Oscar 2017: Melhor Atriz

A grande premiação do Oscar 2017 será no dia 26 de fevereiro e como neste ano ocorreram mudanças positivas, ainda que poucas, sobre as quais eu falo no texto Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade, eu decidi fazer uma análise do trabalho das Maravilhosas Mulheres que estão concorrendo ao prêmio.

Nesse primeiro texto falarei das performances das atrizes indicadas na categoria de Melhor Atriz.

1) Isabelle Huppert por Elle

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Escrito por David Birke e dirigido por Paul Verhoeven.

Sinopse*: Como Michèle, Isabelle Huppert interpreta uma CEO bem sucedida que se recusa a ir à polícia quando é estuprada em sua casa e decide encontrar o crimonoso por conta própria.

Esse filme me deixou um pouco dividida, pois, ao mesmo tempo em que achei a personagem principal incrível, me questionei bastante a respeito da trama. É difícil entender a relação que a protagonista tem com todos ao seu redor, mas, conseguimos entender seu jeito frio de ser.

Quando criança, Michèle sofreu um grande trauma, graças ao seu pai – quem ela repetidamente chama de monstro – e ficou conhecida como a “criança ensanguentada”.

A partir disso, entendemos o porquê da personagem não expressar qualquer tipo de emoção e, particularmente, achei que a atriz Isabelle Huppert fez isso majestosamente. É como se ela fosse um “robô” – ou alguém extremamente frígido- na maior parte do tempo, porém, nas poucas vezes em que expressa sentimentos, o público sente sua dor, especialmente na cena em que ela é violentada.

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“Não dá para inventar isso.”

Apesar de questionar um pouco o roteiro, pois muitas das cenas e diálogos não me agradaram, eu gostei de ela estar decidida a se vingar do homem que invadiu sua casa e abusou dela. Aliás, eu adorei o fato de que esta heroína não precisa e não aceita a ajuda de ninguém, até mesmo em casos extremos. Não que esta fosse a melhor opção, no entanto, é raro vermos um personagem feminino agir dessa maneira e isso chamou minha atenção. Também achei maravilhoso que ela é presidente de uma empresa de jogos de videogame, um mundo que, normalmente, é dominado pelo homens.

Assim, acredito que Isabelle fez uma excelente performance e é, sem dúvida, o melhor do filme. Além disso, acompanhamos sua história sem que os homens roubem a cena, algo que costuma acontecer quando o roteiro é escrito por um homem, mas, felizmente, não foi o caso. Acredito que ela é uma das mais cotadas a ganhar o prêmio, visto que ela já conquistou o Globo de Ouro 2017 pelo mesmo papel e seria uma ótima escolha da Academia.

2) Ruth Negga por Loving

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Filme escrito e dirigigo por Jeff Nichols.

Sinopse: Ruth Negga é Mildred, uma mulher afrodescendente, cujo amor por Richard, seu marido branco, acaba mudando leis que proibem casamentos interraciais nos Estados Unidos.

E O Oscar Vai Para…

Sim, admito que estou na torcida por Ruth Negga. A história do filme é baseada em fatos reais e, Mildred é uma protagonista extraordinária. Numa época em que o racismo era extremo e violento nos EUA, é lindo ver um casal como Mildred e Richard (Joel Edgerton) que usa o amor de um pelo outro como arma contra o preconceito cego da sociedade.

A personagem de Ruth é tímida, carismática e, apesar de ser frágil, se mostra mais poderosa e corajosa do que qualquer um que já conhecemos. É doloroso e sofrido assistir ao filme, no entanto, também é emocionante e cativante, pois o longa nos faz refletir até onde os preconceitos do nosso dia a dia pode nos levar e como estes são completamente massacrantes e desumanos.

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Mildred (Ruth Negga) e Richard (Joel Edgerton).

Me emocionei do começo ao fim com Mildred e achei a química dos atores maravilhosa. Adoro filmes que contam histórias verídicas, porque, normalmente, eles nos dão um show de ensinamentos e humanidade. Me arrepiei com todas as cenas da protagonista e, como esta, conseguiu ser firme com seus desejos e vontades, sem ceder ao ódio e preconceito dos outros.

Assim, ao meu ver, Ruth foi uma das maiores surpresas de 2016 e, com certeza, é minha favorita nessa disputa. Além de que, está mais do que na hora de uma atriz negra ganhar o Oscar de Melhor Atriz, já que nos últimos anos, somente mulheres brancas venceram. Tomara que 2017 faça jus a isso!

3) Emma Stone por La La Land

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Escrito e dirigido por Damien Chazelle.

Sinopse: Emma Stone interpreta Mia, uma aspirante a atriz que tenta equilibrar seu amor por um pianista de jazz com suas tentativas de encontrar seu próprio caminho para o sucesso.

Para quem acompanha a carreira da atriz deve ter se surpreendido bastante com a mudança e o desenvolvimento de seus personagens, esta que alavancou sua carreira como Olive em “A Mentira” (2010) e, agora, nos emociona do começo ao fim em La La Land.

Admito que o filme não me conquistou inicialmente e tampouco entendi o “medo” dos produtores em acharem que este filme não faria sucesso de bilheteria. No entanto, quando me deparei com a narrativa de uma sonhadora, assim como eu, buscando uma chance de mostrar seu talento, mudei de ideia e me apaixonei pela protagonista.

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Não é fácil!

Mia mora em Los Angeles e busca uma chance na carreira de atriz, mas, vive uma decepção atrás da outra. Senti todas as suas dores como se fossem minhas, tanto para conseguir uma chance na profissão, quanto para manter o amor de sua vida. Adorei o fato de que ela e suas amigas são próximas e se ajudam muito, pois, normalmente, Hollywood adora colocar mulheres como rivais, porém, fiquei triste que estas amizades pouco aparecem. Ainda achei o amor do casal sincero e real, inclusive com o desfecho que teve.

Mesmo sendo um musical que mantém o estilo clássico desse gênero, o roteiro consegue inovar e trazer uma protagonista encantadora e associável com qualquer pessoa que tem um grande sonho.

Assim, apesar de adorar os trabalhos da Emma e ter me encantado com o filme, questiono um pouco essa nomeação, mas, não ficarei decepcionada caso ela ganhe. Estou sempre na torcida, ainda mais por personagens tão parecidos comigo.

4) Natalie Portman por Jackie

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Filme escrito por Noah Oppenheim e dirigido por Pablo Larraín.

Sinopse: Como Jackie Kennedy, Natalie Portman retrata a primeira dama aflita e bastante reclusa com assuntos pessoais, que procura garantir o legado de seu falecido marido – e o seu próprio – após o assassinato deste.

Ao assistir 30 segundos de uma entrevista com a verdadeira Jackie Kennedy fiquei pasma com tamanha semelhança à Jackie da Natalie Portman. É impressionante como os trejeitos e o modo delicado de falar estão parecidos.

Sendo bem sincera, não fui fã do filme, pois a protagonista é silenciada o tempo todo e por mais que ela tente fazer uma homenagem ao marido assassinado, parece que todos querem se livrar dela, inclusive o diretor do filme. Esperei uma história mais cativante e emocionante, porém, fiquei a ver navios*.

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Jacqueline Kennedy e Natalie Portman.

Entretanto, Natalie está maravilhosa no papel, inclusive, até mesmo o jeito de rir está parecido com o de Jackie Kennedy. Apesar de achar que o roteirista e diretor pecaram feio na trama, em dar pouca margem ao desenvolvimento da história e da personagem, a atriz entrou por completo na vida de sua personagem e deu um show de interpretação.

Assim, acredito que Portman teve a melhor performance no filme, não sendo à toa sua nomeação. Não ficarei surpresa caso ela ganhe, porém, acredito que ela não esteja entre as favoritas deste ano.

5) Meryl Streep por Florence: Quem é essa mulher?

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Roteiro de Nicholas Martin e direção de Stephen Frears.

Sinopse: Meryl Streep interpreta Florence Foster Jenkins, uma herdeira rica cujo entusiasmo por cantar é tão nítido que – apesar de sua falta de talento – ela decide dar um concerto no Carnegie Hall.

Gente, vamos ser sinceros?

Todas as premiações cinematográficas deveriam ter a categoria Prêmio Meryl Streep. Convenhamos que essa mulher é maravilhosa e sempre surpreende, então, seria mais fácil ter um prêmio exclusivo pra ela, pois faria todo o sentido.

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Meryl Streep poderia interpretar o Batman e ser a melhor escolha. Ela é perfeição!
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Meryl concorda.

Quando ouvi falar do longa não dei muito atenção pra sinopse, mas, claro, como tinha Meryl, animei de assistir. A partir disso, mudei completamente minha visão sobre o projeto, pois me diverti muito com a trama e, principalmente, com Meryl, que dá um show de “horrores” ao cantar mal e desafinar, assim como a verdadeira Florence.

O filme é baseado numa fantástica história real, em que nos deparamos com a força de vontade de Florence, uma mulher apaixonada pela música. Mesmo sem ser apoiada pelas pessoas, com exceção do seu segundo marido, St Clair Bayfield (Hugh Grant), a protagonista está decidida a cantar profissionalmente e o faz, conquistando muitos fãs em New York.

É impossível ver o filme sem rir e chorar com Meryl no papel de Florence. A protagonista não canta bem, mas ela sonha tanto com isso, que você torce junto dela, para que ela realize seu maior sonho. Ademais, este longa só comprova que Meryl é um furacão! Ela pode interpretar uma máquinha de café quebrada e concorrer ao Oscar, porque ela provavelmente estará maravilhosa e não foi diferente com Florence.

Assim, acredito que a atriz não levará o prêmio, até porque, senhoras e senhores, ela não precisa, mas, a indicação fez muito sentido, visto que este personagem foge de tudo o que ela já interpretou e Meryl transborda talento (ou “falta” de talento) com a personagem.

BÔNUS DO DIA

Como eu não poderia deixar de entrar no “bolão 2017”, eis minhas previsões do OSCAR.

  1. Quem eu acho que irá ganhar: Isabelle Huppert ou Emma Stone.
  2. Quem eu gostaria que ganhasse: Ruth Negga.

E vocês, quais suas apostas no bolão do Oscar 2017 e para quem estão torcendo?

*Sinopse: no caso, todas as sinopses descritas seguem a linha narrativa da personagem principal.

*Fiquei a ver navios: é uma expressão popular da língua portuguesa que significa ser enganado, ludibriado, ver suas expectativas serem frustradas e ficar desiludido.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Elle. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3716530/&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Florence: Quem é essa mulher? 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4136084/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Jackie. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt1619029/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. La La Land. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt3783958/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

IMDB. Loving. 2016.Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4669986/?ref_=fn_al_tt_1&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

THE OSCARS. Best Actress Nominations 2017 Oscars. 2017. Disponível em: <http://oscar.go.com/news/nominations/best-actress-nominations-2017-oscars&gt;. Acesso em: 31 de jan. 2017.

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2 comentários em “Oscar 2017: Melhor Atriz

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