sendo Kevin (Jaden Piner) o seu único amigo. Em uma de suas fugas, parar tentar escapar da violência dos meninos do bairro, Little se esconde em uma casa abandonada e conhece Juan (Mahershala Ali).

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Little e Juan.

Juan exerce o papel de amigo e mentor, sendo ele e sua namorada, Teresa (Janelle Monáe), os únicos a conversarem com Little e explicarem sobre homosexualidade. Aliás, essa parte do filme é bastante forte, até porque, inclusive a mãe do protagonista é homofóbica e isso se torna um peso muito grande na jornada do nosso herói.

ALERTA MINI SPOILER – que não afetará muito aos que ainda não viram o filme- : uma das cenas mais marcantes e arrepiantes da parte 1 é quando Little pergunta para Juan “Eu sou gay?” e este responde “Não sei, mas você descobrirá um dia.”

2) Parte 2: Chiron

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Ashton Sanders como Chiron.

No segundo capítulo vemos a adolescência de Chiron, fase em que este começa a responder aos estímulos do machismo e, também, se permite explorar sua sexualidade.

Chiron é um menino muito doce e carinhoso com sua mãe, que ainda é viciada em drogas. Além disso, ele continua não tendo muitos amigos e interage pouco com as pessoas de sua escola, porém, Kevin (Jharrel Jerome), seu amigo de infância, continua sendo o único menino que conversa com Chiron.

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Kevin e Chiron.

O roteiro nos mostra todo o machismo que está impregnado em nossa sociedade, desde a época de escola. Infelizmente, o bullying piora e Chiron tem de lidar com o preconceito dos rapazes de seu colégio, além de lidar com a própria dificuldade em se achar no mundo.

As primeiras duas divisões deste projeto me lembraram o documentátrio The Mask You Live In, que mostra como os meninos/homens lidam com o machismo, ao qual o Projeto Nellie Bly fala no texto A máscara que os meninos usam.

3) Parte 3: Black

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Trevante Rhodes como Black.

No último capítulo vemos toda a trasformação do pequeno Chiron, agora conhecido como Black, um homem musculoso e alto, mas, que mantém o jeito tímido e doce de ser.

É incrível ver como os preconceitos da sociedade mudam uma pessoa por completo e a narrativa de Moonlight faz isso de uma forma brilhante. Eu me emocionei em todas as etapas da trama e senti as dores do protagonista, que é sempre rechaçado e humilhado pelos outros, por fugir das normas da masculinidade.

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Black.

Chiron volta a sua cidade natal e reencontra Kevin, pessoa ao qual tem uma grande conexão, além de lidar com sua mãe, agora disposta a se livrar das drogas e tentando se reconectar com o filho.

Este filme é um alerta para todos nós, que lidamos com as dificuldades da vida e com os preconceitos do mundo, mas, como somos nós mesmos que perpetuamos esses preconceitos e esteriótipos. Enquanto o menino afeminado for um problema ou o menino tímido que não reage numa luta for humilhado e instigado a se tornar violento e opressor, estaremos dando um tiro no pé e prejudicando nosso próprio caminho como seres humanos.

É preciso, a todo o instante, falar e enfrentar o machismo e a homofobia que nos cerca, para que Chirons tenham o direito de crescer, sem medo de se amarem e se apresentarem ao mundo.

Sendo assim, para quem ainda não assistiu Moonlight, por favor, ASSISTA. Esse filme é uma obra-prima e relata assuntos tão importantes, emocionando e nos fazendo questionar até onde podemos e devemos mudar o jeito que lidamos com crianças que fogem dos padrões absurdos que, infelizmente, rodeiam nossa cultura. É uma história de autodescoberta, conexão e pertencimento ao mundo, sendo impossível não se identificar e ter empatia por Chiron.

Trailer legendado do filme.

BÔNUS DO DIA

Continuando o bolão Oscar 2017, eis meu palpite sobre a categoria Melhor Filme.

  1. Quem eu acho que vai ganhar: La La Land.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Moonlight: Sob a Luz do Luar ou Estrelas Além do Tempo.

E você, qual filme acha que vai ganhar?

*spoileré quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, mais precisamente está relacionado ao verbo “To Spoil”, que significa estragar.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/>. Acesso em: 07 de fev. 2017.

WIKIPEDIA.Moonlight. 2016. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Moonlight_(2016_film)&gt;. Acesso em: 07 de fev. 2017.

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Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante

No último texto eu falei sobre a premiação do Oscar e a categoria de Melhor Atriz. Agora, o Projeto Nellie Bly irá falar sobre as Maravilhosas Mulheres que concorrem ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

E são elas:

1) Viola Davis por Cercas

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Roteiro de August Wilson (baseado em sua peça teatral “Cercas”) e direção de Denzel Washington. 

Sinopse*: Como Rose Maxson, Viola Davis interpreta uma esposa e mãe dedicada que tenta defender e incentivar as ambições de seu filho do menosprezo de seu marido.

Vamos começar falando sobre o recorde dessa diva do cinema e da televisão, chamada Viola Davis. Com sua terceira nomeação ao Oscar, Viola é a primeira mulher negra a receber três indicações ao prêmio. Infelizmente, isso só ocorreu em 2017, mas, felizmente, pra mim, é o começo de muitos recordes maravilhosos que estão por vir.

Então, vamos a Vossa Majestade!

Apesar de não ter me apaixonado pelo roteiro, visto que o considerei machista e misógino, o que eu costumo chamar de filme de “homem para homem*“, não posso negar que Viola se destaca e nos arrepia com tamanha performance no papel de Rose.

O filme é baseado numa peça teatral de mesmo nome, sendo assim, algo que me incomodou no longa é que ele permaneceu com o estilo teatral e a história se passa, quase toda, dentro da casa de Rose e Troy Maxson (Denzel Washington). Além disso, o roteiro tem diálogos em excesso, no entanto, as falas de Rose são simplesmente incríveis. Amo e admiro muito o jeito de ela enfrentar seu marido em defesa do filho e como esta engoliu muitas mágoas em prol do amor.

A melhores sequências, na minha opinião, são as cenas em que ela se opõe ao marido e as que interage com o filho e o cunhado. Me emocionei muito com a história de vida de Rose, além de me doer por todas as tragédias que ela vive e, como de costume, me impressionei com o talento de Viola. É como se ela vestisse a máscara da personagem e enfrentasse todos os problemas desta, como se fosse dela própria.

Ademais, também não posso deixar de notar que o filme segue o ponto de vista de um homem negro nos EUA, na década de 1950, e isso é digno de aplausos, visto que estamos cansados de histórias pela visão de mundo de homens brancos. Mas, ainda é preciso pontuar o machismo em cima da personagem Rose e na falta de outros personagens femininos com destaque.

Assim, apesar de não entender o motivo de Viola Davis estar concorrendo como Atriz Coadjuvante, ao invés de Melhor Atriz – ela é a única mulher com história e, ao meu ver, também é protagonista – acredito que a atriz seja a favorita do ano e, caso ela ganhe, ficarei muito feliz e aguardarei seus próximos recordes e nomeações em futuros trabalhos.

2) Naomie Harris por Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Roteiro e direção de Barry Jenkins.

Sinopse: Naomie Harris interpreta Paula, uma mulher cujo o vício nas drogas aliena e afasta seu filho pequeno, mesmo com ela tentando se reconciliar com a criança.

MELHOR FILME! MELHOR FILME! MELHOR FILME! Desculpe a empolgação, mas, já te falei que Moonlight é o MELHOR FILME de 2016?

Acho que deixei claro o meu longa-metragem favorito dos indicados na categoria de Melhor Filme, porém, vamos a Naomie.

É difícil falar dessa performance sem mencionar a transformação da personagem ao longo das três fases do filme. O roteiro foi divido na infância, adolescência e vida adulta de um menino negro nas vizinhanças de Miami e, sua mãe, Paula, vive numa montanha-russa de dias bons, ruins e péssimos.

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Naomie Harris como Paula.

Naomie interpreta uma mãe jovem e solteira, de um menino que sofre com o machismo e homofobia do lugar em que vive, além de ser viciada em drogas pesadas, que a deixam fora do ar o tempo todo. Em algumas cenas, vemos Paula sem o efeito das drogas, mas, na maior parte, ela se entrega ao vício e a personagem nos impressiona, com tamanha performance e veracidade em sua luta contra o vício e a tentativa frustrada de ser mãe.

Viola que não me escute, mas, nesse ano, minha torcida vai para Naomie porque ela está uma potência de atriz. Ao mesmo tempo em que temos “raiva” dela, a gente torce para que ela se livre de seus problemas e consiga equilibrar sua vida pessoal, trabalho e família. Esse projeto me surpreendeu de todas as formas, não sendo diferente com a narrativa desta personagem.

Assim, como o filme está muito bem representado, acredito que Naomie Harris será uma concorrente e tanto para Viola e, independente de qual das duas ganhar, estarei comemorando, feliz da vida.

3) Nicole Kidman por Lion: Uma jornada para casa

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Escrito por Luke Davies e dirigido por Garth Davis.

Sinopse: Como Sue Brierley, Nicole Kidman retrata uma mulher australiana que apóia os esforços de seu filho adotivo para localizar sua família biológica na Índia, de quem ele foi separado ainda quando criança.

Esse filme foi baseado numa história real e é absurdamente lindo! Eu esperava algo completamente diferente e levei um susto com esse amorzinho em forma de sétima arte.

Nicole Kidman está IGUAL a verdadeira Sue, inclusive ela também é australiana, então acho que foi uma excelente escolha para o papel. Além disso, acredito que esse personagem foge de tudo o que estamos acostumados a assistir com Nicole, então, sim, ela está surpreendente. É possível sentir o amor materno dela e, ainda, sua dor ao ver seus dois filhos adotivos sofrerem, por motivos distintos, enquanto ela não pode fazer muita coisa.

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No entanto, não entendi muito bem as nomeações deste projeto, pois, apesar de ter amado o filme e me emocionado com as atuações, eu senti que as indicações foram exageradas. Como Sue, Kidman realmente está impressionante, porém, ela mal aparece e, sinceramente, Priyanka Bose me surpreendeu muito mais ao interpretar Kamla.

Assim, não acredito que ela levará o prêmio e, por mais que eu admire os trabalhos de Nicole Kidman, ficarei um pouco decepcionada caso ela ganhe. No demais, todo mundo precisa ver Lion porque é uma história de vida linda, de amor, família e, talvez, para os “românticos” de plantão, também é sobre destino.

4) Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo

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Escrito por Allison Schroeder e Theodoro Melfi, que também é o diretor do filme.

Sinopse: Como Dorothy Vaughan, Octavia Spencer desempenha o papel da líder de uma equipe de mulheres afro-descendentes, conhecidas como “computadores humanos”, que contribuem para o sucesso da NASA no início dos anos 1960.

SEGUNDO MELHOR FILME! SEGUNDO MELHOR FILME! SIM, Estrelas Além do Tempo é um dos MELHORES FILMES de 2016, SEM DÚVIDAS!

O que é esse filme, essa história, esse TAPA na cara da sociedade? Como está escrito no cartaz “As mulheres que você não conhece, por trás da história que você conhece.” Como eu amei esse filme e precisamos falar do porquê, só em 2017, ouvimos falar sobre as mulheres negras da NASA, em breve farei uma resenha exclusiva do filme. Por hoje, falarei da linda, amada, do amorzinho dos amorzinhos, Octavia Spencer.

Para mim, Taraji P. Henson também deveria estar entre as nomeadas, mas, não entrarei em detalhes. Octavia como Dorothy está incrível e não teve um momento no filme, em que eu não tenha me emocionado e chorado, com tamanha história e performance.

Amei tudo, ainda mais o fato de que já estava mais do que na hora de roteiros assim serem produzidos. Que soco no estômago do machismo e racismo de nossa sociedade! Quando que iríamos ouvir falar dessas três mulheres incríveis na escola? Provavelmente nunca, ou não tão cedo. É por isso que eu amo o Cinema, pois ele também abre espaço pra histórias reais serem espalhadas mundo afora.

Já deixei claro que sou fã de filmes baseados em fatos reais, ainda mais quando vemos a foto da pessoa na vida real ao final do filme. Dorothy foi uma grande líder e, sinceramente, ela deu um banho de poder e inteligência em cima dos “machos” cientistas. Não consigo com essa mulher poderosa, é muito amor!

Assim, eu me surpreendi demais com o roteiro, com a direção, com a produção e, claro, com as atrizes desse longa-metragem. Com isso, fico na torcida por Octavia, que, mesmo não sendo minha preferida do ano, caso ganhe, me deixará muito contente e orgulhosa.

5) Michelle Williams por Manchester à Beira-Mar

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Roteiro e direção de Kenneth Lonergan.

Sinopse: Michelle Williams interpreta Randi Chandler, uma mulher que tenta reiniciar sua vida com uma nova família, enquanto também espera fazer as pazes com seu ex-marido em luto.

Filme polêmico, com ator acusado de assédio e que, honestamente, não é essa obra prima que a crítica está falando. No entanto, minha intenção é dar destaque para as mulheres e seus trabalhos e isso não será diferente com Michelle Williams.

Este é outro filme que eu considero de “homem para homem”, em que a violência e agressão parece ser resposta para tudo, mas, que tem personagens como Randi Chandler, que quebram essa “masculinidade” toda e nos trazem um lado mais humano e associável.

A história desta personagem é bastante pesada, pois ela sofre uma perda muito grande, devido um acidente e, agora, ela tem que seguir em frente e perdoar o ex-marido pelo ocorrido. Não é fácil lidar com a situação e a atriz passa muito bem essa dor da perda e a dificuldade em continuar sua vida, sendo, sem sombra de dúvidas, a melhor performance dessa produção. Posso dizer que, além de Michelle, o ator que interpreta o Patrick jovem (Lucas Hedges) também surpreende muito.

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“Michelle Williams está brilhante! Maravilhosa! Pode muito bem receber sua quarta nomeação ao Oscar.”

Eu sempre me emociono e me sensibilizo quando uma personagem passa por uma tragédia tão grande quanto esta, ainda mais por um descuido “bobo”. O roteiro intercala entre o passado e presente e, às vezes, fica difícil de acompanhar a linha narrativa, mas, quando entendemos tudo o que aconteceu, é possível se identificar melhor e ter empatia pela Randi e outros personagens.

Assim, acredito que a atriz não será a grande vencedora, mas admito que ela está incrível no papel e, caso ganhe, será uma boa surpresa. No entanto, no que diz respeito ao seu parceiro de cena, continuo achando que ele não devia ser nomeado, muito menos premiado e fico na torcida para que ele perca e pague por seus crimes. Caso tenha interesse em saber do que estou falando, leia o texto Oscar 2017:os recordes como uma passo para a Diversidade, pois explico o ocorrido na parte final.

BÔNUS DO DIA

Vamos ao bolão do Oscar 2017 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante:

  1. Quem eu acho que vai ganhar: Viola Davis.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Naomie Harris ou Viola Davis.

E vocês, quais são suas apostas?

*Sinopse: no caso, as sinopses descritas seguem a linha narrativa das personagens coadjuvantes.

*homem para homem: eu uso este termo para me referir aos filmes que representam masculinidade como violência e contam histórias com cunho machista e misógino.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Cercas. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2671706/&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Lion: Uma jornada para casa. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3741834/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Manchester à Beira-Mar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4034228/?ref_=fn_al_tt_4&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

THEOSCARS. Actress in a supporting role nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-supporting-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade

Quem acompanha, anualmente, a premiação do Oscar deve-se lembrar de que, no ano passado, ocorreu uma grande revolta por parte de famosos e do público devido às indicações.

No ano de 2016, somente atores, atrizes e diretores brancos foram indicados nestas categorias, o que foi suficiente para mostrar a falta de diversidade fora e dentro das telas. Com isso, muitas pessoas do mercado audiovisual americano, assim como os fãs, utilizaram a hashtag #OscarSoWhite, como forma de protesto, além de que alguns famosos se recusaram a comparecer na premiação.

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Esses foram os artistas indicados nas categorias de Melhor Ator e Atriz e Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em 2016.

Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, eu acredito que esse movimento foi de extrema importância para questionar a supremacia branca no maior prêmio cinematográfico de Hollywood.

Por meio dessa polêmica, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas*Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra a assumir o cargo, disse, ainda no ano de 2016, que “o conselho iria se comprometer a duplicar o número de mulheres e membros diversos da Academia até 2020”. Desde então, eles começaram a convidar novos membros, como por exemplo, a diretora brasileira Anna Muylaert.

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Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Com isso em mente, aproveitando que a lista dos indicados foi divulgada nessa semana, no dia 24/01, farei uma breve análise sobre os recordes deste ano, mas também mostrarei que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade e diversidade necessária neste meio.

1) Pontos Positivos:

Em primeiro lugar, vamos falar da Diva Viola Davis, que teve sua terceira nomeação, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme Cercas (2016). A atriz já havia concorrido por Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011) e, assim, se tornou a primeira atriz negra a receber três indicações ao Oscar.

Além disso, é a primeira vez na história em que três atrizes negras concorrem na mesma categoria (Melhor Atriz Coadjuvante) no Oscar do mesmo ano. As indicadas são: Viola Davis (Cercas), Naomie Harris (Moonlight: Sobre a Luz do Luar) e Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo).

Em segundo, vem a indicação da maravilhosa Meryl Streep, que quebrou o seu próprio recorde, recebendo sua vigésima nomeação. Ela concorre como Melhor Atriz pelo filme Florence Foster Jenkins (2016) e, de quebra, fez um discurso lindo ao receber o prêmio Cecil B. DeMille* no Globo de Ouro 2017.

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Você é maravilhosa, Meryl!
Em terceiro lugar e, uma das mais lindas nomeações, foi a da montadora americana, Joi McMillon, na categoria de Melhor Edição, pelo filme Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), conquistando o posto de primeira mulher negra a concorrer como Melhor Editora. No site do mulhernocinema.com é possível saber um pouco mais sobre a carreira de Joi, no texto “Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição” e, como esta, mesmo com todas as dificuldades, conquistou seu espaço na sétima arte.

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Joi McMillon e Nat Sanders, também Editor do Filme.
Em quarto, temos a indicação de Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por Melhor Edição de Som, sendo o primeiro time indicado nesta categoria, composto só por mulheres. Elas concorrem pelo musical La La Land (2016).

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Cartaz do filme.
Ademais, ainda temos o recorde do ator Denzel Washington, que foi nomeado pela sétima vez, pelo filme Cercas (2016), também quebrando o seu próprio recorde de nomeações para um ator negro. Assim, contando todas os indicados na categoria de ator e atriz, protagonista e coadjuvante, essa é a primeira vez na história em que seis atores negros concorrem nestas categorias, no mesmo ano. Junto de Denzel, temos as atrizes, já citadas, Viola, Octavia e Naomie, além de Ruth Negga por Melhor Atriz (Loving) e Mahershala Ali por Melhor Ator Coadjuvante (Moonlight: Sobre a Luz do Luar).

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Ostavia Spencer, Ava Duvernay, Viola Davis, Naomie Harris, Ruth Neggas (Imagem retirada do Google Imagens).

2) Pontos Negativos:

Após mencionar esses recordes maravilhosos, está na hora de falarmos dos equívocos. Mesmo com esse pequeno passo a diversidade, não podemos deixar de notar que NENHUMA mulher foi nomeada como Melhor Diretora, sendo que já estamos na 89ª edição do Oscar e, no total, apenas quatro mulheres foram nomeadas nesta categoria ao longo de oitenta e nove anos, sendo Kathryn Bigelow a única vencedora, pelo filme Guerra ao Terror (2008).

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Kathryn Bigelow no Oscar 2010.
Além disso, entre os nomeados de melhor roteiro original e adaptado, apenas Allison Schroeder encabeça o time das mulheres, com o longa-metragem Estrelas Além do Tempo (2016). Se continuarmos, as únicas áreas em que mulheres costumam ser nomeadas são: Melhor Produção, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. No entanto, nas categorias  dos prêmios mais badalados, quase não existem mulheres concorrendo e, infelizmente, isso só corrobora o fato de que são poucas as que conseguem visibilidade e oportunidade nesse mercado de trabalho.

Como questiona Mary McNamara no texto “Oscar não tão branco, mas ainda muito masculino” no site do Los Angeles Times: Is it time for #OscarsSoMale? (Estaria na hora de um #OscarMuitoMasculino?).

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Alisson Schroeder, co-roteirista de Estrelas Além do Tempo, única mulher nomeada na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Por fim, não posso deixar de mencionar a pior indicação deste ano. Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, foi nomeado pelo filme Manchester a Beira Mar (2016), inclusive ganhou o Globo de Ouro 2017 por este trabalho, mesmo sendo acusado de assédio, por mais de uma mulher que trabalhou com ele no set de filmagem.

Por quê precisamos falar sobre isso?

Infelizmente, muitas pessoas reproduzem a ideia de que não devemos associar a carreira do ator com sua vida pessoal, mas, particularmente, eu acho isso um erro. No momento em que homens como Casey Affleck, Jonnhy Depp e Bernardo Bertolluci, por exemplo, são acusados de assédio, violência doméstica e estupro, respectivamente, e não são punidos, pelo contrário, são premiados e glorificados pelo talento e geniliadade, dá a entender que homens como eles estão acima da lei e podem fazer o que bem quiserem, com quem quiserem.

A atriz Constance Wu, que interpreta Jessica Huang na série Fresh Off the Boat, foi uma das famosas que mencionou o caso em público, dizendo “Eu fui aconselhada a não falar sobre isso em público para preservar minha carreira. Sendo assim, dane-se minha carreira, pois eu sou mulher e humana em primeiro lugar.”(Tradução Livre).

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Sim Constance, você está certíssima em falar do assunto em público.
Ela continua no Twitter “Homens que assediam sexualmente as mulheres para o OSCAR! Porque boas performances valem mais do que humanidade, do que a integridade humana!” e “Meninos! Resolvam seus problemas fora dos tribunais! É só ser um bom ator, isso é tudo que importa! Porque arte não é sobre humanidade, certo?”

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Tweets da atriz Constance Wu.
Essa fala é importante, ainda mais vindo de alguém com visibilidade, pois nos faz questionar o porquê nossa sociedade protege esses artistas, quando, na verdade, ela devia denunciar e puni-los por seus crimes. Inclusive, como o BuzzFeed americano mostrou no post “As pessoas estão agradecendo Constance Wu por falar em público contra a nomeação ao Oscar de Casey Affleck”muitas pessoas parabenizaram a atriz e a apoiaram na causa, mostrando que o público não vai mais aceitar que esses casos passem impunes.

Para uma melhor reflexão sobre o assunto, eu recomendo o texto da Rebeca Puig “POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?”, do site collantsemdecote.com.br, que fala muito bem sobre a razão pela qual não devemos velar os crimes destes homens: Eu sei que esse é um assunto polêmico, mas se a gente não discute esse tipo de assunto então continuamos para sempre nessa repetição de padrão. Chega de passar a mão na cabeça, chega de panos quentes e chega de tapinhas nas costas. Chega de escolher o lado do agressor.”

Sendo assim, apesar das conquistas no Oscar 2017, ainda são necessárias muitas mudanças para que a diversidade seja algo comum na maior indústria cinematográfica que existe. Enquanto isso, torcemos por Violas, Meryls, Kathryns e McMillons e aguardamos mais e mais representatividade, dentro e fora das telas.

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Cartaz do filme Estrelas Além do Tempo, obra que prova o quão importante é a diversidade e representatividade, já que aprendemos quem são “As mulheres que ninguém conhece, por trás da missão que todos conhecem”.
*Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: nome oficial do Oscar, que é o mais importante e prestigiado prêmio do cinema mundial.

*Cecil B. DeMille: é um prêmio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimônia do Globo de Ouro, para todos aqueles com contribuições relevantes para o mundo do entretenimento.

BIBLIOGRAFIA:

CHO, Kassy. People Are Thanking Constance Wu For Speaking Out Against Casey Affleck’s Oscar Nomination. 2017. Disponível em: <https://www.buzzfeed.com/kassycho/people-are-thanking-constance-wu-for-speaking-out-against-ca?utm_term=.rkpRzPkDG#.yxB1DP0XE&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

DEARO, Guilherme. 10 recordes quebrados nas nomeações do Oscar 2017.2017.Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/10-recordes-quebrados-nas-nomeacoes-do-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GENESTRETI, Guilerme. Academia do Oscar convida Anna Muylaert e outros brasileiros. 2016. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1787051-academia-do-oscar-convida-anna-muylaert-e-outros-brasileiros.shtml&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GLOBO,O. Oscar muda drasticamente suas regras para promover a diversidade. 2016.  Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oscar-muda-drasticamente-suas-regras-para-promover-diversidade-18525821&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

MCNAMARA, Mary. Oscars not so white, but still very male. 2017. Disponível em: <http://www.latimes.com/entertainment/la-et-oscar-nominations-2017-live-oscars-not-so-white-but-still-very-1485275087-htmlstory.html&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/joi-mcmillon-e-a-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-edicao/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Veja todas as mulheres indicadas ao Oscar 2017. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/veja-todas-as-mulheres-indicadas-ao-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PUIG, Rebeca. POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?. 2016. Disponível em:<http://collantsemdecote.com.br/por-que-e-tao-facil-perdoar-o-genio-masculino-mesmo-quando-ele-e-um-pedofilo-condenado/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

Dois Irmãos e a violência como sinal de masculinidade

Nesse ano de 2017 foi lançada a minissérie Dois Irmãos, no canal Rede Globo. A produção é baseada na obra de Milton Hatoum, foi escrita por Maria Camargo e tem direção artística de Luiz Fernando Carvalho.

A produção técnica do programa, assim como a maioria das produções do canal, é incrível e digna de Hollywood. Da fotografia ao som, não há o que questionar. No entanto, o conteúdo, mais especificamente, o roteiro, não segue o mesmo caminho e perpetua esteriótipos que estão mais do que na hora de serem questionados e quebrados na programação brasileira.

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Sinopse: A história gira em torno de dois irmãos gêmeos idênticos, Omar e Yaqub, que têm personalidades conflitantes desde pequenos, e suas relações com a mãe (Zana), o pai (Halim) e a irmã (Rânia). Moram na casa da família a empregada Domingas e seu filho, Nael. O menino é quem narra, após trinta anos, os dramas que testemunhou calado. Do seu canto, ele vê entes da família de origem libanesa terem desejos incestuosos e se entregarem à vingança, à paixão desmesurada, em Manaus.

No primeiro capítulo, somos apresentados a Manaus, mais parecida com uma vila, em plena década de 20. Na trama, o personagem Halim (Bruno Anacleto) é apaixonado por Zana (Gabriela Mustafá) e, um dia, decide entrar no restaurante do pai desta e recitar um poema. Assim, com esse simples gesto, a menina se encanta e está decidida e a se casar com o moço.

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Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriela Mustafá)

Recentemente, vi uma crítica que dizia achar incrível que Zana avisa ao pai que irá se casar, como quem diz que vai na padaria. Porém, ao meu ver, eu questiono muito essa forma de romance, em que nada acontece e é só o rapaz declamar um poema para que a menina, considerada a mais linda da cidade, caia de amores. Eu amo poemas e poesias, mas convenhamos que ninguém se apaixona por alguém em três segundos, muito menos por causa de uma declamação , a não ser em filmes à la Disney.

A partir disso, os anos se passam e o casal está pronto para ter filhos. Na verdade, a mulher que exige filhos, já que o marido, não gostaria de ser pai. Assim, eles têm os gêmeos Omar e Yaqub, e se inicia toda a tragédia.

De acordo com o narrador, o filho “caçula”, Omar, nasceu muito fraco e quase morreu e, por isso, a mãe o cuidou com mais zelo e carinho, do que seu irmão. Por meio dessa preferência da mãe, surgiu uma relação de ciúme doentio dentro da família, do pai com os filhos e de Omar (o filho queridinho) com Yaqub (o menino calado).

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Os intérpretes de Omar e Yaqub, Lorenzo e Enrico Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond.

Por meio disso, a história incita o ódio entre os irmãos o tempo todo, justificando a briga e violência destes, por causa de ciúmes e culpando todas as mulheres envolvidas. Ainda no capítulo 1, Omar, agora com uns 10 anos de idade, e Yaqub, se apaixonam por Lívia e esta, parece interessada nos dois. Não conhecemos nada da menina, ela simplesmente aparece para “provocá-los” e causar discórdia.

Na cena em que eles vão a exibição de um filme, na casa dos vizinhos, Yaqub beija Lívia e Omar, possuído pelo ciúme e ódio, quebra uma garrafa de vidro e corta o rosto do irmão. Zana, a mãe sofredora, não sabe lidar com a situação sem magoar um dos filhos e Halim, o pai bipolar, decide enviar o filho machucado para o Líbano, seu país de origem, por alguns anos.

Nesse trailer da série é possível ver a cena do corte.

O tempo passsa e a relação de Zana e Omar, agora confusa, com beijos no pescoço e pegadas por trás, fica mais forte e ambígua, enquanto Yaqub, volta, anos depois, mais quieto do que nunca e sem se sentir um membro da família. Ou seja, Yaqub, quem levou a cortada, que foi mandado embora e, exatamente ninguém, sentou para conversar com Omar e dizer que o que ele fez foi errado.

Por meio de narrativas assim, continuamos a ensinar aos meninos que quanto mais violento e dominador eles forem, mais eles provarão sua masculinidade. A mídia, seja televisão, cinema, internet, quadrinhos, etc, tem um papel essencial na construção de um indivíduo e quando mostramos cenas nesse estilo , crianças e adultos permanecem com a ideia estereotipada de masculinidade como forma de oprimir e dominar.

Além disso, a não ser pela personagem Zana, que é a mãe dos gêmeos, todas as mulheres mal falam e tampouco tem personalidade e histórias interessantes. A maioria aparece para saciar as vontades dos homens ou causar “discórdia” entre eles, o que me fez lembrar o texto que li no site groknation.com, “Porquê mulheres são vistas como puritanas ou putas?”.

Na imagem, a personagem Lívia, mais conhecida como a “causa” da discórdia entre os irmãos.

Segundo uma das colaboradoras do groknation*, Sa’iyda Shabazz, “As duas primeiras imagens de mulheres foram ou a Virgem Maria ou Maria Madalena, uma prostituta que buscava a redenção de Jesus. Quando somente há duas únicas visões de mulheres, desde os primórdios, como é que se supõe que iremos passar adiante disso? […] Nós ainda preferimos manter as mulheres ao padrão da mãe virgem, porque é mais seguro, do que ver as mulheres como pessoas totalmente formadas que podem desfrutar de algo como o sexo, sem motivos de procriação.” (Tradução livre)

Outro detalhe interessante é vermos as cenas de Zana e Rânia, sua filha, numa eterna disputa de poder e beleza, além de que, conforme a própria narração diz sobre a mãe: “ao envelhecer, Zana perde sua beleza para a filha”. Enquanto jovens, somos lindas, quando envelhecemos, somos esquecidas e rechaçadas e, claro, a disputa entre mulheres não foge nem dentro da família. Nao sei aonde iremos parar com esses “ensinamentos”.

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Zana, interpretada por Gabriela Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini.

E o quê falar da personagem Domingas (Zahy Guajajara)?

Quando criança, ela fica órfã e é entregue à Zana, como um presente, para servir como empregada doméstica, mas, na verdade, ela se torna uma escrava. O próprio narrador, que é seu filho, comenta “Domingas é meio ãma, meio escrava”. Meio não, ela é escravizada, humilhada e abusada o tempo todo. Inclusive, a personagem é estuprada pelo gêmeo Omar e NINGUÉM comenta o assunto e a jovem ainda é humilhada, quando anda com seu filho pela cidade, chamada por nomes horríveis, até mesmo pela “patroa”, que diz não querer “um filho de ninguém” em sua casa.

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Domingas (Zahy Guajajara).

Será que ninguém percebe o quão errado é isso? No momento em que uma das personagens é humilhada, estuprada, abusada, e não tem sequer voz e história por trás, fica a entender de que ela pertence à família e eles podem fazer o que quiserem com ela, especialmente os homens. Esse tipo de história concretiza a ideia de que nós, mulheres, somos meros objetos de prazer masculino. E não, nós NÃO somos! Sem contar que, também remete à ideia de que índios são inferiores, sendo justificável os brancos, no caso, libaneses, escravizá-los.

Para piorar, as outras mulheres, maioria negras ou estrangeiras, aparecem quando Omar quer transar ou quando quer provocar sua família, em particular sua mãe, que insiste em humilhar as moças, as chamando de vadias e destruidoras de lares, passando a mão na cabeça do filho, que estupra, abusa e soca quem ele quiser, sem nunca ser punido.

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O filho quem leva a “destruidora de lares” para casa e ela quem é humilhada e expulsa do lugar.

Por fim, entendemos que a redenção de Omar acontece, quando seu filho, Nael, vindo de um estupro, estende suas mãos ao “pai”, querendo ouvi-lo dizer perdão. Infelizmente, Omar, assim como a maioria dos homens, que usam e abusam de sua “masculinidade”, nunca assume e, talvez, nem entenda seus erros, enquanto, Domingas são esquecidas e jogadas ao mar. É simplesmente cansativo vermos minisséries como esta, em que os homens seguem esse padrão de violentar quem eles bem quiserem para provar seu lugar como macho alfa e nunca serem reprimidos ou punidos por seus crimes.

Até quando insistiremos em histórias assim?

Ano passado, tivemos o prazer de assistir Justiça que, mesmo tendo histórias tristes e pesadas, deu um show de humanidade. Então por que não vemos mais programas como este, ao invés de Dois Irmãos, que somente investe em misoginia, preconceito, ódio e mais ódio? O que estamos querendo passar aos nossos meninos/homens e o que estamos dizendo sobre nossas meninas/mulheres?

Para refletir sobre o assunto, indico o documentário the Mask You Live In , abordado pela Louise Queiroga, no texto “A máscara que os meninos usam”, em que a autora diz O filme aborda como a masculinidade é socialmente construída e o quanto isso fere a forma de como os homens poderiam se expressar”. Ademais, o doc ainda mostra como a mídia influência no desenvolvimento de caráter de uma pessoa.

Sendo assim, uma produção que tinha tudo para ser extraordinária, acaba ferindo as mulheres e perpertua a educação machista de nossa sociedade. Uma das coisas que salva o programa, é a maravilhosa interpretação de Juliana Paes e Eliane Giardini, mas, até mesmo a primeira, quando elogiada, tem seu corpo e nudez glorificado e o talento velado.

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As primeiras notícias do Google, ao pesquisar sobre a atriz na minissérie, são sobre as cenas em que ela aparece nua.

*groknation.com: é o site da atriz e neurocientista Mayim Bialik, mais conhecida pelo papel de Amy Farrah Fowler, na sitcom americana The Big Bang Theory.

BIBLIOGRAFIA:

GROKNATION. FEMINISM 101: WHY ARE WOMEN ONLY SEEN AS “PRUDES” OR “SLUTS”?. 2017. Diponível em: <http://groknation.com/women/feminism-101-why-are-women-only-seen-as-prudes-or-sluts/&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

GSHOW.‘Dois Irmãos’: conheça a história da nova minissérie da Globo. 2017. Disponível em: http://gshow.globo.com/tv/noticia/2016/11/dois-irmaos-conheca-historia-da-nova-minisserie.html&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Dois Irmãos. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dois_Irmãos_(minissérie)&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

This is US

Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

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Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

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Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

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Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

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Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

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Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

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Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

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Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

11 Filmes de animação, com protagonismo feminino, que você precisa assistir.

1) A viagem de Chihiro (2001)

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Filme japonês produzido pela Studio Ghibli e dirigido e escrito pelo prestigiado Hayao Miyasaki.

Sinopse: A caminho de seu novo lar, o pai de Chihiro decide pegar um atalho e se perde. Sua família chega numa cidade sem nenhum habitante e seus pais decidem comer a comida de uma das casas, mas Chihiro desconfia de algo. Os pais são transformados em porcos gigantes e, para salvá-los, Chihiro terá que enfrentar os desafios de um mundo fantasma, povoado por seres exóticos.

Esse desenho animado foge do que estamos acostumados a consumir no Brasil, no entanto, ele tem uma narrativa incrível, que, através da fantasia, mostra a transformação de uma menina, Chihiro, da infância para a adolescência.

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Chihiro é bastante corajosa e, não é à toa, que entra num ônibus cheio de fantasmas.

Os seres do outro mundo são todos enigmáticos, alguns amigáveis, outros, assustadores, nos lembrando que crescer é isso, enfrentar todos os tipos de desafios, tendo pessoas do nosso lado ou não. A pequena Chihiro cria um laço de amizade muito forte com Haku, um menino que perdeu sua identidade para a pavorosa Vovó Yubaba e está preso na cidade dos fantasmas.

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Chihiro e Haku.

O filme é repleto de mistério e magia, com direito a fantasmas gulosos, bebês gigantes e dragões. A protagonista é encantadora e bastante determinada, pois tudo o que ela quer, é salvar seus pais e seu mais novo amigo, Haku, que também a ajuda nessa jornada.

Eu aconselho esse filme porque tem uma visão de mundo completamente diferente dos costumes brasileiros, mas podemos nos identificar pelas emoções dos personagens. Além de que, a trama é bastante única e nos apresenta um universo esquisito, porém intrigante e cativante.

2) Cada um na sua casa (2015)

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Um filme da DreamWorks Animation, dirigido por Tim Johnson e roteirizado por Tom J. Astle e Matt Ember.

Sinopse: A Terra é invadida por uma raça alienígena em busca de um novo lar. Porém, uma esperta garota chamada Tip, consegue fugir e acaba virando cúmplice de um alienígena exilado, chamado Oh. Os dois fugitivos embarcam em uma grande aventura.

Esse filme é uma graça e tem dois personagens incríveis, Tip e Oh, que vivem uma jornada juntos e, apesar das diferenças, são o suporte um do outro, para que Tip reencontre sua mãe e Oh descubra onde é o seu lugar.

Esse longa é incrível, principalmente pela representatividade, visto que Tip é uma menina negra e é raro termos protagonistas negras em desenhos animados com tamanha repercussão.

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Sim Tip, você é maravilhosa!

Além disso, a amizade dos dois personagens é muito forte e associável, nos lembrando que nossas diferenças também são capazes de nos unir. Acho maravilhosa a forma como um ajuda o outro e como eles vão aprendendo o significado de família e amizade, ao longo da trama. Tanto Oh, quanto Tip, aprendem os costumes um dos outros, inclusive Oh nunca tinha dançado uma música antes de conhecer sua nova amiga.

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“Minhas mãos estão pro alto, como se eu não me importasse!”

Esse filme vale por tudo, pela narrativa, pela protagonista e, também, pela trilha sonora, que está incrível e tem Jennifer Lopez cantando a música original do filme, Feel the light. E claro, não podemos nos esquecer que quem dubla a personagem na versão americana, não é ninguém mais, ninguém menos, que Rihanna, e suas músicas também estão na trilha sonora.

QUEREMOS JÁ!

Clipe da canção Feel the light, interpretada pela J-Lo.

3) Divertida Mente (2015)

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Uma produção Disney Pixar, dirigido por Pete Docter e Ronnie Del Carmen.

Sinopse: Crescer pode ser uma jornada turbulenta e com Riley não é diferente. Conforme ela e suas emoções, Alegria , Medo, Raiva, Nojinho e Tristeza, se esforçam para adaptar-se à uma nova vida, uma enorme agitação toma conta do centro de controle em sua mente. Embora Alegria, a principal e mais importante emoção de Riley, tente se manter positiva, as emoções entram em conflitos, sobre qual a melhor maneira de viver em uma nova cidade, casa e escola.

Como falar desse amorzinho em forma de animação?

Nada como uma história que nos mostre como é crescer, lidando com todas as mudanças de nossas vidas e como nossa cabecinha pode pirar, quando temos dificuldade em nos encaixarmos numa nova realidade.

Nossos sentimentos são muito bem representados, claro que eles escolheram somente cinco das emoções que temos, mas são as mais importante e, de uma forma extremamente divertida, aprendemos como Alegria e Tristeza andam juntas e ambas são necessárias para nosso desenvolvimento como seres humanos.

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Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo.

Acho incrível a história da Riley, que agora enfrenta uma escola nova e tem pesadelos como “o dente caindo e ela aparecendo sem calça no colégio”. Quantas vezes já não tivemos esse sonho, né? Eu tive milhares de vezes e olha que estudei no mesmo lugar, por anos.

Adoro a personagem Nojinho, porque ela nos lembra como ser descolada na escola, o Medo, que nos ensina os perigos e, na maioria das vezes, as paranóias que temos no dia a dia, sem contar o Raiva, que vive explodindo, porque né, a vida não é fácil.

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Não é fácil!

Mas claro, as melhores personagens são Alegria e Tristeza, a primeira nos lembrando que ser positivo é importante e faz bem pra gente e, a segunda, nos lembrando que nem sempre conseguimos ficar alegres e que tudo bem, pois todos passamos por momentos difíceis e são justamente nessas horas que, família e amigos são essenciais em nossas vidas.

O longa-metragem vale não só pela linda história, mas porque tem cenas hilárias como o namorado(a) dos nossos sonhos, aquela pessoa que todas as meninas e meninos, sonham na adolescência, que virá nos resgatar de nossa realidade e viveremos felizes para sempre. Mas isso é só sonho, até porque, legal mesmo é se apaixonar por pessoas reais e que nos fazem bem.

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“Eu morreria pela Riley!” Esses crushs imaginários, hein?

No demais, acho que o ponto mais marcante desse filme é mostrar a personagem Tristeza, um dos sentimentos que mais teremos ao longo da vida, como algo importante e que faz parte de ser humano. Não podemos afastar a tristeza e sim entendermos que ela é necessária e que pode ser uma aliada no nosso crescimento e, que, junto das outras emoções, ela que nos torna especial e humanos.

E o prêmio de melhor personagem vai para…

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Tristeza! A drama queen mais linda de todas.

4) Frozen (2013)

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Filme da Disney dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee, que também é a roteirista do longa.

Sinopse: Acompanhada por um vendedor de gelo, a jovem e destemida princesa, Anna, parte em uma jornada por perigosas montanhas de gelo na esperança de encontrar sua irmã, a rainha Elsa, e acabar com a terrível maldição de inverno eterno, que está provocando o congelamento do reino.

Para TUDO, porque está na hora do momento “Let it go”.

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Sim, é filme de princesas, mas, não estamos falando daquelas princesas que tem finais felizes para sempre, com príncipes encantados. Muito pelo contrário, o filme até brinca com essa ideia surreal, de ensinarmos meninas a esperar por um princípe que não existe, mostrando Elza confusa com sua irmã mais nova, que decide se casar com um moço que ela conheceu há um dia.

Existem outros projeto da Disney que também brincam com essa ideia fantasiosa, que o próprio estúdio Walt Disney insiste em contar, como o filme Encantada, que também é maravilhoso e só não entrou na lista porque é um filme live-action*.

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Fica pra próxima, Giselle.

Primeiro que é incrível a Elza achar surreal o casamento de sua irmã e ser contra, porque realmente não dá para casar com alguém que conhecemos em um dia.

Segundo que, a própria rainha Elza, de tanto que ela foi reprimida e forçada a esconder seus poderes de gelo, acabou sendo um exemplo de força feminina, quando ela decide que não mais esconderá quem ela é e que será feliz assim.

Mas claro, nem tudo são flores, ao longo da jornada ela vai aprender como controlar seus poderes e entenderá como pode ajudar seu povo, com essa magia única e encantadora.

Além disso, temos o querido Olaf, um boneco de never que adora abraços quentinhos e sonha com o verão. Ele é uma figurinha!

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Você mesmo, Olaf!

Por fim, o momento mais especial, é a narrativa mostrar o que é o amor verdadeiro. Amor verdadeiro pode ou não ter laços consanguíneos, e não necessariamente será um par romântico, ele pode ser amor de mãe, pai, ou, como o filme retrata, amor de irmã.

Tem coisa mais linda do que a ligação entre Elza e Anna?

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Elza e Anna quando pequenas.

Então vá assistir esse longa porque é outro roteiro que nos faz refletir sobre os padrões da sociedade e, mesmo as princesas sendo lindas e perfeitas, algo que ainda precisa ser quebrado, ele é incrível e um passo para a transformação e o feminismo já na infância.

Agora, vocês me dêem lincença, que eu vou ali fazer a Elza, porque nesse verão, só seus poderes congelantes nos salvará.

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Vai um gelinho aí?

5) Lilo e Stitch (2002)

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Outra produção Walt Disney, com direção e roteiro de Dean DeBlois e Chris Sanders.

Sinopse: Um alienígena fugitivo aterrisa no Havaí, onde mora a jovem órfã Lilo Pelekai, que está ameaçada de ser removida da guarda de sua irmã mais velha, Nani. Numa visita a um abrigo de animais para adotar um cachorro, Lilo acaba levando a Experiência 626 e o batiza de Stitch. Agora, Lilo tenta educar seu rebelde “animal”, enquanto Stitch evita ser levado de volta à seu planeta.

Agora o assunto ficou sério. O que é Lilo & Stitch?

Sinceramente, ao meu ver, esse é um dos melhores filmes que a Disney já lançou.

Primeiro que a Lilo é a personagem mais fofolinda que existe e, assim como muitas crianças, ela tem dificuldades em se enturmar no grupo de amizades. Com isso, em uma das cenas, Lilo vê uma estrela cadente e pede um “anjinho”, mas acaba ganhando o Stitch, que, no final, é mais que anjo, ele se torna um grande amigo.

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“As pessoas me tratam diferente.” Ah, querida Lilo.

Depois, a própria história do Stitch é incrível, um alien criado para destruir tudo o que vê pela frente, mas que cria laços fortes com sua nova família, no planeta Terra, e descobre que não está mais sozinho no mundo.

Além disso, também temos os hilários Agente Pleakley e o cientista Jumba Jookiba, que nos divertem tentando caçar o Stitch, porém se aliam ao próprio alienígena para resgatar sua amiga e irmã, Lilo.

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Agente Pleakley, Jumba, Stitch e Lilo.

Também temos o agente Cobra Bubbles, que vive de cara amarrada, mas tem o maior coração e salvou o planeta Terra de ser extinto por uma raça alienígena, tudo isso graças aos mosquistos.

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Mas também, né? O trabalho dele não é fácil!

Ademais, a relação mais linda e encantadora do longa, é a de Lilo com sua irmã mais velha, Nani, que agora, assume o papel de “irmãe”. Elas perderam seus pais num acidente de carro e, agora, são a única família que tem e é simplesmente apaixonante a forma como elas se amam e, mesmo tendo problemas como todas as irmãs, lutam até o fim para ficarem juntas.

Eu amo essa produção cinematográfica, pela representatividade, pela forma como mostra amor, amizade e família e, também, por mostrar diversidade, provando que nossas diferenças nos tornam únicos e especiais. Além de que, as frases e lições do roteiro são lindíssimas e inesquecíveis.

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“Ohana quer dizer família. Família quer dizer nunca abandonar ou esquecer.”

Assim, eu recomendo essa história pela carga emocional, pelas aventuras incríveis, por nos identificarmos com as dores dos personagens e, claro, porque a trilha sonora toca Elvis Presley. Até o Stitch se rende aos encantos do rei.

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Stitch Presley.

6) Moana (2017)

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Dos criadores de Frozen e Zootopia, essa é a mais recente produção da Disney, dirigida por Ron Clements e John Musker.

Sinopse: Moana Waialiki é uma viajante entusiasta do mar e a única filha de um chefe, em uma longa linha de navegadores. Quando os pescadores da ilha não conseguem pegar nenhum peixe e as colheitas falham, ela descobre que o semideus, Maui, causou esta praga ao roubar o coração da deusa Te Fiti. Para salvar seu povo, Moana parte em uma jornada pelo pacífico, com o intuito de convencer Maui a devolver o coração e quebrar a maldição.

Mal lançou o filme e, eu, uma garota de vinte e cinco anos, já fui ao cinema assistir. E vou lhe dizer, valeu muito à pena!

Moana não é uma princesa, mas sim uma líder e uma sonhadora aventureira. Ela é extremamente determinada e destemida, aceitando o desafio de ir atrás do semi-deus, Maui, e salvar seu povo, visto que agora ela assumiu a liderança do grupo.

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Moana.

A trilha sonora está incrível, mas incrível MESMO, e a gente segue a jornada dessa heroína, vendo seus antepassados, seus medos e sua coragem, para conquistar seu lugar no mundo.

Além disso, é muito legal a relação de Moana com Maui, um cara mimado, que, na verdade, só queria ser aceito e adorado por todos. Ela dá um banho de maturidade e ensinamentos ao semi-deus, mas, juntos, formam uma dupla e tanto.

Aliás, Moana deixa bem claro que está ali pra aprender e ser independente e não espera que nada, nem ninguém, faça seus deveres por ela.

E o que falar do Tomatoa, Mon Amour? Tem carangueijo mais charmoso que esse, todo brilhoso? Apesar dele ser “malvado”, não dá pra resistir à sua sequência musical e se encantar com tanto glamour.

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Tomatoa.

No entanto, a amizade e o amor mais lindo é de Moana com sua avó, Tala, considerada a “maluquinha” da aldeia. Elas tem uma relação muito fofa e uma é o grande apoio da outra. Achei linda todas as cenas em que ambas estavam contracenando e, admito, chorei um pouquinho.

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Todo grupo tem uma maluquinha incrível, né?

Sério, se você não viu, compre seu ingresso agora e veja ou, assim que lançar pra DVD ou Blue-ray, assista. É um dos filmes com protagonista feminina mais incríveis que a Disney lançou nos últimos anos e, uma curiosidade, o filme foi baseado em histórias da mitologia polinésia. O que você está esperando?

VAI ASSISTIR AGORA!

7) Mulan (1998)

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Produção Disney, dirigido por Tony Bancroft e Barry Cook.

Sinopse: Baseada numa das lendas mais populares da China, esta aventura conta a história de uma jovem destemida, Mulan, que decide se disfarçar de homem, treinar para se tornar um bom soldado e, assim, ocupar o lugar de seu pai no exército chinês. Acompanhada por seu divertido dragão de guarda, Mushu, Mulan treina para ser um soldado habilidoso e valente e acaba aprendendo muitas lições sobre coragem, honra e amor.

Vamos ser sinceras, Mulan é diva da parada toda!

Sem dúvida alguma, este é um dos meus filmes preferidos de animação e, com certeza, minha protagonista favorita. Amo o jeito desastrado da Mulan, sua “rebeldia” em prol do amor pela família e sua coragem, em enfrentar inimigos e o machismo do seu próprio país.

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MARAVILHOSA!

Esse é o tipo de filme que arrepia à alma e nos faz ter o maior orgulho de sermos mulheres. É incrível como Mulan quebra todas as regras, justamente por amor à seu pai.

Nessa aventura, ela recebe a pior e melhor ajuda de todas, do seu guardião, Muchu, e seu grilinho da sorte, Gri-li. Enquanto este realmente parece trazer sorte, o outro é completamente atrapalhado e estressadinho, mas um fofo, que nos faz querer um guardião igual à ele.

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Muchu e Gri-li.

Além disso, também aprendemos bastante sobre a cultura chinesa e o patriotismo do país, e nos maravilhamos com os personagens e suas histórias, todas únicas e especiais. Sem contar nas músicas do filme, que são excelentes.

Outra coisa surpreendente é que, literalmente, a heroína de toda a história, é a Mulan. Por mais que tenham vários outros homens do exército, como o capitão Shang, ela quem descobre todos os truques do inimigo e vira uma das maiores heroínas da China. Só tenho amor e orgulho por essa personagem.

Assista porque você NÃO vai se arrepender!

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Mulan e Shang.

8) Persepolis (2007)

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Animação francesa, baseada no romance autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi, dirigida e escrita por Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud.

Sinopse: Uma jovem iraniana que sonha em ser profeta, acompanha de perto a queda do Xá e de seu regime brutal. No entanto, ela acaba se revoltando contra as imposições fundamentalistas dos rebeldes, especialmente contra as mulheres.

Essa animação é em preto e branco e tem um tom bem mais sério do que as outras mencionadas. Ela segue a infância, adolescência e juventude de Marjane (Marji), uma iraniana que quebra tudo o que nós, do lado de cá, imaginamos sobre os costumes de seu país.

Baseado em sua vida pessoal, vemos como a protagonista, desde criança, lidava com a guerra e a repressão de seu Estado, com todos os que eram contra as leis, principalmente à opressão das mulheres.

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Marjane, novinha, era fã de rock, no entanto, esse tipo de música era proibida em seu país.

Ao longo da história, Marjane vai morar duas vezes no exterior, primeiro em Viena, ainda jovem, depois na França, nunca mais voltando à seu país de origem. Nessas viagens, também acompanhamos o seu dia a dia, suas amizades e relações amorosas, bastante desastrosas, como a de qualquer outra menina na faixa dos 15-20 anos.

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E as baladas secretas em seu país, hã? Maravilhosas!

É incrível como vemos a força das mulheres iranianas, cansadas de tantas regras e imposições, desde crianças. Além disso, também sentimos a dor da personagem principal, que se vê forçada por seus pais, que querem o seu bem, a morar em outro país, para que possa ter a liberdade que sempre desejou. Até mesmo sua avó, divorciada há anos, numa época em que o divórcio era mal visto, torcia pela ida de sua neta e que esta tivesse uma vida bem melhor que a dela.

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“Você vai conhecer muitos idiotas em sua vida.” Falou e disse, Vovó!

No demais, eu aconselho esse filme, pois aprendemos um pouco mais sobre a história, extremamente única, de Marji, nos mostrando, pela sua visão de mundo, como foi sua vida ao longo das décadas de 80 e 90, no meio da repressão, guerra, amor e família.

9) Pocahontas (1995)

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Mais um filme da Disney, com direção de Mike Gabriel e Eric Goldberg.

Sinopse: Este é o conto sobre o romance entre uma jovem indiana americana, chamada Pocahontas, e o capitão, John Smith, que viajou para o Novo Mundo, junto de outros colonos, para começar uma vida nova. Seu poderoso pai, Chefe Powhatan, desaprova este relacionamento e quer que ela se case com um guerreiro nativo. Enquanto isso, os companheiros de Smith esperam roubar o ouro dos nativos. Será que o amor de Pocahontas e Smith salvará o dia?

Apesar deu achar a personagem bastante sexualizada e isso ser um problema, ainda mais por se tratar de um desenho animado, aonde a sexualização das personagens deveria passar longe, eu adoro essa trama e me encanto com as atitudes dessa protagonista. Uma aventureira, bastante independente, que questiona às regras de seu mundo quando conhece pessoas de outro mundo.

Pocahontas respeita muito seu pai e sua aldeia, mas não se contenta com as imposições destes. No entanto, ela os defende, com toda a garra, dos ingleses, que querem levar as riquezas de seu lar.

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Pocahontas.

Além disso, as conversas que ela tem com sua avó, Willow, que fala com sua neta através de uma árvore encantada, são muito inspiradoras e nos engrandecem como pessoas. A forma como sua avó a ajuda a lidar com seus sentimentos por John e seu respeito à seu povo, é incrível, mostrando que amor nos faz questionar nossa realidade, mas não nos impede de juntar o velhos ensinamentos, com novos aprendizados.

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Vovó Willow.

Como é baseado em fatos reais, esse filme também nos faz refletir sobre a covarde colonização dos europeus às terras dos índios. Quem dera se na vida real, eles respeitassem o espaço dos nativos e fossem embora.

Mesmo sendo uma ficção animada, temos muito o que aprender com a história dessa heroína, que é capaz de tudo por amor, família e lealdade, nos ensinando a principal base da convivência entre humanos: o respeito.

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Sem contar, no seu amor e carinho pela natureza e os animais.

Aconselho essa trama por todos os ensinamentos, que nos fazem crescer como pessoa e como civilização, o respeito ao próximo e a natureza, além de ter músicas lindas, como “Cores do vento”.

Cena da música “Cores do Vento”.

10) Valente (2012)

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Uma animação Disney Pixar, dirigida por Brenda Chapman, Mark Andrews e Steve Purcell. A história foi criada pela Brenda Chapman, que também participou do desenvolvimento do roteiro.

Sinopse: Merida, uma talentosa arqueira e a teimosa filha do Rei Fergus e da Rainha Elinor, está decidida a trilhar o seu próprio caminho. Com isso, ela desafia uma antiga tradição sagrada para os agitados e divertidos Lordes do reino. As ações de Merida desencadeam, sem querer, o caos no reino. Agora, ela precisa usar todas as suas habilidades para desfazer uma terrível maldição antes que seja tarde demais.

Merida é a rebelde ruiva que você mais respeita! Sim, sim!

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“Eu sou demais! Sim, a melhor passando.”

Essa protagonista é incrível, porque ela, assim como as outras citadas, simplesmente não aceita às regras do reino em que vive. Como seus pais decidem que esta deve se casar, seguindo a tradição, a convite de sua mãe, a Rainha Elinor, os filhos primogênitos de três reis, aceitam o desafio e tentam conquistar a mão de Merida.

No entanto, irritada e decepcionada com essa tradição, nossa personagem decide lutar pela sua própria mão e mostra muito mais habilidade, com seu arco e flecha, do que os outros concorrentes.

Óbvio que sua mãe fica extremamente desapontada com esta atitude e, nossa heroína, foge do castelo, tentando buscar uma resposta que mude seu destino. Assim, ela encontra o lar de uma bruxa que faz um feitiço, ao qual transformará a rainha Elinor em um urso.

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Rainha Elinor antes do feitiço.
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Depois do feitiço.

A partir disso, o longa mostra a transformação, tanto de Merida, quanto de sua mãe, que juntas, tentarão desfazer a magia e se reconectar, uma com a outra. É simplesmente lindo e comovente as cenas em que, mãe e filha, buscam uma saída para seus problemas e sua falta de comunicação, nos lembrando que ser mãe, também é dar liberdade e, ser filha, é aprender e ensinar ao mesmo tempo.

Eu aconselho essa produção por tantos motivos, mas, principalmente, por se passar num reino distante e, mesmo assim, ser possível de se associar com a vida de qualquer menina que está cansada das regras de sua sociedade. Além disso, os trigêmeos, irmãos de Merida, são engraçadíssimos, assim como seu pai, o Rei Fergus, nos entretendo nessa emocioante narrativa, de uma líder aventureira que irá provar o seu lugar no mundo.

11) Zootopia (2016)

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Dos mesmos criadores de Frozen e também um projeto da Walt Disney, foi drigido por Byron Howard, Jared Bush e Rich Moore.

Sinopse: Quando Judy Hopps chega em Zootopia, ela descobre que ser a primeira coelha da equipe da polícia, formada por animais grandes e fortes, não é nada fácil. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma aventura atrapalhada e bem humorada, ao lado do malandro raposo, Nick Wilde, para desvendar um grande mistério.

Não sei como falar dessa lindeza de filme, sem puxar o maior saco. Licença!

Primeiro que o filme fala e mostra diversidade e eu acho isso fantástico. Segundo que, nossa protagonista, a querida Judy Hopps, ou, Cenourinha, quebra todos os tabus possíveis, sendo a menor e única mulher da delegacia de polícia ao qual conquista uma vaga.

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Sim, Cenourinha…você é incrível! Bate aqui *pá!

Apesar de todos os deboches dos valentões da àrea, a policial não se dá por vencida e vai até o fim com suas suposições sobre o misterioso desaparecimento do Sr. Otterton. A partir disso, ela acaba se aliando ao malandro Nick Wilde, que se torna seu grande amigo e companheiro na luta contra o crime.

A história é linda, divertida e dá um show de representatividade, enfatisando que todos merecemos ser respeitados, independente dos nossos sonhos, gostos e aparência. A determinação de nossa personagem principal nos motiva, o tempo todo, a lutar por um mundo melhor, porque ele é possível SIM.

Amo, amo, amo! Não consigo conter minha simpatia pelo roteiro e pela Cenourinha, que é uma linda, guerreira e super independente, que prova que sonhos são possíveis de se tornar realidade, mesmo quando o resto do mundo insiste em lhe dizer que não são.

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Judy Hopps é a melhor e ela sabe disso.

Sem contar na hilária cena do que, aqui no Brasil, chamamos de Detran, onde todos os funcionários são bichos-preguiça. E aí, alguma semelhança com a realidade?

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Foi só uma piadinha…

Aliás, não foi à toa que o filme ganhou o Globo de Ouro de melhor animação, nesse ano de 2017. Assistam ao longa-metragem, porque ele vai te emocionar e lhe proporcionar entretenimento e aprendizado, da forma mais fofa e incrível possível.

*live-action: é um termo utilizado no cinema, teatro e televisão para definir os trabalhos que são realizados por atores reais, ao contrário das animações.

A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais.

Assistindo ao documentário “She is Beautiful when she’s angry” (Ela fica linda quando está com raiva), dirigido por Mary Dore, me deparei com mulheres fantásticas que lutaram por seus direitos, nos EUA, nas décadas de 60-80.

É incrível e, ao mesmo tempo, assustador vermos que os anos passam e ainda usamos os mesmos discursos, pelo simples fato de que nossa sociedade parece não conseguir se livrar da visão de mundo machista que a domina.

Eu me identifiquei com muitas falas das feministas presentes no doc, sendo que a produção é sobre a luta das mulheres que ocorreu há mais de 40 anos. Protagonistas maravilhosas que, desde aquela época, já entendiam sobre as desigualdades de gênero que contaminam o mundo e, hoje, infelizmente, ainda precisamos lutar, da mesma forma, porque por mais que a gente tenha evoluído, ainda estamos longe de estar num mundo ideal para a população do gênero feminino.

No longa de uma hora e trinta e dois minutos, as entrevistadas contam que elas exigiam igualdade de salários, direito ao aborto, eram contra o abuso e a violência dos homens, lutavam por mais creches – onde elas pudessem deixar seus filhos e irem trabalhar assim como seus respectivos maridos – entre outras exigências, que são o mínimo, para que finalmente possamos ser vistas de igual para igual e não submissas aos homens.

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“Se os homens pudessem engravidar, anticoncepcionais estariam disponíveis em máquinas de chiclete.”

No discurso de uma das entrevistadas, ela comenta como elas, nos anos em que iniciaram os movimentos feministas, mal sabiam sobre o movimento das Sufragistas, ocorrido no final do século XIX e início do XX, na Inglaterra. Por sinal, essa história foi muito bem retratada no filme “As Sufragistas” (2015).

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“Nunca desista da luta.” E tem a participação de Meryl Diva Streep.

Com isso em mente, tentei lembrar dos tempos de escola e, me veio a cabeça, que eu mal ouvi falar das lutas das mulheres, no máximo pelo direito dos votos e olhe lá. E isso é um erro extremo, pois nós temos e devemos aprender sobre as incríveis mulheres do nosso passado, que conquistaram tanta coisa por nós, pessoas das quais devemos nos orgulhar e nos inspirar e buscarmos forças nessa batalha que persiste até os dias atuais.

Tantas histórias de líderes homens, visionários, outros, não, e as mulheres, parece que são sempre deixadas de lado. A não ser que tenham sido princesas ou rainhas, é raro escutarmos na sala de aula do ensino fundamental e médio, sobre os direitos e lutas das mulheres, que ocorrem há anos, pelo simples fato de que, culturalmente falando, não faz sentido ensinar pequenas meninas sobre seus direitos, já que os homens se sentem ameaçados com nossas conquistas e insistimos nesses ensinamentos conservadores e retrógrados.

Algumas das feministas entrevistadas no documentário “She is Beautiful When she’s Angry”.

Além disso, um assunto bastante interessante que elas mencionam na produção, é o fato de existirem divisões dentro do próprio feminismo, e isso me fez refletir e questionar o meu feminismo.

O projeto nos mostra líderes de vários movimentos feministas e, como as mulheres negras e as lésbicas, acabavam formando seus próprios grupos, pois não se identificavam com a luta das mulheres cis brancas e heteros. Lembrei de textos como “Jout Jout, Clarice e o feminismo branco” e “Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas?” do site fridadiria.com, em que o movimento feminista é questionado, pois, na maioria das vezes, ele é voltado para mulheres cis, brancas e heteros.

É um assunto delicado, mas deve ser debatido sempre. Uma das representantes que aparece no documentário, comenta que, as militantes, quando exigiam seus direitos, eram chamadas de lésbicas pelos homens e, em sua visão, se elas começassem a lutar pelos direitos Lgbts, acabariam dando crédito à essa visão.

Assim, ela argumentou que, nos anos de 60-70, optou por lutar pelos direitos das mulheres, sem envolver a homosexualidade, por exemplo, e, que, depois de conquistas, seria a hora de lutar por outras vertentes.

No entanto, não podemos nos esquecer que uma mulher lésbica sofre com o machismo por ser mulher e por ser lésbica. Primeiro que lésbica não deveria ser uma ofensa. Segundo que, acaba sendo usado pelos homens e, até mulheres, como ofensa, pois lésbicas são rechaçadas e consideradas como pessoas do gênero feminino que querem ser do sexo masculino ou mulheres que ainda não encontraram o homem certo em suas vidas. Então como pedir pra elas deixarem sua sexualidade de lado, se isso é essencial em sua luta?

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“Fail” total!

Além disso, não podemos negar que uma mulher negra sofre muito mais preconceito e machismo em nossa sociedade, do que uma mulher branca. Infelizmente isso acontece, então como podemos dizer “primeiro conquistamos o direito das mulheres, depois vemos a questão racial”, sendo que uma mulher negra lida com o machismo e racismo todos os dias de sua vida?

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“Nunca deixe que ninguém a faça sentir como se você não importasse.” Michelle Obama sempre maravilhosa.

Sem contar as mulheres de baixa renda que, quase nunca, tem a chance de erguer suas vozes. Para isso, filmes como “Que horas ela volta?” da Anna Muylaert são importantíssimos e maravilhosos, pois nos fazem refletir essas questões.

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Poster do Filme, com Regina Casé.

Quero deixar claro que eu não sou a melhor pessoa para falar sobre a questão racial ou social, pois não vivo essas dores de perto, porém, cada vez mais, me posiciono para ler, refletir e estudar sobre essas questões, ouvindo o outro lado e, assim, entendendo como posso inserí-las no meu feminismo. Lendo e aprendendo, eu cito a Nathalia Rocha, idealizadora do Frida Diria, no texto”Nicki, Rihanna e o feminismo branco:

E, colocando uma mulher negra que se posiciona contra o racismo como barraqueira, a mídia e a sociedade só contribuíram para apagar o debate e manter uma visão racista sobre as pessoas negras. E é isso que o feminismo branco deveria entender. Dentro do movimento, somos tratadas como “nós”, como “manas”, mas, na prática, o que vemos é um debate que abarca “todas” as mulheres como se todas as mulheres tivessem os mesmos problemas. Na prática, mulheres brancas colocam o seu bem-estar e as suas pautas acima dos problemas das mulheres negras e chamam isso de feminismo.

Apesar do assunto em questão ser a discussão em torno de um desabafo da Nicki Minaj no Twitter e a resposta da Taylor Swift, no ano de 2015, ele me ajudou a compreender um pouco melhor sobre como me posicionar a respeito da luta das mulheres negras.

Essa questão é importante de ser debatida, pois a ideia não é defender a violência de mulheres contra mulheres, mas, sim, lutar por um feminismo universal, abrangendo e respeitando todas as suas vertentes, para que todas as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, em qualquer lugar do planeta, e não somente em sua respectiva comunidade ou grupo racial, étnico, etc.

Querendo ou não, nossa posição é contra a supremacia do homem cis, branco, hétero e rico, logo, precisamos achar um jeito de incluirmos todas as causas que qualquer mulher passa e, assim, a gente finalmente conquistar a tal justiça que queremos e merecemos.

Parece utópico, mas não é. Temos que nos unir, tendo empatia pelas dores alheias, apoiando umas às outras, nessa luta contra o machismo. Para isso, temos que usar nossa maior arma: a FALA. E claro, sempre ouvirmos umas as outras, até porque, se ficarmos contra ou nos separarmos, quem perde somos nós mesmas.

Não estamos erradas em exigir direitos iguais e faremos isso juntas, expondo todas as injustiças do nosso dia a dia e exigindo mudanças, até que finalmente o machismo desapareça de nossas vidas.

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“Mulheres de todo o mundo, unam-se!”

Para quem tem interesse de assistir ao documentário, ele está disponível no Netflix e em DVD. Ademais, também é possível ter informações do projeto, incluso sobre as feministas entrevistadas, no site <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/women/>.

BIBLIOGRAFIA

MOTTA, Thamires. Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas? 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/seu-feminismo-acolhe-mulheres-lesbicas/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

MOURA, Gabriela. Jout Jout, Clarice e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/jout-jout-clarice-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

ROCHA, Nathalia. Nicki, Rihanna e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/nicki-rihanna-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 09 de jan. 2017.

SHE IS BEAUTIFUL WHEN SHE’S ANGRY. 2014. Disponível em: <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/the-film/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.