Women’s March: a marcha das mulheres e o que está por trás do evento.

O dia 16 de janeiro de 2017 foi considerado o dia mais triste do ano, chamado de “Blue Monday”, segundo o estudo de Cliff Arnall, psicólogo da Universidade de Cardiff, no País de Gales. No entanto, ao meu ver, o dia mais triste do ano é hoje.

Hoje, infelizmente, nós perdemos e muito. No dia 20 de janeiro de 2017, Donal Trump assume a presidência dos Estados Unidos e é doído escrever sobre isso. Hoje, nos despedimos da maravilhosa família Obama e entramos numa era assustadora, com Trump, Temer, Brexit*, tristeza e tristeza.

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“A Esperança é necessária.” Já estamos com saudades, Michelle!

Como não sou jornalista e não entendo tanto de política, eu vou mudar o foco do texto e falar sobre a luta feminista e, mais especificamente, o Women’s March (Marcha das Mulheres), que irá ocorrer amanhã, dia 21 de janeiro de 2017.

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“Marcha das Mulheres em Washington, 21 de janeiro de 2017, às 10hrs”

No dia após a posse do novo presidente, mulheres irão marchar, para que suas vozes não mais sejam silenciadas. A ideia surgiu depois que os resultados das eleições presidenciais saíram, nos EUA, tendo como ponto de partida, a cidade de Washington e, agora, são mais de 600 cidades. No site do womensmarch, é possível ler sobre a missão e visão do projeto:

“Estamos juntos em solidariedade com nossos parceiros e crianças para a proteção de nossos direitos, nossa segurança, nossa saúde e nossas famílias – reconhecendo que nossas comunidades vibrantes e diversas são a força do nosso país.”(Tradução livre)

E por quê essa caminhada é tão importante para a sociedade?

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“Quando os poderosos usam sua posição para praticar bullying nos outros, todos nós perdemos.”

Aproveitando a fala da querida Meryl Streep, no Globo de Ouro 2017, vale a reflexão de que está mais do que na hora de discutirmos o quão assustador e retrógrado será, para todos nós, um homem como o Trump assumir a presidência de uma das maiores potências econômicas atuais, destilando ódio e preconceito em todas as suas falas.

Eu não vou fazer esse texto criticando ele, porque senão eu escreveria um livro de 500 páginas só pro primeiro capítulo, mas, sim, usarei as palavras das líderes da Marcha, para mostrar o quão importante esse evento será.

“A Marcha das Mulheres em Washington enviará uma mensagem ousada ao nosso novo governo em seu primeiro dia no comando e para o mundo, de que os direitos das mulheres são direitos humanos. Estamos juntos, reconhecendo que defender os mais marginalizados entre nós é defender a todos nós.”(Tradução Livre)

Como o grupo deixa bem claro no site, essa luta não é só contra o machismo e misoginia, é contra todo e qualquer tipo de preconceito. É a favor de todas as minorias, que, por sinal, são os grupos de maior ataque do atual presidente.

Segue o link da página do Facebook, Women’s March on Washington, com um vídeo (em inglês) explicando sobre o evento.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fwomensmarchonwash%2Fvideos%2F1401849963161612%2F&show_text=1&width=560

Como a Paula Cosme Pinto diz muito bem, no texto A Marcha das Mulheres também é sobre os homens” no site Expresso: Se a forma misógina, desrespeitosa e totalmente discriminatória como se refere ao sexo feminino (mais de metade da população mundial) não era suficiente para irmos todos para a rua, então que pensemos também nos comentários racistas, xenófobos, homofóbicos e totalmente desproporcionados no que toca a diabolizar minorias ou populações mais excluídas. Na forma como constantemente desrespeitou e pôs em causa as regras mais básicas do direitos civis e humanos, no seu país e nos demais.”

Também no site Nexo, podemos ler que: “Em entrevista ao jornal “The New York Times”, Breanne Butler, uma das organizadoras da marcha, disse que a manifestação é uma afirmação política, uma demonstração de “boas vindas” por parte de grupos marginalizados e atacados por Trump durante a campanha presidencial, que agora tentam mostrar estar atentos a suas ações. Por isso, direitos de imigrantes e de minorias em geral também estão em pauta, além das questões de gênero.”

Ou seja, essa marcha põe em pauta todas as questões que homens brancos, como Donald Trump, insistem em pisotear e debochar, cegos com todo o seu privilégio.

Os 5 princípios do Women’s March, retirado do site original, com tradução livre, são:

  1. A não-violência é um modo de vida para pessoas corajosas.
  2. A amada Comunidade é o quadro para o futuro.
  3. Ataque as forças do mal, não as pessoas que fazem o mal.
  4. Aceitar o sofrimento, sem retaliação, pelo bem da causa, para alcançarmos nosso objetivo.
  5. Evitar a violência interna do espírito, assim como a violência física externa.

Ainda de acordo com o site, para as brasileiras e brasileiros interessados na causa, haverá uma marcha na cidade do Rio de Janeiro, em Ipanema – Praça Nossa Senhora da Paz, dia 21 de janeiro às 13hr. Segue o evento no facebook. Para os que não poderão ir, espalhe a notícia ou use a hashtag #WhyIMarch e mostre sua força e resistência, mesmo que através da internet. Estamos juntos nessa!

Sendo assim, em tempos em que levamos golpes cruéis, como no Brasil ou pela ascensão dos republicanos no EUA, não por Trump ser o mais votado, visto que Hillary Clinton teve 2,9 milhões de votos à mais, mas pelo sistema antiquado que silencia a democracia, devemos mais do que nunca, nos juntar nessa causa e usarmos nossa força maior: a fala.

Não ao ódio, ao preconceito, ao racismo. Chega de homofobia, machismo e xenofobia. Chega, Chega, CHEGA!

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“Mulheres do mundo unidas.”

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em ler e entender um pouco mais sobre a luta feminista, segue o link do texto em que falo sobre o documentário “She is Beautiful When She is Angry”.

*Brexit: é a abreviação das palavras em inglês Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída). Designa a saída do Reino Unido da União Europeia.

BIBLIOGRAFIA:

DN.Resultado final: Hillary teve mais quase 2,9 milhões de votos que Trump. 2016. Disponível em: <http://www.dn.pt/mundo/interior/resultado-final-hillary-teve-mais-quase-29-milhoes-de-votos-que-trump-5567750.html&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

DE LIMA, Juliana Domingues. As mulheres que marcharam em Washington em 1913. E as que prometem marchar em 2017. 2017. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/17/As-mulheres-que-marcharam-em-Washington-em-1913.-E-as-que-prometem-marchar-em-2017?utm_campaign=a_nexo_2017117_-_duplicado&utm_medium=email&utm_source=RD+Station&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

PINTO, Cosme Paula. A Marcha das Mulheres também é sobre os homens. 2017. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2017-01-20-A-Marcha-das-Mulheres-tambem-e-sobre-os-homens&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

UOL NOTÍCIAS. Hoje é ‘Blue Monday’,o dia mais triste do ano, mostra estudo. 2017. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2017/01/16/hoje-e-blue-mondayo-dia-mais-triste-do-ano-mostra-estudo.htm&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

WOMEN’S MARCH. 2017. Disponível em: <https://www.womensmarch.com/mission/&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

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Uma História de Amor e Fúria: A animação brasileira que você precisa assistir.

Antes de mais nada, acredito que você, assim como a maioria dos brasileiros, mal conheça animações nacionais. Infelizmente, como já é muito difícil produzir a sétima arte no Brasil, com o desenho animado não seria diferente, então é normal não conhecer essas produções, pois elas não existem em grande quantidade como a norte-americana e tampouco são divulgadas como deveriam.

No entanto, nossa produção não é nula, muito pelo contrário, o conteúdo de filmes de animação no Brasil tem qualidade, não sendo à toa que no ano de 2016, O Menino e O Mundo concorreu ao Oscar de melhor animação, merecidamente.

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Poster do filme O Menino e o Mundo, filme de Alê Abreu.

Com isso, a intenção deste texto é justamente falar de uma das animações brasileiras que você, ela e todo mundo, precisam assistir.

 

Trailer do filme.

Filme escrito e dirigido por Luis Bolognesi, também conhecido pelos roteiros de Bicho de sete cabeças (2000), As Melhores Coisas do Mundo (2010) e Elis (2016).

O longa-metragem Uma história de amor e Fúria (2013) conta a história de um guerreiro imortal, que está vivo há mais de 600 anos, sempre em busca do seu eterno amor, Janaína. Mas como o próprio título já diz, essa trama, além de amor, contém fúria, passando por momentos marcantes da evolução de nosso país, desde a época em que “Brasil era o nome de uma árvore”, até o ano de 2096.

Apesar de ser uma ficção, a narrativa nos encanta com essa relação do casal, que perpetua por séculos, além de nos mostrar toda a força e resistência do povo brasileiro, contra as injustiças que, infelizmente, continuam até hoje.

A animação começa em 2096, com uma cena rápida e, volta para o ano de 1566, na Guanabara, quando o o guerreiro Tupinambá Abeguar, descobre seu destino. Segundo o xamã da tribo, Abeguar foi escolhido pelo deus Munhã para liderar seu grupo e lutar contra o malvado Anhangá. Quando seu povo é dizimado pelos portugueses, o herói se transforma em um pássaro e voa por mais de duzentos anos para encontrar Janaína, que foi morta no massacre aos índios.

As quatro encarnações de Janaína e seu guerreiro imortal.

 

Assim, vamos para o ano de 1825, onde nosso protagonista é Manuel Balaio que vive com Janaína e suas duas filhas, no Maranhão. Quando uma de suas filhas é abusada pelo comandante policial, Balaio lidera os moradores oprimidos e eles libertam a cidade de Caxias. No entanto, o governo envia Duque de Caxias e suas tropas vencem o povo. Balaio se transforma novamente em um pássaro, indo encontrar sua amada, no ano de 1968, no Rio de Janeiro.

Mesmo sendo uma animação, lembrando que este tipo de produção nem sempre é voltado para crianças, vemos cenas fortes de tortura e violência, mostrando a dura época da ditadura. Após essa fase, o roteiro nos leva de volta à cena inicial, no ano de 2096, onde a disputa agora, é pela água, que vale mais do que qualquer outra coisa.

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Cena do filme.
É incrível como a partir de uma história de amor, o público é levado pro passado e futuro, nos lembrando de todas as feridas, que ainda não foram cicatrizadas, e nos fazendo refletir, sobre aonde podemos chegar e o que perderemos com tudo isso.

O motivo de resistência por parte do nosso guerreiro é seu amor por Janaína e, como nossa querida Janaína, foi uma guerreira em todas as suas vidas, nosso personagem principal segue os passos desta e não desiste nunca do amor e de um mundo melhor.

Aliás, Janaína é dublada pela Camila Pitanga e, só isso, já é maravilhoso. Ela é poderosa em todas as suas encarnações, sendo dolorosas, todas as vezes que perdemos nossa personagem, instantes em que sentimos na pele, o sofrimento do pássaro e viajante do tempo, dublado pelo Selton Melo.

Eu me arrepio com a eterna luta desse casal, de libertar seu povo e ficar junto. E mesmo com todas as derrotas, com todo o sofrimento, basta o sorriso um do outro, que eles lembram que estão do lado certo na luta. Mesmo eu não acreditando em destino, eu me emociono demais com as cenas dos dois, em que o mundo para pra ouvir esses corações apaixonados.

Para o texto não ficar muito melancólico e romântico, esse filme, além de ter esse lindo romance, vale pela história do nosso Brasil. Claro que somente quatro épocas são retratadas, sendo que uma se passa num futuro que ainda faltam 80 anos pra chegar, mas todas as dores permanecem até os dias atuais, nos fazendo questionar o por quê de tanta guerra e injustiça.

Normalmente eu não sou fã de longas com narrador, mas, como o narrador, no caso, é o próprio protagonista, nos contando sua história de vida e nos mostrando seu ponto de vista, é impossível não se envolver nas falas deste. Por sinal, as falas são muito marcantes e fortes, nos comovendo e nos fazendo pensar sobre nosso passado, os erros já cometidos e que ainda não foram consertados. Como o narrador diz: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro.”

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“Meus heróis nunca viraram estátuas. Morreram lutando contra os caras que viraram.”
Assim, eu aconselho essa produção cinematográfica pelos personagens, pela história de amor, resistência e fúria, além de ser uma animação maravilhosa, que nos lembra que é possível produzirmos esse tipo de filme no nosso país.

Eu, que escolhi a carreira de cinema, levo pancadas quase todos os dias por essa escolha difícil, mas são filmes como este, que me lembram de continuar minha jornada.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Uma história de amor e fúria. 2013. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2231208/&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA. 2013. Disponível em: <http://www.umahistoriadeamorefuria.com.br&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais.

Assistindo ao documentário “She is Beautiful when she’s angry” (Ela fica linda quando está com raiva), dirigido por Mary Dore, me deparei com mulheres fantásticas que lutaram por seus direitos, nos EUA, nas décadas de 60-80.

É incrível e, ao mesmo tempo, assustador vermos que os anos passam e ainda usamos os mesmos discursos, pelo simples fato de que nossa sociedade parece não conseguir se livrar da visão de mundo machista que a domina.

Eu me identifiquei com muitas falas das feministas presentes no doc, sendo que a produção é sobre a luta das mulheres que ocorreu há mais de 40 anos. Protagonistas maravilhosas que, desde aquela época, já entendiam sobre as desigualdades de gênero que contaminam o mundo e, hoje, infelizmente, ainda precisamos lutar, da mesma forma, porque por mais que a gente tenha evoluído, ainda estamos longe de estar num mundo ideal para a população do gênero feminino.

No longa de uma hora e trinta e dois minutos, as entrevistadas contam que elas exigiam igualdade de salários, direito ao aborto, eram contra o abuso e a violência dos homens, lutavam por mais creches – onde elas pudessem deixar seus filhos e irem trabalhar assim como seus respectivos maridos – entre outras exigências, que são o mínimo, para que finalmente possamos ser vistas de igual para igual e não submissas aos homens.

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“Se os homens pudessem engravidar, anticoncepcionais estariam disponíveis em máquinas de chiclete.”

No discurso de uma das entrevistadas, ela comenta como elas, nos anos em que iniciaram os movimentos feministas, mal sabiam sobre o movimento das Sufragistas, ocorrido no final do século XIX e início do XX, na Inglaterra. Por sinal, essa história foi muito bem retratada no filme “As Sufragistas” (2015).

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“Nunca desista da luta.” E tem a participação de Meryl Diva Streep.

Com isso em mente, tentei lembrar dos tempos de escola e, me veio a cabeça, que eu mal ouvi falar das lutas das mulheres, no máximo pelo direito dos votos e olhe lá. E isso é um erro extremo, pois nós temos e devemos aprender sobre as incríveis mulheres do nosso passado, que conquistaram tanta coisa por nós, pessoas das quais devemos nos orgulhar e nos inspirar e buscarmos forças nessa batalha que persiste até os dias atuais.

Tantas histórias de líderes homens, visionários, outros, não, e as mulheres, parece que são sempre deixadas de lado. A não ser que tenham sido princesas ou rainhas, é raro escutarmos na sala de aula do ensino fundamental e médio, sobre os direitos e lutas das mulheres, que ocorrem há anos, pelo simples fato de que, culturalmente falando, não faz sentido ensinar pequenas meninas sobre seus direitos, já que os homens se sentem ameaçados com nossas conquistas e insistimos nesses ensinamentos conservadores e retrógrados.

Algumas das feministas entrevistadas no documentário “She is Beautiful When she’s Angry”.

Além disso, um assunto bastante interessante que elas mencionam na produção, é o fato de existirem divisões dentro do próprio feminismo, e isso me fez refletir e questionar o meu feminismo.

O projeto nos mostra líderes de vários movimentos feministas e, como as mulheres negras e as lésbicas, acabavam formando seus próprios grupos, pois não se identificavam com a luta das mulheres cis brancas e heteros. Lembrei de textos como “Jout Jout, Clarice e o feminismo branco” e “Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas?” do site fridadiria.com, em que o movimento feminista é questionado, pois, na maioria das vezes, ele é voltado para mulheres cis, brancas e heteros.

É um assunto delicado, mas deve ser debatido sempre. Uma das representantes que aparece no documentário, comenta que, as militantes, quando exigiam seus direitos, eram chamadas de lésbicas pelos homens e, em sua visão, se elas começassem a lutar pelos direitos Lgbts, acabariam dando crédito à essa visão.

Assim, ela argumentou que, nos anos de 60-70, optou por lutar pelos direitos das mulheres, sem envolver a homosexualidade, por exemplo, e, que, depois de conquistas, seria a hora de lutar por outras vertentes.

No entanto, não podemos nos esquecer que uma mulher lésbica sofre com o machismo por ser mulher e por ser lésbica. Primeiro que lésbica não deveria ser uma ofensa. Segundo que, acaba sendo usado pelos homens e, até mulheres, como ofensa, pois lésbicas são rechaçadas e consideradas como pessoas do gênero feminino que querem ser do sexo masculino ou mulheres que ainda não encontraram o homem certo em suas vidas. Então como pedir pra elas deixarem sua sexualidade de lado, se isso é essencial em sua luta?

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“Fail” total!

Além disso, não podemos negar que uma mulher negra sofre muito mais preconceito e machismo em nossa sociedade, do que uma mulher branca. Infelizmente isso acontece, então como podemos dizer “primeiro conquistamos o direito das mulheres, depois vemos a questão racial”, sendo que uma mulher negra lida com o machismo e racismo todos os dias de sua vida?

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“Nunca deixe que ninguém a faça sentir como se você não importasse.” Michelle Obama sempre maravilhosa.

Sem contar as mulheres de baixa renda que, quase nunca, tem a chance de erguer suas vozes. Para isso, filmes como “Que horas ela volta?” da Anna Muylaert são importantíssimos e maravilhosos, pois nos fazem refletir essas questões.

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Poster do Filme, com Regina Casé.

Quero deixar claro que eu não sou a melhor pessoa para falar sobre a questão racial ou social, pois não vivo essas dores de perto, porém, cada vez mais, me posiciono para ler, refletir e estudar sobre essas questões, ouvindo o outro lado e, assim, entendendo como posso inserí-las no meu feminismo. Lendo e aprendendo, eu cito a Nathalia Rocha, idealizadora do Frida Diria, no texto”Nicki, Rihanna e o feminismo branco:

E, colocando uma mulher negra que se posiciona contra o racismo como barraqueira, a mídia e a sociedade só contribuíram para apagar o debate e manter uma visão racista sobre as pessoas negras. E é isso que o feminismo branco deveria entender. Dentro do movimento, somos tratadas como “nós”, como “manas”, mas, na prática, o que vemos é um debate que abarca “todas” as mulheres como se todas as mulheres tivessem os mesmos problemas. Na prática, mulheres brancas colocam o seu bem-estar e as suas pautas acima dos problemas das mulheres negras e chamam isso de feminismo.

Apesar do assunto em questão ser a discussão em torno de um desabafo da Nicki Minaj no Twitter e a resposta da Taylor Swift, no ano de 2015, ele me ajudou a compreender um pouco melhor sobre como me posicionar a respeito da luta das mulheres negras.

Essa questão é importante de ser debatida, pois a ideia não é defender a violência de mulheres contra mulheres, mas, sim, lutar por um feminismo universal, abrangendo e respeitando todas as suas vertentes, para que todas as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, em qualquer lugar do planeta, e não somente em sua respectiva comunidade ou grupo racial, étnico, etc.

Querendo ou não, nossa posição é contra a supremacia do homem cis, branco, hétero e rico, logo, precisamos achar um jeito de incluirmos todas as causas que qualquer mulher passa e, assim, a gente finalmente conquistar a tal justiça que queremos e merecemos.

Parece utópico, mas não é. Temos que nos unir, tendo empatia pelas dores alheias, apoiando umas às outras, nessa luta contra o machismo. Para isso, temos que usar nossa maior arma: a FALA. E claro, sempre ouvirmos umas as outras, até porque, se ficarmos contra ou nos separarmos, quem perde somos nós mesmas.

Não estamos erradas em exigir direitos iguais e faremos isso juntas, expondo todas as injustiças do nosso dia a dia e exigindo mudanças, até que finalmente o machismo desapareça de nossas vidas.

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“Mulheres de todo o mundo, unam-se!”

Para quem tem interesse de assistir ao documentário, ele está disponível no Netflix e em DVD. Ademais, também é possível ter informações do projeto, incluso sobre as feministas entrevistadas, no site <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/women/>.

BIBLIOGRAFIA

MOTTA, Thamires. Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas? 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/seu-feminismo-acolhe-mulheres-lesbicas/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

MOURA, Gabriela. Jout Jout, Clarice e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/jout-jout-clarice-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

ROCHA, Nathalia. Nicki, Rihanna e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/nicki-rihanna-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 09 de jan. 2017.

SHE IS BEAUTIFUL WHEN SHE’S ANGRY. 2014. Disponível em: <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/the-film/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.