This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

This is US

Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

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Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

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Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

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Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

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Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

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Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

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Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

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Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

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Shonda Rhimes: a jornada de uma incrível contadora de histórias.

Já faz um tempo que eu queria dedicar um post exclusivo sobre a deusa Shonda Rhimes e, finalmente, esse dia chegou.

Aliás, chegou no momento certo, pois hoje, 13 de janeiro, é o aniversário dessa diva amada criadora das melhores histórias.

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Feliz Aniversário, Shonda! Com o parabéns da rainha Michelle Obama!

A Shonda é uma grande inspiração pra mim, não só pelo trabalho como roteirista e produtora executiva, mas também pelas causas sociais que ela adere. Assim como venero a Tina Fey, que é minha roteirista preferida do gênero da comédia, eu defino a Shonda como a melhor criadora de séries do gênero Drama.

Aliás, não só no ramo da televisão, os filmes que Rhimes escreveu o roteiro, também são maravilhosos.

Com isso em mente, resolvi fazer uma pequena resenha de todos os trabalhos de sucesso da minha diva amada, justificando e enfatisando o quão importante eles são pra diversidade e representatividade no mercado audiovisual.

SÉRIES TELEVISIVAS

1) Grey’s Anatomy (2005 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, que também é a showrunner*.

Sinopse: Um drama médico centrado em torno de Meredith Grey, uma aspirante a cirurgiã e filha de uma das melhores cirurgiãs, Dr. Ellis Grey. Ao longo da série, Meredith passa por desafios profissionais e pessoais, junto de outros colegas cirurgiões, no Seattle Grace Hospital.

Vamos deixar algo claro: Grey’s é dramalhão SIM, no entanto, é o drama médico mais extraordinário que existe. Sabe por quê?

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Han?

A história central, ao menos em boa parte das temporadas, é a vida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), uma pessoa tão cheia de problemas, mas ao mesmo tempo, maravilhosa, que é impossível não se encantar e se indentificar com suas dores.

Dr. Grey lida com o alzheimer de sua mãe, enquanto também tem de lidar com a reprovação desta e o desenvolver da trama é incrível e tem cenas que tocam à alma. Já na sua vida profissional, Meredith encara os desafios de um médico residente cirúrgico, junto de seus colegas, Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers) e, assim, o roteiro se desenrola muito bem, nos envolvendo nos casos médicos, torcendo junto deles, para que salvem seus pacientes.

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Os pupilos: Karev, Yang, O’Malley, Grey e Izzie.

Na vida pessoal, Grey se envolve com o Dr. McDreamy, ou Dr. Derek Sheperd (Patrick Dempsey), que é casado com a diva, deusa, amada, Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh). E claro, ao invés de explorar a rivalidade delas, a trama vai muito além e te faz torcer para que os três resolvam seus problemas e sejam felizes juntos, separados, a três, a dois, a um, do jeito que quiserem.

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Addison diz pra Meredith “Eu não te odeio.”

Além disso, ao invés de depender do boy magia, a pessoa mais próxima de Grey, é ninguém mais, ninguém menos, que Cristina Yang. Amo a amizade delas e como uma é “a pessoa” da outra. Aliás, a Dr. Yang supera qualquer um naquele lugar, por toda sua determinação, inteligência, força e, principalmente, por não deixar  o machismo de cada dia afetar sua evolução como médica cirurgiã.

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You are my person!

Ainda temos a pessoa mais fofa do mundo, Dr. Izzie Stevens e, essa personagem é tão bem construída e interpretada, que você fica feliz por ela, até quando ela tem relações com um fantasma.

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YOU GO GIRL!

Como não falar da Dr. Miranda Bailey (Chandre Wilson)? Ela é a mentora dos cinco internos, super rigorosa e carinhosa, do jeito especial dela. Adoro sua sabedoria, seu lado humano e como ela sabe se portar diante das dificuldades em ser chefe dos futuros cirurgiões.

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Você mesmo, sua linda!

Ademais, Shonda mostra o mundo como ele é, ou seja, tem diversidade pra dar e vender nesse programa. Primeiro que o elenco foge do padrão de homens brancos, segundo que temos casais homosexuais incríveis, sem contar nas relações entre pessoas de diferentes etnias.

A história de amor entre Dr. Richard Webber (James Pickens Jr.) e Dr. Ellis Grey (Kate Burton), mãe de Meredith, é linda e, também, muito real, pelo simples fato de que eles não ficam juntos no final, mesmo tendo muito amor um pelo outro. Claro que ao longo da série você entende os motivos e um dos principais é por ele ser casado com a linda Adelle Webber (Loretta Devine), mas tem muito nó ali, que a narrativa vai desfazendo, e seu coração se derrete toda vez que eles estão juntos, ela com sua doença e ele como seu ex e eterno amor.

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Richard e Ellis Grey.
LORETTA DEVINE, JAMES PICKENS JR.
Adelle e Richard Webber.

Para eu não ficar 365 dias falando sobre a trama, algo que eu conseguiria porque tem muita história e muitos personagens, vou finalizar com o casal mais incrível e associável possível. Sou team Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez) total. Adoro como esse relacionamento é mostrado, nu e cru, assim como qualquer outra relação entre homem e mulher. Apesar dos pesares, não quero dar spoiler, é impossível não torcer por elas até o fim. Amo, amo, amo!

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Arizona e Callie.

Aliás, uma curiosidade válida de ser contada é que, a criadora, em uma entrevista, disse que ao tentar vender a série, teve dificuldades, pois no piloto, a personagem principal passa uma noite com um desconhecido e isso seria um “absurdo” de ser mostrado em um canal aberto. Depois de treze anos, acho que esses produtores estavam completamente enganados, hein?

Deusa Rhimes criou essa série e você deverá assistir, porque senão é pecado. Só um conselho: como a série está na 13 temporada, com 20-25 episódios cada, veja aos poucos, porque senão sua cabeça pode surtar, como a minha surtou. E claro, vai com o coração na mão, preparada(o), pois nossa diva Shonda, infelizmente, adora matar nossos personagens favoritos.

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Façam suas apostas! Quem sobreviverá até o final, na ShondaLand*?

2) Private Practice (2007 – 2013)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, quem também é a showrunner.

Sinopse: Um spin-off *do drama médico “Grey’s Anatomy”, centrado na vida da cirurgiã neonatal Dr. Addison Montgomery.

Pra quem já assistiu Grey’s Anatomy, deve se lembrar do último episódio da terceira temporada, que é basicamente a introdução da série Private Practice. Aliás, muita gente deve ter estranhado, pois no capítulo, Dr. Addison (Kate Walsh) se despede do Seattle Grace Hospital, pega o carro e vai pra famosa LA, reencontrar com sua melhor amiga, Naomi Bennett (Audra McDonald).

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“Será que alguém notaria se eu sumisse?” Tanto notamos, querida Addison, que fomos atrás de você nessa nova jornada.

Sendo assim, nessa história, seguimos a vida de Dr.Addison Montgomery, que se muda definitivamente para Los Angeles e começa a trabalhar numa clínica privada, The Oceanside Wellness Group.

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Os médicos da clínica.

Por enquanto, só assisti alguns episódios da primeira temporada, mas posso te dizer que a Addison continua maravilhosa e diva como sempre. Eu reclamava que ela devia aparecer mais em Grey’s Anatomy, porque ela dá de mil em muitos personagens, até mesmo pro Dr. Sheperd, mas isso é somente minha opinião pessoal. Então, como os fãs enlouquecidos como eu, pediram, deusa Shonda atendeu e criou o projeto, aonde nos divertimos e também sofremos com Dr. Addison.

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É muita alegria!!!

Como é uma clínica privada relativamente pequena, o foco é praticar a medicina de cidade pequena e conectar-se com os pacientes e suas famílias. No entanto, no piloto da série, a gente já tem uma noção de que o drama vem dos casos mais difíceis, em que os médicos são obrigados a realizar cirurgias de última hora ou levar seus pacientes ao hospital mais próximo, para não perdê-los.

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“Não consigo. Não consigo. Eu não queria estar sozinha.”

Aliás, nossa amada Montgomery já arrasa no primeiro episódio, nos mostrando que não é àtoa que ela é a melhor cirurgiã do ramo. Além disso, nessa etapa de sua vida, nossa protagonista está decidida a ser mãe solteira, mas descobre que ela não pode ter filhos. Assim, a narrativa desenvolverá esse drama, à la ShondaLand, e nós, torceremos até o fim, pela felicidade de nossa querida médica. E lógico, como o projeto é carimbado pela Rhimes, não vão faltar histórias fantásticas, às quais podemos nos identificar.

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SPOILER ALERT: tem personagem de Private Practice que vai para Grey’s Anatomy e o inverso também acontece. Não é, Dr. Amelia Sheperd?

3) Scandal (2012 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado pela Shonda Rhimes, que também é a showrunner.

Sinopse: Olivia Pope é uma “reparadora” profissional, ou seja, ela faz com que os problemas desapareçam antes que alguém saiba que eles existem. Para os ricos, os poderosos e, até mesmo, o presidente, Olivia é uma lenda em seu campo. Seu sucesso é devido à sua regra inquebrável de sempre confiar em seu intestino. Semanalmente, à medida que a equipe corre contra o relógio para desfazer novos problemas intrigantes antes de se tornarem verdadeiros desastres, eles também têm que lidar com suas próprias questões pessoais.

Esquece tudo o que eu falei antes, pois agora o assunto não é medicina, e sim política. Aliás, política e escândalos, e somente uma pessoa pode resolver esse tipo de problema: Olivia Pope (Kerry Washington).

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Sou eu, aham, aham!

Se você gosta de babados cabeludos, que envolvem até mesmo o presidente dos Estados Unidos, você tem que começar a maratona Scandal HOJE. Inclusive, como toda séria Shonda Rhimes, o drama corre solto nessa narrativa, mas é intrigante e cativante.

Aliás, todo mundo que assiste essa série e passa por algum problema difícil de se resolver, sonha em descobrir o telefone da Olivia e ter esta e sua equipe resolvendo seus problemas. Mas, como tudo é ficção (quase tudo), infelizmente temos que resolver nossos problemas por conta própria, porém podemos aprender os truques. E são eles:

Truque número um:

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Seja melhor amiga de um Hacker*.

Truque número dois:

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Tenha contatos na Casa Branca. “Alô, seu presidente?”

Truque número três:

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Vinho, muito vinho.

Truque número quatro:

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Seja um personagem da Shonda e torça para sobreviver.

Truque número cinco:

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Assista à série.

E aí, preciso falar mais alguma coisa pra te convencer desse “escândalo” de série?

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4) How to get away with murder (2014 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Peter Nowalk, sendo este e a Shonda Rhimes, uns dos produtores executivos.

Sinopse: Um grupo ambicioso de estudantes de direito e sua brilhante professora de defesa criminal, Annalise Keating, se envolvem num misterioso assassinato que irá mudar o rumo de suas vidas.

PARA TUDO QUE AGORA O ASSUNTO FICOU SÉRIO!

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Não pera… volta aqui! Eu me empolguei, mas vamos ao que importa.

How to get away with murder já está na terceira temporada e mostrou que veio pra ficar e abalar nossas estruturas porque, senhoras e senhores, esta trama é de enlouquecer.

Primeiro que a protagonista, Annalise Keating, é interpretada pela Viola Davis, que dá um show de talento e nos assusta com essa personagem incrível e medonha, ao mesmo tempo. Me arrepiam as cenas em que ela engole todas suas dores e é extremamente fria e calculista, resolvendo todo e qualquer problema que envolva assassinatos, mas também me emociono com os momentos em que ela se mostra humana, com dificuldades, como qualquer outra pessoa.

Segundo que os alunos, que antes eram jovens inocentes, agora são cúmplices uns dos outros, sendo praticamente obrigados a manterem esses laços de amizade, caso não queiram ser punidos por seus atos.

Tudo começa com uma festa da faculdade e um assassinato. E aí, achou pouco? Vou tentar de novo. Tudo começa com era uma vez e fim, não pera. Tudo começa com Annalise ensinando como se livrar de um assassinato e seus alunos, também “estagiários” da professora, aprenderem na prática a matéria. Caso você não tenha entendido o que eu falei, está mais do que na hora de PARAR toda a sua vida e ASSISTIR ao programa.

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Calma, calma… não precisa parar tudo. No fim de semana dá pra ver os episódios.

Além disso, assim como praticamente todos os trabalhos em que Shonda põe as mãos, o que não falta é empoderamento feminino, principalmente das mulheres negras, diversidade, com casais maravilhosos, como Connor Walsh (Jack Falahee) e Oliver Hampton (Conrad Ricamora), personagem latino, Laurel Castillo (inclusive, a intérprete Karla Souza é mexicana) e histórias de tirar o fôlego e deixar qualquer um confuso e admirado.

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Esse beijos, hein? Queremos!

Também não posso deixar de falar que um dos personagens é soropositivo e eu acho maravilhosa a forma como eles nos fazem entender melhor quem passa por isso, os respeitando e não mais os excluindo, como nossa sociedade costuma fazer.

Por último, é importante avisar que, se você começa a série gostando de alguém, as chances de você parar de gostar dessa pessoa, nos próximos capítulos ou temporadas, são grandes. A história muda, tantas vezes, assim como os personagens, que é impossível não seguir essas transformações e refletir sobre todos os assuntos abordados, além de claro, se questionar o que você faria no lugar deles. Acho que eu estou feliz em só assistir e não estar na pele de ninguém.

Madamentos da ShondaLand: Deverás assistir essa série.

Violas Davis recebendo o Emmy de melhor atriz em 2015. Um dos melhores e mais lindos discursos que você vai assistir.

5) The catch (2016 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur, tendo Shonda Rhimes como uma das produtoras executivas.

Sinopse: Segue a vida de uma investigadora particular, cuja especialidade é expor fraudes.

Se você é aquela pessoa tem preguiça de começar uma série que já tem muitas temporadas, eis a solução dos seus problemas. The Catch está indo para a segunda temporada, com somente 10 episódios cada e, logo no piloto, já temos a maior reviravolta de todas.

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Mireille Enos como Alice Vaughan.

Alice Vaughan (Mireille Enos), uma detetive particular, está prestes a se casar com Benjamin Jones (Peter Krause), quando ela descobre todas as mentiras de sua vida e que seu noivo, na verdade, é o maior trambiqueiro e dá golpes e mais golpes, tudo em prol do dinheiro. Inclusive, ele se aproximou de Alice para justamente estar sempre um passo à frente desta e não ser pego em seus crimes.

No entanto, acredite se quiser, o dois se gostam de verdade. A partir disso, começa a caçada. Nossa heroína está decidida a pegar o ex, custe o que custar. Viu como foi rápido?

Então para de drama e vai logo por essa série em dia!

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Que comece
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a caçada!

FILMES

1) Crossroads: Amigas para sempre (2002)

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Dirigido pela Tamra Davis e escrito pela Shonda Rhimes.

SinopseTrês melhores amigas enterram uma caixa, fazendo um pacto para abri-la à meia-noite no dia da graduação do colégio. No entanto, o tempo passa e suas vidas mudam. Na noite da formatura, elas abrem a caixa e depois de muita conversa, decidem ir para Los Angeles, para que Lucy (Britney Spears) faça a audição para ser contratada por uma produtora musical. Com um pouco de dinheiro, elas partem na estrada com um cara chamado Ben (Anson Mount), e uma delas conta o boato de que ele pode ser um maníaco homicida. Agora, elas enfretarão a jornada de suas vidas, com ou sem maníaco.

Gente, para tudo porque “It’s Britney Bitch!”.

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Se você, assim como eu, nasceu nos anos noventa, com certeza viveu a época Britney Spears e cantava suas músicas, num inglês completamente errado, e se achava o máximo por isso.

E o que dizer desse filme?

Eu lembro até hoje o dia em que assisti ao filme no cinema e com quem eu fui. Imagino que a maioria das pessoas que saíram da sala, ficaram encantados e emocionados com a história dessas três amigas, sua força e união, e, sonhou em também viver uma viagem na estrada com suas melhores amigas.

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Kit (Zoe Saldana), Mimi (Taryn Manning) e Lucy (Britney Spears).

E o que falar dessa trilha sonora que me faz chorar até hoje?

Clipe da música I’m not a girl, Not Yet a Woman interpretada pela Britney Spears.

Caiu um cisco aqui, pera… É que a nostalgia chegou ao nível máximo!

Esse filme é sobre amizades que duram pro resto de nossas vidas, do apoio entre amigas e sobre seguir seus sonhos, ou seja, tudo que é essencial em nossas vidas. E claro, quando as coisas ficarem difíceis, nada como cantar I Love Rock ‘N’ Roll com suas “migs” do coração.

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Aliás, não posso deixar de mencionar que a atriz que interpreta a Mimi (Taryn Manning), pra quem não reconheceu, é a Tiffany Doggett de Orange is the New Black. RAPAZ, como o tempo passa! E também tem Kim Cattrall no auge de Sex and The City. Peraí que eu vou ali preparar as pipocas!

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Sabemos que é você, “Mimi Tiffany Manning”.

2) O diário da Princesa 2: Casamento Real (2004)

Dirigido por Garry Marshall e roteirizado por Shonda Rhimes.

Sinopse: A Princesa Mia acaba de completar 21 anos e é esperado que ela assuma o lugar de sua avó como a rainha de Genovia. Mas o visconde Mabrey lembra a todos da lei que afirma que uma mulher solteira não pode ser nomeada rainha, e com o apoio do parlamento, ele se opõe à coroação de Mia. No entanto, a rainha Clarisse pede que Mia tenha tempo para encontrar um marido e ela recebe 30 dias. O sobrinho de Mabrey, Nicholas, encontra-se com Mia e estes se interessam um pelo outro. Agora, eles tem 30 dias para decidir o que fazer com esses sentimentos.

Falando em Nostalgia…

Trailer de O Diário da Princesa 2.

Se tem um filme que levou Anne Hathaway ao estrelato, esse filme foi O diário da Princesa. E, como todo filme de sucesso, ele acabou tendo uma sequência, que foi escrito pela nossa aniversariante do dia, Shonda.

Esse filme tem empoderamento feminino dentro do universo das princesas e rainhas. Apesar de ser da Disney, esse conto de princesa tem um toque especial, até porque, nossa protagonista irá mudar essa péssima tradição, de que uma mulher só pode se tornar rainha se for casada com um homem.

Como todo filme romântico à la princesas, Mia Thermopolis encontra o par ideal, mas acaba se apaixonando pelo “vilão” da história e, com isso, terá que enfrentar os desafios de ser feliz no amor e continuar o legado de sua família.

Aliás, esse filme tem um charme, pois a Rainha Clarisse Renaldi é interpretada por nossa querida Noviça Rebelde, linda como sempre, Julie Andrews.

Além disso, tem até uma participação da Raven-Symoné. Sério, se você está na faixa dos vinte e poucos anos, tem que se lembrar da série infantil “As Visões da Raven”. EU AMAVA!

Julie Andrews e Raven-Symoné.

Para finalizar a resenha dessa produção cinematográfica, eis as maiores lições do longa-metragem:

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“Uma rainha nunca está atrasada. Todos é que simplesmente chegaram cedo.”
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Um beijo de amor verdadeiro só é válido quando tem a “levantadinha” da perna.

Shonda por Shonda

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Capa da revista “The Hollywood Reporter” com Shonda Rhimes.

Após essa leva de projetos vitoriosos, eis que finalmente podemos concluir que Shonda Rhimes mudou muito o conceito de série de sucesso, com suas histórias extraordinárias, que mostram, sempre, o mundo com toda a sua diversidade.

Para os que se interessam pelo trabalho dela, é possível conhecer um pouco mais, através do seu livro Year of Yes e, também, aos que pretendem seguir a carreira do mercado audiovisual, esse ano de 2017 será lançado o curso intensivo de Escrita para Televisão, dado pela própria Shonda, no masterclass.com.

Ademais, ela é um exemplo pras futuras roteiristas como eu e para qualquer menina/mulher que está cansada dos padrões de nossa sociedade. Para todos que querem uma melhor representação e oportunidades para mulheres, negros, latinos, LGBTs, entre muitos outros, eis que as narrativas de nossa guerreira provam que é possível fazer sucesso e quebrar tabus, ao mesmo tempo.

Me encanto, me impressiono e me inspiro muito com o trabalho de Rhimes e torço, para que um dia, eu possa ser ao menos um terço do que ela é hoje, pois já estarei muito satisfeita.

Ted Talk 2016: Meu ano de dizer “sim” para tudo.

BÔNUS DO DIA

Para quem gostaria de ver nossa deusa atuando, é só checar o episódio 5, da terceira temporada de The Mindy Project, ao qual eu falo no texto “13 comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir“.

Não me procurem, pois eu fui ver minhas séries! Beijos.

*Hacker: uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento na área da informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema informático.

*ShondaLand: é uma produtora de televisão americana fundada pela escritora/produtora Shonda Rhimes.

*Showrunner: é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

*Spin-off: é um programa de rádio, televisão, videogame ou, qualquer outra obra narrativa, derivada de uma ou mais obras já existentes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em: http://www.imdb.com/name/nm0722274/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

IMDB. The Devil wears Land’s End. 2014. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4029966/?ref_=nm_flmg_act_1&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

Significado de Hacker. Disponível em: <https://www.significados.com.br/hacker/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Shonda_Rhimes&gt;. Acesso em: 12 de jan. 2017.

A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais.

Assistindo ao documentário “She is Beautiful when she’s angry” (Ela fica linda quando está com raiva), dirigido por Mary Dore, me deparei com mulheres fantásticas que lutaram por seus direitos, nos EUA, nas décadas de 60-80.

É incrível e, ao mesmo tempo, assustador vermos que os anos passam e ainda usamos os mesmos discursos, pelo simples fato de que nossa sociedade parece não conseguir se livrar da visão de mundo machista que a domina.

Eu me identifiquei com muitas falas das feministas presentes no doc, sendo que a produção é sobre a luta das mulheres que ocorreu há mais de 40 anos. Protagonistas maravilhosas que, desde aquela época, já entendiam sobre as desigualdades de gênero que contaminam o mundo e, hoje, infelizmente, ainda precisamos lutar, da mesma forma, porque por mais que a gente tenha evoluído, ainda estamos longe de estar num mundo ideal para a população do gênero feminino.

No longa de uma hora e trinta e dois minutos, as entrevistadas contam que elas exigiam igualdade de salários, direito ao aborto, eram contra o abuso e a violência dos homens, lutavam por mais creches – onde elas pudessem deixar seus filhos e irem trabalhar assim como seus respectivos maridos – entre outras exigências, que são o mínimo, para que finalmente possamos ser vistas de igual para igual e não submissas aos homens.

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“Se os homens pudessem engravidar, anticoncepcionais estariam disponíveis em máquinas de chiclete.”

No discurso de uma das entrevistadas, ela comenta como elas, nos anos em que iniciaram os movimentos feministas, mal sabiam sobre o movimento das Sufragistas, ocorrido no final do século XIX e início do XX, na Inglaterra. Por sinal, essa história foi muito bem retratada no filme “As Sufragistas” (2015).

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“Nunca desista da luta.” E tem a participação de Meryl Diva Streep.

Com isso em mente, tentei lembrar dos tempos de escola e, me veio a cabeça, que eu mal ouvi falar das lutas das mulheres, no máximo pelo direito dos votos e olhe lá. E isso é um erro extremo, pois nós temos e devemos aprender sobre as incríveis mulheres do nosso passado, que conquistaram tanta coisa por nós, pessoas das quais devemos nos orgulhar e nos inspirar e buscarmos forças nessa batalha que persiste até os dias atuais.

Tantas histórias de líderes homens, visionários, outros, não, e as mulheres, parece que são sempre deixadas de lado. A não ser que tenham sido princesas ou rainhas, é raro escutarmos na sala de aula do ensino fundamental e médio, sobre os direitos e lutas das mulheres, que ocorrem há anos, pelo simples fato de que, culturalmente falando, não faz sentido ensinar pequenas meninas sobre seus direitos, já que os homens se sentem ameaçados com nossas conquistas e insistimos nesses ensinamentos conservadores e retrógrados.

Algumas das feministas entrevistadas no documentário “She is Beautiful When she’s Angry”.

Além disso, um assunto bastante interessante que elas mencionam na produção, é o fato de existirem divisões dentro do próprio feminismo, e isso me fez refletir e questionar o meu feminismo.

O projeto nos mostra líderes de vários movimentos feministas e, como as mulheres negras e as lésbicas, acabavam formando seus próprios grupos, pois não se identificavam com a luta das mulheres cis brancas e heteros. Lembrei de textos como “Jout Jout, Clarice e o feminismo branco” e “Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas?” do site fridadiria.com, em que o movimento feminista é questionado, pois, na maioria das vezes, ele é voltado para mulheres cis, brancas e heteros.

É um assunto delicado, mas deve ser debatido sempre. Uma das representantes que aparece no documentário, comenta que, as militantes, quando exigiam seus direitos, eram chamadas de lésbicas pelos homens e, em sua visão, se elas começassem a lutar pelos direitos Lgbts, acabariam dando crédito à essa visão.

Assim, ela argumentou que, nos anos de 60-70, optou por lutar pelos direitos das mulheres, sem envolver a homosexualidade, por exemplo, e, que, depois de conquistas, seria a hora de lutar por outras vertentes.

No entanto, não podemos nos esquecer que uma mulher lésbica sofre com o machismo por ser mulher e por ser lésbica. Primeiro que lésbica não deveria ser uma ofensa. Segundo que, acaba sendo usado pelos homens e, até mulheres, como ofensa, pois lésbicas são rechaçadas e consideradas como pessoas do gênero feminino que querem ser do sexo masculino ou mulheres que ainda não encontraram o homem certo em suas vidas. Então como pedir pra elas deixarem sua sexualidade de lado, se isso é essencial em sua luta?

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“Fail” total!

Além disso, não podemos negar que uma mulher negra sofre muito mais preconceito e machismo em nossa sociedade, do que uma mulher branca. Infelizmente isso acontece, então como podemos dizer “primeiro conquistamos o direito das mulheres, depois vemos a questão racial”, sendo que uma mulher negra lida com o machismo e racismo todos os dias de sua vida?

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“Nunca deixe que ninguém a faça sentir como se você não importasse.” Michelle Obama sempre maravilhosa.

Sem contar as mulheres de baixa renda que, quase nunca, tem a chance de erguer suas vozes. Para isso, filmes como “Que horas ela volta?” da Anna Muylaert são importantíssimos e maravilhosos, pois nos fazem refletir essas questões.

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Poster do Filme, com Regina Casé.

Quero deixar claro que eu não sou a melhor pessoa para falar sobre a questão racial ou social, pois não vivo essas dores de perto, porém, cada vez mais, me posiciono para ler, refletir e estudar sobre essas questões, ouvindo o outro lado e, assim, entendendo como posso inserí-las no meu feminismo. Lendo e aprendendo, eu cito a Nathalia Rocha, idealizadora do Frida Diria, no texto”Nicki, Rihanna e o feminismo branco:

E, colocando uma mulher negra que se posiciona contra o racismo como barraqueira, a mídia e a sociedade só contribuíram para apagar o debate e manter uma visão racista sobre as pessoas negras. E é isso que o feminismo branco deveria entender. Dentro do movimento, somos tratadas como “nós”, como “manas”, mas, na prática, o que vemos é um debate que abarca “todas” as mulheres como se todas as mulheres tivessem os mesmos problemas. Na prática, mulheres brancas colocam o seu bem-estar e as suas pautas acima dos problemas das mulheres negras e chamam isso de feminismo.

Apesar do assunto em questão ser a discussão em torno de um desabafo da Nicki Minaj no Twitter e a resposta da Taylor Swift, no ano de 2015, ele me ajudou a compreender um pouco melhor sobre como me posicionar a respeito da luta das mulheres negras.

Essa questão é importante de ser debatida, pois a ideia não é defender a violência de mulheres contra mulheres, mas, sim, lutar por um feminismo universal, abrangendo e respeitando todas as suas vertentes, para que todas as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens, em qualquer lugar do planeta, e não somente em sua respectiva comunidade ou grupo racial, étnico, etc.

Querendo ou não, nossa posição é contra a supremacia do homem cis, branco, hétero e rico, logo, precisamos achar um jeito de incluirmos todas as causas que qualquer mulher passa e, assim, a gente finalmente conquistar a tal justiça que queremos e merecemos.

Parece utópico, mas não é. Temos que nos unir, tendo empatia pelas dores alheias, apoiando umas às outras, nessa luta contra o machismo. Para isso, temos que usar nossa maior arma: a FALA. E claro, sempre ouvirmos umas as outras, até porque, se ficarmos contra ou nos separarmos, quem perde somos nós mesmas.

Não estamos erradas em exigir direitos iguais e faremos isso juntas, expondo todas as injustiças do nosso dia a dia e exigindo mudanças, até que finalmente o machismo desapareça de nossas vidas.

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“Mulheres de todo o mundo, unam-se!”

Para quem tem interesse de assistir ao documentário, ele está disponível no Netflix e em DVD. Ademais, também é possível ter informações do projeto, incluso sobre as feministas entrevistadas, no site <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/women/>.

BIBLIOGRAFIA

MOTTA, Thamires. Seu feminismo acolhe mulheres lésbicas? 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/seu-feminismo-acolhe-mulheres-lesbicas/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

MOURA, Gabriela. Jout Jout, Clarice e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/jout-jout-clarice-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

ROCHA, Nathalia. Nicki, Rihanna e o feminismo branco. 2015. Disponível em: <http://www.fridadiria.com/nicki-rihanna-e-o-feminismo-branco/&gt;. Acesso em: 09 de jan. 2017.

SHE IS BEAUTIFUL WHEN SHE’S ANGRY. 2014. Disponível em: <http://www.shesbeautifulwhenshesangry.com/the-film/&gt;. Acesso em: 08 de jan. 2017.

O machismo no mundo dos jogos

No final de 2016, a Nintendo lançou o jogo Super Mario Run para iOS e agora, em 2017, lançará a versão para o sistema operacional, Android.

Como toda criança e adolescente dos anos 90, obviamente, fiquei super empolgada e baixei o jogo, assim que lançou. No entanto, logo de cara me assustei com a narrativa da história, sobre a famosa donzela em perigo.

A princesa Peach convida Mário para comer bolo, que ela mesma cozinhou, em seu castelo, mas o vilão Bowser a sequestra e agora o herói tem que resgatá-la. Ano passado eu li alguns textos sobre o machismo dentro do mundo dos gamers e, a partir disso, comecei a questionar os jogos de vídeo game que passei minha infância jogando, ao lado do meu irmão e meu primo.

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É possível jogar com a princesa Peach, mas, para isso, você precisará vencer todos os 24 níveis do modo World Tour e derrotar Bowser.

Apesar de hoje em dia eu não jogar como antes e não estar atualizada no assunto, eu lembro que na graduação em Cinema & Audiovisual, na aula de roteiro, aprendi que existe a área de roteiro para games e, esse mercado, assim como a maioria no cinema, é dominado pelos homens.

Com isso em mente, lembrei dos famosos jogos da minha infância – Super Mário, Street Fighter, Tekken, GTA, 007, Mortal Kombat, Ragnarok, entre vários outros – e argumentei com uma amiga, que sempre que eu jogava MarioKart Double Dash (o jogo de corrida do Mário para Nitendo GameCube), ninguém escolhia as princesas Daisy e Peach, porque elas eram as piores. Na conversa, ela rebateu dizendo “mas já reparou que as personagens mulheres sempre são piores?”

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Imagem do jogo MarioKart Double Dash, com Peach e Daisy em destaque.

Quando ela me disse isso, lembrei não só das princesas, mas também da Chun Li, de Street Fighter e, que, toda vez que jogávamos com ela, a piada era sobre os “gritos irritantes” que ela dava ao perder a luta. Aliás, haviam poucas mulheres em jogos de luta e a Chun Li é considerada a primeira personagem feminina desse estilo de game.

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Vega vs Chun Li.

Outro fato memorável, foi quando eu joguei Ragnarok, um jogo online, e usava a conta do meu irmão, onde eu só podia escolher personagens masculinos e, ao longo do tempo, descobri que outras meninas também usavam personagens masculinos para não serem intimidadas e assediadas no jogo (era possível casar e até ter filhos em Ragnarok) e que assim elas podiam jogar em paz e serem respeitadas. Ainda me recordo que quando contei para alguns meninos da minha turma, que eu jogava Ragnarok, fui lembrada de que “esse jogo é de menino, não acredito que você saiba jogar”.

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Poster de Ragnarok Online.

E o que isso tem a ver com machismo?

Num universo onde a maioria dos criadores são homens, não é surpreendente ver os heróis representados como homens poderosos e as mulheres como princesas lindas e frágeis. Assim como falei no texto sobre séries televisas, é impossível a visão de mundo do roteirista não interferir em sua escrita e como vivemos num mundo machista, claro que as histórias, sejam cinematográficas, televisas ou de videogames, vão refletir isso.

Eu me questionei seriamente se os personagens femininos, quando não são protagonistas dos jogos, são realmente piores que os homens e se isso era proposital. Seria necessário uma tese de doutorado para abordar esse assunto, porém não acho que essa ideia seja absurda e acredito que tenha muita coisa velada.

É claro que temos jogos (e filmes) como Residente Evil e Tomb Raider, com mulheres fortes e poderosas, mas hipersexulizadas, nos lembrando que, até mesmo as histórias de videogames, protagonizadas por mulheres, foram criadas por homens.

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Gosto muito de Tomb Raider, mas não posso deixar de notar que ela é uma personagem hipersexualizada.

Na verdade, infelizmente, não são só os criadores que refletem essa visão de mundo, como também os jogadores. O caso mais recente que vi sobre machismo no mundo dos jogos, foi em Pokémon Sun e Pokémon Moon, para Nintendo 3ds. A evolução do Pokémon Popplio, Brionne e Primarina, respectivamente, assumiu uma forma mais feminina, e não faltou foi crítica por parte dos meninos, para essa mudança.

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Imagem retirada do site Kotaku.

No site Kotaku, a autora Patricia Hernandez, relata muito bem o ocorrido, dizendo que “Nas mídias sociais, as pessoas estão criticando o design do vestido de Brionne, junto com sua delicadeza, por dar ao Pokémon um ar muito feminino.”

Hernandez continua, mostrando a verdade nua e crua “Parecer feminino é infelizmente considerado uma coisa ruim para algumas pessoas. Afinal, a feminilidade tem estigma, incluindo a suposição de que ela incorpora fraqueza, monotonia ou submissão. Ao aparentar ser ‘feminino’, Brionne não tem a chance de ser considerado ‘legal’ ou ‘forte’ por algumas pessoas, e isso é uma merda.”

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Pokémon Primarina, considerado muito “feminino” pelo público masculino.

Será mesmo que o problema está na aparência feminina ou na visão que a feminilidade tem? Nossa sociedade ainda perpetua esse erro, de ensinar que meninas são frágeis e delicadas, enquanto homens são fortes e líderes nato. Isso é um problema muito sério e que deve ser combatido a todo o custo e a mídia exerce um papel muito grande nisso. Se mantermos essas histórias, de princesas em perigo, vamos sempre acobertar o machismo, dizendo que homens são superiores só por serem homens.

Outro texto importante que achei na internet, foi o do site pokemongobrasil, dizendo que uma pesquisa feita pelo SurveyMonkey mostra que a maioria dos jogadores dos EUA, de Pokémon Go (app para smartphone), são mulheres. Isso é interessante, pois quebra aquela famosa ideia de que só homem gosta e joga videogame.

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Gráfico por: Nick DeSantir/Forbes (imagem retirada do site pokemongobrasil)

Assim, está mais do que na hora de botarmos a boca no trombone e reclamarmos, como clientes e como mulheres, sobre essa hipersexualização e submissão das personagens femininas em jogos. Muitas mulheres gostam de jogar, inclusive querem ou já trabalham na área, e tudo o que exigem é uma boa representação. Igualdade de gênero é mais que necessário e a mídia deve aderir essa causa o quanto antes, para acabarmos de vez com essa visão machista na representação das mulheres.

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Sim Peach, também estamos cansadas do machismo. #machistasnãopassarão

BIBLIOGRAFIA

HERNANDEZ, Patricia. Starter Pokémon’s ‘Feminine’ Evolution Is Bothering Some Fans. 2016. Disponível em: <http://kotaku.com/starter-pokemons-feminine-evolution-is-bothering-some-f-1787416839&gt;. Acesso em: 04 de jan. 2017. 

SCHULZE, Thomas. Como liberar todos os personagens secretos de Super Mario Run. 2016. Disponível em: <http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2016/12/como-liberar-todos-os-personagens-secretos-de-super-mario-run.html&gt;. Acesso em: 04 de jan. 2017.

TADDEO, Tiago. As mulheres estão dominando o Pokémon GO. 2016. Disponível em: <http://www.pokemongobrasil.com/as-mulheres-estao-dominando-o-pokemon-go/&gt;. Acesso em: 04 de jan. 2017.

 

13 Comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir

E mais uma de bônus!

Eu já ouvi inúmeras pessoas, principalmente homens, dizendo que mulheres não são engraçadas. Isso é algo tão relativo, que se fizermos uma análise sobre esses comentários, claramente chegaremos a um dos maiores problemas da nossa sociedade: o machismo.

No entanto, pra rebater esse pensamento, simplesmente darei dicas e exemplos de séries de comédia, criadas e/ou protagonizadas por mulheres, que fizeram e ainda fazem muito sucesso e merecem nossa atenção.

1) Ally Mcbeal (1997 – 2002)

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Ally Mcbeal (Calista Flockhart) e o elenco.

Ally, uma série do final dos anos 90, criada por David E. Kelley.

O motivo de eu colocá-la na lista é porque, pra uma comédia dramática da década de noventa, ela é espetacular e quebra tabus, mesmo que de uma forma suave, além da personagem principal ser a pessoa mais desajeitada, fofa e independente possível.

A série tem como trama a vida pessoal e profissional de Ally Mcbeal (Calista Flockhart) que começa a trabalhar num famoso escritório de advocacia em New York, onde reencontra o amor de sua vida, Billy Thomas (Gill Bellows), agora casado com Georgia Thomas (Corutney Thorne-Smith). A cada episódio temos um caso de justiça diferente que abordam assuntos interessantíssimos, como o machismo e o assédio dentro do trabalho, por exemplo.

Ademais, Ally trabalha no mesmo lugar que Billy e Georgia e, ao invés de gerar uma rivalidade feminina, como normalmente retratam, Ally e Georgia se estranham no começo, mas logo se dão bem e, a partir disso, a protagonista consegue se libertar do que sente pelo ex e seguir em frente.

E claro, não podemos deixar de falar sobre a amizade de Ally com sua colega de quarto, a também advogada, Renee Raddick (Lisa Nicole Carson). As duas são mulheres independentes, com histórias incríveis e uma amizade muito forte.

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“Temos sorvete. Quem precisa de um cara?” Renee mandando a real para Ally.

O programa é de comédia, mas contém muito drama, inclusive o formato foge do padrão de 30 minutos, sendo cinco temporadas com 40/50 minutos, por episódio. Indico a série por milhares de razões e garanto que você assistirá e sonhará em ser uma advogada(o) da firma, porque no final do expediente, todos saem pra beber ao som da cantora Vonda Shepard ou de algum cantor famoso convidado.

2) Chewing Gum (2015 – 2017)

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Elenco da série.

Série britânica exibida pelo canal E4, criada e estrelada por Michaela Coel. Esse roteiro foge de tudo o que conhecemos sobre comédia.

A narrativa conta a vida de Tracey (Michaela Coel) e sua relação com a família e o namorado, extremamente religiosos. A protagonista tem 24 anos de idade e ainda não teve relação sexual, mas decide mudar isso, mesmo que não seja com o namorado. A Tracey é divertidíssima e toca em assuntos que são quase “proibidos” na nossa sociedade, como sexo, virgindade e religião.

É muito interessante ver como a protagonista lida com seus desejos, mas, tenta, a todo o custo, não decepcionar a família. Além do mais, sua melhor amiga, Candice (Danielle Walters), é o oposto dela e a ajuda bastante em sua nova fase de vida.

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“Nosso querido e abençoado Salvador, eu preciso da coragem que você teve para contar a todos que era filho de Deus.”

Apesar de ter somente 6 episódios, a série lançará sua segunda temporada nesse ano e virá com tudo, pois Tracey está só começando sua aventura.

3) Divorce (2016 – 2017)

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Sarah Jessica Parker e Thomas Haden Church.

Uma das novas apostas do canal HBO, criada por Sharon Horgan e estrelada por Sarah Jessica Parker.

A história mostra o começo da separação e divórcio do casal Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church), que após anos de casados, se descobrem infelizes um com o outro.

Ainda está na primeira temporada, com a segunda pra estreiar nesse ano novo, e aborda algo importante, como o divórcio, e como é difícil, porém normal, marido e mulher buscarem algo diferente depois de muito tempo juntos.

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Estamos na torcida por essa série!

Além disso, essa série é outro exemplo de mulher protagonista que trai o marido, como eu havia comentado num texto anterior, e que tem dado muito certo. Eles tem dois filhos pequenos e agora terão que lidar com essa separação, sem que a família se desfaça por completo.

4) Faking It (2014 – 2016)

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Karma Ashcroft (Katie Stevens) e Amy Raudenfeld (Rita Volk)

Série da MTV, criada por Carter Covington, Dana Goodman e Julia Lea Wolov.

Conta a história de duas amigas, Amy Raudenfeld (Rita Volk) e Karma Ashcroft (Katie Stevens), que decidem fingir ser um casal, para finalmente serem populares na escola. No entanto, Amy acaba se apaixonando por Karma e agora as duas terão que descobrir como manter essa amizade, sem que ninguém saia magoado.

Uma série que gira em torno do ensino médio, fase adolescente e de descobertas. É muito interessante por retratar a sexualidade dos adolescentes, em fase de questionamento, sendo que alguns já sabem do que gostam e não gostam, enquanto outros, ainda vão descobrir e está tudo bem. A questão é se permitir, sempre.

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Esse beijo, hein? Ai, ai.

Apesar de ter sido cancelada na terceira temporada e não ser perfeita em tudo, eu recomendo, pois ela é divertida e lida com a homosexualdiade e a bisexualidade na era moderna, em que existem tinders da vida e, assim como a relação heterosexual, são relações humanas, com altos e baixos, o tempo todo.

5) Girls (2012 – 2017)

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Elenco da série.

Série da HBO, criada e estrelada por Lena Dunham.

A trama conta a história de quatro amigas, Hannah Hovarth (Lena Dunham), Marnie Michaels (Allisson Williams), Jessa Johansson (Jemima Kirke) e Shoshanna Shapiro (Zosia Mamet) e seus ganhos e perdas na vida pessoal e profissional.

O gênero segue o estilo de uma comédia dramática, pois vemos de perto as dificuldades das personagens na entrada da vida adulta e nos relacionamentos amorosos.

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“Minhas circunstânicas mudaram e não posso mais aceitar trabalhar de graça.”

Além disso, ela aborda a sexualidade feminina, assim como Sex and The City (1998 – 2004) fez alguns anos atrás, como normal e livre, podendo, nós mulheres, fazermos o que quisermos, pois o corpo e as regras são nossas. Inclusive teve a polêmica cena do sexo oral por trás, uma sequência super rápida e maravilhosa e, a sociedade, como sempre, tentando regredir nossas conquistas. Mas não permitiremos isso! Vamos que vamos, rumo ao sucesso das mulheres, sempre! Inclusive na cama.

6) Grace and Frankie (2015 – 2017)

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Jane Fonda e Lily Tomlin.

Original do Netflix, criado por Marta Kauffman e Howard J. Morris, indo para a terceira temporada.

A criadora, Marta Kauffman, ficou famosa depois da série Friends e, mais recentemente, lançou essa obra prima, estrelada por Jane Fonda e Lily Tomlin.

O argumento conta a história de Grace Hanson (Jane Fonda) e Frankie Bergstein (Lily Tomlin) que são surpreendidas por seus maridos. Os dois, Robert Hanson (Martin Sheen) e Sol Bergstein (Sam Waterston), melhores amigos e sócios há anos, assumem seu amor e relacionamento e se separam de suas mulheres. Agora, as duas terão que lidar com a separação, após anos de casamento e com as mudanças em sua rotina.

Eu adoro essa série por tantos motivos, mas o principal é por abordar a homosexualidade de uma forma muito natural, além de retratar o amor e o sexo na terceira idade da mesma forma, como normal e saudável.

Uma trama incrível, em que tanto o casal de homens, quanto as duas novas amigas, Grace e Frankie, surpreendem o público com suas reviravoltas e nos encantam com a forma como lidam com tantas modificações, sem deixar o preconceito da sociedade arruinar suas famílias e felicidade.

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“Larga o microfone.”

Jane Fonda e Lily Tomlin, não só atuam, como também são produtoras excecutivas, e tem dado um show de interpretação e talento, mostrando que envelher pode ser tão bom quanto ser jovem.

7) Insecure

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Issa Rae no cartaz da série.

Outra aposta da HBO, lançada em 2016 e criada por Issae Rae e Larry Wilmore.

A trama segue a vida de Issa Dee (Issae Rae) e de sua melhor amiga, Molly Carter (Ivonne Orji), duas mulheres negras, lidando com profissão, vida amorosa e amizade.

A série é inspirada na websérie “The Misadventures of Awkward Black Girl” e é um marco para o canal televiso, pela temática central ser a vida de duas mulheres negras, de forma bastante humorada e inteligente.

Além disso, a personagem Issa não só é divertidíssima, como arrasa ao cantar raper. No piloto da série, numa tentativa de reviver momentos do passado e quebrar a monotomia de sua vida, ela sobe no palco e improvisa um rap. No entanto, Issa acaba magoando sua amiga, pois ela canta sobre um assunto pessoal de Molly, mas as duas se entendem ao final do episódio, mostrando que a amizade delas é o apoio principal uma da outra.

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Quem tem amizade, tem tudo.

Está na primeira temporada e esse ano lançará a segunda. Issa Rae é uma das criadoras e estrelas do programa, ainda trabalhando como produtora excecutiva.

8) My Mad Fat Diary (2013 – 2015)

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Elenco da série.

Segunda série britânica de comédia dramática da lista. Foi exibida no canal E4, baseado no livro My Fat, Mad Teenage Diary por Rae Earl – que também escreve para a série – e desenvolvida por Tom Bidwell.

A trama se passa nos anos 90, na cidade de Liconlnshire e gira em torna da vida de Rachel ‘Rae’ Earl (Sharon Rooney), uma adolescente com dificuldades em se aceitar, que passou quatros meses num hospital psiquiátrico, por tentativa de suicídio. Depois de deixar o hospital, Rae reconecta-se com sua melhor amiga, Chloe Gemell (Jodie Comer), e o grupo desta. Ninguém sabe dos problemas de saúde mental da protagonista e sobre sua permanência no hospital psiquiátrico.

Apesar de lidar com um tema tão complicado, como saúde mental e autoaceitação, essa série é maravilhosa. Eu adoro personagens aos quais podemos nos identificar com suas dores, mesmo que não as mesmas, e entendemos que todos temos dificuldades nessa vida.

A protagonista é simplesmente incrível e foge completamente do padrão, sendo uma de suas maiores dificuldades, a aceitação de seu corpo. A todo o tempo, ouvimos os pensamentos de Rae e entendemos seus problemas, além de rirmos com sua imaginação adolescente e louca.

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“Não estou bem. Acho que não estou bem há anos!” Ninguém está, querida Rae.

Aos poucos ela vai se encaixando no novo grupo de amizade e se aceitando, ao mesmo tempo em que continua o tratamento com o psicólogo, onde temos diálogos fortes e emocionantes, e outros engraçadíssimos. Os efeitos visuais são hilários e a trilha sonora de adolescente dos anos 90, está imperdível.

Mesmo que você não esteja acostumado com a comédia britânica, que tem um humor diferente do que normalmente assistimos, essa série vale muito a pena por tratar de assuntos delicados e universais. A série teve somente três temporadas, de 6 episódios, cada.

9) New Girl (2011 – 2017)

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Elenco da série no cartaz da segunda temporada.

Projeto do canal FOX, criado por Elizabeth Meriwether.

A narrativa gira em torno da vida de Jess Day (Zooey Deschanel), uma professora que adora cantar espontaneamente, que  pega seu namorado com outra mulher e precisa de um novo lugar para morar. Ela se muda para um estúdio, onde dividirá com três homens desconhecidos. Assim, terá que descobrir como lidar com as mudanças da vida, além de se relacionar com os seus colegas de quarto.

Um humor leve, inclusive a Jess é uma adorável professora, sempre positiva, que agora tem que lidar com essa “derrubada” da vida e receberá a ajuda de sua melhor amiga e seus novos roomates*.

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“Eu gosto de cantar sozinha… bastante, por sinal.”

Já está na sexta temporada e, muitas coisas já aconteceram, mas vale a pena por fazer rir quando a gente menos espera e dar voz a uma protagonista mulher, com uma personalidade incrível.

10) Parks and Recreation (2009 – 2015)

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Amy Poehler como Leslie Knope.

Exibido pelo canal CBS e criado por Greg Daniels e Michael Schur.

Como falar dessa série que é o amorzinho dos amorzinhos?

Primeiro que é estrelado por Amy Poehler que interpreta a amada Leslie Knope, aquela pessoa fofa e positiva que trabalha na prefeitura de Pawnee (Indiana) e faz tudo pela sua cidade natal.

Além disso, o elenco é bastante diverso, com personagem descendente de latino, descentende de indiano, negros e mulheres. Tem o formato de um falso documentário, com depoimentos dos personagens, que nos fazem rir alto.

A trama começa quando Andy Dwyer (Chris Pratt) sofre um acidente numa das obras abandonadas da prefeitura e Leslie Knope (Amy Poehler) faz de tudo para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que tenta reconstruir o parque onde ocorreu o incidente.

A partir disso, seguimos o dia a dia na prefeitura da cidade de Pawnee, com a Leslie sendo a pessoa mais empolgada e os outros seguindo as maluquices dela. Seu chefe, Ron Swanson (Nick Offerman), vive de cara emburrada e não fala muito, mas é o melhor amigo da Leslie e ele é o fofo que você mais respeita e quer por perto.

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Sim Ron, é você!

Além disso, temos Tom Haverford (Aziz Ansari) e Donna Meagle (Retta), que inventaram o famoso dia “Treat Your Self” – um dia especial em que eles cuidam de si mesmos, comprando e fazendo tudo o que querem. É muito amor por esse dia!

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“Cuide de si mesmo.”

Temos a jovem “rebelde”, April Ludgate (Aubrey Plaza), que vive entediada no seu estágio, mas no fundo adora o pessoal e sempre os ajuda, mas nunca sorri e mantém a pose de rebelde séria.

O Andy, já mencionado, é um desmiolado que adora cantar e não faz nada da vida. Ele é o namorado da Ann, relação que não dá muito certo, e ao longo da série vai amadurecendo e tendo um crescimento muito bom como personagem. Inclusive, foi a partir dessa série que o ator Chris Pratt saiu, rumo ao estrelato, em Guardiões da Galáxia e Jurassic World.

E claro, não podemos esquecer da amada Rashida Jones, que interpreta Ann Perkins, uma enfermeira certinha que com o passar do tempo decide seguir suas próprias vontades, errando e acertando, com o apoio de sua mais nova melhor amiga, Leslie Knope. Rashida também é roteirista e tem projetos incríveis, como o filme Celeste and Jesse forever.

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“Amiga é coisa pra se guardar…”

Quem não assistiu ao programa tem que parar TUDO e começar a série HOJE! A primeira temporada não é tão empolgante, mas a partir da segunda, a trama fica hilária e é interessantíssimo vermos a realidade, mesmo que fictícia, do trabalho governamental nos EUA. Aliás, spoiler super válido, tem um episódio que a Michelle Obama aparece e é maravilhoso.

CORRE PRA ASSISTIR!

11) The Mindy Project (2012 – 2017)

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Cartaz da série, com Mindy Kaling.

A série teve suas primeiras temporadas transmitidas pela FOX e, atualmente, é exibida pelo canal de streaming, Hulu. Argumento criado e protagonizado por Mindy Kaling.

A série acompanha a vida pessoal e profissional da ginecologista e obstreta, Mindy Lahiri (Mindy Kaling), numa clínica em New York. A atriz e roteirista começou sua carreira na televisão, com a série americana, The Office, e tem no currículo sucessos como: Divertidamente (ela é a Nojinho).

Eu adoro esse programa porque a Mindy é absurdamente engraçada. O melhor de tudo é acompanhar o crescimento pessoal da protagonista que não aceita os padrões impostos à ela.

Ao longo das temporadas, Mindy toma decisões difíceis, mas você torce por ela o tempo todo. Além do mais, o pessoal da clínica são maravilhosos, e eu dou destaque ao Morgan Tookers (Ike Barinholtz), Tamra (Xosha Roquemore) e Beverly (Beth Grant).

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Go Mindy, go Mindy!

Essa narrativa também é incrível, por ter como protagonista uma mulher fora dos padrões hollywoodianos, visto que Mindy é uma descentende de indiana, não é magrela e se aceita muito bem, além de escrever e produzir seu próprio show.

12) Veep (2012 – 2017)

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Julia Louis-Deyfrus como Selina Meyer.

Série da HBO, criado por Armando Iannucci.

A narrativa gira em torna da ex-senadora Selina Meyer (Julia Louis-Deyfrus), que aceitou o convite para servir como vice-presidente dos Estados Unidos. Vemos o cotidiano de Meyer e sua equipe, que tentam deixar sua marca e um legado duradouro, sem tropeçar nos jogos políticos que tomam conta de Washington.

O projeto já foi bastante premiado, inclusive, no último Emmy, recebeu várias estatuetas. Julia, além de atuar, também é uma das produtoras excecutivas. No seu discurso, do ano passado, além de homenagear o pai, já falecido, ela falou como a série a surpreende, por ser uma comédia, mas parecer tanto com a realidade da política americana.

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Ficção ou realidade, hã?

13) 30 Rock (2006 – 2013)

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Elenco da série no cartaz da sexta temporada.

Exibida pelo canal NBC, criada por, ninguém mais, ninguém menos, que Tina Fey.

Na série, acompanhamos os bastidores da sala de roteiristas de um programa de humor semanal e ao vivo. O projeto é baseado nas experiências da atriz e roteirista, Tina, quando trabalhou em Saturday Night Live.

Além disso, vemos a vida pessoal de Liz Lemon (Tina Fey), chefe dos roteiristas, uma pessoa que adora comer e ver televisão, que tem que provar aos colegas de trabalho que ela é a chefe e todos devem escutá-la.

Também vemos o dia a dia das estrelas do programa fictício, Jenna Maroney (Jane Krakowsky) e Tracy Morgan (Tracy Jordan), e suas bizarrices e mimos nos bastidores.

Alec Baldwin (Jack Donaghy) é o presidente da rede televisa e incorpora um empreendedor extremamente capitalista e de direita. A série contém diálogos incríveis, entre Liz e Jack, uma visionária e um conservador.

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Troféu joinha!

Essa é outra série que é o amorzinho dos amorzinhos, simplesmente por ser criada pela amada e diva Tina Fey. Eu rio horrores com esse programa, todos os personagens são hilários e é incrível ver os bastidores de um show, exibido ao vivo. Ainda, aprendemos muito sobre o famoso writersroom*, que é uma sala onde um grupo de roteiristas discutem o que acontecerá no show.

30 Rock foi muito premiada, sendo Tina Fey nomeada várias vezes ao Emmy, pelo papel de Liz Lemon. Essa série é ótima pra ver uma protagonista que não entende nada dos padrões femininos e é o máximo por isso e dá as melhores festas, porque:

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“Não existe festa como a festa da Liz, porque a festa da Liz é OBRIGATÓRIA.”

BÔNUS

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015 – 2017)

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Ellie Kemper como Kimmy Schmidt.

Já que estamos falando dos trabalhos da Tina Fey, não posso deixar de mencionar sua série mais recente. Lançada pelo Netflix, Unbreakable Kimmy Schmidt foi desenvolvida por Tina e Robert Carlock.

A trama tem como protagonista Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma das cinco mulheres resgatadas de um culto apocalíptico. Depois de anos vivendo num sótão subterrâneo, enganadas pelo religioso Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm), elas são finalmente achadas pela polícia. Assim, Kimmy decide ver o lado positivo da vida e resgatar todos os anos perdidos, indo morar na cidade de New York.

O humor é bastante sarcástico e o roteiro dá várias alfinetadas na alta sociedade nova iorquina. Em Manhattan, Kimmy divide apartamento com Titus Andromedon (Tituss Burgess), personagem assumidamente gay, que tenta conquistar o sucesso no meio musical. A dona do apartamento, Lillian (Carol Kane), vive acima deles e luta contra as “conspirações” da sociedade.

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Temos o famoso hit de Titus, “Pinoooot Nooooir.”

Além disso, a série também toca em assuntos delicados, como o machismo, racismo, homofobia, elitismo e fanatismo religioso. Na primeira temporada, os diálogos são fantásticos e as mensagens por trás deles, são incríveis. A segunda temporada se perdeu um pouco, mas acredito que a próxima virá cheia de novidades, com o humor irônico de sempre.

Assistam mais essa produção de Fey, porque vocês não vão se arrepender, nem que seja pra ver o Titus tendo aula de como ser um homem hetero ou a Kimmy, tentando achar bondade numa cidade grande, como NY.

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“Você gritou, negou ajuda e quebrou alguma coisa. Essa é a primeira lição para se tornar um homem hetero.”

*roomate: colega de quarto

*writersroom: sala de roteirista

UnREAL: o drama, sem drama, que você respeita.

Recentemente um professor comentou que as séries que a esposa dele assiste, Grey’s Anatomy e Scandal, são dramalhões muito chatos. Fiquei com isso na cabeça e tentei fazer uma análise com o outro exemplo que ele citou, Breaking Bad.

Não posso negar que os trabalhos da deusa Shonda Rhimes são dramalhões, mas muito maravilhosos. Também não posso negar que Breaking Bad é puro drama, só que o foco do protagonista vai da família ao poder, enquanto os personagens da Shondaland lidam e focam em milhares de coisas.

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“Alguém me dê um sedativo.” Até Yang sofre em Grey’s, admitimos isso. #tamojunto

Para não rebater o argumento usado com outro projeto que a própria Shonda tenha criado ou produzido, pensei em abordar outro programa, que também tenha protagonismo feminino, seja do gênero drama, além de ser o oposto das séries citadas.

Com isso em mente, o seriado escolhido foi UnREAL. A trama foi criada por duas mulheres, Marti Noxon e Sarah Gertrude Shapiro, e o protagonismo é encabeçado por Rachel Goldberg (Shiri Appleby) e Quinn King (Constance Zimmer).

 

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Quinn King (Constance Zimmer) e Rachel Goldberg (Shiri Appleby) no cartaz da segunda temporada.

A história mostra os bastidores do reality show Everlasting, que é baseado no famoso reality The Bachelor. O programa original, The Bachelor, é um show onde várias mulheres disputam o coração de um homem. Hoje em dia existe o The Bachelorette, que é a versão onde homens disputam o coração de uma mulher.

Em UnREAL, nós vemos toda a parte da produção e filmagens do programa fictício, Everlasting, e descobrimos que o “príncipe”, tão disputado, não tem nada de encantado, que a maioria das falas das participantes são induzidas pelos produtores e, posteriormente, editadas, além de vermos todos os podres dos bastidores, que apesar de ser ficção, tem muita veracidade.

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Pois é…

Para você ter uma noção de como esse drama é surreal, na primeira temporada, uma das candidatas comete suicídio no local onde o programa é filmado e na segunda temporada, um personagem é morto por racismo. Não estou entrando em detalhes porque não quero dar spoilers, mas quero provar que essa série é um drama bastante pesado e muito bem desenvolvido.

Além do mais, diferentemente de protagonistas como Meredith Grey, nós não gostaríamos nenhum pouco de conhecer Rachel e Quinn, mas a amamos de tão monstras e bizarras que elas são. Sinceramente, Walter White vai pro chinelo perto delas, porque elas conseguem manipular muito bem, tudo e todos, sem precisar fabricar drogas para isso.

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Go Rachel, Go Rachel!

Antes que pensem, eu gosto muito de Breaking Bad. No entanto, é exaustivo quando as pessoas só falam e elogiam esse tipo de programa, com protagonismo masculino, com o argumento de que é excelente e bem desenvolvido, mas nunca ouviram falar de UnREAL, que é tão maravilhoso quanto.

A intenção da série parece bem clara: mostrar todas as mentiras de um reality show, não é à toa que o nome é UnReal (Não Real). Ele mostra como essa indústria é perigosa pras próprias pessoas que participam dela, por tudo o que são obrigados a passar e por toda a competitividade fora e dentro das câmeras.

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O “bachelor” da primeira temporada Adam (Freddie Stroma)
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O “bachelor” da segunda temporada Darius Hill (B.J.Britt)

Aliás, o mais interessante do programa é justamente mostrar como a mídia cria fantasias românticas como se tudo fosse real, mas, na verdade, as pessoas do programa são bastante problemáticas, assim como qualquer outro ser humano, e vivem dentro de um sistema sedutor e destrutível, ao mesmo tempo.

Além disso, a relação das duas anti-heroínas, Rachel e Quinn, é muito questionável, pois elas são uma dupla dinâmica incrível, porém se atacam toda hora, se necessário. A Rachel tem vários problemas de saúde mental e uma mãe psicóloga que cuida dela, mas acaba piorando seu estado, enquanto a Quinn é uma pessoa que só pensa na audiência e em fazer o seu querido show, o melhor de todos, e nunca derrama uma lágrima sequer.

Ou seja, temos duas mulheres ambiciosas e excelentes exemplos de personagens femininas que vivem dramas, sem fazer drama, até porque, elas são obrigadas a esconder tudo, senão seriam presas em três segundos. E claro, não posso deixar de comentar que ambas tem relacionamentos amorosos péssimos, com homens, mas uma acaba sendo o suporte da outra e sempre dão a volta por cima dos ex, que também não são flor que se cheire.

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“Isso é o poder feminino.”

Em contra partida, temos outros persongens como Jay (Jeffrey Bowyer-Chapman) e Madison (Genevieve Buechner) que tem atitudes mais associáveis, mesmo fazendo besteiras, de vez em quando. Aliás, as próprias candidatas do falso reality são maravilhosas, porque cada uma tem uma história diferente e por mais que elas queiram ganhar o “prêmio”, elas não fazem ideia do que estão fazendo ali e questionam a produção do programa o tempo todo, além de terem medo do que pode acontecer com elas. É si por si, mas volta e meia algumas alianças são formadas, até algo quebrar essa união.

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Elenco da primeira temporada.

É importante frisar que essa narrativa é bem forte e mostra o pior do ser humano e da televisão, nos fazendo refletir e questionar sobre o que assistimos, sobre relacionamentos humanos e ambição profissional, e pior, como que vale tudo por audiência.

Sendo assim, eu recomendo essa série pra quem gosta de assuntos pesados e uma realidade nua e crua, cheia de reviravoltas, com personagens mulheres maravilhosas, algumas assustadoras, mas incríveis, e também porque cada temporada tem somente dez episódios de 40/50 minutos e a terceira temporada ainda vai começar.

BIBLIOGRAFIA

IMDB, UnREAL.2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3314218/&gt;. Acessado em: 29 de dez.

Tina Fey e o poderoso roteiro de Meninas Malvadas

Vamos deixar algo claro: eu, você, ela e a galera toda da década de 90/00 simplesmente amamos o filme Meninas Malvadas. Todo mundo ri, se identifica e, se deixar, ainda chora com algumas cenas, de tão associável com a nossa realidade no ensino médio.

No entanto, acredito que a maioria das pessoas avalie esse filme como uma comédia sem muita pretensão, a não ser entreter. Eu discordo dessa opinião e vou explicar meus motivos.

Em primeiríssimo lugar, o roteiro foi escrito por ninguém mais, ninguém menos, que Tina Fey, que teve como inspiração o livro Queen Bees & Wannabes de Rosalind Wiseman. Fey interpreta a professora Srta. Norbury, acusada de vender drogas no famoso livro/diário criado pelas populares, o “Burn Book”.

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Quem não morria de medo de aparecer nesse livro, hã?

Eu digo isso porque os trabalhos da Tina, normalmente, vem com muitas mensagens subliminares, digamos assim. Desde suas esquetes em Saturday Night Live (1997-2010) até sua última série Unbreakable Kimmy Schimdt (2015-16), seu humor é bastante sarcástico e sempre tem umas alfinetadas na sociedade, alfinetadas essas, muito bem vindas, por sinal.

Com isso em mente, pelo o que entendo de roteiro, acredito que ela teve claras intenções com o projeto e obteve sucesso com ele. Quando um roteirista inicia um filme, ele segue algumas regras “universais”, para conseguir vender seu trabalho, além de envolver paixão e propagar mensagens, aos quais chamamos de TEMA, no univervo cinematográfico.

O tema do longa-metragem é: escola, relações e amadurecimento.

Diferentemente do filme Patricinhas de Beverly Hills, por exemplo, o argumento de Fey além de enfatizar todos os estereótipos que criamos na época da escola, ele nos mostra o quão mal eles nos fazem, dentro e fora do colégio. Sem desmerecer Patricinhas de Beverly Hills, que também é um excelente filme, mas só querendo marcar um ponto, dizendo que o filme dos anos 90 realmente é um projeto despretencioso e que nos faz refletir de qualquer forma, mas o dos anos 2000 nos impulsiona a refletir o tempo todo, desde a entrada de Cady Heron (Lindsay Lohan) na escola até o acidente com nossa amada inimiga Regina George (Rachel Mcadams).

Além do tema, outra ferramenta utilizada pelos roteiristas são os diálogos e os diálogos de Meninas Malvadas são maravilhosos e tem muita coisa nas entrelinhas. O maior exemplo disso é a fala da professora:

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“Vocês tem que parar de chamar umas as outras de putas e vadias. Isso faz com que seja ok para os meninos chamá-las assim também.”

Você tem noção do quão poderoso essa frase é? É uma simples frase que vem carregada de tanta coisa, e claro, o roteiro não usa argumentos explícitos contra o machismo, mas está ali, embutido. Ela esta falando do machismo da nossa sociedade, que se inicia na infância e vai piorando na adolescência, fase em que nossa sociedade nos provoca a lutarmos umas com as outras, na maiorias das vezes, por homens dispensáveis.

Lembrando que o ódio a Regina George começou pela disputa entre o Aaron Samuels (Jonathan Bennet), certo? Os amigos de Cady tentam convencê-la de destruir a reputação de Regina, mas ela só aceita participar depois que a rainha da escola volta a namorar o Aaron.

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Ele é lindinho, mas homem nenhum vale uma disputa, certo?

Bom, vamos aos fatos: Regina George não é a melhor pessoa do mundo. Ela gosta de ser o centro das atenções, acha que o mundo gira em torno dela e magoa a Cady de propósito, no entanto, a história nos deixa a questão: será que vale a pena essa guerra toda entre meninas?

No final, tanta coisa ruim acontece e tudo por causa de um rapaz – claro que não é só o boy magia, mas, no roteiro, o ato que impulsiona a protagonista a tomar atitudes é ele – e a eterna disputa entre mulheres, quando na verdade, devíamos nos unir. Lembram da nossa amiga do bolo de arco-íris?

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“Eu queria poder fazer um bolo de arco-íris e sorrisos.”

Outro assunto relevante na trama é a polêmica do professor de educação física,Coach Carr (Dwayne Hill), que se relaciona com suas alunas adolescentes. Não é à toa que investigam a professora Norbury por tráfico de drogas, já que descobrem que a acusação ao professor era realmente verdade e é simplesmente muito errado um homem de mais de quarenta anos se envolver com alunas que são menores de idade. Uma das melhores cenas é ele correndo quando descobrem tudo, porque na hora do vamos ver, homem nenhum assume as responsabilidades dos atos criminosos né?

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Então…

Continuando, a personagem Lizzy Caplan (Janis Ian) é outro exemplo excelente na comédia. Ela é uma menina que foge completamente do padrão e, justamente por isso, é acusada de ser lésbica pela famosa queen be. Seria ótimo se ela fosse lésbica, mas não é o caso da personagem, ela simplesmente não se veste e não assume uma postura feminina e, infelizmente, isso é motivo o suficiente para as más linguas a atacarem. Mas ela é a melhor personagem e nós a amamos por todos os tabus que ela quebra.

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E esse terno maravilhoso, hã?

Aliás, o BFF (best friends forever) de Lizzy, Damian (Daniel Franzese), é assumidamente gay e o amamos também. Eu lembro que na minha época de colégio, infelizmente, quase não havia gays assumidos e o motivo é o mesmo de hoje em dia: homofobia. Atualmente as coisas estão mudando, aos poucos, mas só em vermos personagens incríveis como Damian, num filme de 2004, ficamos extremamente felizes pela representatividade, mesmo que não sendo a mais ideal.

Além disso, até a professora interpretada por Tina é um ótimo exemplo. Uma mulher na faixa dos 30/40 anos, divorciada e sem filhos, com mais de um emprego, é outra que sofre com os preconceitos da sociedade e, mesmo assim, é justamente quem apoia e inspira os alunos.

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“Porque eu sou uma incentivadora. Eu incentivo as pessoas.”

E não vamos nos esquecer da participação de Amy Poehler, como a mãe de Regina George, uma mulher descolada que deixa as filhas fazerem o que quiserem, mas também perdida no espaço, com tantas imposições as mulheres de não envelhecerem, serem mães e amigas, além de cuidar da casa, linda e jovem, e sabe-se lá mais o que. Eu sei que ela não é um exemplo de pessoa mas, todas as mulheres sofrem com imposições machistas, isso não podemos negar.

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Difícil, né?

E claro, a personagem que deixei pro final é Karen Smith, interpretada pela Amanda Seyfried. Ninguém a incentiva com suas ideias, sempre a lembram que ela não é considerada inteligente e ela mesma reproduz esse pensamento, e, pior ainda, é a quantidade de vezes que a chamam de “puta”. Na cena em que estão elegendo as meninas que vão disputar a rainha do baile de formatura, Regina diz que Karen nunca é escolhida, apesar de ser considerada bonita, porque ela fica com todos os meninos. E ai, lembram que não podemos ter muitos parceiros, senão somos isso ou aquilo?

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#machistasnãopassarão

Na época em que assisti ao filme, eu tinha apenas 13 anos e ele teve muita importância no meu crescimento pessoal, porque eu vivi de perto muitos dos problemas mostrados no longa e consegui compreender, com o passar do tempo, o que estava por trás de tudo.

Justamente por isso que acho que o roteiro tem muita lição de moral pra todas as jovens meninas e meninos também, sobre a tortura que o ensino fundamental/médio é e como podemos evitar isso, quebrando os ensinamentos conservadores e destrutivos e dando espaço ao respeito e à individualidade.

Peço desculpa aos fãs, caso eu tenha falado algo de que não gostaram ou se esqueci de mencionar alguma coisa importante. Eu amo esse filme e o defendo loucamente porque ele me influenciou bastante e acredito que ainda influencie muitos pré-adolescentes, como eu já fui um dia, e a resolução de tudo é que tem espaço pra todas as diferenças dentro e fora do colégio e está tudo bem. Não precisamos nos encaixar nos padrões, temos que abrir a mente para novas formas de crescimento e aprendizado como grupo e como pessoas individuais. O trabalho de Tina me ajudou muito nesse sentido e mesmo não sendo o filme com maior quebra de tabus possíveis, até porque todos os protagonistas são brancos, lindos e ricos, ele tem questões importantes e que valem a reflexão.

Por fim, em breve farei um texto sobre a carreira e os trabalhos da Tina Fey e contarei sobre o que aprendi lendo seu livro autobiográfico Bossypants e como as séries e filmes dela me inspiram como jovem roteirista. Até breve.

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Bibliografia

IMDB, Mean Girls, 2004. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt0377092/&gt;. Acesso em: 28 dez. 2016.

WIKIPEDIA, Mean Girls, 2004. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Mean_Girls&gt;. Acesso: 28 dez. 2016.

O protagonismo feminino no cinema nacional 2016.

O cinema nacional, de uns anos pra cá, tem ganho uma força monstruosa, e não só o conteúdo, quanto a qualidade técnica, estão cada vez mais impressionantes.

Nesse ano, tivemos muitos lançamentos, alguns já batidos mas que não deixam de ter um valor simbólico, outros que não se saíram tão bem e, claro, o que nos deixaram de queixo caído.

O ano de 2016 foi um ano de muita luta pela igualdade de gênero, dentro e fora das câmeras, uma luta que vem ocorrendo há anos e cada vez mais obtém força e sucesso. Com isso em mente, nesse texto eu gostaria de destacar seis produções cinematográficas com protagonismo feminino, seja na frente ou por trás das câmeras, pois valem a reflexão, a homenagem e o orgulho de quem aprecia a sétima arte brasileira, além de ser um pequeno avanço na luta pela igualdade entre homens e mulheres no meio audiovisual.

AQUARIUS

Sinopse: Clara (Sonia Braga) mora de frente para o mar no Aquarius, último prédio de estilo antigo da Av. Boa Viagem, no Recife. Jornalista aposentada e escritora, viúva com três filhos adultos e dona de um aconchegante apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento.”

O filme foi escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sonia Braga. Pra quem assistiu a outra realização do diretor, Som ao Redor (2012), notou semelhanças na estrutura narrativa e na direção do filme, o que deu ao longa um estilo bem autoral, e por sinal, igualmente ao trabalho anterior, mostra toda a beleza de Recife.

No entanto, quem rouba a cena, sem sombra de dúvidas, é Sonia Braga. Ela está um furacão de personagem, de carisma, de sensualidade, de interpretação, de tudo o que você puder imaginar. A personagem principal é a força de tudo na história! É incrível assistir à garra dessa mulher ao defender seu apartamento, que é e sempre foi, seu lar, além de vermos a fragilidade desta, com assuntos mais delicados como saúde e família.

Além disso, a atriz, aos 66 anos de idade, esbanja sensualidade e inclusive quebra um grande tabu com suas cenas de sexo, pois mulheres dessa faixa etária, aos olhos da sociedade machista, não são procuradas para esse tipo de papel, já que sexo após certa idade é visto como algo grotesco e não comercial, e claro, mulheres não podem envelhecer né?

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Sonia Braga divando aos 66 anos de idade.

O drama é incrível e foi muito bem construído e levou vários prêmios mundo afora, pela potência que foi. No entanto, é importante frisar que a trama foca no público de classe média alta, então, ao meu ver, tem alguns equívocos ao retratar certas mordomias dessa classe.

No geral, esse filme é tudo o que você já deve ter ouvido falar e um pouco mais. Aquarius deu e ainda vai dar muito orgulho ao cinema nacional.

AMORES URBANOS

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Poster do filme Amores Urbanos.

Sinopse: Amores Urbanos é uma comédia dramática que conta a história de três amigos que vivem no mesmo prédio, em São Paulo. Júlia, Diego e Micaela são jovens anti-heróis, que superam desventuras amorosas e profissionais com humor e muita personalidade.”

Escrito e dirigido por Vera Egito, Amores Urbanos rompe muitas barreiras no cinema brasileiro, pois é um filme com muita carga emocional e conta histórias de relacionamentos amorosos entre pessoas, independente da sexualidade, da forma mais honesta possível.

O longa se utiliza do multiprotagonismo e segue em torno da vida de três amigos Júlia (Maria Laura Nogueira), Micaela (Renata Gaspar) e Diego (Thiago Pethit) e suas vidas amorosas, bastante desastrosas, por sinal.

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Júlia (Maria Laura Nogueira), Micaela (Renata Gaspar) e Diego (Thiago Pethit).

Não há efeitos especiais, não há nenhum artíficio “blockbuster” que prenda a atenção do público, mas tem muita história pessoal dentro do roteiro e que qualquer um na faixa dos 25-35 anos consegue se identificar com as crises pessoais dos personagens.

Além disso, é incrível termos dois protagonistas assumidamente gays, Diego e Micaela, e seus relacionamentos serem mostrados pelo lado bom e também pelo ruim, como qualquer outra relação heterosexual.

No demais, apesar de ser um filme com um público alvo muito fechado, é interessante pela narrativa, pelos personagens, pelas dores vividas por eles e como os três amigos conseguem superar todas as dificuldades juntos. Acredito que seja um filme que retrata família no sentido de conexão e não de sangue e só por isso já é possível se emocionar com o longa-metragem.

ELIS

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Cartaz do filme Elis, com Andreia Horta.

Sinopse: A vida de Elis Regina – indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. A trendsetter cultural que sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB, a “pimentinha” ardente (brilhantemente interpretada por Andréia Horta), que viveu uma vida turbulenta. Ao mesmo tempo em que se chocava com a Ditadura Militar no Brasil, ela lutou com seus próprios demônios pessoais. “Elis”, o filme, está imbuído da alma da cantora e do país que ela amava.”

O filme tem a direção de Hugo Prata que também assina o roteiro, junto com Vera Egito e Luiz Bolognesi.

Estrelado por Andreia Horta, que brilhantemente encarna o papel da cantora Elis Regina, o longa segue uma narrativa clássica, e nos retrata muito bem as emoções de Elis com o passar do tempo, do começo de sua carreira ao sucesso, até sua despedida desse mundo.

Assim que assisti ao filme, fiz um texto comentando a falta de personagens femininos no roteiro, além da protagonista, Elis. Uma pessoa que com certeza faltou nesse longa foi Rita Lee, mas, infelizmente, não podemos mudar isso.

No entanto, não posso deixar de elogiar a performance de Andreia e dizer que Elis foi e sempre será um ícone para a música nacional. Toda sua história e seu talento me arrepiam só de pensar e o filme nos deixa arrepiado a todo o instante, tocando clásssicos da cantora, além de mostrar suas crises pessoais, às quais podemos nos indentificar humanamente.

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Andreia Horta como Elis Regina na cena em que Elis fala sobre a didatura militar numa entrevista internacional. “Sem querer ofender os gorilas, obviamente.”

No demais, apesar do erro de não dar voz às outras mulheres que fizeram parte dessa história, a personagem principal, seja por ser uma biografia ou não, dá um banho de presença em todos os homens em cena e nos encanta com tamanha potência, de voz e vida pessoal.

Se eu fui ao cinema apaixonada por Elis Regina, saí completamente encantada e admirada por tudo o que ela passou e conquistou. Esse filme vale a pena, não só pela boa produção, mas pelo nome que traz. Por Elis vale a homenagem e vamos torcer para que as próximas produções venham com mais protagonismo feminino e menos homens desnecessários à trama.

MÃE SÓ HÁ UMA

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Cartaz do filme Mãe só há uma.

Sinopse: Mãe só há uma é uma tragédia adolescente que confronta a idéia de família, de identidade, de cultura: Pierre, 17 anos, mora no interior de São Paulo com sua amorosa mãe Aracy e sua irmã Jaqueline. Vive uma vida louca até que a polícia aparece em sua casa com uma delicada suspeita. Joca, 13 anos, mora na capital de São Paulo com sua mãe ausente Gloria, seu delicado pai Matheus e sua empregada Marly. Um exame de sangue vai revelar o que havia oculto em sua família.”

Longa escrito e dirigido por Anna Muylaert, primeiro longa lançado após o sucesso de “A Que Horas Ela Volta (2015)”.

A história é baseada num acontecimento real, o famoso “Caso Pedrinho”. Eu era muito nova na época, mas lembro das notícias contando o caso do menino que foi sequestrado por um mulher, que até então assumiu o papel de mãe – e para ele, realmente foi a mãe dele – e 16 anos depois, a polícia o encontra e o leva para sua família biológica.

Apesar desse forte cunho para o lado do suspense, a diretora trabalha a trama de outra forma, bastante singular por sinal. A narrativa já começa com a separação de Pierre com sua mãe “adotiva” e o vemos lidar com a nova vida, além de lidar com sua identidade de gênero e sexualidade.

Pierre gosta de vestir roupas femininas, apesar de ser considerado do gênero masculino, e se relaciona tanto com meninas, quanto com meninos. O interessante disso tudo, é que na ficção criada pela diretora, o rapaz que, até então, poderia explorar seus gostos pessoais na vida que tinha, ao chegar no novo lar, sua sexualidade e rupturas de gênero não são aceitas, e por sinal, são o principal problema da boa relação nesse novo núcleo familiar.

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Don’t call me son (Não Me Chame de Filho), título do filme na versão em inglês.

Acredito que a maioria do público assistirá ao filme e poderá se decepcionar pelo o roteiro não focar na parte do sequestro e da revelação de tudo, mas irá se deliciar com essa narrativa única, de pertencimento e não pertecimento de um menino ao seu corpo, seu gênero, sua sexualidade e a sua mais nova família.

No demais, Anna Muylaert surpreende novamente e traz mais um orgulho para a cinematografia brasileira.

MATE-ME POR FAVOR

 

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Cartaz do filme com a atriz e protagonista Valentina Herszage.

Sinopse: Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Uma onda de assassinatos invade o bairro. O que começa como uma curiosidade mórbida se apodera cada vez mais da vida dos jovens habitantes. Entre eles, Bia, uma garota de 15 anos. Após um encontro com a morte, ela fará de tudo para ter a certeza de que está viva.”

Escrito e dirigido por Anita Rocha da Silveira, Mate-Me Por Favor é, na minha opinião, o filme do ano. Eu diria isso por razões que vão além de considerar um filme um sucesso ou não. O longa é uma mistura de suspense, com thriller, com alívios cômicos, e além de mostrar a vida pessoal de Bia (Valentina Herszage) e suas amigas, nos mostra como todas lidam com os assassinatos que vem ocorrendo na região em que moram, a Barra da Tijuca.

Esse longa-metragem rompe com tantas regras cinematográficas, mas de uma forma tão magnífica, que quase cria um novo gênero no cinema nacional. Não lembro de nenhum outro filme brasileiro que siga esse exemplo, talvez porque infelizmente não é fácil produzir filmes por aqui ou porque também não é fácil divulgar os filmes já realizados, mas nenhum me vem à cabeça e eu fiquei encantada com essa trama.

O filme não só nos dá agonia e receio por tudo o que está acontecendo com as mulheres assassinadas, nos remetendo ao medo que todas as mulheres têm no dia a dia, como ainda nos surpreende com cenas transcedentais e outras engradíssimas, como as sequências do culto Evangélico “Funkeiro”.

Clipe da música Sangue de Jesus, incluída no filme.

Aproveito para dizer que a trilha sonora está impecável e ela vai de músicas transcedentais até Claudinho e Buchecha. Preciso dizer mais alguma coisa para te convencer a assistir ao filme?

No demais, o longa-metragem consegue entreter, causar e nos fazer refletir sobre como é ser uma menina no mundo em que vivemos e como desde jovens, meninas enfretam medos que, infelizmente, as cercam pelo resto da vida.

PEQUENO SEGREDO

 

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Cartaz do filme Pequeno Segredo.

Sinopse: O longa-metragem de ficção, baseado na história real de Kat Schurmann e que também inspirou o best-seller homônimo de Heloísa Schurmann, revela a força do amor no destino de duas famílias. Ao adotar Kat, o casal Schurmann convive com a delicada escolha de manter ou não um segredo que vai além da adoção.

Dirigido por David Schurmann, Pequeno Segredo, da lista, é o filme que mais foge do ritmo dos outros. A trama começa um pouco perdida, ao tentar situar a história de duas famílias que estão conectadas e só com o desenrolar da história que iremos entender o porquê.

A produção está excelente, mas peca em algumas coisas como direção de atores, no entanto, do meio do filme até o fim, é impossível você desconectar seus olhos da tela. Estamos lidando diretamente com a dor de duas famílias, em proteger Kat (Mariana Goulart), não só do seu “segredo”, como da reação dos outros ao descobrirem esse segredo.

É baseado numa história real, aliás, o diretor do filme é irmão de Kat Schurmann , personagem principal, e fica nítido, a todo o tempo, o amor e carinho que Kat recebeu ao longo de sua vida, além de nos fazer lidar diretamente com tabus que nossa sociedade simplesmente tem medo de tocar.

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Capa do livro de Heloisa Schurmann, com a verdadeira Kat Schurmann.

Mistérios a parte, eu optei por não contar o segredo da protagonista porque é algo muito importante e simbólico para a narrativa e irá surpreender a qualquer um que não conheça a história, ou que conheça, mas verá, através da ficção, o que aconteceu na vida de todos os que estavam presentes na história.

INDICAÇÃO BÔNUS

JUSTIÇA

Apesar de ser uma minissérie, logo foge do tema que é voltado para o cinema, não posso deixar de comentar essa obra-prima criada por Manuela Dias.

Sinopse: A narrativa segue a história de quatro personagens, que no mesmo dia, são julgados e condenados a sentença de seus “crimes” e, a todo o instante, lidamos com a pergunta: “Justiça pra quem?”

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Vicente(Jesuíta Barbosa), Fátima (Adriana Esteves), Rose (Jéssica Ellen) e Maurício (Cauá Reymond).

Cada episódio segue o desenrolar da condenação de um dos protagonistas, mas todas as histórias estão interligadas entre si.

Caso Vicente Menezes

Vicente Menezes (Jesuíta Barbosa), possuído por ciúme e raiva, atira e mata sua noiva, covardemente, ao vê-la se relacionando com o ex. Ele pega cinco anos de cadeia e, ao sair, busca mais que tudo, o perdão de sua sogra, interpretada por Deborah Block.

Caso Fátima Libéria do Nascimento

A personagem Fátima, interpretada por Adriana Esteves, que está maravilhosa no papel, atira no cachorro do vizinho para proteger seu filho pequeno. Com raiva do ocorrido, o vizinho, Douglas (Enrique Díaz), que é policial, enterra drogas no terreno de Fátima e esta é condenada  por tráfico. Quando sai da cadeia, Fátima tem o sonho de reconstruir a família, mas o marido Waldir (Ângelo Antônio) já faleceu, seu filho Jesus (Bernardo Berruezo/Tobias Carrieres) se tornou morador de rua e a filha Mayara (Letícia Braga/Julia Dalavia) se prostitui.

Caso Rose Silva dos Santos

Comemorando ter passado no vestibular, numa festa na praia, Rose (Jéssica Ellen) é presa com drogas dos amigos, enquanto sua melhor amiga, Débora (Luisa Arraes), é liberada. Rose sai da cadeia sem ter para onde ir e busca por Débora, agora casada e com um grande ódio dentro de si. Débora conta a Rose sobre o dia em que foi estuprada e, assim, as duas decidem procurar o homem que a violentou e fazer justiça com as próprias mãos.

Caso Maurício de Oliveira

Maurício (Cauã Reymond) foi preso por eutanásia, após matar sua esposa Beatriz (Marjorie Estiano), uma bailarina que foi atropelada e ficou paraplégica. Ao sair da cadeia, Maurício planeja se vingar de Antenor (Antonio Calloni), que durante a fuga com o dinheiro roubado do sócio, atropelou sua esposa e não prestou socorro.

Essa minissérie nos faz questionar tantos problemas do nosso dia a dia, além de nos entreter a todo o instante, com histórias maravilhosas e muito bem desenvolvidas. Eu devorei essa minissérie e fiquei extremamente orgulhosa por saber que foi criada por uma mulher, Manuela Dias, e que foi lançada em canal aberto, pois este não é um espaço que aceite tanta quebra de tabus.

Recomendo o drama pois vivemos num mundo em que Justiça é algo extremamente questionável, pois esta, infelizmente, não é feita para todos. No entanto, podemos e devemos questionar o que deve ser feito para que finalmente todos possam ser tratados da mesma forma perante a lei.

Além disso, a trilha sonora da série está impecável, com músicas do Johnny Hooker, por exemplo.

Filmes de ação com protagonistas mulheres e a crítica às personagens que não são donzelas em perigo.

Em 2000, foi lançado o filme As Panteras, estrelando Cameron Diaz (Natalie), Drew Barrymore (Dylan) e Lucy Liu (Alex), interpretando as famosas espiãs de Charlie.

Eu lembro que na época, com apenas nove anos de idade, fiquei encantada com aquelas mulheres maravilhosas lutando ferozmente contra os vilões. Eu não conhecia a série original Charlie’s Angels e, até então, a referência que eu tinha de mulheres em filmes e, principalmente, em games, eram princesas frágeis esperando ser resgatadas.

Para uma menina como eu, foi uma quebra muito grande com o que eu consumia da mídia e fiquei apaixonada com tudo aquilo.

Trilha Sonora do filme com as Deusas do Destiny’s Child.

Hoje em dia minha visão é diferente. Eu concordo que há uma forte sexualização das personagens e uma necessidade forçada em mostrá-las semi-nuas o tempo todo. No entanto, elas continuam sendo uma referência pra mim, não só pela nostalgia, mas porque existem poucos filmes de ação com protagonistas mulheres que fizeram sucesso desse tamanho.

Além disso, eu lembro que na época ouvi várias retaliações ao filme dizendo o quão surreal eram aquelas personagens enfretarem tantos homens e que faltava veracidade na história. A primeira coisa que passava pela minha cabeça quando eu ouvia esses comentários era: “Tom Cruise faz a mesma coisa em Missão Impossível e ninguém reclama”.

A partir disso, fiz questão de hoje, em pleno 2016, ler críticas cinematográficas de alguns filmes de ação, com protagonistas mulheres, e outros, com protagonistas homens, realizados em épocas parecidas, e eis minha pequena análise.

Busquei a resenha dos três primeiros longas de ação, com personagens femininos, que eu lembrei: As Panteras (2000),  Mulher-Gato (2004) e Salt (2010).

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Angelina Jolie no papel de Evelyn Salt.

Antes de qualquer coisa, gostaria de lembrar que a maioria dos filmes de ação foge da realidade e usa e abusa de efeitos especiais para nos envolver na trama. Com isso em mente, deixei o roteiro de lado e foquei na crítica às atrizes.

A resenha do filme de Cameron, Drew e Lucy falava do exagero destas em exibirem seus corpos, das cenas de lutas surreais em que seus cabelos continuavam perfeitos, o quão engraçado eram mulheres frágeis enfrentando vários homens, e o pior de todos: “se ao menos tivesse cena com elas nuas, o filme se salvaria”.

Em Mulher-Gato a crítica falava do prêmio Framboesa de Ouro* que Halle Berry ganhou, de sua sensualidade e ainda teve quem se referiu a participação da atriz em X-Men, em que interpreta Tempestade, como sendo outro fracasso. Já a avaliação de Salt exaltava a todo o tempo a beleza e sensualidade de Angelina Jolie e que só isso valia o filme todo.

Em contra partida, as análises dos filmes Missão Impossível 2 (2000), A Identidade Bourne (2002) e Duro de Matar 4.0 (2007), protagonizados por Tom Cruise, Matt Damon e Bruce Willis, ressaltavam as cenas de lutas como sendo extraordinárias e convincentes, nos fazendo esquecer dos buracos no roteiro.

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Raio neles, Tempestade!

Das obras cinematográficas citadas, todas foram dirigidas por homens e, somente Mulher-Gato, teve a participação de uma mulher no desenvolvimento da história, segundo o site IMDB.

É importante enfatizar que: no cinema, quem tem autonomia sobre o projeto é o diretor e, na maioria dos casos, o roteirista está fora do trabalho após a entrega do último tratamento do roteiro. Ou seja, mesmo os filmes com protagonistas mulheres, são histórias de heroínas pela visão e direção de homens.

Eu sempre falo que é impossível a visão de mundo do roteirista, no caso de séries televisas, e do diretor, no caso de filmes, não interferir no projeto. Sendo assim, nossas protagonistas, hipersexualizadas, são retratadas dessa forma porque um homem assumiu o projeto e é assim que ele imagina heróis femininos em combate.

Infelizmente, não posso negar que As Panteras, Mulher-Gato e Salt têm muitos problemas na narrativa e fogem da realidade, mas isso se aplica à maioria dos filmes do gênero, incluindo os do senhor Tom Cruise que, até hoje, com 54 anos de idade, interpreta os mesmos papéis e ninguém parece preocupado com suas cenas de ação.

Protagonistas de realizações cinematográficas mais recentes, como Rey (Daisy Ridley) em Star Wars: O Despertar da Força (2015) e Imperator Furiosa (Charlize Theron) em Mad Max (2015), também recebem críticas machistas e sem cabimento às personagens, coisa que não acontece com os heróis masculinos.

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Por quê será?

Sendo assim, acredito que quando mulheres roteiristas e diretoras assumirem o comando de filmes de ação, aliás, de qualquer gênero, com protagonistas mulheres, essa hipersexualização diminuirá ou sumirá de vez, mas a fantasia e o exagero desse estilo cinematográfico provavelmente continuará o mesmo e não há problema algum nisso. Porém, criticar heroínas pelos problemas do gênero narrativo é, na verdade, mais uma forma de a sociedade praticar o machismo e misoginia, que já estamos cansadas de ver e ouvir falar.

Que venham mais histórias protagonizadas por mulheres que lutam e acabam com os inimigos e menos machismo dentro e fora da ficção.

*Prêmio Framboesa de Ouro: é o prêmio americano, criado como uma paródia ao Oscar, dado aos piores filmes, atores, diretores, etc, do ano.

Bibliografia

IMDB, Mulher-Gato (2004). Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt0327554/fullcredits?ref_=tt_ov_wr#writers&gt;.

O poder que as histórias têm na formação do caráter humano

E por que isso tem tudo a ver com feminismo.

O machismo se manifesta de diversas formas. Pode ser no Masterchef contra a Dayse, ou nas publicações da mídia contra as famosas. Nesse ano, por exemplo, vários tabloides divulgaram que Jennifer Aniston estava grávida. Afinal, “já passou da idade, não é mesmo?”

Não, não é.

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Já na infância somos apresentados aos estereótipos de gênero. Uma das formas que isso acontece é por meio das histórias que nos contam. Quando ainda não sabemos demonstrar vontades, somos expostos a uma variedade de informações que, com o tempo, agem como blocos na construção da nossa personalidade e caráter.

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A que histórias vocês foram apresentados quando eram crianças?

Por exemplo, o vídeo da menininha que viralizou nas redes sociais, em que ela pergunta à mãe por que as roupas das meninas dizem que elas devem ser bonitas, e as dos meninos dizem que eles devem ser aventureiros, é análogo ao que estou dizendo sobre essa exposição a histórias durante a infância.

Quero dizer, ela diz “Hey!”, escrito em uma das blusas, “O que isso ao menos significa? Que mensagem isso passa?”, e compara com a frase na blusa masculina “Pense fora da caixa” que, evidentemente, diz alguma coisa.

Juro que pensei em falar sobre o ensino das crianças nesse texto. Mas aí vi que talvez eu também tivesse me esquecido o quanto é importante educarmos as adultas e os adultos. Gente, é só pararmos um pouquinho para ler os comentários das notícias, como a que Buenos Aires permitiu multa aos homens que praticarem assédio nas ruas contra as mulheres. Essa atitude do governo é ótima? É. Mas, há cada “opinião” por aí que assusta.

Vejamos alguns exemplos:

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O primeiro comentário começou mal ao dizer “não concordo com algumas bizarrices do feminismo”. Fico aqui pensando o que ele acha de tão bizarro: direitos iguais?

Então eu penso: o que aconteceu na vida dessas pessoas que as tornou assim? Quais foram os fatores ao longo do crescimento delas que impediu o surgimento da ideia de sermos iguais?

Eu admiro muito o poder da literatura e entendo que nem todos tiveram as mesmas oportunidades e privilégios que pude acessar ao longo da minha vida, mas não estou nem querendo dizer sobre o poder de compra no caso de livros. Estou falando sobre as histórias que ouvimos de forma geral. No meu caso, a literatura desempenhou bem essa função humanista na minha formação. Mas, e as pessoas machistas? Que histórias elas ouviam quando eram pequenas?

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Um exemplo para embasar o que estou dizendo é uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI), intitulada Influência das estórias infantis na formação dos papéis de gênero.

Os pesquisadores fizeram uma seleção aleatória de 10 livros infantis e descobriram que 72,7% dos autores eram do sexo feminino. No entanto, entre os ilustradores, as mulheres eram apenas 40%. Diante disso, para a maior parte dos personagens ilustrados correspondentes ao gênero feminino, foram atribuídas as seguintes características: gorda, baixa, feia, idosa e fraca. Por outro lado, a maior parte dos personagens ilustrados do gênero masculino receberam características como: alto, magro, bonito, jovem e forte.

“Com relação aos valores humanos associados a cada gênero observou-se que nas estórias estudadas as características relacionadas ao gênero feminino foram, paciência/tolerância, solidariedade, proteção, medo, emotividade e aspectos comumente atribuídos à imagem da mulher como um ser bondoso e frágil, porém que protege maternalmente”. (Lembra daquilo que falei sobre a Jennifer Aniston? Então.)

As atitudes precisam ser mudadas hoje

Para entender melhor nossa realidade, conferi alguns dados que mostram, em números, a presença do machismo que todas e todos nós sabemos que existe. Dê só uma olhada:

Na última quarta-feira, 7 de dezembro, o Instituto Avon e o Instituto Locomotiva lançaram a pesquisa “O papel do homem na desconstrução do machismo“.

“Mas cabe apenas às mulheres desconstruir essa cultura? Se todos nascemos, crescemos e vivemos imersos nela, não seríamos todos responsáveis por acabar com ela? E os homens, de que forma podem contribuir nesse processo?” – trecho do editorial da pesquisa O papel do homem na desconstrução do machismo.

Assim que vi essa pesquisa me lembrei do movimento HeForShe da ONU. Em outras palavras, nós, mulheres, não estamos sozinhas. Os homens também devem ser feministas e prezar pelo respeito a todos e pela igualdade de gênero.

Enquanto quase 90% dos entrevistados reconhecem a existência da desigualdade entre homens e mulheres na sociedade brasileira, apenas 59% acreditam que todas as mulheres devam ser respeitadas, não importando sua aparência ou seu comportamento.

Ou seja, gente, aproximadamente 40% acham que a aparência e o comportamento são fatores que importam para uma mulher ser ou não ser respeitada.

A pesquisa também mostra que a questão racial precisa ser levada em conta, pois também quase 90% dos entrevistados acreditam que as mulheres negras sofrem ainda mais preconceito do que as mulheres brancas.

É assustador quando vemos que 61% consideram que a mulher que se deixou fotografar também tem culpa quando um homem compartilha suas imagens íntimas sem a sua autorização. E vemos o quanto é necessário falar sobre o feminismo quando 55% acreditam que este movimento é o contrário de machismo.

Não! Feminismo defende a igualdade, não privilégios ou superioridade.

Há uma parte da pesquisa que diz o seguinte:

“A maioria enxerga que o mais importante a fazer é oferecer aos filhos uma educação na qual se ensine a respeitar as mulheres e só depois pensa em rever seu próprio comportamento. E, questionados sobre esteriótipos de gênero, mostram que, muitas vezes, não querem quebrar velhos paradigmas da desigualdade” (Instituto Avon/Locomotiva, p.14, 2016).

Entre as formas de se combater o machismo, os homens elegeram o ensino das crianças como a principal. Bacana, né? Mas, por outro lado, me chamou atenção que 43% dos homens acham que “pega mal” reclamar em um grupo de WhatsApp quando alguém compartilha fotos de mulheres nuas. Ou seja, na infância faz sentido incentivar a mudar mas quando adulto não vale o esforço.


Não é à toa eu pensar da forma como penso hoje. Está inclusive comprovado que ler Harry Potter é uma forma de estimular as leitoras e os leitores a lutarem contra o preconceito em suas mais variadas formas. A quebra de esteriótipos, pensamentos e atitudes machistas pode acontecer a partir do momento que nós falamos sobre isso. Para uns, isso é óbvio. Mas não vamos nos esquecer de que as crianças não são as únicas que precisam ser alertadas. Elas vão ouvir histórias. Se não forem contadas pelos pais, serão por outras pessoas. E essas histórias vão fazer com que elas se tornem alguém que acredita na igualdade, ou alguém que não consegue enxergá-la.

Vamos mudar isso? Vamos contar novas histórias para as adultas e os adultos?

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Bibliografia

INSTITUTO AVON, O papel do homem na desconstrução do machismo. Disponível em: <http://fsb.imcgrupo.com/>. Acesso em: 10 dez. 2016.

O GLOBO, Buenos Aires aprova multa para quem cantar mulheres na rua. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/>. Acesso em: 10 dez. 2016

SILVA, F. P. ; SOUZA, A. B. L. ; FERREIRA, R. S. ; ARAÚJO, L. F. . Representações Sociais Influência das estórias infantis na formação dos papéis de gênero, 2010 <http://www.abrapso.org.br/>. Acesso em: 10 dez. 2016