Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante

No último texto eu falei sobre a premiação do Oscar e a categoria de Melhor Atriz. Agora, o Projeto Nellie Bly irá falar sobre as Maravilhosas Mulheres que concorrem ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

E são elas:

1) Viola Davis por Cercas

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Roteiro de August Wilson (baseado em sua peça teatral “Cercas”) e direção de Denzel Washington. 

Sinopse*: Como Rose Maxson, Viola Davis interpreta uma esposa e mãe dedicada que tenta defender e incentivar as ambições de seu filho do menosprezo de seu marido.

Vamos começar falando sobre o recorde dessa diva do cinema e da televisão, chamada Viola Davis. Com sua terceira nomeação ao Oscar, Viola é a primeira mulher negra a receber três indicações ao prêmio. Infelizmente, isso só ocorreu em 2017, mas, felizmente, pra mim, é o começo de muitos recordes maravilhosos que estão por vir.

Então, vamos a Vossa Majestade!

Apesar de não ter me apaixonado pelo roteiro, visto que o considerei machista e misógino, o que eu costumo chamar de filme de “homem para homem*“, não posso negar que Viola se destaca e nos arrepia com tamanha performance no papel de Rose.

O filme é baseado numa peça teatral de mesmo nome, sendo assim, algo que me incomodou no longa é que ele permaneceu com o estilo teatral e a história se passa, quase toda, dentro da casa de Rose e Troy Maxson (Denzel Washington). Além disso, o roteiro tem diálogos em excesso, no entanto, as falas de Rose são simplesmente incríveis. Amo e admiro muito o jeito de ela enfrentar seu marido em defesa do filho e como esta engoliu muitas mágoas em prol do amor.

A melhores sequências, na minha opinião, são as cenas em que ela se opõe ao marido e as que interage com o filho e o cunhado. Me emocionei muito com a história de vida de Rose, além de me doer por todas as tragédias que ela vive e, como de costume, me impressionei com o talento de Viola. É como se ela vestisse a máscara da personagem e enfrentasse todos os problemas desta, como se fosse dela própria.

Ademais, também não posso deixar de notar que o filme segue o ponto de vista de um homem negro nos EUA, na década de 1950, e isso é digno de aplausos, visto que estamos cansados de histórias pela visão de mundo de homens brancos. Mas, ainda é preciso pontuar o machismo em cima da personagem Rose e na falta de outros personagens femininos com destaque.

Assim, apesar de não entender o motivo de Viola Davis estar concorrendo como Atriz Coadjuvante, ao invés de Melhor Atriz – ela é a única mulher com história e, ao meu ver, também é protagonista – acredito que a atriz seja a favorita do ano e, caso ela ganhe, ficarei muito feliz e aguardarei seus próximos recordes e nomeações em futuros trabalhos.

2) Naomie Harris por Moonlight: Sob a Luz do Luar

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Roteiro e direção de Barry Jenkins.

Sinopse: Naomie Harris interpreta Paula, uma mulher cujo o vício nas drogas aliena e afasta seu filho pequeno, mesmo com ela tentando se reconciliar com a criança.

MELHOR FILME! MELHOR FILME! MELHOR FILME! Desculpe a empolgação, mas, já te falei que Moonlight é o MELHOR FILME de 2016?

Acho que deixei claro o meu longa-metragem favorito dos indicados na categoria de Melhor Filme, porém, vamos a Naomie.

É difícil falar dessa performance sem mencionar a transformação da personagem ao longo das três fases do filme. O roteiro foi divido na infância, adolescência e vida adulta de um menino negro nas vizinhanças de Miami e, sua mãe, Paula, vive numa montanha-russa de dias bons, ruins e péssimos.

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Naomie Harris como Paula.

Naomie interpreta uma mãe jovem e solteira, de um menino que sofre com o machismo e homofobia do lugar em que vive, além de ser viciada em drogas pesadas, que a deixam fora do ar o tempo todo. Em algumas cenas, vemos Paula sem o efeito das drogas, mas, na maior parte, ela se entrega ao vício e a personagem nos impressiona, com tamanha performance e veracidade em sua luta contra o vício e a tentativa frustrada de ser mãe.

Viola que não me escute, mas, nesse ano, minha torcida vai para Naomie porque ela está uma potência de atriz. Ao mesmo tempo em que temos “raiva” dela, a gente torce para que ela se livre de seus problemas e consiga equilibrar sua vida pessoal, trabalho e família. Esse projeto me surpreendeu de todas as formas, não sendo diferente com a narrativa desta personagem.

Assim, como o filme está muito bem representado, acredito que Naomie Harris será uma concorrente e tanto para Viola e, independente de qual das duas ganhar, estarei comemorando, feliz da vida.

3) Nicole Kidman por Lion: Uma jornada para casa

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Escrito por Luke Davies e dirigido por Garth Davis.

Sinopse: Como Sue Brierley, Nicole Kidman retrata uma mulher australiana que apóia os esforços de seu filho adotivo para localizar sua família biológica na Índia, de quem ele foi separado ainda quando criança.

Esse filme foi baseado numa história real e é absurdamente lindo! Eu esperava algo completamente diferente e levei um susto com esse amorzinho em forma de sétima arte.

Nicole Kidman está IGUAL a verdadeira Sue, inclusive ela também é australiana, então acho que foi uma excelente escolha para o papel. Além disso, acredito que esse personagem foge de tudo o que estamos acostumados a assistir com Nicole, então, sim, ela está surpreendente. É possível sentir o amor materno dela e, ainda, sua dor ao ver seus dois filhos adotivos sofrerem, por motivos distintos, enquanto ela não pode fazer muita coisa.

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No entanto, não entendi muito bem as nomeações deste projeto, pois, apesar de ter amado o filme e me emocionado com as atuações, eu senti que as indicações foram exageradas. Como Sue, Kidman realmente está impressionante, porém, ela mal aparece e, sinceramente, Priyanka Bose me surpreendeu muito mais ao interpretar Kamla.

Assim, não acredito que ela levará o prêmio e, por mais que eu admire os trabalhos de Nicole Kidman, ficarei um pouco decepcionada caso ela ganhe. No demais, todo mundo precisa ver Lion porque é uma história de vida linda, de amor, família e, talvez, para os “românticos” de plantão, também é sobre destino.

4) Octavia Spencer por Estrelas Além do Tempo

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Escrito por Allison Schroeder e Theodoro Melfi, que também é o diretor do filme.

Sinopse: Como Dorothy Vaughan, Octavia Spencer desempenha o papel da líder de uma equipe de mulheres afro-descendentes, conhecidas como “computadores humanos”, que contribuem para o sucesso da NASA no início dos anos 1960.

SEGUNDO MELHOR FILME! SEGUNDO MELHOR FILME! SIM, Estrelas Além do Tempo é um dos MELHORES FILMES de 2016, SEM DÚVIDAS!

O que é esse filme, essa história, esse TAPA na cara da sociedade? Como está escrito no cartaz “As mulheres que você não conhece, por trás da história que você conhece.” Como eu amei esse filme e precisamos falar do porquê, só em 2017, ouvimos falar sobre as mulheres negras da NASA, em breve farei uma resenha exclusiva do filme. Por hoje, falarei da linda, amada, do amorzinho dos amorzinhos, Octavia Spencer.

Para mim, Taraji P. Henson também deveria estar entre as nomeadas, mas, não entrarei em detalhes. Octavia como Dorothy está incrível e não teve um momento no filme, em que eu não tenha me emocionado e chorado, com tamanha história e performance.

Amei tudo, ainda mais o fato de que já estava mais do que na hora de roteiros assim serem produzidos. Que soco no estômago do machismo e racismo de nossa sociedade! Quando que iríamos ouvir falar dessas três mulheres incríveis na escola? Provavelmente nunca, ou não tão cedo. É por isso que eu amo o Cinema, pois ele também abre espaço pra histórias reais serem espalhadas mundo afora.

Já deixei claro que sou fã de filmes baseados em fatos reais, ainda mais quando vemos a foto da pessoa na vida real ao final do filme. Dorothy foi uma grande líder e, sinceramente, ela deu um banho de poder e inteligência em cima dos “machos” cientistas. Não consigo com essa mulher poderosa, é muito amor!

Assim, eu me surpreendi demais com o roteiro, com a direção, com a produção e, claro, com as atrizes desse longa-metragem. Com isso, fico na torcida por Octavia, que, mesmo não sendo minha preferida do ano, caso ganhe, me deixará muito contente e orgulhosa.

5) Michelle Williams por Manchester à Beira-Mar

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Roteiro e direção de Kenneth Lonergan.

Sinopse: Michelle Williams interpreta Randi Chandler, uma mulher que tenta reiniciar sua vida com uma nova família, enquanto também espera fazer as pazes com seu ex-marido em luto.

Filme polêmico, com ator acusado de assédio e que, honestamente, não é essa obra prima que a crítica está falando. No entanto, minha intenção é dar destaque para as mulheres e seus trabalhos e isso não será diferente com Michelle Williams.

Este é outro filme que eu considero de “homem para homem”, em que a violência e agressão parece ser resposta para tudo, mas, que tem personagens como Randi Chandler, que quebram essa “masculinidade” toda e nos trazem um lado mais humano e associável.

A história desta personagem é bastante pesada, pois ela sofre uma perda muito grande, devido um acidente e, agora, ela tem que seguir em frente e perdoar o ex-marido pelo ocorrido. Não é fácil lidar com a situação e a atriz passa muito bem essa dor da perda e a dificuldade em continuar sua vida, sendo, sem sombra de dúvidas, a melhor performance dessa produção. Posso dizer que, além de Michelle, o ator que interpreta o Patrick jovem (Lucas Hedges) também surpreende muito.

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“Michelle Williams está brilhante! Maravilhosa! Pode muito bem receber sua quarta nomeação ao Oscar.”

Eu sempre me emociono e me sensibilizo quando uma personagem passa por uma tragédia tão grande quanto esta, ainda mais por um descuido “bobo”. O roteiro intercala entre o passado e presente e, às vezes, fica difícil de acompanhar a linha narrativa, mas, quando entendemos tudo o que aconteceu, é possível se identificar melhor e ter empatia pela Randi e outros personagens.

Assim, acredito que a atriz não será a grande vencedora, mas admito que ela está incrível no papel e, caso ganhe, será uma boa surpresa. No entanto, no que diz respeito ao seu parceiro de cena, continuo achando que ele não devia ser nomeado, muito menos premiado e fico na torcida para que ele perca e pague por seus crimes. Caso tenha interesse em saber do que estou falando, leia o texto Oscar 2017:os recordes como uma passo para a Diversidade, pois explico o ocorrido na parte final.

BÔNUS DO DIA

Vamos ao bolão do Oscar 2017 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante:

  1. Quem eu acho que vai ganhar: Viola Davis.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Naomie Harris ou Viola Davis.

E vocês, quais são suas apostas?

*Sinopse: no caso, as sinopses descritas seguem a linha narrativa das personagens coadjuvantes.

*homem para homem: eu uso este termo para me referir aos filmes que representam masculinidade como violência e contam histórias com cunho machista e misógino.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Cercas. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2671706/&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Lion: Uma jornada para casa. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3741834/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Manchester à Beira-Mar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4034228/?ref_=fn_al_tt_4&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

IMDB. Moonlight: Sob a Luz do Luar. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4975722/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

THEOSCARS. Actress in a supporting role nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-supporting-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 01 de fev. 2017.

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3 comentários em “Oscar 2017: Melhor Atriz Coadjuvante

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