Shonda Rhimes: a jornada de uma incrível contadora de histórias.

Já faz um tempo que eu queria dedicar um post exclusivo sobre a deusa Shonda Rhimes e, finalmente, esse dia chegou.

Aliás, chegou no momento certo, pois hoje, 13 de janeiro, é o aniversário dessa diva amada criadora das melhores histórias.

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Feliz Aniversário, Shonda! Com o parabéns da rainha Michelle Obama!

A Shonda é uma grande inspiração pra mim, não só pelo trabalho como roteirista e produtora executiva, mas também pelas causas sociais que ela adere. Assim como venero a Tina Fey, que é minha roteirista preferida do gênero da comédia, eu defino a Shonda como a melhor criadora de séries do gênero Drama.

Aliás, não só no ramo da televisão, os filmes que Rhimes escreveu o roteiro, também são maravilhosos.

Com isso em mente, resolvi fazer uma pequena resenha de todos os trabalhos de sucesso da minha diva amada, justificando e enfatisando o quão importante eles são pra diversidade e representatividade no mercado audiovisual.

SÉRIES TELEVISIVAS

1) Grey’s Anatomy (2005 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, que também é a showrunner*.

Sinopse: Um drama médico centrado em torno de Meredith Grey, uma aspirante a cirurgiã e filha de uma das melhores cirurgiãs, Dr. Ellis Grey. Ao longo da série, Meredith passa por desafios profissionais e pessoais, junto de outros colegas cirurgiões, no Seattle Grace Hospital.

Vamos deixar algo claro: Grey’s é dramalhão SIM, no entanto, é o drama médico mais extraordinário que existe. Sabe por quê?

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Han?

A história central, ao menos em boa parte das temporadas, é a vida de Meredith Grey (Ellen Pompeo), uma pessoa tão cheia de problemas, mas ao mesmo tempo, maravilhosa, que é impossível não se encantar e se indentificar com suas dores.

Dr. Grey lida com o alzheimer de sua mãe, enquanto também tem de lidar com a reprovação desta e o desenvolver da trama é incrível e tem cenas que tocam à alma. Já na sua vida profissional, Meredith encara os desafios de um médico residente cirúrgico, junto de seus colegas, Cristina Yang (Sandra Oh), Izzie Stevens (Katherine Heigl), George O’Malley (T.R. Knight) e Alex Karev (Justin Chambers) e, assim, o roteiro se desenrola muito bem, nos envolvendo nos casos médicos, torcendo junto deles, para que salvem seus pacientes.

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Os pupilos: Karev, Yang, O’Malley, Grey e Izzie.

Na vida pessoal, Grey se envolve com o Dr. McDreamy, ou Dr. Derek Sheperd (Patrick Dempsey), que é casado com a diva, deusa, amada, Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh). E claro, ao invés de explorar a rivalidade delas, a trama vai muito além e te faz torcer para que os três resolvam seus problemas e sejam felizes juntos, separados, a três, a dois, a um, do jeito que quiserem.

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Addison diz pra Meredith “Eu não te odeio.”

Além disso, ao invés de depender do boy magia, a pessoa mais próxima de Grey, é ninguém mais, ninguém menos, que Cristina Yang. Amo a amizade delas e como uma é “a pessoa” da outra. Aliás, a Dr. Yang supera qualquer um naquele lugar, por toda sua determinação, inteligência, força e, principalmente, por não deixar  o machismo de cada dia afetar sua evolução como médica cirurgiã.

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You are my person!

Ainda temos a pessoa mais fofa do mundo, Dr. Izzie Stevens e, essa personagem é tão bem construída e interpretada, que você fica feliz por ela, até quando ela tem relações com um fantasma.

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YOU GO GIRL!

Como não falar da Dr. Miranda Bailey (Chandre Wilson)? Ela é a mentora dos cinco internos, super rigorosa e carinhosa, do jeito especial dela. Adoro sua sabedoria, seu lado humano e como ela sabe se portar diante das dificuldades em ser chefe dos futuros cirurgiões.

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Você mesmo, sua linda!

Ademais, Shonda mostra o mundo como ele é, ou seja, tem diversidade pra dar e vender nesse programa. Primeiro que o elenco foge do padrão de homens brancos, segundo que temos casais homosexuais incríveis, sem contar nas relações entre pessoas de diferentes etnias.

A história de amor entre Dr. Richard Webber (James Pickens Jr.) e Dr. Ellis Grey (Kate Burton), mãe de Meredith, é linda e, também, muito real, pelo simples fato de que eles não ficam juntos no final, mesmo tendo muito amor um pelo outro. Claro que ao longo da série você entende os motivos e um dos principais é por ele ser casado com a linda Adelle Webber (Loretta Devine), mas tem muito nó ali, que a narrativa vai desfazendo, e seu coração se derrete toda vez que eles estão juntos, ela com sua doença e ele como seu ex e eterno amor.

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Richard e Ellis Grey.
LORETTA DEVINE, JAMES PICKENS JR.
Adelle e Richard Webber.

Para eu não ficar 365 dias falando sobre a trama, algo que eu conseguiria porque tem muita história e muitos personagens, vou finalizar com o casal mais incrível e associável possível. Sou team Arizona Robbins (Jessica Capshaw) e Callie Torres (Sara Ramirez) total. Adoro como esse relacionamento é mostrado, nu e cru, assim como qualquer outra relação entre homem e mulher. Apesar dos pesares, não quero dar spoiler, é impossível não torcer por elas até o fim. Amo, amo, amo!

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Arizona e Callie.

Aliás, uma curiosidade válida de ser contada é que, a criadora, em uma entrevista, disse que ao tentar vender a série, teve dificuldades, pois no piloto, a personagem principal passa uma noite com um desconhecido e isso seria um “absurdo” de ser mostrado em um canal aberto. Depois de treze anos, acho que esses produtores estavam completamente enganados, hein?

Deusa Rhimes criou essa série e você deverá assistir, porque senão é pecado. Só um conselho: como a série está na 13 temporada, com 20-25 episódios cada, veja aos poucos, porque senão sua cabeça pode surtar, como a minha surtou. E claro, vai com o coração na mão, preparada(o), pois nossa diva Shonda, infelizmente, adora matar nossos personagens favoritos.

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Façam suas apostas! Quem sobreviverá até o final, na ShondaLand*?

2) Private Practice (2007 – 2013)

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Exibido no canal ABC, criado por Shonda Rhimes, quem também é a showrunner.

Sinopse: Um spin-off *do drama médico “Grey’s Anatomy”, centrado na vida da cirurgiã neonatal Dr. Addison Montgomery.

Pra quem já assistiu Grey’s Anatomy, deve se lembrar do último episódio da terceira temporada, que é basicamente a introdução da série Private Practice. Aliás, muita gente deve ter estranhado, pois no capítulo, Dr. Addison (Kate Walsh) se despede do Seattle Grace Hospital, pega o carro e vai pra famosa LA, reencontrar com sua melhor amiga, Naomi Bennett (Audra McDonald).

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“Será que alguém notaria se eu sumisse?” Tanto notamos, querida Addison, que fomos atrás de você nessa nova jornada.

Sendo assim, nessa história, seguimos a vida de Dr.Addison Montgomery, que se muda definitivamente para Los Angeles e começa a trabalhar numa clínica privada, The Oceanside Wellness Group.

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Os médicos da clínica.

Por enquanto, só assisti alguns episódios da primeira temporada, mas posso te dizer que a Addison continua maravilhosa e diva como sempre. Eu reclamava que ela devia aparecer mais em Grey’s Anatomy, porque ela dá de mil em muitos personagens, até mesmo pro Dr. Sheperd, mas isso é somente minha opinião pessoal. Então, como os fãs enlouquecidos como eu, pediram, deusa Shonda atendeu e criou o projeto, aonde nos divertimos e também sofremos com Dr. Addison.

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É muita alegria!!!

Como é uma clínica privada relativamente pequena, o foco é praticar a medicina de cidade pequena e conectar-se com os pacientes e suas famílias. No entanto, no piloto da série, a gente já tem uma noção de que o drama vem dos casos mais difíceis, em que os médicos são obrigados a realizar cirurgias de última hora ou levar seus pacientes ao hospital mais próximo, para não perdê-los.

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“Não consigo. Não consigo. Eu não queria estar sozinha.”

Aliás, nossa amada Montgomery já arrasa no primeiro episódio, nos mostrando que não é àtoa que ela é a melhor cirurgiã do ramo. Além disso, nessa etapa de sua vida, nossa protagonista está decidida a ser mãe solteira, mas descobre que ela não pode ter filhos. Assim, a narrativa desenvolverá esse drama, à la ShondaLand, e nós, torceremos até o fim, pela felicidade de nossa querida médica. E lógico, como o projeto é carimbado pela Rhimes, não vão faltar histórias fantásticas, às quais podemos nos identificar.

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SPOILER ALERT: tem personagem de Private Practice que vai para Grey’s Anatomy e o inverso também acontece. Não é, Dr. Amelia Sheperd?

3) Scandal (2012 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado pela Shonda Rhimes, que também é a showrunner.

Sinopse: Olivia Pope é uma “reparadora” profissional, ou seja, ela faz com que os problemas desapareçam antes que alguém saiba que eles existem. Para os ricos, os poderosos e, até mesmo, o presidente, Olivia é uma lenda em seu campo. Seu sucesso é devido à sua regra inquebrável de sempre confiar em seu intestino. Semanalmente, à medida que a equipe corre contra o relógio para desfazer novos problemas intrigantes antes de se tornarem verdadeiros desastres, eles também têm que lidar com suas próprias questões pessoais.

Esquece tudo o que eu falei antes, pois agora o assunto não é medicina, e sim política. Aliás, política e escândalos, e somente uma pessoa pode resolver esse tipo de problema: Olivia Pope (Kerry Washington).

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Sou eu, aham, aham!

Se você gosta de babados cabeludos, que envolvem até mesmo o presidente dos Estados Unidos, você tem que começar a maratona Scandal HOJE. Inclusive, como toda séria Shonda Rhimes, o drama corre solto nessa narrativa, mas é intrigante e cativante.

Aliás, todo mundo que assiste essa série e passa por algum problema difícil de se resolver, sonha em descobrir o telefone da Olivia e ter esta e sua equipe resolvendo seus problemas. Mas, como tudo é ficção (quase tudo), infelizmente temos que resolver nossos problemas por conta própria, porém podemos aprender os truques. E são eles:

Truque número um:

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Seja melhor amiga de um Hacker*.

Truque número dois:

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Tenha contatos na Casa Branca. “Alô, seu presidente?”

Truque número três:

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Vinho, muito vinho.

Truque número quatro:

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Seja um personagem da Shonda e torça para sobreviver.

Truque número cinco:

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Assista à série.

E aí, preciso falar mais alguma coisa pra te convencer desse “escândalo” de série?

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4) How to get away with murder (2014 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Peter Nowalk, sendo este e a Shonda Rhimes, uns dos produtores executivos.

Sinopse: Um grupo ambicioso de estudantes de direito e sua brilhante professora de defesa criminal, Annalise Keating, se envolvem num misterioso assassinato que irá mudar o rumo de suas vidas.

PARA TUDO QUE AGORA O ASSUNTO FICOU SÉRIO!

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Não pera… volta aqui! Eu me empolguei, mas vamos ao que importa.

How to get away with murder já está na terceira temporada e mostrou que veio pra ficar e abalar nossas estruturas porque, senhoras e senhores, esta trama é de enlouquecer.

Primeiro que a protagonista, Annalise Keating, é interpretada pela Viola Davis, que dá um show de talento e nos assusta com essa personagem incrível e medonha, ao mesmo tempo. Me arrepiam as cenas em que ela engole todas suas dores e é extremamente fria e calculista, resolvendo todo e qualquer problema que envolva assassinatos, mas também me emociono com os momentos em que ela se mostra humana, com dificuldades, como qualquer outra pessoa.

Segundo que os alunos, que antes eram jovens inocentes, agora são cúmplices uns dos outros, sendo praticamente obrigados a manterem esses laços de amizade, caso não queiram ser punidos por seus atos.

Tudo começa com uma festa da faculdade e um assassinato. E aí, achou pouco? Vou tentar de novo. Tudo começa com era uma vez e fim, não pera. Tudo começa com Annalise ensinando como se livrar de um assassinato e seus alunos, também “estagiários” da professora, aprenderem na prática a matéria. Caso você não tenha entendido o que eu falei, está mais do que na hora de PARAR toda a sua vida e ASSISTIR ao programa.

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Calma, calma… não precisa parar tudo. No fim de semana dá pra ver os episódios.

Além disso, assim como praticamente todos os trabalhos em que Shonda põe as mãos, o que não falta é empoderamento feminino, principalmente das mulheres negras, diversidade, com casais maravilhosos, como Connor Walsh (Jack Falahee) e Oliver Hampton (Conrad Ricamora), personagem latino, Laurel Castillo (inclusive, a intérprete Karla Souza é mexicana) e histórias de tirar o fôlego e deixar qualquer um confuso e admirado.

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Esse beijos, hein? Queremos!

Também não posso deixar de falar que um dos personagens é soropositivo e eu acho maravilhosa a forma como eles nos fazem entender melhor quem passa por isso, os respeitando e não mais os excluindo, como nossa sociedade costuma fazer.

Por último, é importante avisar que, se você começa a série gostando de alguém, as chances de você parar de gostar dessa pessoa, nos próximos capítulos ou temporadas, são grandes. A história muda, tantas vezes, assim como os personagens, que é impossível não seguir essas transformações e refletir sobre todos os assuntos abordados, além de claro, se questionar o que você faria no lugar deles. Acho que eu estou feliz em só assistir e não estar na pele de ninguém.

Madamentos da ShondaLand: Deverás assistir essa série.

Violas Davis recebendo o Emmy de melhor atriz em 2015. Um dos melhores e mais lindos discursos que você vai assistir.

5) The catch (2016 – 2017)

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Exibido no canal ABC, criado por Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur, tendo Shonda Rhimes como uma das produtoras executivas.

Sinopse: Segue a vida de uma investigadora particular, cuja especialidade é expor fraudes.

Se você é aquela pessoa tem preguiça de começar uma série que já tem muitas temporadas, eis a solução dos seus problemas. The Catch está indo para a segunda temporada, com somente 10 episódios cada e, logo no piloto, já temos a maior reviravolta de todas.

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Mireille Enos como Alice Vaughan.

Alice Vaughan (Mireille Enos), uma detetive particular, está prestes a se casar com Benjamin Jones (Peter Krause), quando ela descobre todas as mentiras de sua vida e que seu noivo, na verdade, é o maior trambiqueiro e dá golpes e mais golpes, tudo em prol do dinheiro. Inclusive, ele se aproximou de Alice para justamente estar sempre um passo à frente desta e não ser pego em seus crimes.

No entanto, acredite se quiser, o dois se gostam de verdade. A partir disso, começa a caçada. Nossa heroína está decidida a pegar o ex, custe o que custar. Viu como foi rápido?

Então para de drama e vai logo por essa série em dia!

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Que comece
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a caçada!

FILMES

1) Crossroads: Amigas para sempre (2002)

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Dirigido pela Tamra Davis e escrito pela Shonda Rhimes.

SinopseTrês melhores amigas enterram uma caixa, fazendo um pacto para abri-la à meia-noite no dia da graduação do colégio. No entanto, o tempo passa e suas vidas mudam. Na noite da formatura, elas abrem a caixa e depois de muita conversa, decidem ir para Los Angeles, para que Lucy (Britney Spears) faça a audição para ser contratada por uma produtora musical. Com um pouco de dinheiro, elas partem na estrada com um cara chamado Ben (Anson Mount), e uma delas conta o boato de que ele pode ser um maníaco homicida. Agora, elas enfretarão a jornada de suas vidas, com ou sem maníaco.

Gente, para tudo porque “It’s Britney Bitch!”.

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Se você, assim como eu, nasceu nos anos noventa, com certeza viveu a época Britney Spears e cantava suas músicas, num inglês completamente errado, e se achava o máximo por isso.

E o que dizer desse filme?

Eu lembro até hoje o dia em que assisti ao filme no cinema e com quem eu fui. Imagino que a maioria das pessoas que saíram da sala, ficaram encantados e emocionados com a história dessas três amigas, sua força e união, e, sonhou em também viver uma viagem na estrada com suas melhores amigas.

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Kit (Zoe Saldana), Mimi (Taryn Manning) e Lucy (Britney Spears).

E o que falar dessa trilha sonora que me faz chorar até hoje?

Clipe da música I’m not a girl, Not Yet a Woman interpretada pela Britney Spears.

Caiu um cisco aqui, pera… É que a nostalgia chegou ao nível máximo!

Esse filme é sobre amizades que duram pro resto de nossas vidas, do apoio entre amigas e sobre seguir seus sonhos, ou seja, tudo que é essencial em nossas vidas. E claro, quando as coisas ficarem difíceis, nada como cantar I Love Rock ‘N’ Roll com suas “migs” do coração.

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Aliás, não posso deixar de mencionar que a atriz que interpreta a Mimi (Taryn Manning), pra quem não reconheceu, é a Tiffany Doggett de Orange is the New Black. RAPAZ, como o tempo passa! E também tem Kim Cattrall no auge de Sex and The City. Peraí que eu vou ali preparar as pipocas!

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Sabemos que é você, “Mimi Tiffany Manning”.

2) O diário da Princesa 2: Casamento Real (2004)

Dirigido por Garry Marshall e roteirizado por Shonda Rhimes.

Sinopse: A Princesa Mia acaba de completar 21 anos e é esperado que ela assuma o lugar de sua avó como a rainha de Genovia. Mas o visconde Mabrey lembra a todos da lei que afirma que uma mulher solteira não pode ser nomeada rainha, e com o apoio do parlamento, ele se opõe à coroação de Mia. No entanto, a rainha Clarisse pede que Mia tenha tempo para encontrar um marido e ela recebe 30 dias. O sobrinho de Mabrey, Nicholas, encontra-se com Mia e estes se interessam um pelo outro. Agora, eles tem 30 dias para decidir o que fazer com esses sentimentos.

Falando em Nostalgia…

Trailer de O Diário da Princesa 2.

Se tem um filme que levou Anne Hathaway ao estrelato, esse filme foi O diário da Princesa. E, como todo filme de sucesso, ele acabou tendo uma sequência, que foi escrito pela nossa aniversariante do dia, Shonda.

Esse filme tem empoderamento feminino dentro do universo das princesas e rainhas. Apesar de ser da Disney, esse conto de princesa tem um toque especial, até porque, nossa protagonista irá mudar essa péssima tradição, de que uma mulher só pode se tornar rainha se for casada com um homem.

Como todo filme romântico à la princesas, Mia Thermopolis encontra o par ideal, mas acaba se apaixonando pelo “vilão” da história e, com isso, terá que enfrentar os desafios de ser feliz no amor e continuar o legado de sua família.

Aliás, esse filme tem um charme, pois a Rainha Clarisse Renaldi é interpretada por nossa querida Noviça Rebelde, linda como sempre, Julie Andrews.

Além disso, tem até uma participação da Raven-Symoné. Sério, se você está na faixa dos vinte e poucos anos, tem que se lembrar da série infantil “As Visões da Raven”. EU AMAVA!

Julie Andrews e Raven-Symoné.

Para finalizar a resenha dessa produção cinematográfica, eis as maiores lições do longa-metragem:

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“Uma rainha nunca está atrasada. Todos é que simplesmente chegaram cedo.”
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Um beijo de amor verdadeiro só é válido quando tem a “levantadinha” da perna.

Shonda por Shonda

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Capa da revista “The Hollywood Reporter” com Shonda Rhimes.

Após essa leva de projetos vitoriosos, eis que finalmente podemos concluir que Shonda Rhimes mudou muito o conceito de série de sucesso, com suas histórias extraordinárias, que mostram, sempre, o mundo com toda a sua diversidade.

Para os que se interessam pelo trabalho dela, é possível conhecer um pouco mais, através do seu livro Year of Yes e, também, aos que pretendem seguir a carreira do mercado audiovisual, esse ano de 2017 será lançado o curso intensivo de Escrita para Televisão, dado pela própria Shonda, no masterclass.com.

Ademais, ela é um exemplo pras futuras roteiristas como eu e para qualquer menina/mulher que está cansada dos padrões de nossa sociedade. Para todos que querem uma melhor representação e oportunidades para mulheres, negros, latinos, LGBTs, entre muitos outros, eis que as narrativas de nossa guerreira provam que é possível fazer sucesso e quebrar tabus, ao mesmo tempo.

Me encanto, me impressiono e me inspiro muito com o trabalho de Rhimes e torço, para que um dia, eu possa ser ao menos um terço do que ela é hoje, pois já estarei muito satisfeita.

Ted Talk 2016: Meu ano de dizer “sim” para tudo.

BÔNUS DO DIA

Para quem gostaria de ver nossa deusa atuando, é só checar o episódio 5, da terceira temporada de The Mindy Project, ao qual eu falo no texto “13 comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir“.

Não me procurem, pois eu fui ver minhas séries! Beijos.

*Hacker: uma pessoa que possui interesse e um bom conhecimento na área da informática, sendo capaz de fazer hack (uma modificação) em algum sistema informático.

*ShondaLand: é uma produtora de televisão americana fundada pela escritora/produtora Shonda Rhimes.

*Showrunner: é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

*Spin-off: é um programa de rádio, televisão, videogame ou, qualquer outra obra narrativa, derivada de uma ou mais obras já existentes.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em: http://www.imdb.com/name/nm0722274/>. Acesso em: 13 de jan. 2017.

IMDB. The Devil wears Land’s End. 2014. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4029966/?ref_=nm_flmg_act_1&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

Significado de Hacker. Disponível em: <https://www.significados.com.br/hacker/&gt;. Acesso em: 13 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Shonda Rhimes. 2017. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Shonda_Rhimes&gt;. Acesso em: 12 de jan. 2017.

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13 Comédias criadas e protagonizadas por mulheres que você precisa assistir

E mais uma de bônus!

Eu já ouvi inúmeras pessoas, principalmente homens, dizendo que mulheres não são engraçadas. Isso é algo tão relativo, que se fizermos uma análise sobre esses comentários, claramente chegaremos a um dos maiores problemas da nossa sociedade: o machismo.

No entanto, pra rebater esse pensamento, simplesmente darei dicas e exemplos de séries de comédia, criadas e/ou protagonizadas por mulheres, que fizeram e ainda fazem muito sucesso e merecem nossa atenção.

1) Ally Mcbeal (1997 – 2002)

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Ally Mcbeal (Calista Flockhart) e o elenco.

Ally, uma série do final dos anos 90, criada por David E. Kelley.

O motivo de eu colocá-la na lista é porque, pra uma comédia dramática da década de noventa, ela é espetacular e quebra tabus, mesmo que de uma forma suave, além da personagem principal ser a pessoa mais desajeitada, fofa e independente possível.

A série tem como trama a vida pessoal e profissional de Ally Mcbeal (Calista Flockhart) que começa a trabalhar num famoso escritório de advocacia em New York, onde reencontra o amor de sua vida, Billy Thomas (Gill Bellows), agora casado com Georgia Thomas (Corutney Thorne-Smith). A cada episódio temos um caso de justiça diferente que abordam assuntos interessantíssimos, como o machismo e o assédio dentro do trabalho, por exemplo.

Ademais, Ally trabalha no mesmo lugar que Billy e Georgia e, ao invés de gerar uma rivalidade feminina, como normalmente retratam, Ally e Georgia se estranham no começo, mas logo se dão bem e, a partir disso, a protagonista consegue se libertar do que sente pelo ex e seguir em frente.

E claro, não podemos deixar de falar sobre a amizade de Ally com sua colega de quarto, a também advogada, Renee Raddick (Lisa Nicole Carson). As duas são mulheres independentes, com histórias incríveis e uma amizade muito forte.

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“Temos sorvete. Quem precisa de um cara?” Renee mandando a real para Ally.

O programa é de comédia, mas contém muito drama, inclusive o formato foge do padrão de 30 minutos, sendo cinco temporadas com 40/50 minutos, por episódio. Indico a série por milhares de razões e garanto que você assistirá e sonhará em ser uma advogada(o) da firma, porque no final do expediente, todos saem pra beber ao som da cantora Vonda Shepard ou de algum cantor famoso convidado.

2) Chewing Gum (2015 – 2017)

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Elenco da série.

Série britânica exibida pelo canal E4, criada e estrelada por Michaela Coel. Esse roteiro foge de tudo o que conhecemos sobre comédia.

A narrativa conta a vida de Tracey (Michaela Coel) e sua relação com a família e o namorado, extremamente religiosos. A protagonista tem 24 anos de idade e ainda não teve relação sexual, mas decide mudar isso, mesmo que não seja com o namorado. A Tracey é divertidíssima e toca em assuntos que são quase “proibidos” na nossa sociedade, como sexo, virgindade e religião.

É muito interessante ver como a protagonista lida com seus desejos, mas, tenta, a todo o custo, não decepcionar a família. Além do mais, sua melhor amiga, Candice (Danielle Walters), é o oposto dela e a ajuda bastante em sua nova fase de vida.

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“Nosso querido e abençoado Salvador, eu preciso da coragem que você teve para contar a todos que era filho de Deus.”

Apesar de ter somente 6 episódios, a série lançará sua segunda temporada nesse ano e virá com tudo, pois Tracey está só começando sua aventura.

3) Divorce (2016 – 2017)

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Sarah Jessica Parker e Thomas Haden Church.

Uma das novas apostas do canal HBO, criada por Sharon Horgan e estrelada por Sarah Jessica Parker.

A história mostra o começo da separação e divórcio do casal Frances (Sarah Jessica Parker) e Robert (Thomas Haden Church), que após anos de casados, se descobrem infelizes um com o outro.

Ainda está na primeira temporada, com a segunda pra estreiar nesse ano novo, e aborda algo importante, como o divórcio, e como é difícil, porém normal, marido e mulher buscarem algo diferente depois de muito tempo juntos.

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Estamos na torcida por essa série!

Além disso, essa série é outro exemplo de mulher protagonista que trai o marido, como eu havia comentado num texto anterior, e que tem dado muito certo. Eles tem dois filhos pequenos e agora terão que lidar com essa separação, sem que a família se desfaça por completo.

4) Faking It (2014 – 2016)

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Karma Ashcroft (Katie Stevens) e Amy Raudenfeld (Rita Volk)

Série da MTV, criada por Carter Covington, Dana Goodman e Julia Lea Wolov.

Conta a história de duas amigas, Amy Raudenfeld (Rita Volk) e Karma Ashcroft (Katie Stevens), que decidem fingir ser um casal, para finalmente serem populares na escola. No entanto, Amy acaba se apaixonando por Karma e agora as duas terão que descobrir como manter essa amizade, sem que ninguém saia magoado.

Uma série que gira em torno do ensino médio, fase adolescente e de descobertas. É muito interessante por retratar a sexualidade dos adolescentes, em fase de questionamento, sendo que alguns já sabem do que gostam e não gostam, enquanto outros, ainda vão descobrir e está tudo bem. A questão é se permitir, sempre.

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Esse beijo, hein? Ai, ai.

Apesar de ter sido cancelada na terceira temporada e não ser perfeita em tudo, eu recomendo, pois ela é divertida e lida com a homosexualdiade e a bisexualidade na era moderna, em que existem tinders da vida e, assim como a relação heterosexual, são relações humanas, com altos e baixos, o tempo todo.

5) Girls (2012 – 2017)

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Elenco da série.

Série da HBO, criada e estrelada por Lena Dunham.

A trama conta a história de quatro amigas, Hannah Hovarth (Lena Dunham), Marnie Michaels (Allisson Williams), Jessa Johansson (Jemima Kirke) e Shoshanna Shapiro (Zosia Mamet) e seus ganhos e perdas na vida pessoal e profissional.

O gênero segue o estilo de uma comédia dramática, pois vemos de perto as dificuldades das personagens na entrada da vida adulta e nos relacionamentos amorosos.

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“Minhas circunstânicas mudaram e não posso mais aceitar trabalhar de graça.”

Além disso, ela aborda a sexualidade feminina, assim como Sex and The City (1998 – 2004) fez alguns anos atrás, como normal e livre, podendo, nós mulheres, fazermos o que quisermos, pois o corpo e as regras são nossas. Inclusive teve a polêmica cena do sexo oral por trás, uma sequência super rápida e maravilhosa e, a sociedade, como sempre, tentando regredir nossas conquistas. Mas não permitiremos isso! Vamos que vamos, rumo ao sucesso das mulheres, sempre! Inclusive na cama.

6) Grace and Frankie (2015 – 2017)

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Jane Fonda e Lily Tomlin.

Original do Netflix, criado por Marta Kauffman e Howard J. Morris, indo para a terceira temporada.

A criadora, Marta Kauffman, ficou famosa depois da série Friends e, mais recentemente, lançou essa obra prima, estrelada por Jane Fonda e Lily Tomlin.

O argumento conta a história de Grace Hanson (Jane Fonda) e Frankie Bergstein (Lily Tomlin) que são surpreendidas por seus maridos. Os dois, Robert Hanson (Martin Sheen) e Sol Bergstein (Sam Waterston), melhores amigos e sócios há anos, assumem seu amor e relacionamento e se separam de suas mulheres. Agora, as duas terão que lidar com a separação, após anos de casamento e com as mudanças em sua rotina.

Eu adoro essa série por tantos motivos, mas o principal é por abordar a homosexualidade de uma forma muito natural, além de retratar o amor e o sexo na terceira idade da mesma forma, como normal e saudável.

Uma trama incrível, em que tanto o casal de homens, quanto as duas novas amigas, Grace e Frankie, surpreendem o público com suas reviravoltas e nos encantam com a forma como lidam com tantas modificações, sem deixar o preconceito da sociedade arruinar suas famílias e felicidade.

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“Larga o microfone.”

Jane Fonda e Lily Tomlin, não só atuam, como também são produtoras excecutivas, e tem dado um show de interpretação e talento, mostrando que envelher pode ser tão bom quanto ser jovem.

7) Insecure

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Issa Rae no cartaz da série.

Outra aposta da HBO, lançada em 2016 e criada por Issae Rae e Larry Wilmore.

A trama segue a vida de Issa Dee (Issae Rae) e de sua melhor amiga, Molly Carter (Ivonne Orji), duas mulheres negras, lidando com profissão, vida amorosa e amizade.

A série é inspirada na websérie “The Misadventures of Awkward Black Girl” e é um marco para o canal televiso, pela temática central ser a vida de duas mulheres negras, de forma bastante humorada e inteligente.

Além disso, a personagem Issa não só é divertidíssima, como arrasa ao cantar raper. No piloto da série, numa tentativa de reviver momentos do passado e quebrar a monotomia de sua vida, ela sobe no palco e improvisa um rap. No entanto, Issa acaba magoando sua amiga, pois ela canta sobre um assunto pessoal de Molly, mas as duas se entendem ao final do episódio, mostrando que a amizade delas é o apoio principal uma da outra.

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Quem tem amizade, tem tudo.

Está na primeira temporada e esse ano lançará a segunda. Issa Rae é uma das criadoras e estrelas do programa, ainda trabalhando como produtora excecutiva.

8) My Mad Fat Diary (2013 – 2015)

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Elenco da série.

Segunda série britânica de comédia dramática da lista. Foi exibida no canal E4, baseado no livro My Fat, Mad Teenage Diary por Rae Earl – que também escreve para a série – e desenvolvida por Tom Bidwell.

A trama se passa nos anos 90, na cidade de Liconlnshire e gira em torna da vida de Rachel ‘Rae’ Earl (Sharon Rooney), uma adolescente com dificuldades em se aceitar, que passou quatros meses num hospital psiquiátrico, por tentativa de suicídio. Depois de deixar o hospital, Rae reconecta-se com sua melhor amiga, Chloe Gemell (Jodie Comer), e o grupo desta. Ninguém sabe dos problemas de saúde mental da protagonista e sobre sua permanência no hospital psiquiátrico.

Apesar de lidar com um tema tão complicado, como saúde mental e autoaceitação, essa série é maravilhosa. Eu adoro personagens aos quais podemos nos identificar com suas dores, mesmo que não as mesmas, e entendemos que todos temos dificuldades nessa vida.

A protagonista é simplesmente incrível e foge completamente do padrão, sendo uma de suas maiores dificuldades, a aceitação de seu corpo. A todo o tempo, ouvimos os pensamentos de Rae e entendemos seus problemas, além de rirmos com sua imaginação adolescente e louca.

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“Não estou bem. Acho que não estou bem há anos!” Ninguém está, querida Rae.

Aos poucos ela vai se encaixando no novo grupo de amizade e se aceitando, ao mesmo tempo em que continua o tratamento com o psicólogo, onde temos diálogos fortes e emocionantes, e outros engraçadíssimos. Os efeitos visuais são hilários e a trilha sonora de adolescente dos anos 90, está imperdível.

Mesmo que você não esteja acostumado com a comédia britânica, que tem um humor diferente do que normalmente assistimos, essa série vale muito a pena por tratar de assuntos delicados e universais. A série teve somente três temporadas, de 6 episódios, cada.

9) New Girl (2011 – 2017)

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Elenco da série no cartaz da segunda temporada.

Projeto do canal FOX, criado por Elizabeth Meriwether.

A narrativa gira em torno da vida de Jess Day (Zooey Deschanel), uma professora que adora cantar espontaneamente, que  pega seu namorado com outra mulher e precisa de um novo lugar para morar. Ela se muda para um estúdio, onde dividirá com três homens desconhecidos. Assim, terá que descobrir como lidar com as mudanças da vida, além de se relacionar com os seus colegas de quarto.

Um humor leve, inclusive a Jess é uma adorável professora, sempre positiva, que agora tem que lidar com essa “derrubada” da vida e receberá a ajuda de sua melhor amiga e seus novos roomates*.

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“Eu gosto de cantar sozinha… bastante, por sinal.”

Já está na sexta temporada e, muitas coisas já aconteceram, mas vale a pena por fazer rir quando a gente menos espera e dar voz a uma protagonista mulher, com uma personalidade incrível.

10) Parks and Recreation (2009 – 2015)

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Amy Poehler como Leslie Knope.

Exibido pelo canal CBS e criado por Greg Daniels e Michael Schur.

Como falar dessa série que é o amorzinho dos amorzinhos?

Primeiro que é estrelado por Amy Poehler que interpreta a amada Leslie Knope, aquela pessoa fofa e positiva que trabalha na prefeitura de Pawnee (Indiana) e faz tudo pela sua cidade natal.

Além disso, o elenco é bastante diverso, com personagem descendente de latino, descentende de indiano, negros e mulheres. Tem o formato de um falso documentário, com depoimentos dos personagens, que nos fazem rir alto.

A trama começa quando Andy Dwyer (Chris Pratt) sofre um acidente numa das obras abandonadas da prefeitura e Leslie Knope (Amy Poehler) faz de tudo para ajudá-lo, ao mesmo tempo em que tenta reconstruir o parque onde ocorreu o incidente.

A partir disso, seguimos o dia a dia na prefeitura da cidade de Pawnee, com a Leslie sendo a pessoa mais empolgada e os outros seguindo as maluquices dela. Seu chefe, Ron Swanson (Nick Offerman), vive de cara emburrada e não fala muito, mas é o melhor amigo da Leslie e ele é o fofo que você mais respeita e quer por perto.

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Sim Ron, é você!

Além disso, temos Tom Haverford (Aziz Ansari) e Donna Meagle (Retta), que inventaram o famoso dia “Treat Your Self” – um dia especial em que eles cuidam de si mesmos, comprando e fazendo tudo o que querem. É muito amor por esse dia!

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“Cuide de si mesmo.”

Temos a jovem “rebelde”, April Ludgate (Aubrey Plaza), que vive entediada no seu estágio, mas no fundo adora o pessoal e sempre os ajuda, mas nunca sorri e mantém a pose de rebelde séria.

O Andy, já mencionado, é um desmiolado que adora cantar e não faz nada da vida. Ele é o namorado da Ann, relação que não dá muito certo, e ao longo da série vai amadurecendo e tendo um crescimento muito bom como personagem. Inclusive, foi a partir dessa série que o ator Chris Pratt saiu, rumo ao estrelato, em Guardiões da Galáxia e Jurassic World.

E claro, não podemos esquecer da amada Rashida Jones, que interpreta Ann Perkins, uma enfermeira certinha que com o passar do tempo decide seguir suas próprias vontades, errando e acertando, com o apoio de sua mais nova melhor amiga, Leslie Knope. Rashida também é roteirista e tem projetos incríveis, como o filme Celeste and Jesse forever.

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“Amiga é coisa pra se guardar…”

Quem não assistiu ao programa tem que parar TUDO e começar a série HOJE! A primeira temporada não é tão empolgante, mas a partir da segunda, a trama fica hilária e é interessantíssimo vermos a realidade, mesmo que fictícia, do trabalho governamental nos EUA. Aliás, spoiler super válido, tem um episódio que a Michelle Obama aparece e é maravilhoso.

CORRE PRA ASSISTIR!

11) The Mindy Project (2012 – 2017)

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Cartaz da série, com Mindy Kaling.

A série teve suas primeiras temporadas transmitidas pela FOX e, atualmente, é exibida pelo canal de streaming, Hulu. Argumento criado e protagonizado por Mindy Kaling.

A série acompanha a vida pessoal e profissional da ginecologista e obstreta, Mindy Lahiri (Mindy Kaling), numa clínica em New York. A atriz e roteirista começou sua carreira na televisão, com a série americana, The Office, e tem no currículo sucessos como: Divertidamente (ela é a Nojinho).

Eu adoro esse programa porque a Mindy é absurdamente engraçada. O melhor de tudo é acompanhar o crescimento pessoal da protagonista que não aceita os padrões impostos à ela.

Ao longo das temporadas, Mindy toma decisões difíceis, mas você torce por ela o tempo todo. Além do mais, o pessoal da clínica são maravilhosos, e eu dou destaque ao Morgan Tookers (Ike Barinholtz), Tamra (Xosha Roquemore) e Beverly (Beth Grant).

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Go Mindy, go Mindy!

Essa narrativa também é incrível, por ter como protagonista uma mulher fora dos padrões hollywoodianos, visto que Mindy é uma descentende de indiana, não é magrela e se aceita muito bem, além de escrever e produzir seu próprio show.

12) Veep (2012 – 2017)

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Julia Louis-Deyfrus como Selina Meyer.

Série da HBO, criado por Armando Iannucci.

A narrativa gira em torna da ex-senadora Selina Meyer (Julia Louis-Deyfrus), que aceitou o convite para servir como vice-presidente dos Estados Unidos. Vemos o cotidiano de Meyer e sua equipe, que tentam deixar sua marca e um legado duradouro, sem tropeçar nos jogos políticos que tomam conta de Washington.

O projeto já foi bastante premiado, inclusive, no último Emmy, recebeu várias estatuetas. Julia, além de atuar, também é uma das produtoras excecutivas. No seu discurso, do ano passado, além de homenagear o pai, já falecido, ela falou como a série a surpreende, por ser uma comédia, mas parecer tanto com a realidade da política americana.

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Ficção ou realidade, hã?

13) 30 Rock (2006 – 2013)

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Elenco da série no cartaz da sexta temporada.

Exibida pelo canal NBC, criada por, ninguém mais, ninguém menos, que Tina Fey.

Na série, acompanhamos os bastidores da sala de roteiristas de um programa de humor semanal e ao vivo. O projeto é baseado nas experiências da atriz e roteirista, Tina, quando trabalhou em Saturday Night Live.

Além disso, vemos a vida pessoal de Liz Lemon (Tina Fey), chefe dos roteiristas, uma pessoa que adora comer e ver televisão, que tem que provar aos colegas de trabalho que ela é a chefe e todos devem escutá-la.

Também vemos o dia a dia das estrelas do programa fictício, Jenna Maroney (Jane Krakowsky) e Tracy Morgan (Tracy Jordan), e suas bizarrices e mimos nos bastidores.

Alec Baldwin (Jack Donaghy) é o presidente da rede televisa e incorpora um empreendedor extremamente capitalista e de direita. A série contém diálogos incríveis, entre Liz e Jack, uma visionária e um conservador.

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Troféu joinha!

Essa é outra série que é o amorzinho dos amorzinhos, simplesmente por ser criada pela amada e diva Tina Fey. Eu rio horrores com esse programa, todos os personagens são hilários e é incrível ver os bastidores de um show, exibido ao vivo. Ainda, aprendemos muito sobre o famoso writersroom*, que é uma sala onde um grupo de roteiristas discutem o que acontecerá no show.

30 Rock foi muito premiada, sendo Tina Fey nomeada várias vezes ao Emmy, pelo papel de Liz Lemon. Essa série é ótima pra ver uma protagonista que não entende nada dos padrões femininos e é o máximo por isso e dá as melhores festas, porque:

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“Não existe festa como a festa da Liz, porque a festa da Liz é OBRIGATÓRIA.”

BÔNUS

Unbreakable Kimmy Schmidt (2015 – 2017)

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Ellie Kemper como Kimmy Schmidt.

Já que estamos falando dos trabalhos da Tina Fey, não posso deixar de mencionar sua série mais recente. Lançada pelo Netflix, Unbreakable Kimmy Schmidt foi desenvolvida por Tina e Robert Carlock.

A trama tem como protagonista Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma das cinco mulheres resgatadas de um culto apocalíptico. Depois de anos vivendo num sótão subterrâneo, enganadas pelo religioso Richard Wayne Gary Wayne (Jon Hamm), elas são finalmente achadas pela polícia. Assim, Kimmy decide ver o lado positivo da vida e resgatar todos os anos perdidos, indo morar na cidade de New York.

O humor é bastante sarcástico e o roteiro dá várias alfinetadas na alta sociedade nova iorquina. Em Manhattan, Kimmy divide apartamento com Titus Andromedon (Tituss Burgess), personagem assumidamente gay, que tenta conquistar o sucesso no meio musical. A dona do apartamento, Lillian (Carol Kane), vive acima deles e luta contra as “conspirações” da sociedade.

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Temos o famoso hit de Titus, “Pinoooot Nooooir.”

Além disso, a série também toca em assuntos delicados, como o machismo, racismo, homofobia, elitismo e fanatismo religioso. Na primeira temporada, os diálogos são fantásticos e as mensagens por trás deles, são incríveis. A segunda temporada se perdeu um pouco, mas acredito que a próxima virá cheia de novidades, com o humor irônico de sempre.

Assistam mais essa produção de Fey, porque vocês não vão se arrepender, nem que seja pra ver o Titus tendo aula de como ser um homem hetero ou a Kimmy, tentando achar bondade numa cidade grande, como NY.

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“Você gritou, negou ajuda e quebrou alguma coisa. Essa é a primeira lição para se tornar um homem hetero.”

*roomate: colega de quarto

*writersroom: sala de roteirista

UnREAL: o drama, sem drama, que você respeita.

Recentemente um professor comentou que as séries que a esposa dele assiste, Grey’s Anatomy e Scandal, são dramalhões muito chatos. Fiquei com isso na cabeça e tentei fazer uma análise com o outro exemplo que ele citou, Breaking Bad.

Não posso negar que os trabalhos da deusa Shonda Rhimes são dramalhões, mas muito maravilhosos. Também não posso negar que Breaking Bad é puro drama, só que o foco do protagonista vai da família ao poder, enquanto os personagens da Shondaland lidam e focam em milhares de coisas.

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“Alguém me dê um sedativo.” Até Yang sofre em Grey’s, admitimos isso. #tamojunto

Para não rebater o argumento usado com outro projeto que a própria Shonda tenha criado ou produzido, pensei em abordar outro programa, que também tenha protagonismo feminino, seja do gênero drama, além de ser o oposto das séries citadas.

Com isso em mente, o seriado escolhido foi UnREAL. A trama foi criada por duas mulheres, Marti Noxon e Sarah Gertrude Shapiro, e o protagonismo é encabeçado por Rachel Goldberg (Shiri Appleby) e Quinn King (Constance Zimmer).

 

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Quinn King (Constance Zimmer) e Rachel Goldberg (Shiri Appleby) no cartaz da segunda temporada.

A história mostra os bastidores do reality show Everlasting, que é baseado no famoso reality The Bachelor. O programa original, The Bachelor, é um show onde várias mulheres disputam o coração de um homem. Hoje em dia existe o The Bachelorette, que é a versão onde homens disputam o coração de uma mulher.

Em UnREAL, nós vemos toda a parte da produção e filmagens do programa fictício, Everlasting, e descobrimos que o “príncipe”, tão disputado, não tem nada de encantado, que a maioria das falas das participantes são induzidas pelos produtores e, posteriormente, editadas, além de vermos todos os podres dos bastidores, que apesar de ser ficção, tem muita veracidade.

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Pois é…

Para você ter uma noção de como esse drama é surreal, na primeira temporada, uma das candidatas comete suicídio no local onde o programa é filmado e na segunda temporada, um personagem é morto por racismo. Não estou entrando em detalhes porque não quero dar spoilers, mas quero provar que essa série é um drama bastante pesado e muito bem desenvolvido.

Além do mais, diferentemente de protagonistas como Meredith Grey, nós não gostaríamos nenhum pouco de conhecer Rachel e Quinn, mas a amamos de tão monstras e bizarras que elas são. Sinceramente, Walter White vai pro chinelo perto delas, porque elas conseguem manipular muito bem, tudo e todos, sem precisar fabricar drogas para isso.

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Go Rachel, Go Rachel!

Antes que pensem, eu gosto muito de Breaking Bad. No entanto, é exaustivo quando as pessoas só falam e elogiam esse tipo de programa, com protagonismo masculino, com o argumento de que é excelente e bem desenvolvido, mas nunca ouviram falar de UnREAL, que é tão maravilhoso quanto.

A intenção da série parece bem clara: mostrar todas as mentiras de um reality show, não é à toa que o nome é UnReal (Não Real). Ele mostra como essa indústria é perigosa pras próprias pessoas que participam dela, por tudo o que são obrigados a passar e por toda a competitividade fora e dentro das câmeras.

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O “bachelor” da primeira temporada Adam (Freddie Stroma)
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O “bachelor” da segunda temporada Darius Hill (B.J.Britt)

Aliás, o mais interessante do programa é justamente mostrar como a mídia cria fantasias românticas como se tudo fosse real, mas, na verdade, as pessoas do programa são bastante problemáticas, assim como qualquer outro ser humano, e vivem dentro de um sistema sedutor e destrutível, ao mesmo tempo.

Além disso, a relação das duas anti-heroínas, Rachel e Quinn, é muito questionável, pois elas são uma dupla dinâmica incrível, porém se atacam toda hora, se necessário. A Rachel tem vários problemas de saúde mental e uma mãe psicóloga que cuida dela, mas acaba piorando seu estado, enquanto a Quinn é uma pessoa que só pensa na audiência e em fazer o seu querido show, o melhor de todos, e nunca derrama uma lágrima sequer.

Ou seja, temos duas mulheres ambiciosas e excelentes exemplos de personagens femininas que vivem dramas, sem fazer drama, até porque, elas são obrigadas a esconder tudo, senão seriam presas em três segundos. E claro, não posso deixar de comentar que ambas tem relacionamentos amorosos péssimos, com homens, mas uma acaba sendo o suporte da outra e sempre dão a volta por cima dos ex, que também não são flor que se cheire.

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“Isso é o poder feminino.”

Em contra partida, temos outros persongens como Jay (Jeffrey Bowyer-Chapman) e Madison (Genevieve Buechner) que tem atitudes mais associáveis, mesmo fazendo besteiras, de vez em quando. Aliás, as próprias candidatas do falso reality são maravilhosas, porque cada uma tem uma história diferente e por mais que elas queiram ganhar o “prêmio”, elas não fazem ideia do que estão fazendo ali e questionam a produção do programa o tempo todo, além de terem medo do que pode acontecer com elas. É si por si, mas volta e meia algumas alianças são formadas, até algo quebrar essa união.

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Elenco da primeira temporada.

É importante frisar que essa narrativa é bem forte e mostra o pior do ser humano e da televisão, nos fazendo refletir e questionar sobre o que assistimos, sobre relacionamentos humanos e ambição profissional, e pior, como que vale tudo por audiência.

Sendo assim, eu recomendo essa série pra quem gosta de assuntos pesados e uma realidade nua e crua, cheia de reviravoltas, com personagens mulheres maravilhosas, algumas assustadoras, mas incríveis, e também porque cada temporada tem somente dez episódios de 40/50 minutos e a terceira temporada ainda vai começar.

BIBLIOGRAFIA

IMDB, UnREAL.2015. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3314218/&gt;. Acessado em: 29 de dez.

O protagonismo feminino no cinema nacional 2016.

O cinema nacional, de uns anos pra cá, tem ganho uma força monstruosa, e não só o conteúdo, quanto a qualidade técnica, estão cada vez mais impressionantes.

Nesse ano, tivemos muitos lançamentos, alguns já batidos mas que não deixam de ter um valor simbólico, outros que não se saíram tão bem e, claro, o que nos deixaram de queixo caído.

O ano de 2016 foi um ano de muita luta pela igualdade de gênero, dentro e fora das câmeras, uma luta que vem ocorrendo há anos e cada vez mais obtém força e sucesso. Com isso em mente, nesse texto eu gostaria de destacar seis produções cinematográficas com protagonismo feminino, seja na frente ou por trás das câmeras, pois valem a reflexão, a homenagem e o orgulho de quem aprecia a sétima arte brasileira, além de ser um pequeno avanço na luta pela igualdade entre homens e mulheres no meio audiovisual.

AQUARIUS

Sinopse: Clara (Sonia Braga) mora de frente para o mar no Aquarius, último prédio de estilo antigo da Av. Boa Viagem, no Recife. Jornalista aposentada e escritora, viúva com três filhos adultos e dona de um aconchegante apartamento repleto de discos e livros, ela irá enfrentar as investidas de uma construtora que tem outros planos para aquele terreno: demolir o Aquarius e dar lugar a um novo empreendimento.”

O filme foi escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Sonia Braga. Pra quem assistiu a outra realização do diretor, Som ao Redor (2012), notou semelhanças na estrutura narrativa e na direção do filme, o que deu ao longa um estilo bem autoral, e por sinal, igualmente ao trabalho anterior, mostra toda a beleza de Recife.

No entanto, quem rouba a cena, sem sombra de dúvidas, é Sonia Braga. Ela está um furacão de personagem, de carisma, de sensualidade, de interpretação, de tudo o que você puder imaginar. A personagem principal é a força de tudo na história! É incrível assistir à garra dessa mulher ao defender seu apartamento, que é e sempre foi, seu lar, além de vermos a fragilidade desta, com assuntos mais delicados como saúde e família.

Além disso, a atriz, aos 66 anos de idade, esbanja sensualidade e inclusive quebra um grande tabu com suas cenas de sexo, pois mulheres dessa faixa etária, aos olhos da sociedade machista, não são procuradas para esse tipo de papel, já que sexo após certa idade é visto como algo grotesco e não comercial, e claro, mulheres não podem envelhecer né?

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Sonia Braga divando aos 66 anos de idade.

O drama é incrível e foi muito bem construído e levou vários prêmios mundo afora, pela potência que foi. No entanto, é importante frisar que a trama foca no público de classe média alta, então, ao meu ver, tem alguns equívocos ao retratar certas mordomias dessa classe.

No geral, esse filme é tudo o que você já deve ter ouvido falar e um pouco mais. Aquarius deu e ainda vai dar muito orgulho ao cinema nacional.

AMORES URBANOS

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Poster do filme Amores Urbanos.

Sinopse: Amores Urbanos é uma comédia dramática que conta a história de três amigos que vivem no mesmo prédio, em São Paulo. Júlia, Diego e Micaela são jovens anti-heróis, que superam desventuras amorosas e profissionais com humor e muita personalidade.”

Escrito e dirigido por Vera Egito, Amores Urbanos rompe muitas barreiras no cinema brasileiro, pois é um filme com muita carga emocional e conta histórias de relacionamentos amorosos entre pessoas, independente da sexualidade, da forma mais honesta possível.

O longa se utiliza do multiprotagonismo e segue em torno da vida de três amigos Júlia (Maria Laura Nogueira), Micaela (Renata Gaspar) e Diego (Thiago Pethit) e suas vidas amorosas, bastante desastrosas, por sinal.

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Júlia (Maria Laura Nogueira), Micaela (Renata Gaspar) e Diego (Thiago Pethit).

Não há efeitos especiais, não há nenhum artíficio “blockbuster” que prenda a atenção do público, mas tem muita história pessoal dentro do roteiro e que qualquer um na faixa dos 25-35 anos consegue se identificar com as crises pessoais dos personagens.

Além disso, é incrível termos dois protagonistas assumidamente gays, Diego e Micaela, e seus relacionamentos serem mostrados pelo lado bom e também pelo ruim, como qualquer outra relação heterosexual.

No demais, apesar de ser um filme com um público alvo muito fechado, é interessante pela narrativa, pelos personagens, pelas dores vividas por eles e como os três amigos conseguem superar todas as dificuldades juntos. Acredito que seja um filme que retrata família no sentido de conexão e não de sangue e só por isso já é possível se emocionar com o longa-metragem.

ELIS

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Cartaz do filme Elis, com Andreia Horta.

Sinopse: A vida de Elis Regina – indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. A trendsetter cultural que sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB, a “pimentinha” ardente (brilhantemente interpretada por Andréia Horta), que viveu uma vida turbulenta. Ao mesmo tempo em que se chocava com a Ditadura Militar no Brasil, ela lutou com seus próprios demônios pessoais. “Elis”, o filme, está imbuído da alma da cantora e do país que ela amava.”

O filme tem a direção de Hugo Prata que também assina o roteiro, junto com Vera Egito e Luiz Bolognesi.

Estrelado por Andreia Horta, que brilhantemente encarna o papel da cantora Elis Regina, o longa segue uma narrativa clássica, e nos retrata muito bem as emoções de Elis com o passar do tempo, do começo de sua carreira ao sucesso, até sua despedida desse mundo.

Assim que assisti ao filme, fiz um texto comentando a falta de personagens femininos no roteiro, além da protagonista, Elis. Uma pessoa que com certeza faltou nesse longa foi Rita Lee, mas, infelizmente, não podemos mudar isso.

No entanto, não posso deixar de elogiar a performance de Andreia e dizer que Elis foi e sempre será um ícone para a música nacional. Toda sua história e seu talento me arrepiam só de pensar e o filme nos deixa arrepiado a todo o instante, tocando clásssicos da cantora, além de mostrar suas crises pessoais, às quais podemos nos indentificar humanamente.

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Andreia Horta como Elis Regina na cena em que Elis fala sobre a didatura militar numa entrevista internacional. “Sem querer ofender os gorilas, obviamente.”

No demais, apesar do erro de não dar voz às outras mulheres que fizeram parte dessa história, a personagem principal, seja por ser uma biografia ou não, dá um banho de presença em todos os homens em cena e nos encanta com tamanha potência, de voz e vida pessoal.

Se eu fui ao cinema apaixonada por Elis Regina, saí completamente encantada e admirada por tudo o que ela passou e conquistou. Esse filme vale a pena, não só pela boa produção, mas pelo nome que traz. Por Elis vale a homenagem e vamos torcer para que as próximas produções venham com mais protagonismo feminino e menos homens desnecessários à trama.

MÃE SÓ HÁ UMA

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Cartaz do filme Mãe só há uma.

Sinopse: Mãe só há uma é uma tragédia adolescente que confronta a idéia de família, de identidade, de cultura: Pierre, 17 anos, mora no interior de São Paulo com sua amorosa mãe Aracy e sua irmã Jaqueline. Vive uma vida louca até que a polícia aparece em sua casa com uma delicada suspeita. Joca, 13 anos, mora na capital de São Paulo com sua mãe ausente Gloria, seu delicado pai Matheus e sua empregada Marly. Um exame de sangue vai revelar o que havia oculto em sua família.”

Longa escrito e dirigido por Anna Muylaert, primeiro longa lançado após o sucesso de “A Que Horas Ela Volta (2015)”.

A história é baseada num acontecimento real, o famoso “Caso Pedrinho”. Eu era muito nova na época, mas lembro das notícias contando o caso do menino que foi sequestrado por um mulher, que até então assumiu o papel de mãe – e para ele, realmente foi a mãe dele – e 16 anos depois, a polícia o encontra e o leva para sua família biológica.

Apesar desse forte cunho para o lado do suspense, a diretora trabalha a trama de outra forma, bastante singular por sinal. A narrativa já começa com a separação de Pierre com sua mãe “adotiva” e o vemos lidar com a nova vida, além de lidar com sua identidade de gênero e sexualidade.

Pierre gosta de vestir roupas femininas, apesar de ser considerado do gênero masculino, e se relaciona tanto com meninas, quanto com meninos. O interessante disso tudo, é que na ficção criada pela diretora, o rapaz que, até então, poderia explorar seus gostos pessoais na vida que tinha, ao chegar no novo lar, sua sexualidade e rupturas de gênero não são aceitas, e por sinal, são o principal problema da boa relação nesse novo núcleo familiar.

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Don’t call me son (Não Me Chame de Filho), título do filme na versão em inglês.

Acredito que a maioria do público assistirá ao filme e poderá se decepcionar pelo o roteiro não focar na parte do sequestro e da revelação de tudo, mas irá se deliciar com essa narrativa única, de pertencimento e não pertecimento de um menino ao seu corpo, seu gênero, sua sexualidade e a sua mais nova família.

No demais, Anna Muylaert surpreende novamente e traz mais um orgulho para a cinematografia brasileira.

MATE-ME POR FAVOR

 

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Cartaz do filme com a atriz e protagonista Valentina Herszage.

Sinopse: Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Uma onda de assassinatos invade o bairro. O que começa como uma curiosidade mórbida se apodera cada vez mais da vida dos jovens habitantes. Entre eles, Bia, uma garota de 15 anos. Após um encontro com a morte, ela fará de tudo para ter a certeza de que está viva.”

Escrito e dirigido por Anita Rocha da Silveira, Mate-Me Por Favor é, na minha opinião, o filme do ano. Eu diria isso por razões que vão além de considerar um filme um sucesso ou não. O longa é uma mistura de suspense, com thriller, com alívios cômicos, e além de mostrar a vida pessoal de Bia (Valentina Herszage) e suas amigas, nos mostra como todas lidam com os assassinatos que vem ocorrendo na região em que moram, a Barra da Tijuca.

Esse longa-metragem rompe com tantas regras cinematográficas, mas de uma forma tão magnífica, que quase cria um novo gênero no cinema nacional. Não lembro de nenhum outro filme brasileiro que siga esse exemplo, talvez porque infelizmente não é fácil produzir filmes por aqui ou porque também não é fácil divulgar os filmes já realizados, mas nenhum me vem à cabeça e eu fiquei encantada com essa trama.

O filme não só nos dá agonia e receio por tudo o que está acontecendo com as mulheres assassinadas, nos remetendo ao medo que todas as mulheres têm no dia a dia, como ainda nos surpreende com cenas transcedentais e outras engradíssimas, como as sequências do culto Evangélico “Funkeiro”.

Clipe da música Sangue de Jesus, incluída no filme.

Aproveito para dizer que a trilha sonora está impecável e ela vai de músicas transcedentais até Claudinho e Buchecha. Preciso dizer mais alguma coisa para te convencer a assistir ao filme?

No demais, o longa-metragem consegue entreter, causar e nos fazer refletir sobre como é ser uma menina no mundo em que vivemos e como desde jovens, meninas enfretam medos que, infelizmente, as cercam pelo resto da vida.

PEQUENO SEGREDO

 

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Cartaz do filme Pequeno Segredo.

Sinopse: O longa-metragem de ficção, baseado na história real de Kat Schurmann e que também inspirou o best-seller homônimo de Heloísa Schurmann, revela a força do amor no destino de duas famílias. Ao adotar Kat, o casal Schurmann convive com a delicada escolha de manter ou não um segredo que vai além da adoção.

Dirigido por David Schurmann, Pequeno Segredo, da lista, é o filme que mais foge do ritmo dos outros. A trama começa um pouco perdida, ao tentar situar a história de duas famílias que estão conectadas e só com o desenrolar da história que iremos entender o porquê.

A produção está excelente, mas peca em algumas coisas como direção de atores, no entanto, do meio do filme até o fim, é impossível você desconectar seus olhos da tela. Estamos lidando diretamente com a dor de duas famílias, em proteger Kat (Mariana Goulart), não só do seu “segredo”, como da reação dos outros ao descobrirem esse segredo.

É baseado numa história real, aliás, o diretor do filme é irmão de Kat Schurmann , personagem principal, e fica nítido, a todo o tempo, o amor e carinho que Kat recebeu ao longo de sua vida, além de nos fazer lidar diretamente com tabus que nossa sociedade simplesmente tem medo de tocar.

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Capa do livro de Heloisa Schurmann, com a verdadeira Kat Schurmann.

Mistérios a parte, eu optei por não contar o segredo da protagonista porque é algo muito importante e simbólico para a narrativa e irá surpreender a qualquer um que não conheça a história, ou que conheça, mas verá, através da ficção, o que aconteceu na vida de todos os que estavam presentes na história.

INDICAÇÃO BÔNUS

JUSTIÇA

Apesar de ser uma minissérie, logo foge do tema que é voltado para o cinema, não posso deixar de comentar essa obra-prima criada por Manuela Dias.

Sinopse: A narrativa segue a história de quatro personagens, que no mesmo dia, são julgados e condenados a sentença de seus “crimes” e, a todo o instante, lidamos com a pergunta: “Justiça pra quem?”

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Vicente(Jesuíta Barbosa), Fátima (Adriana Esteves), Rose (Jéssica Ellen) e Maurício (Cauá Reymond).

Cada episódio segue o desenrolar da condenação de um dos protagonistas, mas todas as histórias estão interligadas entre si.

Caso Vicente Menezes

Vicente Menezes (Jesuíta Barbosa), possuído por ciúme e raiva, atira e mata sua noiva, covardemente, ao vê-la se relacionando com o ex. Ele pega cinco anos de cadeia e, ao sair, busca mais que tudo, o perdão de sua sogra, interpretada por Deborah Block.

Caso Fátima Libéria do Nascimento

A personagem Fátima, interpretada por Adriana Esteves, que está maravilhosa no papel, atira no cachorro do vizinho para proteger seu filho pequeno. Com raiva do ocorrido, o vizinho, Douglas (Enrique Díaz), que é policial, enterra drogas no terreno de Fátima e esta é condenada  por tráfico. Quando sai da cadeia, Fátima tem o sonho de reconstruir a família, mas o marido Waldir (Ângelo Antônio) já faleceu, seu filho Jesus (Bernardo Berruezo/Tobias Carrieres) se tornou morador de rua e a filha Mayara (Letícia Braga/Julia Dalavia) se prostitui.

Caso Rose Silva dos Santos

Comemorando ter passado no vestibular, numa festa na praia, Rose (Jéssica Ellen) é presa com drogas dos amigos, enquanto sua melhor amiga, Débora (Luisa Arraes), é liberada. Rose sai da cadeia sem ter para onde ir e busca por Débora, agora casada e com um grande ódio dentro de si. Débora conta a Rose sobre o dia em que foi estuprada e, assim, as duas decidem procurar o homem que a violentou e fazer justiça com as próprias mãos.

Caso Maurício de Oliveira

Maurício (Cauã Reymond) foi preso por eutanásia, após matar sua esposa Beatriz (Marjorie Estiano), uma bailarina que foi atropelada e ficou paraplégica. Ao sair da cadeia, Maurício planeja se vingar de Antenor (Antonio Calloni), que durante a fuga com o dinheiro roubado do sócio, atropelou sua esposa e não prestou socorro.

Essa minissérie nos faz questionar tantos problemas do nosso dia a dia, além de nos entreter a todo o instante, com histórias maravilhosas e muito bem desenvolvidas. Eu devorei essa minissérie e fiquei extremamente orgulhosa por saber que foi criada por uma mulher, Manuela Dias, e que foi lançada em canal aberto, pois este não é um espaço que aceite tanta quebra de tabus.

Recomendo o drama pois vivemos num mundo em que Justiça é algo extremamente questionável, pois esta, infelizmente, não é feita para todos. No entanto, podemos e devemos questionar o que deve ser feito para que finalmente todos possam ser tratados da mesma forma perante a lei.

Além disso, a trilha sonora da série está impecável, com músicas do Johnny Hooker, por exemplo.

Nurse Jackie: a protagonista que trai o marido.

Você sabia que existe uma “regra” na televisão americana, em que mulheres não podem trair seus maridos?

De acordo com o livro Na sala de Roteiristas, escrito por Christina Kallas, essa é uma, de provavelmente muitas, das regras veladas das emissoras. O livro fala sobre a sala de roteiristas, muito comum na televisão norte-americana, em que alguns ou vários roteiristas sentam-se numa sala e discutem os episódios da série em questão.

A autora entrevista diversos profissionais da área, alguns roteiristas e produtores-executivos, sobre suas experiências no writer’s room e seus trabalhos em séries famosas como: Sex and the city, Gilmore Girls, Game of Thrones, Mad Men, etc.

O assunto que mais me chamou a atenção foi na entrevista do showrunner* Warren Leight, em que ele comenta sobre essa regra, dizendo que se o personagem feminino trair o marido no programa, as chances do público não gostar mais dela são grandes.

trairnaopodeTrecho do livro Na sala de roteiristas.

Com isso em mente, fiz questão de assistir a série que quebra essa norma, Nurse Jackie, e entender melhor esse regulamento, que mais parece uma imposição. O programa teve sete temporadas e, até agora, assisti as duas primeiras.

Antes de tudo, gostaria de deixar claro que traição não é legal. Quando estamos numa relação monogâmica, seja com quem for, trair é mentir e enganar o outro. Isso quebra a confiança e, pior, afeta a auto-estima do outro e pode causar feridas incuráveis. É muito melhor e mais saudável, quando se há vontade de ficar com outras pessoas, que o casal discuta a respeito e chegue num consenso, onde eles podem abrir a relação ou ser poliamoristas, por exemplo.

Porém, a verdade é: traição existe e ela não é restrita a nenhum gênero. Ela acontece por várias razões e a intenção aqui não é julgar, mas sim compreender o motivo desse princípio absurdo, em que personagens mulheres não podem ou não devem trair seus companheiros, mesmo que na ficção.

Esse assunto surgiu depois que a escritora perguntou “Você dá ouvidos a coisas como ‘o público não vai gostar disso’?” Com essa questão, Warren diz que na sala de roteiristas de Mad Men, eles queriam que a esposa do protagonista, Don Draper (Jon Hamm), tivesse um caso. Eu não assisti essa série, mas na sequência ele conta que a personagem, Betty Draper (January Jones), “acabou traindo, mas não gostou, ou a experiência só serviu para ela dar o troco no marido, mas foi um erro”.

img_8761-jpgTrecho tirado do livro Na sala de Roteiristas.

Refletindo sobre o assunto chego a conclusões óbvias: numa área de trabalho onde a maior parte dos escritores são homens brancos, é difícil conseguir mudar regras as quais eles mesmos criaram.

Além disso, Nurse Jackie, citada na entrevista, tem como protagonista Jackie Peyton (Edie Falco) e ela trai o marido. A série exibida no canal Showtime, foi lançada em 2009 e teve sete temporadas de dez a doze episódios cada. Ou seja, a série pode ser considerada de sucesso, pois um programa que chega ou passa da quinta temporada, já ganha tal mérito.

A trama é protagonizada por Jackie, uma enfermeira de personalidade forte, que entende mais do que alguns médicos sobre salvar vidas, é uma viciada em remédios, e você a ama porque ela faz coisas como: jogar a orelha cortada de um homem na privada porque ele batia na mulher. Isso é contra os princípios da medicina em que a médica ou enfermeira tem que tratar todos os pacientes da mesma forma, mas nossa personagem nunca se contém.

Ademais, um dos arcos principais da trama, é a vida amorosa de Jackie em que, já no piloto da série, a vemos tendo relações com o farmacêutico, Eddie Walzer (Paul Schulze), e retornando a casa para seu marido, Kevin Peyton (Dominic Fumusa), e suas filhas, Gracie (Rubie Jerins) e Fiona (Mackenzie Aladjem).

Essa parte da série não só é importantíssima pra história, como nos prende a todo o instante, e nos provoca a desvendar essa misteriosa mulher, que esconde sua vida pessoal no trabalho e conta poucos detalhes para sua família sobre seu dia a dia no hospital. Até onde vi da série, não dá pra entender os motivos pelo qual Jackie tem um amante – que por sinal, ele não sabe que ela tem marido e filhas – mas isso é o de menos. Assim como é “aceitável” que Don Draper trai sua mulher e sua vida segue normalmente, a vida de Jackie tem o mesmo rumo e nos deliciamos com essa série de comédia dramática que é muito bem escrita e desenvolvida.

Outro caso famoso de traição de uma mulher, também citado na conversa com Warren, é a de Dr. Addison Montgomery (Kate Walsh), em Grey’s Anatomy. Essa mulher linda e maravilhosa retorna a vida de seu marido, Derek Shepherd (Patrick Dempsey), depois de todos os problemas da traição, e faz tanto sucesso com o público que ganhou sua própria série, chamada Private Pratice (2007-2013). Uma série que inclusive teve seis temporadas e é trabalho da deusa Shonda Rhimes.

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Kate Walsh no papel de Addison Sheperd. “Oi, Eu sou Addison Sheperd.”

Mais um exemplo de caso extraconjugal é Skyler White (Anna Gunn), da série Breaking Bad, que trai o famoso professor de química e traficante, Whalter White (Bryan Cranston). Dizer que alguma dessas séries não fez sucesso é loucura. Dizer que essas personagens não são adoradas pelo público é insanidade.

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A atriz Anna Gunn que interpretou Skyler White.

Isso prova que essa regra está dentro da cabeça dos homens que escrevem as séries, que deixam clara sua visão de mundo. Talvez por nunca aceitarem ser traídos, talvez por querer impor isso, ou pelo simples fato de que nossa sociedade impõe tantas coisas as mulheres, como ser uma boa esposa e fiel a seu marido, que isso fica nítido nas histórias por trás e dentro da ficção.

Mesmo sendo dito na entrevista que esse padrão vem da televisão aberta, o exemplo citado – a traição em Mad Men – vem de um canal fechado e passou pelo mesmo problema que qualquer outro canal aberto teria: ser escrito e produzido por homens brancos.

Assim, ao escrever uma série, é impossível a visão de mundo do roteirista não tomar conta de seus personagens e suas tramas, e como a maioria são produzidas por pessoas do sexo masculino, acaba sobrando pras personagens mulheres as regras que os homens sempre nos impõem. Ainda bem que temos Jackies, Addisons, Skylers, para romper com esses padrões e nos encantar com suas histórias fictícias.

*O Showrunner é o cabeça de equipe de uma série televisa. Além de produtor executivo, é roteirista e costuma tomar a decisão final dos episódios.

Bibliografia

KALLAS, Cristina. Na sala de roteiristas. 2014.

 

Rita Lee e Elis Regina: a amizade feminina que faltou no filme.

Na semana passada eu fui com meus pais assistir ao filme Elis. Faz alguns meses que eu vi o trailer e estava louca para prestigiar a história desse furacão de mulher.

Quando pequena não era muito fã de música brasileira, mas com o passar dos anos, me aproximei de pessoas que me influenciaram a escutar músicas nacionais.

Comecei me envolvendo com Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Tim Maia, até que me encantei e me apaixonei por Rita Lee, e logo mais, Elis Regina. Admito que conheço muito pouco da vida pessoal de todos esses artistas, apesar das histórias surpreendentes, de força e luta.

No entanto, como comecei a apreciar suas canções, quando vi que teria um filme sobre Elis Regina, fiquei extremamente curiosa e ansiosa pela estreia. Eu sabia tão pouco, mas tão pouco da vida pessoal dela, que não fazia ideia da causa de sua morte.

De qualquer forma, ansiei pelo momento do lançamento do filme e, assim que lançou, arrastei meus pais ao cinema e juntos fomos nos arrepiar com a famosa Pimentinha.

É importante dizer que alguns dias antes de ir ao cinema, eu tinha lido uma ótima resenha do longa no site MdeMulher – “Um filme sobre os homens na vida de Elis Regina”. Esse texto me influenciou e, de certa forma, fui assistir a obra cinematográfica com várias questões em mente e, com os olhos nervosos por respostas, eis minhas conclusões.

O filme é muito bom, disso não há dúvidas. Eu fiquei encantada do começo ao fim, da fotografia ao som e ,principalmente, com Andreia Horta que está absurdamente feroz e encantadora. Se eu me incomodei com o playblack no começo do filme, no final eu já achava que ela e Elis eram uma só. Me encantei com tamanha performance e acho que Elis foi bem representada, além de ter sido a melhor personagem do filme, não só por ser a protagonista, mas porque o personagem foi bem desenvolvido.

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Rita Lee e Elis Regina.

Todavia, eu não pude deixar de notar o óbvio: Elis é a única mulher do filme que tem história e claro, isso porque ela é a personagem principal. Todos os outros que exercem um papel considerável na trama são homens. Inclusive nem a mãe de Elis aparece no projeto e, com isso, eu me perguntava a todo instante– será que veremos a mãe dela ao menos um segundo?

Além disso, fiquei igualmente intrigada em saber se Elis teve alguma amiga próxima e a resposta está no título desse texto. Rita Lee se tornou uma grande amiga de uma das maiores cantoras do Brasil, então por quê raios a Rita Lee não está no filme?

Eu sai do cinema e fiquei com milhares de questionamentos e essa semana resolvi ir atrás de algumas respostas e, assim, tive o prazer de assistir uma entrevista com Rita Lee e fiquei enlouquecida com tudo o que ela disse. Uma parte tão importante da vida de Elis e o roteiro e a direção de sua cinebiografia deixam isso de lado, como pode?

Entrevista com Rita Lee falando sobre sua amizade com Elis Regina.

Resumidamente, Rita Lee diz “A gente tinha se cruzado várias vezes durante os festivais da Record e ela não gostava mesmo, odiava Mutantes (…) Passou várias vezes por mim e não me viu (…) Eis que fui presa em 1976, e a primeira e única pessoa que foi me ver na cadeia, Elis (…) Ameaçando chamar a imprensa, queria me ver porque ela sabia que eu estava grávida que tudo aquilo era uma besteira, era plantado (…) Foi uma força bicho, uma coisa impressionante! E depois continuou porque ela sabia que eu sai da cadeia sem grana nenhuma, devendo minha alma e ela me chamou para fazer algumas coisas, me pediu música (…) A gente ficou muito amiga, tanto que a filha dela chama Maria Rita porque ela me chamava de Maria Rita.”

Uma pena essa relação não estar no drama, e me perdoem, mas nenhuma desculpa sobre arco narrativo irá esquecer essa falha na edição do longa-metragem. Uma parceria incrível, de onde surgiu uma amizade tão forte, a ponto de Elis nomear a filha fazendo uma homenagem a amiga. Tantos personagens masculinos dispensáveis e logo as mulheres que são deixadas de lado. Não há muita dificuldade em entender o motivo dessas escolhas, mas não entrarei nessa discussão.

Apesar dos pesares, no final da trajetória de Elis, é possível nos emocionarmos e sentirmos a dor da protagonista. Aos que já passaram por depressão ou tiveram fases muito difíceis na vida, é emocionante e dilacerante saber como esta querida cantora chegou ao fim. O filme não mostra ao fundo o por quê de tanta melancolia e sofrimento, mas nos deixa sentidos de uma grande perda nacional. Talvez sim os homens a tenham matado, mas somos nós mulheres que ainda nos orgulhamos e nos inspiramos nessa potência de mulher. Nunca serás esquecida, Elis, isso eu te prometo!

Sendo assim, mesmo com essa falha monstruosa no roteiro, vale a pena a ida ao cinema. Felizmente o cinema nacional deste ano está surpreendente, tanto na qualidade técnica, quanto na narrativa em si. Mas obviamente, não podemos deixar de notar os erros, mas devemos fazer críticas construtivas para que nos próximos projetos, o público se incomode cada vez menos e se apaixone cada vez mais por filmes brasileiros.

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Elis e Rita.

Bibliografia

WARKEN, Julia.Um filme sobre os homens na vida de Elis Regina. 2016. Disponível em: http://mdemulher.abril.com.br/cultura/um-filme-sobre-os-homens-na-vida-de-elis-regina/

San Junipero: lugar onde as diferentes épocas vivem memórias 

Antes de começar a falar sobre San Junipero, vou contar uma pequena historinha, mas prometo que vou chegar ao ponto.

Na manhã desta quarta-feira, 30 de novembro, aconteceu o Fórum Permanente de Gestão do Conhecimento, Comunicação e Memória, com o professor Matthew Allen, da University of Leicester – Inglaterra, no Museu de Arte Moderna, em São Paulo. E eu fui conferir a palestra “A influência das mídias, da política e da economia na construção da nossa memória” para trazer para vocês alguns pontos interessantes para a reflexão.

Na verdade, essa era minha intenção. Acontece que meus planos não saíram exatamente conforme eu desejava. Meu voo foi cancelado e só pude sair do Rio no voo de 8h15. A palestra começava às 8h30. Com isso, me atrasei horrores e só cheguei no momento em que o professor agradeceu a atenção e se disponibilizou a responder os questionamentos do público.

Ele comentou alguns pontos interessantes, mas admito que me senti por fora. Se ao menos não tivesse ocorrido um acidente no caminho entre o aeroporto de Congonhas e o parque Ibirapuera, eu poderia ter assistido alguma coisa. Mas, não foi o caso. E tudo bem. Criei coragem para falar com o professor Allen no final.

Aliás, não que importe, mas o fato de o nome dele ser Allen me deixou criando referências a Barry Allen enquanto eu fingia entender as perguntas (e o que ele poderia ter falado na palestra que possa as ter plantado nas cabeças dos felizardos que conseguiram chegar a tempo), enquanto ele as respondia. Queria ser rápida também, rs.

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Quando o evento terminou, perguntei para ele sobre a influência do espírito do tempo na proposta de resgatar a memória da Nellie Bly e divulgá-la. Matthew  disse que essa atitude seria uma interessante interposição da herança [a memória dela] que se encaixa bem na pessoa para quem ela é transmitida.

“Se há uma coisa que nossas tecnologias de memória podem fazer por nós, é manter vivas as dificuldades do passado e as táticas usadas para superar, principalmente, as pressões do tempo”, ressaltou o professor.

No entanto, antes desse momento, esperei ele conversar com a equipe de Relações Públicas da empresa que produziu o Fórum. Fiquei ali perto, esperando minha vez. Mas, uma das perguntas de um rapaz fez com que eu refletisse. Ele questionou o professor sobre o terceiro (e último) episódio da primeira temporada de Black Mirror [The Entire History Of You], em que as pessoas têm acesso às suas memórias a qualquer momento.

Black Mirror – The Entire History Of You (E03S01)

Admito que minha cabeça fugiu daquela situação na mesma hora. Nem parei para prestar atenção na resposta do professor. (Que vergonha, rs). Ao invés disso, fiz uma conexão imediata com San Junipero, o quarto episódio da terceira temporada. (Pronto, aí está!)

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Black Mirror – Episódio San Junipero (E04S03)

Nesse episódio, existe uma “vida eterna” computadorizada. A sua consciência permanece viva mesmo após a sua morte. Acho que esse aspecto de preservar a memória mais interessante do que gravar tudo o que te acontece para poder ficar assistindo depois, e revendo e revendo e revendo tudo aquilo que você já sabe.

No caso de San Junipero, tive a impressão de que Yorkie estava vivendo mais do que quando seu corpo era saudável. O episódio me deixou com uma sensação muito positiva. Diferentemente de outras formas de se aplicar a tecnologia, achei que San Junipero foge à regra de Black Mirror.

As memórias de Kelly e Yorkie pareceram funcionar com mais autenticidade do que aquele outro episódio por exemplo em que a mulher compra um robô para ajudá-la a superar o luto pela perda de seu marido.

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Black Mirror – Be Right Back (E01S02)

Foi como se tivessem feito um upload de quem elas eram, respeitando ao máximo possível a sua essência.

No entanto, além dessa preservação das consciências das pessoas em pen drives acoplados em um cemitério digital gigante, o que eu achei mais interessante foi a preservação de épocas.

Quando o episódio começou, eu jurava que era realmente 1987, apesar de saber que, se tratando de Black Mirror, não poderia ser 1987, mas, sim, uma ilusão, uma miragem, daquele ano.

Parando para pensar, vemos que isso combina muito com o conceito de espírito do tempo.

Em 1808, antes mesmo de os folhetins se espalharem pela Europa e influenciarem, enfim, também o Brasil, surgiu o termo Zeitgeist – traduzido como “o espírito da época” –, criado pelo filósofo alemão Georg Wilhelm Hegel.

De acordo com Tom Wolfe (2007, p. 152, tradução da autora), a teoria de Hegel dizia que para cada período histórico haveria um “tom moral” inevitável na vida dos indivíduos. Wolfe concorda com este pensamento e para justificar, exemplifica que, em ficção ou não-ficção sobre grandes cidades, elas deveriam ser interpretadas como personagens, já que são locais nitidamente agitados por um tom moral.

San Junipero é mais do que um lugar, não é mesmo? É um espaço de tempo também. E na história acaba funcionando mesmo como um personagem em determinados momentos. Kelly e Yorkie conseguem ir e vir através do tempo, visitando diferentes épocas, cada qual com suas características marcantes. Sua moda, música, tecnologias…

Quando falamos em Black Mirror, dissemos que são histórias à parte uma da outra, que cada episódio tem uma história e seus próprios personagens, porém, se entendermos o espírito do tempo (ou da época, como queira chamar), como um personagem, podemos notar que é ele quem está presente em todos os episódios. O espírito de um tempo com tecnologias tão avançadas que poderão mudar tudo. E é muito provável que ele já esteja entre nós.

O que eu gostaria de fazer, resgatar a memória de Nellie Bly, não é o mesmo, é claro, mas é uma tentativa de mantê-la viva, fazer com que suas histórias tenham influência nesse tempo. Nas vidas de quem está aqui, tal como se ela estivesse também, falando e informando as pessoas.

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Bibliografia

WOLFE, Tom. The Emotional Core of the Story. “In”: KRAMER, Mark; CALL, Wendy (orgs.). Telling True Stories: A Nonfiction Writers’ Guide from the Nieman Foundation at Harvard University. 1 ed. Boston: Plume Book, 2007, p. 149-154

Séries de sucesso criadas por mulheres: vamos falar sobre elas, TODAS elas?

“Tony Soprano é um mafioso que faz terapia e tem demaios por aí.. ele é uma mulherzinha frágil.” Entre esses e muitos outros adjetivos, eu tive o prazer e em alguns momentos, desprazer, de assistir uma palestra sobre roteiro no Festival do Rio 2016.

Minha crítica aqui não é ao palestrante, mas sim a alguns termos usados aos personagens durante a palestra e a falta de assunto sobre séries criadas e protagonizadas por mulheres.

Resumidamente, o Masterclass foi sobre criação de roteiro, com exemplos de filmes e séries de sucesso, e seus respectivos personagens. Todas as séries de sucesso mencionadas foram criadas por homens, a não ser Friends. Até ai, sem problema algum. Era a preferência do orador e realmente são séries maravilhosas, como Breaking Bad.

No entanto, fica a pergunta: num universo pós Shonda Rhimes, quando será que o foco no mundo masculino reduzirá e assuntos mais interessantes como quem vai morrer na próxima temporada de Grey’s Anatomy serão mencionadas em aulas e palestras de roteiro/cinema?

O evento teve quatro horas de duração e o tema do momento eram os heróis contemporâneos, que até então, são chamados de anti-heróis, pois são pessoas com muitos problemas e defeitos. Estes são protagonistas e fazem bastante sucesso com o público, pois nos identificamos com o seu jeito “errado” de ser.

Quando começaram os exemplos de personagens – Walter White, Tony Soprano, Don Draper – a primeira coisa que veio na minha cabeça foi: será que ninguém vai mencionar Meredith Grey ou Annalise Keating?

Grey’s Anatomy é uma das séries de maior sucesso dos EUA, criado pela deusa Shonda Rhimes, está na sua décima terceira temporada e a protagonista é uma das personagens mais problemáticas de uma série médica. São tantos problemas na vida dessa pessoa e tantos “erros” que ela comete em prol de suas ambições, que estou longe de chamá-la de heroína, e justamente por isso, nos identificamos e amamos tanto Meredith e sua bestie Cristina Yang, por exemplo.

Shonda Rhimes na capa da revista The Hollywood Reporter

Além de Meredith, temos outros exemplos de protagonistas como Olivia Pope (Scandal), Annalise Keating (How to get away with a murder), Rachel e Quinn King (Unreal), que são monstros de pessoas e monstros de personagens, com sentido de grandiosas e peversas, que não entra na minha cabeça numa aula de quatro horas, com um público igualmente dividido entre homens e mulheres, o professor da vez não mencionar nenhum desses grande exemplos de anti-heróis femininas.

Parece que sucesso válido de ser discutido em aulas e Masterclasses só servem se tem heróis e anti-heróis homens. Essa não foi a primeira Masterclass que tive de roteiro e muito menos a primeira aula de roteiro na minha vida, eu estou mais do que acostumada a questionar sobre quando iremos falar de personagens femininas e séries/filmes criadas por mulheres.

Apesar de muitas aulas serem excelentes, eu fico muito decepcionada por quase ninguém citar criadoras e produtoras como Shonda e Tina Fey, entre muitas outras, e seus respectivos trabalhos e métodos de escrita. Ou será que ninguém sabe que “Regina George trai o Aaron Samuels toda quinta na sala de projeção em cima do auditório”?*

A maravilhosa Tina Fey também atuou em Meninas Malvadas

Além de não serem mencionadas, mesmo em tempos de Jessica Jones, alunas de cinema como eu ainda são obrigadas a ouvir as “falhas” dos personagens masculinos sendo caracterizadas como falhas femininas ou o tal “mulherzinha”.

Ao mencionar o protagonista da série The Sopranos, um personagem que mata, mete a porrada, rouba, mente, e sabe-se lá mais o quê, vale lembrar e enfatizar que um dos motivos de sucesso deste programa é justamente um mafioso fazer terapia e, assim, as pessoas conseguirem se aproximar e, quem sabe, se identificar com este anti-herói.

Tony não foi o primeiro e nem o último mafioso da ficção a fazer sucesso, mas o seu destaque é ter problemas do dia a dia como qualquer outro ser humano. Olha o quão inusitado é um bandido tendo uma psicóloga particular porque quer achar meios que o ajudem a resolver seus conflitos internos. O que estou querendo dizer é que justamente o lado “mulherzinha” dele, de acordo com a palestra, é que o faz interessante e um dos personagens de maior sucesso da televisão.

Sendo assim, no momento atual da televisão e do cinema, fica complicado negar o predomínio do universo masculino em aulas e masterclasses de roteiro/cinema, e acaba sendo inevitável questionar o motivo desse predomínio. Claramente a supremacia do homem branco ainda nos rodeio e nos impede de ver e glorificar a diversidade do mundo e do audiovisual afora. Sorte que temos Tinas, Amys, Shondas e futuras criadoras que querem e vão mudar isso.

Tina Fey e Amy Poehler

 

*Essa piada foi uma referência ao filme Meninas Malvadas, escrita e eternizada por Tina Fey.

Ressaca pós Gilmore Gilrs revival – contém spoilers

Esse texto é uma nota para dizer que não vou publicar o segundo vídeo do canal nessa semana por motivos de ressaca emocional.

 

Gilmore Girls

Eu bebi muito entusiasmo com relação aos novos episódios de Gilmore Girls e agora estou frustrada porque minhas expectativas foram por água abaixo. Claro que nem tudo foi péssimo e decepcionante. Mas, vamos combinar, ficar grávida aos 32 anos de um homem sem caráter que trai a noiva e vive dando esmolas para a amante não foi lá o que imaginei para a Rory. Aliás, pode ser que o bebê nem seja do Logan, mas tudo indica para que seja.

Eu estava bêbada de esperanças, ansiedade e animação para rever os personagens tão queridos da série. No entanto, por mais que eu tenha aprovado e curtido o crescimento de todos com a exceção da Rory, a história dela ficou tão ruim que eu estou sem reação. Ela podia ter engravidado sem problemas. Mas do LOGAN? Sério. Depois de uma década, ela ainda estava presa naquele amor? E o tal do namorado dela, o Paul? O que foi aquilo, gente? Ela não dava a menor importância para o rapaz. Coitado.

Estou tão angustiada que não consegui gravar um vídeo sobre o tema que havia planejado. Queria falar sobre o poder transformador da ficção nas nossas vidas, o quanto gosto de histórias e alguns personagens e o quanto eles são reais para mim. SÓ QUE AGORA NÃO DÁ PRA FALAR DISSO. Então, desisti e vou pular essa semana.

Se Amy Sherman-Palladino quis que o final fosse assim, ótimo. Mas eu não sou obrigada a gostar. Aqueles amigos do Logan, incluindo ele próprio, são machistas e tratam as mulheres como se fossem acessórios com os quais eles usam para brincar. Eles são imaturos, esnobes, mesquinhos e acham que podem comprar tudo e todos.

Quando assisti ao primeiro episódio, pensei “beleza. Rory está no fundo do poço, mas ela vai superar essa fase difícil. Não precisa vencer na vida conquistando tudo o que sempre sonhou. A série está realística e isso é bom. Mas, ela está uma bagunça. Vai se ajeitar por dentro”. Achei verossímil ela ser uma Carrie de Sex And The City que deu errado. Por que às vezes é assim mesmo. Nós sonhamos em ser jornalistas de sucesso e não conseguimos.

Como eu me formei apenas nesse ano, tenho ainda esperanças de que as coisas podem seguir um fluxo de conquistas profissionais interessantes, mas reconheço que isso não pode necessariamente se concretizar. Mas, diferentemente da Rory, eu abraço a ideia de fazer mestrado e dar aula com bom agrado. Admiro muito meus professores e se eu for o mínimo do que eles são, ficarei realizada.

Aí continuei assistindo, com a companhia da minha mãe, claro, como sempre fizemos e agora eu estou INDIGNADA. Não tenho como gravar um vídeo assim porque assustaria meus amigos e as poucas pessoas que não me conhecem e que porventura também assistiriam. Isso e porque o prédio em frente está tocando música alta desde cedo.

A superação da Emily foi MARAVILHOSA. Tenho que elogiar. Kelly Bishop sambou. Foi disparada a melhor personagem, a que teve o maior crescimento pessoal e profissional! Arranjar um trabalho no museu na cidade para onde se mudou foi fantástico. A casa na praia é linda. A cena dela deixando o sapatinho social e calçando o tênis branco foi muito simbólica, assim como trocando o gigantesco quadro do Richard por um do tamanho certo, como ela de fato queria.

Emily reconheceu o que precisava ser mudado e se reencontrou, passando a atender as suas próprias necessidades. Estou tão orgulhosa dela por ter deixado aquelas mulheres chatas do DAR para trás! Ela merece tanto ser feliz. Amei a casa na praia. Amei ela ter acolhido a família da empregada Berta. Lembram que ela vivia trocando de empregadas? Emily foi a melhor parte do revival de Gilmore Girls.

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Emily, interpretada por Kelly Bishop, foi minha personagem favorita no revival de Gilmore Girls. 

No entanto, fiquei triste por ela não ter ido ao casamento da Lorelai com o Luke, mas acho que foi até mesmo uma forma de ela deixar a filha mais livre, já que elas tiveram problemas no passado. Problemas estes que começaram a ficar para trás.

Acho que a terapia de certa forma ajudou a Lorelai. Não foi a tal caminhada “Livre: a jornada de uma mulher em busca do recomeço” que ela nem chegou a fazer. Lembrar o passado nos ajuda a mostrar onde estão os acontecimentos que fizeram a diferença nas nossas vidas. Algumas ações de pessoas próximas provocam mudanças na nossa forma de olhar para nós mesmos e para onde vamos a partir daquele momento. E acho que foi isso que a Lorelai percebeu ao lembrar do dia que encontrou o pai no shopping em seu aniversário de 13 anos quando foi humilhada na escola pelo garoto de quem gostava.

Rory tem só 32 anos. Ela está nova ainda, vamos admitir. E daí que ela engravidou de um cara horroroso que não estará por perto do crescimento do filho ou filha deles? O pai dela também não esteve por perto e aquela cena entre eles dois ficou ainda mais forte depois de termos visto o final em que ela conta para Lorelai a notícia bombástica.

Gosto de finais que mostram que a história não acabou. Porque a vida é assim, gente. As coisas seguem em frente, em movimento, sempre.

O fato de a Rory não ter conquistado os sonhos profissionais dela de se tornar uma correspondente internacional importante ou ser a próxima Christiane Amanpour me lembrou bastante a Emma Morley, do livro Um Dia,  de David Nicholls. Emma terminou a faculdade quando era jovem, tinha ambições, sonhos e desejos. Por anos, muitos deles foram deixados de lado pela necessidade de trabalhar. Diferentemente da Rory, Emma não tinha uma família rica para quem poderia recorrer. Ela precisou enfrentar a vida com a cara e a coragem.

Londres engoliu as ambições de Emma e Nova Iorque – e Londres – engoliram as ambições de Rory. E as duas encontraram na escrita uma saída de escape. Achei isso muito fascinante. Porque para mim também é isso que está acontecendo. Esse ano foi de mudanças para mim. Me formei, comecei a trabalhar, e quando me vi sem um propósito real na vida, dei início a uma história na qual acredito. E aqui estou eu também escrevendo um livro.

Acho inclusive que Emma foi uma personagem muito mais forte e com personalidade mais intacta do que a Rory, que me pareceu mais perdida do que nunca. Apesar de Emma também ter se envolvido durante um tempo com um homem comprometido. Isso também de certa forma liga as duas mulheres.

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Anne Hathaway interpretou Emma Morley na versão cinematográfica de Um Dia

Até o estilo de homem das duas é parecido. Dexter, o melhor amigo de Emma, e por quem ela foi apaixonada, também é um riquinho esnobe que dorme com todo mundo, assim como Logan. Mas, ao menos vemos o amadurecimento de Dexter. Logan continuou o mesmo.

As histórias de todos da série estavam do jeito como tinham que ser. A cena do ensaio do musical foi desnecessária, mas gostei de ver a empolgação do Taylor. Não precisava também da Brigada da Vida ou Morte. Aqueles homens são INSUPORTÁVEIS.

A ideia de a Rory escrever um livro (próprio, sem colaboradoras inglesas bêbadas) foi genial. E nem um pouco surpreendente ter vindo do Jess, o melhor dos namorados que ela teve. Jess, o que a ama e olha para ela como um hipster olha para um café da Starbucks.

Fora isso, tudo ok. Vida que segue.

PS: E o que falar de todos aqueles celulares?

Tal série tal vida

O tão aguardado dia chegou! Falta pouco para Gilmore Girls estar no ar na Netflix para quem quiser matar as saudades de Stars Hollow e nossos habitantes favoritos.

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Eu comecei a assistir a série em 2010, alguns anos depois que ela terminou de ser produzida. Mas como desconhecia o final, tudo pra mim era novidade.

E eu amei logo de cara. Me identifiquei super com a Rory e sua obsessão por livros. Já em outros tantos pontos, eu me sentia a própria Lorelai. (E quem nunca se sentiu a Emily de vez em quando, não é mesmo?)

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Bastou um olhar…

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E uma saída maravilhosa

A série encanta não só porque a cidade é apaixonante, as músicas excelentes e as referências sensacionais. Mas porque aquela vida pode ser a vida de todos nós.

Sem contar o seu maravilhoso storytelling feminino. As mulheres têm personalidade, voz, autonomia e são auto-suficientes. Isso para dizer o mínimo. Cada uma delas demonstra a força que tem por meio das suas atitudes. Os relacionamentos amorosos fazem parte da vida, mas não as completam. Apenas são um adicional de pessoas que tiveram importância proporcional em momentos específicos.

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(Quase me esqueci que tinha uma personagem com meu nome). Na cena acima, Louise pergunta para a Rory: “E o que aconteceu com aquele seu namorado?”

Estava pensando nessa semana sobre o quanto a ficção é capaz de influenciar a vida de quem está aqui deste lado. O lado da realidade. E comecei a planejar o meu próximo vídeo no canal. (Se você não assistiu ao primeiro, pode conferir aqui).

Gilmore Girls é uma daquelas histórias que foram mais do que entretenimento pra mim. Ela provocou mudanças reais na minha vida e, por isso, a considero para além da ficção. Foi como se eu fizesse parte dela como uma personagem, e aqueles personagens também fizessem parte da minha vida.

CALMA. Eu não estou viajando. Já vou explicar. Em 2010, eu estudava engenharia química. Ou seja, estava em uma faculdade que não tinha absolutamente nada a ver comigo. Mas eu permaneci naquela ficção até cair a ficha de que algo estava errado.

Eu estava na sexta temporada (por favor, me corrijam se eu estiver errada) que foi quando a Rory desistiu de Yale e deu alok.

Cara, sério. Aquilo pra mim foi tipo: eu também posso mudar se estiver infeliz.

Os primeiros sintomas de uma depressão que eclodiu anos depois (mais precisamente em 2015) começaram a despertar. Mas Gilmore Girls me mostrou que eu estava vivendo uma ficção, ok, mais pra um pesadelo, em um curso que não gostava para seguir uma profissão na qual não tinha interesse. Simplesmente aquilo não era eu.

Os episódios da série passaram a ser mais reais para mim do que a própria “realidade” que me cercava!

Eu me identifiquei tanto com a vocação dela pro jornalismo que, em um determinado momento, tive certeza de quem eu era.

É engraçado pensar isso porque eu me senti jornalista a partir dessa percepção, meses antes de entrar na ESPM e, com isso, anos antes de me formar.

Determinados acontecimentos da série se espelhavam com o que eu vivia, ou ao menos era essa a forma como eu queria enxergar.

Eu amei quando o Jess reapareceu e disse: “essa não é você!” Aquilo também deixou muito evidente o quanto o tempo permite com que nossas escolhas façam de nós quem somos.
Rory precisou daquele tempo tanto quanto eu precisei de um tempo. E você também, provavelmente, em algum momento, precisou.

Por isso estou tão animada para ver os novos episódios! O quanto será que mudou nas vidas dos nossos queridos e amados personagens? Que escolhas eles tomaram?

A ansiedade está batendo forte, mas em breve vamos estar todos falando rápido juntos com as Gilmore Girls. Antes, só preciso tomar um café. Me acompanha?