Uma das organizadoras da Marcha das Mulheres dá a melhor resposta a comentários islamofóbicos que inundaram seu perfil do Twitter após o evento

Linda Sarsour deu a melhor resposta para os xingamentos que inundaram seu Twiter após a Marcha das Mulheres

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Linda Sarsour, uma das líderes do Women’s March on Washington – que ocorreu neste sábado, 21, um dia após a posse do presidente dos EUA, Donald Trump – recebeu uma série de “críticas de pessoas contra o islamismo e a presença de muçulmanos nos Estados Unidos” (um termo brando que usei aqui para me referir a islamofóbicos que inundaram o Twitter da ativista de origem paquistanesa com xingamentos). Acredito que essa exposição preconceituosa reinforce ainda mais a necessidade pela marcha e pela continuação da mensagem que ela traz. Aliás, Linda Sarsour deu a melhor resposta para essa situação:

“Quando a oposição, incluindo islamofóbicos, estão enchendo sua timeline com ódio – você percebe que fez alguma coisa certa. #marchadasmulheres”

A origem da Women’s March on Washington

O resultado da eleição presidencial norte-americana saiu no dia 8 de novembro de 2016 e, no dia seguinte, Teresa Shook – conhecida como Maui – convidou cerca de 40 amigas para marchar em Washington, D.C. A ideia se espalhou e, a partir do momento que alcançou o Facebook, já havia um extenso número de mulheres envolvidas no movimento, criando páginas e encorajando milhares de outras a participarem.

O problema era que, neste primeiro momento, praticamente todas eram brancas. E elas sabiam da necessidade de haver representatividade no movimento. Dessa forma, uma das organizadoras, chamada Vanessa Wruble, tomou essa iniciativa.

O reconhecimento de ser preciso dar voz a todas

O primeiro passo foi contatar Tamika Mallory, Carmen Perez e Linda Sarsour. Em 2015, elas lideraram uma marcha da cidade de Nova York a Washington, viajando por impressionantes 250 milhas a pé, enquanto clamavam por mudanças no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos. Além disso, são conceituadas líderes que construíram carreira, organizando mobilizações interseccionais.

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Na imagem, Carmen Perez está ao centro e, ao seu lado de moletom também preto, Tamika Mallory. A foto foi postada no Twitter de Linda Sarsour.

No vídeo abaixo (em inglês), as três contam sobre as origens da Women’s March on Washington, dizem que a marcha é uma forma de mostrar que estarão de olho no governo de Trump, caracterizado por elas, logo no início da conversa, como um narcisista. Além disso, salientam que a marcha vai muito além de ser sobre os pontos que elas são contra, como racismo, retaliação policial e segregação, mas, sim, para dizer o que elas defendem, quais são os valores que importam e devem ser conquistados e compartilhados por todos.

Foi necessário para o movimento, certificarem-se de que ele estava sendo construído em uma estrutura sólida, unindo vozes asiáticas, das ilhas do Pacífico, mulheres trans, nativas americanas, deficientes, homens, crianças, e muitos outros, de forma que todos possam se expressar e encontrar apoio.

Entre os tópicos debatidos na entrevista, há a diferença entre as lutas das feministas brancas e das “de cor” (uma expressão traduzida ao pé da letra que se refere às mulheres que são latinas, muçulmanas, negras, ou seja, as minorias). Por exemplo, Tamika fala sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, mas destaca o fato de que as mulheres negras recebem ainda menos do que as brancas. Além disso, há uma série de outras lutas que estão na agenda das mulheres de cor que não fazem parte da realidade das brancas. No entanto, o mais importante é expandir a sororidade e, ainda, integrar os homens na luta.

A Women’s March on Washington em imagens

Agrupei as imagens da marcha que mais gostei. Em uma delas, há um cartaz que um homem segura que diz: “Marcho pelo meu filho que nós estamos criando para ser um feminista”. Em outro, um garoto segura a seguinte mensagem: “Garotos serão garotos bons seres humanos” e uma menina, esta: “Tenho apenas 4 anos e já sei que todo mundo é igual”. Não faltaram referências à Princesa Leia como símbolo de resistência e da luta rebelde contra o império galáctico e, como fã da personagem/atriz/saga, ela precisava também entrar nessa lista. Ademais, destaquei a presença de algumas celebridades, como Emma Watson e Miley Cyrus. Estas imagens foram retiradas de álbuns criados pelas páginas Quebrando o Tabu e Collant Sem Decote.

Os valores pelos quais lutamos são para todos os humanos

Como foi dito no texto A máscara que os meninos usam, feminismo não é apenas sobre mulheres, é sobre igualdade e respeito a todos os seres humanos. Trump não é o presidente do Brasil e, por isso, talvez algumas pessoas possam não entender a importância de falarmos sobre essa marcha aqui. No entanto, considerando a semelhança que existe entre ele e alguns (muitos) de nossos políticos, temos muitas razões para abraçarmos esse exemplo para engajar por aqui nossa resistência. De forma que mulheres brancas, como eu, reconheçam seus privilégios e lutem pelas causas urgentes das mulheres negras, da mesma forma como homens, de modo geral, percebam que uma sociedade desigual também os prejudica, sendo necessário, portanto, lutar pelo respeito aos direitos humanos.

Vivemos tempos difíceis, mas também vivemos uma época que nos oferece a oportunidade de defender os valores que nós acreditamos, como empatia, equidade, inclusão e diversidade. A marcha é de todas e todos. Sigamos em frente.

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