Jane, A Virgem: o dramalhão mais divertido da atualidade

Sabe aquela série que você assiste o primeiro episódio e acha meio “bleh”? Então, eu assisti  Jane, The Virgin e não me apaixonei, no entanto, por uma sorte muito grande, recentemente eu insisti nessa série e finalmente DEU MATCH!

t4uq5i5g9lom
Cartaz da série.

SINOPSE: Jane é uma jovem religiosa que trabalha como garçonete em um hotel em Miami e tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua médica acidentalmente faz uma inseminação artificial nela. Agora, Jane precisa tomar a maior decisão de sua vida.

O piloto da série não me convence tanto porque fazer inseminação artificial na paciente errada é um erro médico gravíssimo e uma clínica série nunca faria isso. Porém, depois de conhecer melhor a médica que comete o erro e entender que esse acidente foi só o impulso da série, eu ignorei esse detalhe e fui me encantar com tamanha criatividade e diversidade numa série americana.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que essa série é uma adaptação da telenovela venezuelana Juana, la virgen (2002). Eu não acompanhei a novela, mas a série é bastante fiel aos clichês de novelas, o que dá um charme ao programa.

gina-rodriguez-never-had-sex-jane-the-virgin
“Mas eu nunca fiz sexo!”

1) Representatividade Latina

Pra quem está acompanhando o que tem acontecido em Hollywood sabe que muitas celebridades estão falando abertamente sobre os abusos, machismo e a falta de punição aos opressores. Além disso, existem outras reivindicações, como uma maior diversidade na frente e por trás das câmeras.

Ou seja, ninguém aguenta mais ver macho hetero branco sendo protagonista porque o mundo vai além de macho branco. Sendo assim, uma maior diversidade seria dar protagonismo as mulheres, aos negros, personagens LGBTQ e de outras nacionalidades, por exemplo.

Com isso, acredito que a série Jane, A Virgem teve êxito nesse quesito, pois a protagonista é uma jovem mulher, interpretada pela atriz Gina Rodriguez, que vive com sua mãe e sua avó, é descendente de venezuelanos e todas falam espanhol. Aliás, a avó só fala a língua espanhola e nada de inglês.

201501-dyan-tv-column-4-gif-04
Aleluia mesmo!

2) Além dos esteriótipos

Para quem está acostumado com novelas sabe que esse tipo de narrativa usa e abusa de esteriótipos e isso é cansativo. Apesar de Jane, The Virgin ser carregado de esteriótipos, a trama usa isso como artifício de humor e, em alguns casos, para nos fazer refletir.

Por exemplo, a Alba (Ivonne Coll), avó de Jane, entrou ilegalmente nos EUA e ela teme que o governo descubra e a deporte. No entanto, o público se encanta com a “abuela” e a gente começa a entender o lado humano e toda vez que ela corre o risco de ser deportada, a gente sofre junto com ela e torce para que isso não aconteça.

jtv_ch8_alba_1
Sim, sim, é amor por você Alba.

Além disso, Alba é uma mulher absurdamente religiosa e foi justamente ela quem convenceu Jane a se casar virgem. Porém, ao mesmo tempo em que é bastante conservadora, ela quebra tabus quando se trata de amor e família, pois sua filha e mãe de Jane, Xiomara (Andrea Navedo), engravidou aos dezesseis anos de idade e criou a filha sozinha com a ajuda da mãe.  Eu não resisto quando tem um núcleo de família em que mãe, filha e neta são super próximas e o porto seguro uma da outra.

giphy (1)
Suas lindas!

3) Mulheres independentes

Falando na Xiomara, a história dela é muito interessante também. Ela engravidou muito nova, contou ao rapaz e ele pediu que ela fizesse um aborto, só que ela seguiu o caminho oposto e criou sua filha sem ajuda nenhuma do pai.

Ademais, ela é aquele mulherão que conquista os homens e ela aproveita isso bastante. Ao longo dos anos, Xiomara se relacionou com vários homens e teve poucos relacionamentos sérios, por escolha própria. Numa sociedade tão conservadora quanto a nossa, essa personagem seria bem crucificada, mas o que a gente vê é uma mãe religiosa que apesar de criticar a filha, nunca a abandonou.

E claro, não posso me esquecer que o sonho de Xiomara é ser uma cantora famosa, mas como ela teve filha muito cedo acabou deixando este sonho de lado. No entanto, agora que sua filha já está crescida, ela continua atrás do seu sonho e a gente sofre com as rejeições que ela tem por ser uma mulher mais velha e torce para que ela tenha seu momento de brilhar.

giphy (2)
Você mesma, Xiomara!

Continuando a listinha, a própria protagonista é um ótimo exemplo de mulher independente. Ela acabou de se formar, não aceita os vacilos dos homens ao seu redor, mesmo quando está mega apaixonada, investe no seu sonho de ser escritora, optou por continuar virgem até o casamento – eu acho isso ótimo porque assim como a mulher tem o direito de transar quando achar que deva, ela também pode fazer essa escolha de se resguardar, cabe a cada mulher (homem também) decidir a hora certa de perder a virgindade – e segue adiante enfrentando tudo o que vem pela frente.

Ainda, aproveito para fazer propaganda da atriz que interpreta Jane, a Gina Rodriguez. Ela luta bastante pela boa representatividade da cultura latina no audiovisual norte-americano, que insistiu por anos em usar esteriótipos ofensivos e repetitivos e agora está dando voz a várias culturas que merecem esse espaço.

tumblr_ni1k0bgyfy1s6z4zdo3_500
“Esse prêmio vai além de mim. Ele representa uma cultura que quer se ver como heróis.”

Para não falar de todas as personagens mulheres que existem na série, vou terminar a listinha com a Petra Solano (Yael Grobglas).

A Petra é a vilã e rival de Jane, sim ela é um estereótipo que eu particularmente detesto, pois faz de tudo para manter seu homem e ter dinheiro. Entretanto, há algo que eu gosto bastante nessa personagem que é o passado dela e os relacionamentos abusivos que ela vive e como é IMPORTANTE debater isso.

Não irei adentrar na história dela porque seria um baita spoiler, mas direi o seguinte: ela se envolve com homens muito agressivos e vive relacionamentos absurdamente abusivos e, mesmo sendo a vilã da história, a gente sente a dor dela na pele quando ela passa por algum tipo de agressão física ou verbal. A verdade é que homem NENHUM tem o direito de encostar o dedo em alguma mulher de forma violenta ou sem a autorização dela e, independente de ser amiga ou não da mulher em questão, sempre a defenderei de homens machistas que merecem estar na cadeia.

giphy (3)
Feminismo sempre!

4) Representatividade LGBTQ

Apesar de não ter muitos personagens LGBTQ, ao menos não na primeira temporada, o casal Rose (Bridget Regan) e Luisa (Yara Martinez) foge de muitos esteriótipos que estamos acostumados a ver sobre lésbicas.

A história delas é tão louca quanto a do casal protagonista, mas não existe homofobia ou queerbaiting*. Rose é casado com o pai de Luisa, porém elas se envolveram antes de saber desse detalhe e acabaram se apaixonando de verdade.

É difícil falar desse casal sem dar spoiler, no entanto, o que eu acho legal é ver duas mulheres lindas que realmente se apaixonaram uma pela outra e tentam viver essa paixão de alguma forma. Como nenhum casal é normal nessa série, acho mega válida a história delas e AMO todas as cenas em que elas aparecem juntas!

Rose-jane-the-virgin-37722173-500-230
Rose e Luisa.

5) Os homens da série

É complicado falar de macho sem se decepcionar, ainda mais com tudo o que tem acontecido em Hollywood, todavia, eu gostaria de dar destaque a alguns personagens masculinos.

Vamos começar pelo Michael Cordero Jr. (Brett Dier).

tumblr_nog0cqUnsD1qe40x5o1_500.gif
Michael e Jane.

Ele é um policial, todo certinho, completamente apaixonado pela namorada, que é a Jane e, o que eu acho mais incrível, é que eventualmente ele aceita o fato de que Jane decidi continuar com a gravidez – mesmo tendo sido um erro médico e não sendo filho dele – e ele não age de forma agressiva com ela, como muitos homens agiriam no lugar dele.

Sim, esse personagem comete erros e faz umas machices que cansam, mas ele nunca usa a força física para se impor ou tentar diminuir Jane ou as mulheres a sua volta e, por isso, eu tenho que parabenizá-lo. No mundo em que vivemos, o que eu mais vejo são personagens masculinos, policiais ou não, absurdamente agressivos e grosseiros e ver um que foge desse padrão me deixa contente.

Como ainda estou na primeira temporada, não sei se há alguma mudança brusca no comportamento dele, mas até agora eu gosto bastante da forma como ele age e acho fofo o quanto ele é apaixonado pela Jane.

Agora, vamos ao Rafael Solano.

giphy (4)
Rafael Solano

O maior playboy, filhinho de papai, mas que durante sua jornada na trama tem uma evolução de caráter muito grande. Digamos que ele era o típico Joey e Barney (só que bonito) e isso desanima bastante, porém ele tem câncer e descobre que somente poderá ter filhos com a amostra de esperma que foi acidentalmente inseminado na Jane, ao invés de sua namorada.

A temporada vai seguindo e ele passa a enxergar Jane de um jeito diferente, se apaixonando e se transformando num cara determinado a esperar pelo casamento para finalmente transar com ela, ser pai e constituir uma família.

Acontece muita coisa doida na vida dele, então é possível entender alguns surtos que ele tem, mas eu gosto do jeito que ele vai amadurecendo e melhorando na narrativa.

Por último, o personagem masculino que mais me diverte, Rogelio de La Vega (Jaime Camil).

Rogelio-From-Jane-Virgin-GIFs
Sou eu mesmo.

Rogelio é um ator famoso de telenovelas que só fez sucesso depois dos trinta e nove anos, absurdamente dramático e pai biológico de Jane. Na época, ele não ficou sabendo que Xiomara continuou com a gravidez e só soube da existência de sua filha quando ela já tinha vinte e três anos de idade. Assim, ele decide recuperar o tempo perdido e dá uma de “paizão”.

Apesar do desastre que ele é, fazendo tudo de uma forma épica e exagerada, eu acho muito fofo o jeito que ele se encanta pela filha e como se esforça pra recuperar o tempo perdido. Além disso, ele acaba se apaixonando de novo pela Xiomara e eu AMO o casal Xiomara e Rogelio. É o núcleo mais divertido da série e pra quem gosta de “draminha”, vulgo mimimi, vai se divertir horrores com eles dois.

E claro, por fim, quem interpreta a mãe do Rogelio é a atriz Rita Moreno, a “abuela” de One Day at a Time, deusa, maravilhosa, mais amada do Netflix, que eu falo no meu post anterior.

tumblr_o8iqhox3Ix1ukt1i2o3_400
Rogelio e Xiomara.

Sendo assim, assistam a série e não julguem sem pelo menos assistir a primeira temporada, pois Jane, The Virgin é uma série de comédia incrível!

4685f8370adb1e06b786e6136984f93d--jane-the-virgin-cast-tv-series
Elenco principal da série.

*queerbaiting – uma estratégia midiática utilizada na indústria do entretenimento para atrair o público que foge do padrão da cis-heteronormatividade. Ele se concretiza quando há alguma espécie de tensão sexual ou romântica entre personagens do mesmo gênero, tendo o intuito de tornar a produção representativa, mas sem desagradar a parcela conservadora da audiência.

Anúncios

Steven Universe e Star vs As forças do mal: os desenhos animados que você TEM que assistir

Bom, faz um tempo que não escrevo aqui no site, pois estou na reta final da minha Pós-Graduação e tive que me ausentar.

No entanto, como eu faço Pós-Graduação em Roteiro para Cinema e Televisão e meu trabalho de conclusão é uma série de comédia teen voltada para o público LGBTQ, eu tenho assistido e investido muito em conteúdos parecidos para usar como referências no meu trabalho.

Sendo assim, eu vim aqui falar de duas animações televisivas que me encantaram e merecem demais a nossa atenção, justamente por abordar assuntos delicados de uma forma tão sensível e divertida: Steven Universe e Star vs As forças do mal.

1) Steven Universe

steven-universe-key-art_7755
Cartaz do desenho animado “Steven Universe”.

Steven Universo (Steven Universe) narra a trajetória de Steven, um menino de doze anos, metade humano e metade Gem, que vai morar com as outras Gems: Pérola, Garnet e Ametista.

As Gems são criaturas de outro planeta que resolveram ficar e proteger o planeta Terra, influenciadas pela Rose, mãe de Steven. No entanto, Rose se envolve com Greg Universe, um humano da cidade fictícia Beach City, e eles têm um filho. Para que o filho possa viver, Rose tem de abrir mão da sua forma humanóide.

Assim, vemos como Steven lida com o fato de nunca ter conhecido sua mãe, além de aprender como controlar seus poderes e o que é ser humano.

E por quê essa história é incrível?

Primeiro por um motivo MUITO maravilhoso: o desenho foi criado por Rebecca Sugar e é a primeira animação do canal Cartoon Network desenvolvido por uma mulher.

É bizarro pensar que já estamos em 2017 e somente uma mulher teve a oportunidade de produzir uma animação no canal. Como eu já relatei em outros textos, infelizmente essa área ainda é muito dominada pelos homens, mas é justamente por isso que temos que parabenizar e valorizar o trabalho de mulheres como a Rebecca.

maxresdefault
Rebecca Sugar, criadora de “Steven Universe”.

Eu poderia ficar horas falando da Rebecca porque ela é animadora*, compositora, roteirista, diretora, maravilhosa, ela é GIRL POWER total. No entanto, eu vou focar no desenho, pois foi por isso que vim escrever.Como falar dessa animação que tem cinco temporadas e já ganhou meu coração? (Saudades dos depoimentos do velho Orkut*).

Antes de tudo, preciso dizer que apesar de ser uma animação voltada para crianças, a trama do programa é muito complexa e seria quase impossível explicar os detalhes sem dar spoiler* ou confundir vocês. Então, eu vou abordar somente alguns dos fatores que fazem o desenho ser maravilhoso.

200-8
Uma imagem vale mais que mil palavras, não?

Logo no piloto* da série a gente fica sabendo que a mãe do Steven não está mais entre nós e que ele vai morar com as outras Gems. Ou seja, é uma criança/adolescente de doze anos que tem que lidar com a perda da mãe.Até então, como ele não a conheceu não há uma dor muito profunda, mas como as outras Gems e o pai do menino sempre falam da Rose (mãe de Steven), volta e meia ele faz perguntas para entender o porquê ela deixou tanta saudade e por que ele não pode conhecê-la.

Além disso, a história de cada Gem é encantadora e muito particular. Seria bem difícil explicar os motivos pelos quais elas são maravilhosas, mas tentarei resumir as qualidades das personagens: Pérola, Garnet e Ametista.

A) Pérola

200
“Os humanos acham maneiras incríveis para gastar o tempo deles.”

A Pérola é a mais “certinha” do grupo e como ela é uma gem, ela não entende muitas coisas que os seres humanos fazem. Por exemplo, as gems não precisam de alimentos, então ela não compreende como que os humanos comem o tempo todo. Aposto que se ela provasse um açaí com granola e mel mudaria de ideia. Ainda, existem várias Gems que também são Pérolas, elas literalmente tem a mesma forma física e função no planeta Gem, mas foi com a Rose e no planeta Terra que a Pérola se sentiu única e por isso ela não a esquece de jeito nenhum. Mesmo que ela ame o Steven, como ele assumiu o lugar da mãe na Terra, a Pérola sente muita falta da Rose e de vez em quando tem umas crises existenciais bastante humanas, por sinal.

Eu amo essa personagem de todas as formas, até porque é com ela que eu me identifico mais. Essa entrega pelos outros, sua solidão e angústia, além da saudade que sempre a faz chorar por quem já se foi é explorada de um jeito lindo e muito poético.

B) Garnet

200w
Garnet.

A Garnet é literalmente puro amor. Como não quero dar spoiler não vou falar muito da narrativa dela, mas preciso dizer que é uma história muito especial e digna de conto de fadas da era moderna. Quando eu disse que ela é puro amor foi porque ela mesma fala que é feita de amor e a gente aprende bastante sobre respeito, amor e relacionamento com essa personagem. Aliás, o que é mais legal nela é que o amor que ela tanta fala é um sentimento que não vê cores, gênero ou sexualidade, é o amor da forma mais pura e honesta possível. Não é à toa que tem um episódio que a personagem canta uma música sobre o tema, chamada “Stronger than you (Mais forte que você)”.

No Estados Unidos é a cantora Estelle que dá voz pra personagem e suas lindas canções.

C) Ametista

200-2
Ametista e suas dancinhas maravilhosas.

A Ametista tem um passado distinto das outras, o que a faz se sentir diferente e um pouco “excluída” do grupo. Porém, com o passar das temporadas ela vai deixando o jeito “rebelde” de ser e a gente começa entender o porquê ela tem dificuldades em se abrir com os outros. Eu adoro a Ametista porque ela é o oposto da Pérola. Ela não precisa comer e come o tempo todo, ela não segue regras e adora se divertir com o Steven. É muito legal ver essa diferença das personagens que se completam de alguma forma.

Falando em se completar, Steven Universe fala muito de conexão. As Gems podem fazer fusões, ou seja, elas podem se unir com duas ou mais gems e virar uma só. No entanto, essa união tem que fazer sentido e as intenções têm que ser boas, senão elas sofrem demais e ficam mal após a fusão.

7_Opal
Opal, fusão da Pérola e Ametista.

Eu aconselho essa história porque mesmo sendo um desenho animado ela lida com assuntos delicados de uma forma extraordinária. A trama fala de perdas, relacionamentos (independente do gênero e sexualidade), amizades, amadurecimento, entre muitos outros assuntos e tanto um adulto quanto uma criança podem ver e se identificar. Tem muito mais coisas que eu poderia dizer, como a lindinha da Connie e sua amizade com o Steven, a relação do Steven com o pai hippie, mas eu fiz esse post só pra te provocar e quando você souber todos os mínimos detalhes a gente fofoca a respeito.

2) Star vs As forças do mal

VjkY2GjFBfY.market_maxres
Cartaz do desenho “Star vs As forças do mal”

A animação conta a história de Star Butterfly, uma princesa da dimensão mágina de Mewni que ao completar catorze anos ganha de seus pais uma poderosa varinha mágica, além de um livro de magias que contém todos os feitiços criados pelas antigas proprietárias da varinha.

No entanto, Star é péssima em usar sua varinha e seus pais a mandam para o Planeta Terra, onde ela deverá aprender a controlar seus poderes mágicos e ter responsabilidade.

Na Terra, ela fica hospedada na casa de Marcos Díaz, um descendente de mexicanos extremamente certinho e nerd. Juntos, eles lutam contra monstros que tentam a todo custo roubar a preciosa varinha e aprendem lições valiosas sobre amizade e responsabilidade.

Apesar de ser a narrativa de uma princesa e manter o tom de conto de fadas, o humor do programa é bastante ousado e as aventuras que Star vive são hilárias e a ensinam bastante sobre amadurecer e exercer o papel de futura rainha. Aliás, a própria Star é um “desastre” de princesa e é isso que a torna tão especial.

200-6
Star Butterfly, a princesa desastre.

Além disso, a amizade entre Star e Marcos foge de qualquer conto de princesas e mostra que é possível meninos e meninas serem melhores amigos sem segundas intenções. Eu adoro desenhos e filmes que abordam a amizade entre uma garota e um garoto de uma forma positiva, sem necessariamente eles terem que virar um casal no final.

Eu tenho muitos amigos homens e sempre me incomodou o fato das pessoas acharem que eu tinha algo romântico com eles ou vice-versa. Isso é uma besteira! Claro que poderia ser o caso, mas não era. Homens e mulheres podem e devem ser amigos e a gente tem que parar de achar que essa amizade não existe, ela existe SIM e Star e Marcos são a prova disso.

Tem muita gente que chipa* esse casal, mas até onde eu vi do programa eles são só amigos e eu AMO esse fato. O próprio Marcos tem uma crush* pela Jackie Lynn e a Star sempre o incentiva a puxar papo com Jackie e investir nessa história de amor.

Inclusive, tem um episódio em que Star e Marcos vão num show da banda preferida dela e eles cantam a música “Just Friends (Apenas Amigos)”. Eu ia dar um mega spoiler desse momento, mas não farei isso. Porém, não posso deixar de mencionar que essa cena foi a primeira cena de um desenho animado da Disney Television Animation que mostrou um beijo de um casal homossexual e isso é LINDO!

3738003616-disney-exibe-primeiro-beijo-gay-em-desenho-animado-reproducao-e1488371572704
Casal de homens se beijando em “Star vs As forças do mal”. MUITO AMOR POR ESSA CENA!

Ademais, um grande ponto do programa é a diversidade e a quebra de padrões. O Marcos é um descendente de mexicano nerd, a Star é uma princesa muito doida e que se mete em confusão, sua melhor amiga é um Pônei Colorido sem corpo, um dos vilões adota algumas “crianças” e vira pai solteiro, etc. Quer mais o quê pra eu te convencer que esse programa é único e maravilhoso?

200-7
Star e Pony Head te seduzindo pra assistir o programa.

Sendo assim, só posso dizer que essas duas animações me surpreenderam de uma maneira surreal. Eu já chorei em vários episódios do Steven Universe porque me emociona demais as histórias dos personagens e como eles lidam com suas perdas e ganhos. Já em Star vs As forças do mal, eu me divirto horrores com essa princesa maluca e me encanto com o fato de que ela é uma princesa, porém é dona de si, forte, comete erros e também acertos, se apaixona, mas não fica chorando por nenhum menino e aprende lições valiosas em cada episódio do programa.

VAI LOGO ASSISTIR ESSAS MARAVILHAS!

hqdefault
Steven e Star Butterfly.

*animadora: uma pessoa que trabalha com desenho animado.

*orkut: antiga rede social que fez muito sucesso entre os brasileiros.

*spoiler: é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo.

*piloto: é o nome dado ao primeiro episódio de uma série televisiva.

*crush: alguém por quem temos uma queda ou paixonite.

*chipar: quando você torce que uma pessoa forme par com outra, ou seja, que eles formem um casal.

Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade

Quem acompanha, anualmente, a premiação do Oscar deve-se lembrar de que, no ano passado, ocorreu uma grande revolta por parte de famosos e do público devido às indicações.

No ano de 2016, somente atores, atrizes e diretores brancos foram indicados nestas categorias, o que foi suficiente para mostrar a falta de diversidade fora e dentro das telas. Com isso, muitas pessoas do mercado audiovisual americano, assim como os fãs, utilizaram a hashtag #OscarSoWhite, como forma de protesto, além de que alguns famosos se recusaram a comparecer na premiação.

Oscar nominees are shown in this combination of file photos
Esses foram os artistas indicados nas categorias de Melhor Ator e Atriz e Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em 2016.

Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, eu acredito que esse movimento foi de extrema importância para questionar a supremacia branca no maior prêmio cinematográfico de Hollywood.

Por meio dessa polêmica, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas*Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra a assumir o cargo, disse, ainda no ano de 2016, que “o conselho iria se comprometer a duplicar o número de mulheres e membros diversos da Academia até 2020”. Desde então, eles começaram a convidar novos membros, como por exemplo, a diretora brasileira Anna Muylaert.

cheryl-boone-isaacs
Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Com isso em mente, aproveitando que a lista dos indicados foi divulgada nessa semana, no dia 24/01, farei uma breve análise sobre os recordes deste ano, mas também mostrarei que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade e diversidade necessária neste meio.

1) Pontos Positivos:

Em primeiro lugar, vamos falar da Diva Viola Davis, que teve sua terceira nomeação, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme Cercas (2016). A atriz já havia concorrido por Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011) e, assim, se tornou a primeira atriz negra a receber três indicações ao Oscar.

Além disso, é a primeira vez na história em que três atrizes negras concorrem na mesma categoria (Melhor Atriz Coadjuvante) no Oscar do mesmo ano. As indicadas são: Viola Davis (Cercas), Naomie Harris (Moonlight: Sobre a Luz do Luar) e Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo).

Em segundo, vem a indicação da maravilhosa Meryl Streep, que quebrou o seu próprio recorde, recebendo sua vigésima nomeação. Ela concorre como Melhor Atriz pelo filme Florence Foster Jenkins (2016) e, de quebra, fez um discurso lindo ao receber o prêmio Cecil B. DeMille* no Globo de Ouro 2017.

200-4
Você é maravilhosa, Meryl!
Em terceiro lugar e, uma das mais lindas nomeações, foi a da montadora americana, Joi McMillon, na categoria de Melhor Edição, pelo filme Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), conquistando o posto de primeira mulher negra a concorrer como Melhor Editora. No site do mulhernocinema.com é possível saber um pouco mais sobre a carreira de Joi, no texto “Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição” e, como esta, mesmo com todas as dificuldades, conquistou seu espaço na sétima arte.

moonlight-editors
Joi McMillon e Nat Sanders, também Editor do Filme.
Em quarto, temos a indicação de Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por Melhor Edição de Som, sendo o primeiro time indicado nesta categoria, composto só por mulheres. Elas concorrem pelo musical La La Land (2016).

1
Cartaz do filme.
Ademais, ainda temos o recorde do ator Denzel Washington, que foi nomeado pela sétima vez, pelo filme Cercas (2016), também quebrando o seu próprio recorde de nomeações para um ator negro. Assim, contando todas os indicados na categoria de ator e atriz, protagonista e coadjuvante, essa é a primeira vez na história em que seis atores negros concorrem nestas categorias, no mesmo ano. Junto de Denzel, temos as atrizes, já citadas, Viola, Octavia e Naomie, além de Ruth Negga por Melhor Atriz (Loving) e Mahershala Ali por Melhor Ator Coadjuvante (Moonlight: Sobre a Luz do Luar).

oscar5
Ostavia Spencer, Ava Duvernay, Viola Davis, Naomie Harris, Ruth Neggas (Imagem retirada do Google Imagens).

2) Pontos Negativos:

Após mencionar esses recordes maravilhosos, está na hora de falarmos dos equívocos. Mesmo com esse pequeno passo a diversidade, não podemos deixar de notar que NENHUMA mulher foi nomeada como Melhor Diretora, sendo que já estamos na 89ª edição do Oscar e, no total, apenas quatro mulheres foram nomeadas nesta categoria ao longo de oitenta e nove anos, sendo Kathryn Bigelow a única vencedora, pelo filme Guerra ao Terror (2008).

kathryn-bigelow
Kathryn Bigelow no Oscar 2010.
Além disso, entre os nomeados de melhor roteiro original e adaptado, apenas Allison Schroeder encabeça o time das mulheres, com o longa-metragem Estrelas Além do Tempo (2016). Se continuarmos, as únicas áreas em que mulheres costumam ser nomeadas são: Melhor Produção, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. No entanto, nas categorias  dos prêmios mais badalados, quase não existem mulheres concorrendo e, infelizmente, isso só corrobora o fato de que são poucas as que conseguem visibilidade e oportunidade nesse mercado de trabalho.

Como questiona Mary McNamara no texto “Oscar não tão branco, mas ainda muito masculino” no site do Los Angeles Times: Is it time for #OscarsSoMale? (Estaria na hora de um #OscarMuitoMasculino?).

mv5bmji2mzq5ndu5nf5bml5banbnxkftztgwmzuwnzm4mdi-_v1_sy1000_cr006651000_al_
Alisson Schroeder, co-roteirista de Estrelas Além do Tempo, única mulher nomeada na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Por fim, não posso deixar de mencionar a pior indicação deste ano. Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, foi nomeado pelo filme Manchester a Beira Mar (2016), inclusive ganhou o Globo de Ouro 2017 por este trabalho, mesmo sendo acusado de assédio, por mais de uma mulher que trabalhou com ele no set de filmagem.

Por quê precisamos falar sobre isso?

Infelizmente, muitas pessoas reproduzem a ideia de que não devemos associar a carreira do ator com sua vida pessoal, mas, particularmente, eu acho isso um erro. No momento em que homens como Casey Affleck, Jonnhy Depp e Bernardo Bertolluci, por exemplo, são acusados de assédio, violência doméstica e estupro, respectivamente, e não são punidos, pelo contrário, são premiados e glorificados pelo talento e geniliadade, dá a entender que homens como eles estão acima da lei e podem fazer o que bem quiserem, com quem quiserem.

A atriz Constance Wu, que interpreta Jessica Huang na série Fresh Off the Boat, foi uma das famosas que mencionou o caso em público, dizendo “Eu fui aconselhada a não falar sobre isso em público para preservar minha carreira. Sendo assim, dane-se minha carreira, pois eu sou mulher e humana em primeiro lugar.”(Tradução Livre).

200-5
Sim Constance, você está certíssima em falar do assunto em público.
Ela continua no Twitter “Homens que assediam sexualmente as mulheres para o OSCAR! Porque boas performances valem mais do que humanidade, do que a integridade humana!” e “Meninos! Resolvam seus problemas fora dos tribunais! É só ser um bom ator, isso é tudo que importa! Porque arte não é sobre humanidade, certo?”

captura-de-tela-2017-01-25-as-23-03-44
Tweets da atriz Constance Wu.
Essa fala é importante, ainda mais vindo de alguém com visibilidade, pois nos faz questionar o porquê nossa sociedade protege esses artistas, quando, na verdade, ela devia denunciar e puni-los por seus crimes. Inclusive, como o BuzzFeed americano mostrou no post “As pessoas estão agradecendo Constance Wu por falar em público contra a nomeação ao Oscar de Casey Affleck”muitas pessoas parabenizaram a atriz e a apoiaram na causa, mostrando que o público não vai mais aceitar que esses casos passem impunes.

Para uma melhor reflexão sobre o assunto, eu recomendo o texto da Rebeca Puig “POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?”, do site collantsemdecote.com.br, que fala muito bem sobre a razão pela qual não devemos velar os crimes destes homens: Eu sei que esse é um assunto polêmico, mas se a gente não discute esse tipo de assunto então continuamos para sempre nessa repetição de padrão. Chega de passar a mão na cabeça, chega de panos quentes e chega de tapinhas nas costas. Chega de escolher o lado do agressor.”

Sendo assim, apesar das conquistas no Oscar 2017, ainda são necessárias muitas mudanças para que a diversidade seja algo comum na maior indústria cinematográfica que existe. Enquanto isso, torcemos por Violas, Meryls, Kathryns e McMillons e aguardamos mais e mais representatividade, dentro e fora das telas.

363696
Cartaz do filme Estrelas Além do Tempo, obra que prova o quão importante é a diversidade e representatividade, já que aprendemos quem são “As mulheres que ninguém conhece, por trás da missão que todos conhecem”.
*Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: nome oficial do Oscar, que é o mais importante e prestigiado prêmio do cinema mundial.

*Cecil B. DeMille: é um prêmio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimônia do Globo de Ouro, para todos aqueles com contribuições relevantes para o mundo do entretenimento.

BIBLIOGRAFIA:

CHO, Kassy. People Are Thanking Constance Wu For Speaking Out Against Casey Affleck’s Oscar Nomination. 2017. Disponível em: <https://www.buzzfeed.com/kassycho/people-are-thanking-constance-wu-for-speaking-out-against-ca?utm_term=.rkpRzPkDG#.yxB1DP0XE&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

DEARO, Guilherme. 10 recordes quebrados nas nomeações do Oscar 2017.2017.Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/10-recordes-quebrados-nas-nomeacoes-do-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GENESTRETI, Guilerme. Academia do Oscar convida Anna Muylaert e outros brasileiros. 2016. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1787051-academia-do-oscar-convida-anna-muylaert-e-outros-brasileiros.shtml&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GLOBO,O. Oscar muda drasticamente suas regras para promover a diversidade. 2016.  Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oscar-muda-drasticamente-suas-regras-para-promover-diversidade-18525821&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

MCNAMARA, Mary. Oscars not so white, but still very male. 2017. Disponível em: <http://www.latimes.com/entertainment/la-et-oscar-nominations-2017-live-oscars-not-so-white-but-still-very-1485275087-htmlstory.html&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/joi-mcmillon-e-a-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-edicao/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Veja todas as mulheres indicadas ao Oscar 2017. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/veja-todas-as-mulheres-indicadas-ao-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PUIG, Rebeca. POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?. 2016. Disponível em:<http://collantsemdecote.com.br/por-que-e-tao-facil-perdoar-o-genio-masculino-mesmo-quando-ele-e-um-pedofilo-condenado/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

This is US

Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

this-is-us-coxinha-1
Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

This Is Us - Season Pilot
Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

this-is-us_765x410_
Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

200w
Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

content_pic
Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

e15a4e12863b0136_mandy
Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

13353
Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

Shonda Rhimes: a jornada de uma incrível contadora de histórias.

Já faz um tempo que eu queria dedicar um post exclusivo sobre a deusa Shonda Rhimes e, finalmente, esse dia chegou.

Aliás, chegou no momento certo, pois hoje, 13 de janeiro, é o aniversário dessa diva amada criadora das melhores histórias.

200-44
Feliz Aniversário, Shonda! Com o parabéns da rainha Michelle Obama!

A Shonda é uma grande inspiração pra mim, não só pelo trabalho como roteirista e produtora executiva, mas também pelas causas sociais que ela adere. Assim como venero a Tina Fey, que é minha roteirista preferida do gênero da comédia, eu defino a Shonda como a melhor criadora de séries do gênero Drama.

Aliás, não só no ramo da televisão, os filmes que Rhimes escreveu o roteiro, também são maravilhosos.

Com isso em mente, resolvi fazer uma pequena resenha de todos os trabalhos de sucesso da minha diva amada, justificando e enfatisando o quão importante eles são pra diversidade e representatividade no mercado audiovisual.

SÉRIES TELEVISIVAS

1) Grey’s Anatomy (2005 – 2017)

1_2016-09-30-07-38-26

Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, que também é a showrunner*.

Sinopse: Um drama médico centrado em torno de Meredith Grey, uma aspirante a cirurgiã e filha de uma das melhores cirurgiãs, Dr. Ellis Grey. Ao longo da série, Meredith passa por desafios profissionais e pessoais, junto de outros colegas cirurgiões, no Seattle Grace Hospital.

Vamos deixar algo claro: Grey’s é dramalhão SIM, no entanto, é o drama médico mais extraordinário que existe. Sabe por quê?

200-2
Han?

A história central, ao menos em boa parte das temporadas, é a vida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), uma pessoa tão cheia de problemas, mas ao mesmo tempo, maravilhosa, que é impossível não se encantar e se indentificar com suas dores.

Dr. Grey lida com o alzheimer de sua mãe, enquanto também tem de lidar com a reprovação desta e o desenvolver da trama é incrível e tem cenas que tocam à alma. Já na sua vida profissional, Meredith encara os desafios de um médico residente cirúrgico, junto de seus colegas, Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers) e, assim, o roteiro se desenrola muito bem, nos envolvendo nos casos médicos, torcendo junto deles, para que salvem seus pacientes.

200-8
Os pupilos: Karev, Yang, O’Malley, Grey e Izzie.

Na vida pessoal, Grey se envolve com o Dr. McDreamy, ou Dr. Derek Sheperd (Patrick Dempsey), que é casado com a diva, deusa, amada, Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh). E claro, ao invés de explorar a rivalidade delas, a trama vai muito além e te faz torcer para que os três resolvam seus problemas e sejam felizes juntos, separados, a três, a dois, a um, do jeito que quiserem.

200-47
Addison diz pra Meredith “Eu não te odeio.”

Além disso, ao invés de depender do boy magia, a pessoa mais próxima de Grey, é ninguém mais, ninguém menos, que Cristina Yang. Amo a amizade delas e como uma é “a pessoa” da outra. Aliás, a Dr. Yang supera qualquer um naquele lugar, por toda sua determinação, inteligência, força e, principalmente, por não deixar  o machismo de cada dia afetar sua evolução como médica cirurgiã.

200-7
You are my person!

Ainda temos a pessoa mais fofa do mundo, Dr. Izzie Stevens e, essa personagem é tão bem construída e interpretada, que você fica feliz por ela, até quando ela tem relações com um fantasma.

200-9
YOU GO GIRL!

Como não falar da Dr. Miranda Bailey (Chandre Wilson)? Ela é a mentora dos cinco internos, super rigorosa e carinhosa, do jeito especial dela. Adoro sua sabedoria, seu lado humano e como ela sabe se portar diante das dificuldades em ser chefe dos futuros cirurgiões.

200
Você mesmo, sua linda!

Ademais, Shonda mostra o mundo como ele é, ou seja, tem diversidade pra dar e vender nesse programa. Primeiro que o elenco foge do padrão de homens brancos, segundo que temos casais homosexuais incríveis, sem contar nas relações entre pessoas de diferentes etnias.

A história de amor entre Dr. Richard Webber (James Pickens Jr.) e Dr. Ellis Grey (Kate Burton), mãe de Meredith, é linda e, também, muito real, pelo simples fato de que eles não ficam juntos no final, mesmo tendo muito amor um pelo outro. Claro que ao longo da série você entende os motivos e um dos principais é por ele ser casado com a linda Adelle Webber (Loretta Devine), mas tem muito nó ali, que a narrativa vai desfazendo, e seu coração se derrete toda vez que eles estão juntos, ela com sua doença e ele como seu ex e eterno amor.

100218-ent-greys-hmed-grid-6x2
Richard e Ellis Grey.
LORETTA DEVINE, JAMES PICKENS JR.
Adelle e Richard Webber.

Para eu não ficar 365 dias falando sobre a trama, algo que eu conseguiria porque tem muita história e muitos personagens, vou finalizar com o casal mais incrível e associável possível. Sou team Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez) total. Adoro como esse relacionamento é mostrado, nu e cru, assim como qualquer outra relação entre homem e mulher. Apesar dos pesares, não quero dar spoiler, é impossível não torcer por elas até o fim. Amo, amo, amo!

giphy
Arizona e Callie.

Aliás, uma curiosidade válida de ser contada é que, a criadora, em uma entrevista, disse que ao tentar vender a série, teve dificuldades, pois no piloto, a personagem principal passa uma noite com um desconhecido e isso seria um “absurdo” de ser mostrado em um canal aberto. Depois de treze anos, acho que esses produtores estavam completamente enganados, hein?

Deusa Rhimes criou essa série e você deverá assistir, porque senão é pecado. Só um conselho: como a série está na 13 temporada, com 20-25 episódios cada, veja aos poucos, porque senão sua cabeça pode surtar, como a minha surtou. E claro, vai com o coração na mão, preparada(o), pois nossa diva Shonda, infelizmente, adora matar nossos personagens favoritos.

de702f20dc38d68d62174aad77aa74b3
Façam suas apostas! Quem sobreviverá até o final, na ShondaLand*?

2) Private Practice (2007 – 2013)

tv_private_practice11

Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, quem também é a showrunner.

Sinopse: Um spin-off *do drama médico “Grey’s Anatomy”, centrado na vida da cirurgiã neonatal Dr. Addison Montgomery.

Pra quem já assistiu Grey’s Anatomy, deve se lembrar do último episódio da terceira temporada, que é basicamente a introdução da série Private Practice. Aliás, muita gente deve ter estranhado, pois no capítulo, Dr. Addison (Kate Walsh) se despede do Seattle Grace Hospital, pega o carro e vai pra famosa LA, reencontrar com sua melhor amiga, Naomi Bennett (Audra McDonald).

200-10
“Será que alguém notaria se eu sumisse?” Tanto notamos, querida Addison, que fomos atrás de você nessa nova jornada.

Sendo assim, nessa história, seguimos a vida de Dr.Addison Montgomery, que se muda definitivamente para Los Angeles e começa a trabalhar numa clínica privada, The Oceanside Wellness Group.

200-16
Os médicos da clínica.

Por enquanto, só assisti alguns episódios da primeira temporada, mas posso te dizer que a Addison continua maravilhosa e diva como sempre. Eu reclamava que ela devia aparecer mais em Grey’s Anatomy, porque ela dá de mil em muitos personagens, até mesmo pro Dr. Sheperd, mas isso é somente minha opinião pessoal. Então, como os fãs enlouquecidos como eu, pediram, deusa Shonda atendeu e criou o projeto, aonde nos divertimos e também sofremos com Dr. Addison.

200-13
É muita alegria!!!

Como é uma clínica privada relativamente pequena, o foco é praticar a medicina de cidade pequena e conectar-se com os pacientes e suas famílias. No entanto, no piloto da série, a gente já tem uma noção de que o drama vem dos casos mais difíceis, em que os médicos são obrigados a realizar cirurgias de última hora ou levar seus pacientes ao hospital mais próximo, para não perdê-los.

200-12
“Não consigo. Não consigo. Eu não queria estar sozinha.”

Aliás, nossa amada Montgomery já arrasa no primeiro episódio, nos mostrando que não é àtoa que ela é a melhor cirurgiã do ramo. Além disso, nessa etapa de sua vida, nossa protagonista está decidida a ser mãe solteira, mas descobre que ela não pode ter filhos. Assim, a narrativa desenvolverá esse drama, à la ShondaLand, e nós, torceremos até o fim, pela felicidade de nossa querida médica. E lógico, como o projeto é carimbado pela Rhimes, não vão faltar histórias fantásticas, às quais podemos nos identificar.

200-15
SPOILER ALERT: tem personagem de Private Practice que vai para Grey’s Anatomy e o inverso também acontece. Não é, Dr. Amelia Sheperd?

3) Scandal (2012 – 2017)

scandal-cartaz

Exibido no canal ABC, criado pela Shonda Rhimes, que também é a showrunner.

Sinopse: Olivia Pope é uma “reparadora” profissional, ou seja, ela faz com que os problemas desapareçam antes que alguém saiba que eles existem. Para os ricos, os poderosos e, até mesmo, o presidente, Olivia é uma lenda em seu campo. Seu sucesso é devido à sua regra inquebrável de sempre confiar em seu intestino. Semanalmente, à medida que a equipe corre contra o relógio para desfazer novos problemas intrigantes antes de se tornarem verdadeiros desastres, eles também têm que lidar com suas próprias questões pessoais.

Esquece tudo o que eu falei antes, pois agora o assunto não é medicina, e sim política. Aliás, política e escândalos, e somente uma pessoa pode resolver esse tipo de problema: Olivia Pope (Kerry Washington).

200-28
Sou eu, aham, aham!

Se você gosta de babados cabeludos, que envolvem até mesmo o presidente dos Estados Unidos, você tem que começar a maratona Scandal HOJE. Inclusive, como toda séria Shonda Rhimes, o drama corre solto nessa narrativa, mas é intrigante e cativante.

Aliás, todo mundo que assiste essa série e passa por algum problema difícil de se resolver, sonha em descobrir o telefone da Olivia e ter esta e sua equipe resolvendo seus problemas. Mas, como tudo é ficção (quase tudo), infelizmente temos que resolver nossos problemas por conta própria, porém podemos aprender os truques. E são eles:

Truque número um:

200-34
Seja melhor amiga de um Hacker*.

Truque número dois:

200-32
Tenha contatos na Casa Branca. “Alô, seu presidente?”

Truque número três:

200-29
Vinho, muito vinho.

Truque número quatro:

200-33
Seja um personagem da Shonda e torça para sobreviver.

Truque número cinco:

200-30
Assista à série.

E aí, preciso falar mais alguma coisa pra te convencer desse “escândalo” de série?

200-36

4) How to get away with murder (2014 – 2017)

540c1c362db41p2194819026

Exibido no canal ABC, criado por Peter Nowalk, sendo este e a Shonda Rhimes, uns dos produtores executivos.

Sinopse: Um grupo ambicioso de estudantes de direito e sua brilhante professora de defesa criminal, Annalise Keating, se envolvem num misterioso assassinato que irá mudar o rumo de suas vidas.

PARA TUDO QUE AGORA O ASSUNTO FICOU SÉRIO!

200w

Não pera… volta aqui! Eu me empolguei, mas vamos ao que importa.

How to get away with murder já está na terceira temporada e mostrou que veio pra ficar e abalar nossas estruturas porque, senhoras e senhores, esta trama é de enlouquecer.

Primeiro que a protagonista, Annalise Keating, é interpretada pela Viola Davis, que dá um show de talento e nos assusta com essa personagem incrível e medonha, ao mesmo tempo. Me arrepiam as cenas em que ela engole todas suas dores e é extremamente fria e calculista, resolvendo todo e qualquer problema que envolva assassinatos, mas também me emociono com os momentos em que ela se mostra humana, com dificuldades, como qualquer outra pessoa.

Segundo que os alunos, que antes eram jovens inocentes, agora são cúmplices uns dos outros, sendo praticamente obrigados a manterem esses laços de amizade, caso não queiram ser punidos por seus atos.

Tudo começa com uma festa da faculdade e um assassinato. E aí, achou pouco? Vou tentar de novo. Tudo começa com era uma vez e fim, não pera. Tudo começa com Annalise ensinando como se livrar de um assassinato e seus alunos, também “estagiários” da professora, aprenderem na prática a matéria. Caso você não tenha entendido o que eu falei, está mais do que na hora de PARAR toda a sua vida e ASSISTIR ao programa.

200-26
Calma, calma… não precisa parar tudo. No fim de semana dá pra ver os episódios.

Além disso, assim como praticamente todos os trabalhos em que Shonda põe as mãos, o que não falta é empoderamento feminino, principalmente das mulheres negras, diversidade, com casais maravilhosos, como Connor Walsh (Jack Falahee) e Oliver Hampton (Conrad Ricamora), personagem latino, Laurel Castillo (inclusive, a intérprete Karla Souza é mexicana) e histórias de tirar o fôlego e deixar qualquer um confuso e admirado.

200-20
Esse beijos, hein? Queremos!

Também não posso deixar de falar que um dos personagens é soropositivo e eu acho maravilhosa a forma como eles nos fazem entender melhor quem passa por isso, os respeitando e não mais os excluindo, como nossa sociedade costuma fazer.

Por último, é importante avisar que, se você começa a série gostando de alguém, as chances de você parar de gostar dessa pessoa, nos próximos capítulos ou temporadas, são grandes. A história muda, tantas vezes, assim como os personagens, que é impossível não seguir essas transformações e refletir sobre todos os assuntos abordados, além de claro, se questionar o que você faria no lugar deles. Acho que eu estou feliz em só assistir e não estar na pele de ninguém.

Madamentos da ShondaLand: Deverás assistir essa série.

Violas Davis recebendo o Emmy de melhor atriz em 2015. Um dos melhores e mais lindos discursos que você vai assistir.

5) The catch (2016 – 2017)

maxresdefault

Exibido no canal ABC, criado por Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur, tendo Shonda Rhimes como uma das produtoras executivas.

Sinopse: Segue a vida de uma investigadora particular, cuja especialidade é expor fraudes.

Se você é aquela pessoa tem preguiça de começar uma série que já tem muitas temporadas, eis a solução dos seus problemas. The Catch está indo para a segunda temporada, com somente 10 episódios cada e, logo no piloto, já temos a maior reviravolta de todas.

200-38
Mireille Enos como Alice Vaughan.

Alice Vaughan (Mireille Enos), uma detetive particular, está prestes a se casar com Benjamin Jones (Peter Krause), quando ela descobre todas as mentiras de sua vida e que seu noivo, na verdade, é o maior trambiqueiro e dá golpes e mais golpes, tudo em prol do dinheiro. Inclusive, ele se aproximou de Alice para justamente estar sempre um passo à frente desta e não ser pego em seus crimes.

No entanto, acredite se quiser, o dois se gostam de verdade. A partir disso, começa a caçada. Nossa heroína está decidida a pegar o ex, custe o que custar. Viu como foi rápido?

Então para de drama e vai logo por essa série em dia!

200-39
Que comece
200-37
a caçada!

FILMES

1) Crossroads: Amigas para sempre (2002)

crossroads_britney

Dirigido pela Tamra Davis e escrito pela Shonda Rhimes.

SinopseTrês melhores amigas enterram uma caixa, fazendo um pacto para abri-la à meia-noite no dia da graduação do colégio. No entanto, o tempo passa e suas vidas mudam. Na noite da formatura, elas abrem a caixa e depois de muita conversa, decidem ir para Los Angeles, para que Lucy (Britney Spears) faça a audição para ser contratada por uma produtora musical. Com um pouco de dinheiro, elas partem na estrada com um cara chamado Ben (Anson Mount), e uma delas conta o boato de que ele pode ser um maníaco homicida. Agora, elas enfretarão a jornada de suas vidas, com ou sem maníaco.

Gente, para tudo porque “It’s Britney Bitch!”.

200-40

Se você, assim como eu, nasceu nos anos noventa, com certeza viveu a época Britney Spears e cantava suas músicas, num inglês completamente errado, e se achava o máximo por isso.

E o que dizer desse filme?

Eu lembro até hoje o dia em que assisti ao filme no cinema e com quem eu fui. Imagino que a maioria das pessoas que saíram da sala, ficaram encantados e emocionados com a história dessas três amigas, sua força e união, e, sonhou em também viver uma viagem na estrada com suas melhores amigas.

200-41
Kit (Zoe Saldana), Mimi (Taryn Manning) e Lucy (Britney Spears).

E o que falar dessa trilha sonora que me faz chorar até hoje?

Clipe da música I’m not a girl, Not Yet a Woman interpretada pela Britney Spears.

Caiu um cisco aqui, pera… É que a nostalgia chegou ao nível máximo!

Esse filme é sobre amizades que duram pro resto de nossas vidas, do apoio entre amigas e sobre seguir seus sonhos, ou seja, tudo que é essencial em nossas vidas. E claro, quando as coisas ficarem difíceis, nada como cantar I Love Rock ‘N’ Roll com suas “migs” do coração.

200-42

Aliás, não posso deixar de mencionar que a atriz que interpreta a Mimi (Taryn Manning), pra quem não reconheceu, é a Tiffany Doggett de Orange is the New Black. RAPAZ, como o tempo passa! E também tem Kim Cattrall no auge de Sex and The City. Peraí que eu vou ali preparar as pipocas!

200-43
Sabemos que é você, “Mimi Tiffany Manning”.

2) O diário da Princesa 2: Casamento Real (2004)

Dirigido por Garry Marshall e roteirizado por Shonda Rhimes.

Sinopse: A Princesa Mia acaba de completar 21 anos e é esperado que ela assuma o lugar de sua avó como a rainha de Genovia. Mas o visconde Mabrey lembra a todos da lei que afirma que uma mulher solteira não pode ser nomeada rainha, e com o apoio do parlamento, ele se opõe à coroação de Mia. No entanto, a rainha Clarisse pede que Mia tenha tempo para encontrar um marido e ela recebe 30 dias. O sobrinho de Mabrey, Nicholas, encontra-se com Mia e estes se interessam um pelo outro. Agora, eles tem 30 dias para decidir o que fazer com esses sentimentos.

Falando em Nostalgia…

Trailer de O Diário da Princesa 2.

Se tem um filme que levou Anne Hathaway ao estrelato, esse filme foi O diário da Princesa. E, como todo filme de sucesso, ele acabou tendo uma sequência, que foi escrito pela nossa aniversariante do dia, Shonda.

Esse filme tem empoderamento feminino dentro do universo das princesas e rainhas. Apesar de ser da Disney, esse conto de princesa tem um toque especial, até porque, nossa protagonista irá mudar essa péssima tradição, de que uma mulher só pode se tornar rainha se for casada com um homem.

Como todo filme romântico à la princesas, Mia Thermopolis encontra o par ideal, mas acaba se apaixonando pelo “vilão” da história e, com isso, terá que enfrentar os desafios de ser feliz no amor e continuar o legado de sua família.

Aliás, esse filme tem um charme, pois a Rainha Clarisse Renaldi é interpretada por nossa querida Noviça Rebelde, linda como sempre, Julie Andrews.

Além disso, tem até uma participação da Raven-Symoné. Sério, se você está na faixa dos vinte e poucos anos, tem que se lembrar da série infantil “As Visões da Raven”. EU AMAVA!

Julie Andrews e Raven-Symoné.

Para finalizar a resenha dessa produção cinematográfica, eis as maiores lições do longa-metragem:

200-46
“Uma rainha nunca está atrasada. Todos é que simplesmente chegaram cedo.”
200-45
Um beijo de amor verdadeiro só é válido quando tem a “levantadinha” da perna.

Shonda por Shonda

36_shonda_rhimes_cover_embed
Capa da revista “The Hollywood Reporter” com Shonda Rhimes.

Após essa leva de projetos vitoriosos, eis que finalmente podemos concluir que Shonda Rhimes mudou muito o conceito de série de sucesso, com suas histórias extraordinárias, que mostram, sempre, o mundo com toda a sua diversidade.

Para os que se interessam pelo trabalho dela, é possível conhecer um pouco mais, através do seu livro Year of Yes e, também, aos que pretendem seguir a carreira do mercado audiovisual, esse ano de 2017 será lançado o curso intensivo de Escrita para Televisão, dado pela própria Shonda, no masterclass.com.

Ademais, ela é um exemplo pras futuras roteiristas como eu e para qualquer menina/mulher que está cansada dos padrões de nossa sociedade. Para todos que querem uma melhor representação e oportunidades para mulheres, negros, latinos, LGBTs, entre muitos outros, eis que as narrativas de nossa guerreira provam que é possível fazer sucesso e quebrar tabus, ao mesmo tempo.

Me encanto, me impressiono e me inspiro muito com o trabalho de Rhimes e torço, para que um dia, eu possa ser ao menos um terço do que ela é hoje, pois já estarei muito satisfeita.

Ted Talk 2016: Meu ano de dizer “sim” para tudo.

BÔNUS DO DIA

Para quem gostaria de ver nossa deusa atuando, é só checar o episódio 5, da terceira temporada de The Mindy Project, ao qual eu falo no texto “13 comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir“.

Não me procurem, pois eu fui ver minhas séries! Beijos.

*Hacker: uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento na área da informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema informático.

*ShondaLand: é uma produtora de televisão americana fundada pela escritora/produtora Shonda Rhimes.

*Showrunner: é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

*Spin-off: é um programa de rádio, televisão, videogame ou, qualquer outra obra narrativa, derivada de uma ou mais obras já existentes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em: http://www.imdb.com/name/nm0722274/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

IMDB. The Devil wears Land’s End. 2014. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4029966/?ref_=nm_flmg_act_1&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

Significado de Hacker. Disponível em: <https://www.significados.com.br/hacker/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Shonda_Rhimes&gt;. Acesso em: 12 de jan. 2017.