Me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família

A História é cíclica e já é possível perceber semelhanças entre o que está acontecendo no Brasil, diante da liderança de Você-Sabe-Quem nas pesquisas eleitorais, e o movimento integralista nos anos 1930. A Ação Integralista Brasileira tinha por inspiração o fascismo, disseminado por Mussolini na Itália, e por Hitler na Alemanha (nazismo).

“Os integralistas (…) seguiam o lema ‘Deus, pátria e família’ e saudavam o chefe com o brado ‘Anauê!’. Os integralistas sonhavam com uma ditadura nacionalista que eliminasse os comunistas. Na época, a Igreja católica era politicamente conservadora. Muitos padres brasileiros aderiram ao integralismo crendo que só o fascismo preservaria a moral cristã no Brasil”. (SCHMIDT, 2005, p. 144)

O discurso fascista mostrado no trecho acima, retirado do livro “Nova História Crítica”, que foi o que usei na 8ª série, lembra bastante o atual bordão daquele-que-não-deve-ser-nomeado: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Aliás, ainda durante o início do governo de Getúlio Vargas, em 1934, o presidente já demonstrava simpatia ao movimento integralista. O problema maior surgiu em 1937, quando o governo forjou uma tramoia comunista e a usou como pretexto para dar um golpe na democracia.

“Apoiado pelas Forças Armadas, Getúlio cancelou as eleições e fechou o Congresso”. (SCHMIDT, 2005, p. 146)

Daí veio uma nova Constituição e começou a ditadura do Estado Novo, que perdurou até 1945.

Mas por que estou falando sobre esse período em particular, se em geral as pessoas comentam mais a respeito da Ditadura Militar de 1964 a 1985 para criticar o inominável? Porque me preocupa o tempo que leva para determinados pensamentos serem erradicados na sociedade.

Digamos que um homem que apoiava o integralismo tenha tido uma filha, que por sua vez tornou-se mãe. E o filho dela também procriou. Como quebrar essa linha de pensamento que contamina as relações humanas com discriminação, seja por meio do racismo, homofobia, ou machismo.

Com tantas pessoas ainda hoje apoiando esse tipo de discurso, quando a sociedade será formada por indivíduos que entendam os erros do passado para que eles não sejam repetidos? Até quando o nome de Deus será usado para legitimar discurso de ódio? E pior: demonstrar o ódio às minorias, como vimos nesta semana um vídeo de homens gritando que Você-Sabe-Quem mataria os gays. Afinal, não foi o próprio inominável que disse preferir um filho morto do que um filho homossexual? Difícil pensar que não há relação entre a fala e a manifestação de ódio, não é mesmo?

Mas eu tento não julgar essas pessoas por elas terem crescido no meio de homens opressores que estavam ali moldando a visão de mundo delas desde crianças. Se antes a função social da mulher era ser esposa e mãe, por exemplo, após a luta de muitas, hoje podemos estudar, trabalhar, sermos independentes. E ainda temos que persistir nessa luta diária pela equidade.  O que me motiva é justamente a minha própria existência. Quando penso que me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família, me vejo abraçada pela esperança de uma sociedade menos facista e mais liberal.

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