Por que ainda existe ódio ao feminismo?

Desde que vi as campanhas publicitárias de uma determinada marca de móveis, cujo nome não vale a pena ser aqui mencionado, me surpreendi com o quanto o feminismo ainda recebe tanto ódio. (Você pode ler sobre este caso aqui – matéria do G1).

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Esta pequena amostra dos comentários que recebi depois de ter avaliado a marca X com 1 estrela no Facebook ilustra bem o ódio que algumas pessoas têm ao feminismo.

Qual é a dificuldade em entender que objetificar o corpo feminino para fins mercadológicos é um erro de marketing? Muitos dizem “ah, mas ninguém obrigou a modelo a estar ali, e ela ainda recebeu pelo trabalho”. Veja bem: a questão aqui não é sobre objetificar o corpo daquela mulher em específico, mas, sim, agredir todas as mulheres (mesmo as que não se sentem ofendidas) com aquelas campanhas publicitárias, como tantas que o mercado cervejeiro já produziu, por exemplo.

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A primeira razão que me vem a mente para tentar justificar reações agressivas ao feminismo é a falta de conhecimento sobre o movimento feminista e as suas ondas, sobre as consequências do machismo na sociedade e, até mesmo, sobre o próprio discurso machista que é reproduzido sem que seja feito qualquer tipo de reflexão.

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Fonte: IT Online

A segunda razão é a epidemia de uma cultura do ódio no meio digital, reproduzida pelos trolls, não importando o assunto. Em geral, pelo o que observo, essas pessoas colocam-se a favor da direita em um âmbito político, são conservadoras e frustram-se com o empoderamento das minorias, como os LGBT, mulheres, negras e negros. Em geral, não são apenas contrários ao feminismo, mas também às cotas nas universidades, às políticas sociais, ao uso do nome social por pessoas transgênero, ao direito de adoção de casais homossexuais, ao direito de escolha da mulher em abortar. E para finalizar: são aquelas pessoas que participaram das manifestações “Fora Dilma”, colocaram narizes de palhaço e acreditaram que retirá-la do poder seria um passo decisivo no combate à corrupção.

Essas pessoas são os trolls que vão atrás do que dizem os formadores de opinião machistas, a exemplo do Danilo Gentili.

 

Após a Jout Jout postar um vídeo informando seus fãs sobre o término do namoro com o Caio, que acompanhamos já há anos, vieram as manifestações machistas sobre o quanto ele foi “guerreiro”, que agora vai poder “aproveitar” e vi até mesmo um que perguntava que aposta o Caio perdeu para ter que namorá-la por tanto tempo.

Há uma série de páginas nas redes sociais, formadas em sua maior parte por mulheres, que manifestam o seu descontentamento com a possibilidade de uma igualdade de gêneros e o empoderamento feminino.

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Esta página é um exemplo que critica a luta pela igualdade de gêneros, ou seja, que critica o feminismo. Repare que a foto de capa compara o movimento em defesa do empoderamento feminino com um câncer, algo que estaria corroendo a sociedade. 

Acredito que essa é mais uma daquelas situações clichés em que se pode dizer: “isso é muito Black Mirror. No entanto, eu diria que se assemelha, especialmente, ao último episódio da terceira temporada, Odiados pela Nação (Alerta de spoilers).

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O sexto episódio da terceira temporada de Black Mirror fala sobre o movimento de proliferar o ódio nas redes sociais e de que forma a tecnologia pode impactar a vida das pessoas que recebem as mensagens. 

 

Neste episódio, alguns dos personagens cujas ações foram hostilizadas nas redes sociais são atraídos por dispositivos eletrônicos no formato de abelhas que, controladas por um homem misterioso, são responsáveis por suas mortes. O público é tomado por esta ação em massa, devendo escolher, a cada dia, uma pessoa para morrer, com base no quanto ela “merece” aquilo, segundo o senso comum.

Vamos imaginar que isso ocorresse de fato. Você provavelmente concorda que haveria quem participasse de um assassinato coletivo, como os que foram representados na série – não concorda?

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A hashtag que provocava o ataque das abelhas eletrônicas em Black Mirror era #DeathTo + o nome da pessoa escolhida para morrer. (Em português, #MorteA).

Na época em que a polícia levou o Garotinho para prisão, por exemplo, enquanto ele saía do hospital, houve uma ampla divulgação das imagens que mostravam uma cena, no mínimo, degradante. Como há um sentimento coletivo de ausência da Justiça oriunda do Estado, esse vazio é preenchido muitas vezes por outras formas que seriam “justas”. Concordo que Garotinho precise pagar por seus atos, mas de que maneira?

Aliás, essa falsa noção de “justiça” lembra bastante o episódio Urso Branco, da segunda temporada (Alerta de spoilers). Ambos tratam de uma vingança social baseada na barbárie. A diferença é que no episódio das abelhas, o movimento coletivo mata um por dia e, neste outro, a personagem principal está aprisionada em uma situação que serve de divertimento para os “cidadãos de bem”, enquanto ela, sem consciência sobre o que lhe acontece e desprovida de qualquer tipo de memória sobre seu passado, é torturada diariamente.

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Em Urso Branco, ou no original, White Bear, uma mulher passa o episódio todo sendo perseguida, enquanto os demais nada fazem para ajudá-la – apenas filmam o seu sofrimento e agonia. Depois, descobrimos que isso era uma forma de “justiça”.

Quando percebi o que a tal da marca de móveis estava fazendo, por meio de sua comunicação nas redes sociais, associei o posicionamento escolhido com esses episódios porque ela conseguiu permitir que houvesse um livre espaço para o discurso de ódio circular livremente. E o ponto de interseção entre esses episódios de ficção e a realidade é o motivo que leva às manifestações de ódio proliferadas pelo coletivo: a impunidade.

A empresa adotou uma estratégia de comunicação debochada como resposta a uma crítica pertinente a suas campanhas publicitárias. O que começou como uma maneira de objetificação feminina, com função mercadológica, transformou-se em um desafio sarcástico, desrespeitoso, grosseiro e, obviamente, machista, que além disso tudo deu o aval para uma manifestação brutal contra o movimento feminista. Não é à toa que, tão logo classifiquei a empresa com uma estrela, recebi diversos comentários ofensivos e machistas. É assustador, vale ressaltar, o quanto ainda há de mulheres que compartilham deste pensamento.

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No Tumblr Liga das Heroínas, criado para expor o machismo existente nas agências de comunicação, há uma série de relatos de mulheres que passaram por situações no ambiente profissional que as fazem ser muito mais do que publicitárias, mas, sim, heroínas por enfrentarem tais obstáculos diários. 

Entendam: feminismo defende a igualdade de gêneros. Mas, por que nós, feministas, provocamos tanto ódio? De que maneira o machismo entranhou-se na sociedade a ponto de ficar agarrado como um carrapato em determinadas pessoas e em determinadas áreas, como a de publicidade? E de que forma podemos eliminar a resistência às mudanças?

A luta continua e percebo que ela está, cada vez mais, atrelada à difusão do conhecimento.

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O jornalismo machista nas matérias de esporte

Por um jornalismo mais humano e feminista

Que a imprensa não dá a menor relevância para as notícias de esporte feminino, isso nós já sabemos. No entanto, uma manchete do jornal Manaus Hoje desta segunda-feira, 12 de dezembro, viralizou nas redes sociais diante do quão absurda foi.

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A manchete “Meninas dão de quatro” do jornal Manaus Hoje recebeu duras críticas por ter escrachado algo que já sabemos que existe, mas que às vezes não fica tão evidente: o jornalismo machista nas matérias de esporte.
A matéria em questão dizia respeito à vitória da seleção feminina de futebol contra a Rússia. Com este resultado, o Brasil conquistou uma vaga antecipada para a final em Manaus.

Mas, você provavelmente está se perguntando: “como um título desses foi aprovado?”, ou então: “como alguém até mesmo pensou em publicar isso?”

Esse tipo de atrocidade acontece porque alguns jornalistas ainda não enxergaram a linha que separa o que é genuinamente engraçado do que é desrespeitoso, que, aliás, ultrapassa muitas vezes o machismo aqui comentado e criticado.

O jornalismo trabalha com humor e não raro apropria-se de chavões para atrair a atenção dos leitores e conquistar audiência. Até aí, beleza. No entanto, quando o humor pertence aquele discurso de quem diz “o mundo está ficando muito chato, não se pode nem mais fazer uma brincadeira”, aí entra o problema.

Como ainda bem que o mundo está ficando um lugar muito chato para os machistas de forma geral reproduzirem seus discursos, o jornal recebeu, de forma muito merecida, uma enxurrada de críticas.

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Este é um conselho muito bom. E digo isso para jornalistas de todos os veículos de comunicação.
Com isso, como já era de se esperar, o jornal Manaus Hoje pediu desculpas na edição desta terça-feira, 13, oferecendo, inclusive, o mesmo espaço da ridícula matéria.

Mesmo que essa atitude tenha sido a esperada e, portanto, não é nem um pouco surpreendente que tenham feito o mínimo de assumir o erro e pedir desculpas, queria levantar alguns pontos aqui que me chamaram a atenção nessa retratação deles.

O pedido de desculpas do jornal Manaus Hoje foi publicado na edição da terça-feira, 13 de dezembro, um dia depois de terem cometido um ˜deslize˜ na manchete, atrelando uma piada de cunho sexual ao resultado de um jogo de futebol feminino.
Eles usaram o espaço que tinham para pedir desculpas para dizer algo como: “poxa, gente, vocês ficaram chateadas? Pedimos desculpa, de verdade. Mas, olha só, nós fizemos uma ~homenagem linda e fofa~ pra vocês no Dia das Mulheres. Nós gostamos tanto dela que vamos botar aqui de novo, ó”.

Antes de mais nada, não gostei desse tom usado na edição de 8 de março. Achei que foi mais um exemplo que romantiza uma data que deve ser lembrada pela luta por direitos; e não para dizer “ah, mulheres, vocês são lindas, mas se deem ao respeito. Vocês são lindas, mas não andem à noite na rua. Vocês são lindas, mas se forem abusadas é porque estavam querendo, né? Parabéns!”.

Uma capa ˜bonitinha˜ no Dia das Mulheres não compensa erro grotesco algum. Não sei por que eles relacionaram o fato de terem sido o único jornal num raio de x km que homenagearam as mulheres por seu dia. Gente, e se os outros jornais estivessem mais preocupados em fazer um bom jornalismo? Desconheço a concorrência deles e nem estou defendendo eles, mas, acho que me fiz clara quanto a este ponto.

Agora, vamos combinar: essa forma de comunicar está toda errada. Nós estudamos quatro anos na faculdade, nos preocupamos com questões sociais e aí vemos esse tipo de erro de sensacionalismo barato sendo ainda publicado. Não nos resta a ter outra sensação além de: gente, até quando? Como podemos tornar o jornalismo menos machista?

Nessas horas ressoa na minha mente o discurso da Emma Watson na ONU em que ela diz: “Se não agora, quando?”.

Busquei dados para embasar este fato de que o jornalismo é machista, sim. Confira:

Pesquisa da Universidade de Cambridge mostra discrepância entre cobertura relacionada às mulheres e aos homens durante a Rio 2016

Uma pesquisa feita pela Universidade de Cambridge durante as Olimpíadas Rio 2016, comprovou que há uma diferença semântica na cobertura de notícias sobre atletas mulheres e atletas homens. Por exemplo, “o vocabulário nas notícias sobre atletas mulheres tiveram um enfoque desproporcional voltado para a aparência, roupas e vida pessoal, colocando em evidência a estética em detrimento do atletismo”, informa.

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Matérias sobre atletas mulheres costumam adotar um vocabulário mais voltado à aparência, roupas e vida pessoal. A estética supera o atletismo.
Apesar de a pesquisa ter usado uma amostra de notícias em inglês, achei que seria interessante buscar exemplos de mídia nacional para ajudar a explicar o que o item apresentado acima quis dizer.

No exemplo que coloquei aqui, de uma matéria no site da revista Veja, encontramos alguns dos elementos que a pesquisa descobriu que são mais relacionados às notícias sobre atletas mulheres. A matéria em questão aqui foi muito bem escrita e não estou desmerecendo a repórter que a escreveu. Mas, acho válido refletir sobre o uso do adjetivo “doce” no título. Será que se fosse um resultado de jogo masculino essa palavra teria sido empregada? Será que uma matéria iria destacar, no primeiro parágrafo, um presente dado ao atleta homem?

Diferentemente de trabalhar o vocabulário mais voltado às mulheres, sem desrespeitá-las, é usar o seu poder como formador de opinião na área de jornalismo esportivo para falar besteiras.

 

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Muitos seguidores já avisaram para o colega aqui que algo de errado não está certo em sua fala e postura, mas não adiantou. A crítica ao seu machismo entranhado entrou por um ouvido e saiu por outro sem fazer efeito algum em sua consciência.
Ainda sobre a pesquisa da Universidade de Cambridge, matérias sobre esportes feminimos adotam níveis mais altos de infantilização para as atletas. O que estava escrito mesmo no pedido de desculpas do jornal Manaus Hoje? Ah, isso mesmo. “Meninas, nos perdoem”. O mesmo, contudo, não ocorre com homens sendo chamados de “meninos”.

Com relação aos termos mais empregados quando as notícias são sobre as atletas mulheres, se destacam: mais velhas, grávidas, casadas ou solteiras. Já as principais palavras relacionadas aos homens são: mais rápidos, fortes, autênticos e ótimos.

Sobre a forma de retratar o desempenho na competição, a pesquisa mostrou que aos atletas homens são atrelados verbos como: bater, vencer e dominar; enquanto às mulheres: competir, participar e lutar.

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Quando uma atleta mulher se destaca, ela é comparada a um atleta homem de destaque, para que a gente perceba que elas são boas mesmo.
O erro mostrado na imagem acima é um dos mais graves, porque ele mostra que há um hábito de comparar uma atleta mulher que tem um desempenho de destaque perante sua categoria ou no seu time, com um atleta homem renomado. É como se, fazendo isso, a mídia projetasse uma analogia proporcional do tipo: ah, Pelé é uma lenda no futebol brasileiro, então se estão comparando a Marta com ele, é porque a Marta foge da regra das outras atletas mulheres.

Essa matéria do Milton Neves, como um todo, é horrorosa. O “jornalista profissional diplomado, publicitário, empresário e apresentador esportivo” até mesmo disse que a jogadora Marta já conquistou quase tudo – incluindo o respeito.

Pois, é, gente. Parece que, para ele – para outros tantos -, para uma atleta mulher ser respeitada, ela precisa ser “praticamente” um homem. Ele brinca em alguns momentos sobre a entrada dela na seleção masculina. Afinal, onde já se viu uma mulher jogar bola tão bem, não é mesmo?

Que mais pessoas reclamem quando se virem desrespeitadas e que o mundo fique mesmo “mais chato” para os que acham graça de subjugar as mulheres.

E é por isso que luto por um jornalismo mais humano e feminista.

“Se não agora, quando?”

Bibliografia

UNIVERSIDADE DE CAMBRIDGE, Aesthetics, athletics and the olympics, 2016. Disponível em: <http://www.cambridge.org/about-us/news/aest/>. Acesso em: 13 dez. 2016.

O poder que as histórias têm na formação do caráter humano

E por que isso tem tudo a ver com feminismo.

O machismo se manifesta de diversas formas. Pode ser no Masterchef contra a Dayse, ou nas publicações da mídia contra as famosas. Nesse ano, por exemplo, vários tabloides divulgaram que Jennifer Aniston estava grávida. Afinal, “já passou da idade, não é mesmo?”

Não, não é.

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Já na infância somos apresentados aos estereótipos de gênero. Uma das formas que isso acontece é por meio das histórias que nos contam. Quando ainda não sabemos demonstrar vontades, somos expostos a uma variedade de informações que, com o tempo, agem como blocos na construção da nossa personalidade e caráter.

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A que histórias vocês foram apresentados quando eram crianças?

Por exemplo, o vídeo da menininha que viralizou nas redes sociais, em que ela pergunta à mãe por que as roupas das meninas dizem que elas devem ser bonitas, e as dos meninos dizem que eles devem ser aventureiros, é análogo ao que estou dizendo sobre essa exposição a histórias durante a infância.

Quero dizer, ela diz “Hey!”, escrito em uma das blusas, “O que isso ao menos significa? Que mensagem isso passa?”, e compara com a frase na blusa masculina “Pense fora da caixa” que, evidentemente, diz alguma coisa.

Juro que pensei em falar sobre o ensino das crianças nesse texto. Mas aí vi que talvez eu também tivesse me esquecido o quanto é importante educarmos as adultas e os adultos. Gente, é só pararmos um pouquinho para ler os comentários das notícias, como a que Buenos Aires permitiu multa aos homens que praticarem assédio nas ruas contra as mulheres. Essa atitude do governo é ótima? É. Mas, há cada “opinião” por aí que assusta.

Vejamos alguns exemplos:

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O primeiro comentário começou mal ao dizer “não concordo com algumas bizarrices do feminismo”. Fico aqui pensando o que ele acha de tão bizarro: direitos iguais?

Então eu penso: o que aconteceu na vida dessas pessoas que as tornou assim? Quais foram os fatores ao longo do crescimento delas que impediu o surgimento da ideia de sermos iguais?

Eu admiro muito o poder da literatura e entendo que nem todos tiveram as mesmas oportunidades e privilégios que pude acessar ao longo da minha vida, mas não estou nem querendo dizer sobre o poder de compra no caso de livros. Estou falando sobre as histórias que ouvimos de forma geral. No meu caso, a literatura desempenhou bem essa função humanista na minha formação. Mas, e as pessoas machistas? Que histórias elas ouviam quando eram pequenas?

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Um exemplo para embasar o que estou dizendo é uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), intitulada Influência das estórias infantis na formação dos papéis de gênero.

Os pesquisadores fizeram uma seleção aleatória de 10 livros infantis e descobriram que 72,7% dos autores eram do sexo feminino. No entanto, entre os ilustradores, as mulheres eram apenas 40%. Diante disso, para a maior parte dos personagens ilustrados correspondentes ao gênero feminino, foram atribuídas as seguintes características: gorda, baixa, feia, idosa e fraca. Por outro lado, a maior parte dos personagens ilustrados do gênero masculino receberam características como: alto, magro, bonito, jovem e forte.

“Com relação aos valores humanos associados a cada gênero observou-se que nas estórias estudadas as características relacionadas ao gênero feminino foram, paciência/tolerância, solidariedade, proteção, medo, emotividade e aspectos comumente atribuídos à imagem da mulher como um ser bondoso e frágil, porém que protege maternalmente”. (Lembra daquilo que falei sobre a Jennifer Aniston? Então.)

As atitudes precisam ser mudadas hoje

Para entender melhor nossa realidade, conferi alguns dados que mostram, em números, a presença do machismo que todas e todos nós sabemos que existe. Dê só uma olhada:

Na última quarta-feira, 7 de dezembro, o Instituto Avon e o Instituto Locomotiva lançaram a pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo“.

“Mas cabe apenas às mulheres desconstruir essa cultura? Se todos nascemos, crescemos e vivemos imersos nela, não seríamos todos responsáveis por acabar com ela? E os homens, de que forma podem contribuir nesse processo?” – trecho do editorial da pesquisa O papel do homem na desconstrução do machismo.

Assim que vi essa pesquisa me lembrei do movimento HeForShe da ONU. Em outras palavras, nós, mulheres, não estamos sozinhas. Os homens também devem ser feministas e prezar pelo respeito a todos e pela igualdade de gênero.

Enquanto quase 90% dos entrevistados reconhecem a existência da desigualdade entre homens e mulheres na sociedade brasileira, apenas 59% acreditam que todas as mulheres devam ser respeitadas, não importando sua aparência ou seu comportamento.

Ou seja, gente, aproximadamente 40% acham que a aparência e o comportamento são fatores que importam para uma mulher ser ou não ser respeitada.

A pesquisa também mostra que a questão racial precisa ser levada em conta, pois também quase 90% dos entrevistados acreditam que as mulheres negras sofrem ainda mais preconceito do que as mulheres brancas.

É assustador quando vemos que 61% consideram que a mulher que se deixou fotografar também tem culpa quando um homem compartilha suas imagens íntimas sem a sua autorização. E vemos o quanto é necessário falar sobre o feminismo quando 55% acreditam que este movimento é o contrário de machismo.

Não! Feminismo defende a igualdade, não privilégios ou superioridade.

Há uma parte da pesquisa que diz o seguinte:

“A maioria enxerga que o mais importante a fazer é oferecer aos filhos uma educação na qual se ensine a respeitar as mulheres e só depois pensa em rever seu próprio comportamento. E, questionados sobre esteriótipos de gênero, mostram que, muitas vezes, não querem quebrar velhos paradigmas da desigualdade” (Instituto Avon/Locomotiva, p.14, 2016).

Entre as formas de se combater o machismo, os homens elegeram o ensino das crianças como a principal. Bacana, né? Mas, por outro lado, me chamou atenção que 43% dos homens acham que “pega mal” reclamar em um grupo de WhatsApp quando alguém compartilha fotos de mulheres nuas. Ou seja, na infância faz sentido incentivar a mudar mas quando adulto não vale o esforço.


Não é à toa eu pensar da forma como penso hoje. Está inclusive comprovado que ler Harry Potter é uma forma de estimular as leitoras e os leitores a lutarem contra o preconceito em suas mais variadas formas. A quebra de esteriótipos, pensamentos e atitudes machistas pode acontecer a partir do momento que nós falamos sobre isso. Para uns, isso é óbvio. Mas não vamos nos esquecer de que as crianças não são as únicas que precisam ser alertadas. Elas vão ouvir histórias. Se não forem contadas pelos pais, serão por outras pessoas. E essas histórias vão fazer com que elas se tornem alguém que acredita na igualdade, ou alguém que não consegue enxergá-la.

Vamos mudar isso? Vamos contar novas histórias para as adultas e os adultos?

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Bibliografia

INSTITUTO AVON, O papel do homem na desconstrução do machismo. Disponível em: <http://fsb.imcgrupo.com/>. Acesso em: 10 dez. 2016.

O GLOBO, Buenos Aires aprova multa para quem cantar mulheres na rua. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/>. Acesso em: 10 dez. 2016

SILVA, F. P. ; SOUZA, A. B. L. ; FERREIRA, R. S. ; ARAÚJO, L. F. . Representações Sociais Influência das estórias infantis na formação dos papéis de gênero, 2010 <http://www.abrapso.org.br/>. Acesso em: 10 dez. 2016

Nova plataforma da produtora e atriz Reese Witherspoon vai produzir conteúdo multimídia sobre mulheres

A atriz e produtora Reese Witherspoon divulgou na segunda-feira, 21 de novembro, que sua nova empresa Hello Sunshine vai criar histórias multimídia voltadas para o público feminino.

A Hello Sunshine é uma parceria entre a produtora de Reese Witherspoon, Pacific Standard, e a joint venture Otter Media, formada entre The Chernin Group e AT&T.  O conteúdo começará a ser divulgado em 2017 em seu site oficial e outras plataformas. E a Pacific Standard (Garota Exemplar) vai continuar a elevar e defender o storytelling feminino.

Um estudo da Universidade do Sul da Califórnia (USC) Annenberg descobriu que personagens femininas somam apenas 28,7% de todos os papéis falantes em um filme, e ainda, que as mulheres representam apenas 15% dos diretores.

Hello Sunshine se propõe a alavancar a experiência dos seus fundadores para criar, curar e descobrir conteúdo poderoso feito por e para mulheres através de todas as plataformas, desde conteúdo de mídia digital diário até shows televisivos e filmes de longa metragem.

“Estou entusiasmada em formar a parceria com Peter Chernin e AT&T nessa instigante nova companhia. Minha paixão ao longo da vida tem sido dizer histórias de mulheres com autenticidade e humor. Essa parceria vai me permitir  alcançar uma audiência maior que está ávida por mais conteúdo feminino”, disse Witherspoon (conteúdo original em inglês).

“As mulheres estão à procura de entretenimento que fale com elas sobre o que elas valorizam. Hello Sunshine vai produzir conteúdo que entretém, educa e une as mulheres”, conclui.

Interessou? Então acesse http://hello-sunshine.com/ e acompanhe as novidades!

 

ONU lança campanha para engajar o público no movimento Eles Por Elas

“Se uma mulher já sofre preconceito, imagina para quem precisa lutar para ser reconhecida como mulher?”

Assim a modelo Lea T inicia sua fala no vídeo abaixo, como parte da nova campanha da ONU Mulheres, promovida pela agência Heads Propaganda.

Com o objetivo de engajar as pessoas no movimento Eles Por Elas (HeForShe) em prol da igualdade de gênero, outras celebridades também participaram da divulgação.

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A cantora Preta Gil inicia sua fala dizendo: “Preconceito por ser mulher. Preconceito por ser negra. Preconceito por ser gorda e por amar um homem mais jovem. A vida me ensinou desde cedo que ser mulher não é para qualquer um”.

Você pode conferir os vídeos pelo canal no YouTube da ONU Mulheres: Camila Pitanga (a Embaixadora da ONU Mulheres no Brasil) | Lea T | Preta Gil | Sheron Menezzes | Anselmo Vasconcelos. Os cinco filmes foram produzidos pela produtora Delicatessen com direção de Gustavo Leme, para TV e internet. A campanha, divulgada nessa segunda-feira, 21 de novembro, também contou com Mateus Solano, Bruno Gagliasso, Marcelo D2,  Amanda Nunes e Erico Brás. As mídias utilizadas incluem filmes, anúncios e peças de mobiliário urbano, indoor media e internet

“Nessa campanha, quisemos ir além de informar sobre a importância de viver livre de preconceitos, de conquistar a igualdade de gênero e garantir os direitos das mulheres e meninas. Cada personagem dessa campanha dá depoimentos reais e sinceros sobre o que vivem (e vivemos) e por que é importante fazer parte desse movimento para mudar a nossa realidade de machismo, racismo, sexismo e homofobia. Em cada uma dessas histórias, nós imediatamente identificamos a forte presença e as graves consequências do preconceito na nossa cultura, e é por isso que nos tocam tão profundamente. Sabemos que um lugar onde as mulheres usufruem de seus direitos é um lugar onde todas as pessoas usufruem de seus direitos. A nova campanha mostra exatamente isso: que o movimento HeForShe é um movimento de todos e todas nós, para todos e todas nós”, disse a Dra. Nadine Gasman, Representante da ONU Mulheres no Brasil.

Assine o compromisso pela igualdade de gênero e faça parte desse movimento pelo empoderamento das mulheres clicando aqui.