Desventuras em Série | Significados e interpretações 

A organização secreta apresentada em Desventuras em Série trata de pessoas que se uniram para, literalmente, combater incêndios. No entanto, conhecendo bem o estilo de Lemony Snicket, presumo que ele tenha se referido aos voluntários de CSC, ou VFD (em inglês), como pessoas que também combatem incêndios figurativamente; uma expressão que aqui significa “combatem as mais diversas adversidades e injustiças que pessoas perversas cometem, prejudicando terceiros, em benefício próprio”.

Com isso, se há uma pessoa que, em situação de poder e liderança, defende certo tipo de abuso de autoridade – que utiliza meios violentos para impedir a livre expressão -, e, somando-se a isso, se essa pessoa tem seguidores que concordam com suas ideologias excludentes, temos como resultado uma sociedade injusta, em que as pessoas que prezam por um mundo sereno encontram muitas dificuldades para tal, pois há muitas barreiras que vão contra à diversidade. Ou então, se a pessoa em situação de poder, simplesmente, aproveita o cargo para acumular fortunas que pertencem, na verdade, a outras pessoas ou outros fins.

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Um muro é um bom exemplo para representar barreiras contra a diversidade, podendo ser de forma literal ou figurativa.

No entanto, há pessoas que não combatem esse mal, tampouco se juntam a ele, porque é mais fácil não pensar sobre os problemas sociais e como eles afetam as vidas de tantas pessoas.

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Essas pessoas agem como o Sr. Poe. Elas trabalham, se preocupam com o seu próprio sucesso e se esforçam para conquistar os seus objetivos.

Trabalhe!

Mas elas não reconhecem quando uma pessoa em cargo de poder comete atitudes que prejudicam outras pessoas em benefício próprio. São cegas demais para isso.

Você enxerga os disfarces?

Por isso, acredito que haja uma crítica social contida em Desventuras em Série, sendo esta saga, portanto, algo que vai muito além de mero entretenimento infantil.

Vamos analisar a situação

Uma pessoa em cargo de poder …

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Notícia do portal G1 de 3 de outubro de 2010

…que acumula fortunas em benefício próprio,…

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Notícia do jornal O Globo do dia 27 de janeiro de 2017

…prejudicando outras pessoas…

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Notícia do jornal Extra de 25 de janeiro de 2017

… das quais muitas não percebem essa situação…

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Notícia da revista Veja de 26 de janeiro de 2017

… e os que mais sofrem são aqueles que menos podem fazer por si próprios.

Reportagem do RJTV, veiculada em 26 de dezembro de 2016 sobre a ajuda que servidores fizeram para aqueles que ficaram sem salário e 13º. Parece com algo que os voluntários de CSC fariam. 🙂

Desventuras em Série deixou muitos mistérios, mesmo após os livros do mesmo universo que o autor Daniel Handler lançou após a conclusão dos 13 volumes.

Depois de ler e refletir, cheguei a formular minha interpretação sobre o que significaria o conteúdo do açucareiro, algo que gera até hoje muitos debates entre os fãs da saga.

Assim, acredito que o açucareiro esteja guardando a verdade, em seu sentido mais utópico possível. Afinal, em “A Gruta Gorgônea”, o Capitão Andarré diz que o açucareiro é importante porque guarda algo perigoso de ser conhecido.

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Amor & Sexo & FEMINISMO

Você conhece o programa Amor & Sexo, exibido no canal Rede Globo e apresentado pela Fernanda Lima?

Para quem não conhece o show, ele foi lançado em 2009 e aborda sexualidade de uma maneira direta, porém sutil. Tanto a apresentadora, quanto os convidados famosos e a plateia falam sobre a liberdade individual, diversidade e respeito nos relacionamentos, estimulando o diálogo entre amigos e famílias.

Cada temporada possui dez episódios e, cada episódio, possui um tema específico. Nesta quinta-feira, 26, o programa estreou sua décima temporada e o assunto da vez foi o FEMINISMO.

“A gente acredita na igualdade de direitos entre homens e mulheres. Para quem não sabe, isso é feminismo” diz a apresentadora.

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A apresentadora e redatora final, Fernanda Lima.

Particularmente, sempre achei as pautas do Amor & Sexo maravilhosas e, elas me ajudaram muito, para entender melhor sobre sexo e relacionamento, visto que o primeiro ainda é um grande tabu na nossa sociedade e ambos vêm carregados de regras machistas.

Com isso em mente, o episódio de ontem fez HISTÓRIA e nós precisamos falar sobre isso. Quando um canal aberto como a Globo, que normalmente investe em conteúdos com padrões conservadores e misóginos, exibe um espetáculo de empoderamento feminino, todos nós, seres humanos, ganhamos e MUITO.

O programa começou com uma apresentação musical, como de costume, com a música “Piranha*” e, seguiu, com Fernanda Lima, as bailarinas e as convidadas, “queimando” sutiãs e questionando o machismo que cada uma vivencia no dia a dia.

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Ao tirar o sutiã e queimá-lo, cada mulher falava uma frase empoderada, como: “Se eu quiser, eu dou na primeira vez.”

Nesse momento, algumas convidadas usaram palavras como piranha, vadia, vagabunda, que, sempre vêm carregadas de ódio e repressão e as deram novos significados, como:

Piranha: “É o direito de fazer o que quiser com o nosso corpo”, dito pela pesquisadora na área de Filosofia Política e feminista Djamila Ribeiro.

Além disso, a apresentadora abriu espaço para outras vozes feministas, além dela, como mulher cis, branca e hétero, para falarem das suas necessidades. Como já foi dito no site do Projeto Nellie Bly, no texto “A luta feminista: dos anos sessenta aos dias atuais”, é muito importante entendermos que dentro do feminismo existem várias questões, mas, se as mulheres não se unirem e deixarem de abraçar as questões das outras, todas nós perdemos.

Sendo assim, o programa convidou as cantores Gaby Amarantos e Karol Conka, que falaram do feminismo das mulheres negras e, também, abriu espaço, mesmo que pouco, para mulheres da comunidade LGBTQ. Infelizmente, estas últimas não tiveram muita chance de falar, no entanto, a cantora da banda do programa é a drag queen Pabllo Vittar e isso já é incrível e merece ser aplaudido, além de que, a primeira bailarina a queimar o sutiã, falou: “Pelo prazer de ser uma mulher homossexual”.

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A apresentadora e redatora final, Fê Lima, ainda deu espaço para Thais Ataíde falar da Marcha das Vadias*, que começou no Canadá em 2011, quando um policial foi dar dicas de seguranças e errou feio, dizendo que mulheres deveriam evitar se vestir como vadias para não serem estupradas. A partir disso, mulheres do Canadá e, agora, de todo o mundo, participam dessa Marcha, vestidas de “vadias”, para mostrar que independente da roupa que usamos, homem NENHUM tem o direito de encostar no nosso corpo, sem a nossa permissão.

E o que falar da habitante da Galáxia Clitoriana, que, inclusive, fez questão de mudar seu gênero e se autonomeou A Clitória?

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Grace Gianoukas como Clitônia.

A atriz e humorista, Grace Gianoukas, fez uma participação vestida de Clitóris (órgão do prazer feminino) para falar do orgasmo feminino e quebrar mais este tabu, visto que a maioria das mulheres nunca teve um orgasmo na vida. Com a fala “Yes, nós temos ereção!”, a personagem deixou claro que PRECISAMOS FALAR DE ORGASMO E CLITÓRIS, SIM, até porque, senhoras e senhores, somente nós, mulheres, conseguimos ter orgasmos múltiplos e isso é maravilhoso!

Ademais, em uma das cenas mais lindas, Elza Soares foi homenageada no programa de estreia e LACROU*, entrando no palco sentada num trono em forma de salto alto, aonde cantou e, depois, falou da sua história de vida e como batalhou para conquistar seu espaço. Hoje, Rainha Elza, é uma das maiores artistas do Brasil, não sendo à toa que a cantora e compositora venceu o Grammy Latino 2016 pelo disco “A Mulher do Fim do Mundo“.

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Elza Soares em Amor & Sexo.

Por fim, depois de muitos assuntos maravilhosos, debatidos de forma descontraída e divertida, Fernanda Lima fala sobre o Ligue 180 – número para denúncia da violência contra a mulher – e fecha o show, mostrando que mesmo com todas as conquistas para a igualdade de gênero, as estatísticas no Brasil confirmam que ainda são necessárias MUITAS MUDANÇAS, pois “A cada 11 minutos, uma mulher é estuprada no Brasil”.

Trecho em que a apresentadora fala sobre as estatísticas.

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em assistir o episódio comentado, segue o link no YouTube, com o programa completo.

Link com o episódio de estreia da décima temporada de Amor & Sexo.

*Piranha: música interpretada por Alípio Martins.

*Marcha das Vadias: é um movimento que surgiu a partir de um protesto realizado no dia 3 de abril de 2011 em Toronto (Canadá) e, desde então, se internacionalizou, sendo realizado em diversas partes do mundo. A Marcha protesta contra a crença de que as mulheres que são vítimas de estupro teriam provocado a violência por seu comportamento. As mulheres durante a marcha usam não só roupas cotidianas, mas também roupas consideradas provocantes, como blusas transparentes, lingerie, saias, salto alto ou apenas o sutiã.

*Lacrou: é uma gíria que corresponde a um elogio para quem foi muito bem em alguma coisa, que deixou os outros sem fala ou sem reação.

BIBLIOGRAFIA:

GSHOW.’Amor & Sexo’ fala sobre feminismo em programa de estreia. Confira!. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

GSHOW. ‘Elza Soares é homenageada na estreia de ‘Amor & Sexo’: ‘Ia até o inferno por amor, hoje não vou mais’. 2017. Disponível em: <http://gshow.globo.com/tv/noticia/elza-soares-e-homenageada-na-estreia-de-amor-sexo-ia-ate-o-inferno-por-amor-hoje-nao-vou-mais.ghtml&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

SPM. Central de Atendimento à Mulher. 2017. Disponível em: <http://www.spm.gov.br/ligue-180&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Marcha das Vadias. 2017.Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcha_das_Vadias&gt;. Acesso em: 27 de jan. 2017.

ONU lança planos de aula sobre os direitos das meninas e mulheres

A ONU Mulheres elaborou um currículo e seis planos de aula, financiados pela União Europeia, para conscientizar professores e professoras, meninos e meninas sobre o direito das mulheres e meninas a uma vida livre de violências. O conteúdo está disponível para download gratuito.

Com o objetivo de contribuir para o ensino do tema no Ensino Médio, esse material serve de alerta para prevenir a violência decorrente do machismo. Afinal, espaços como escolas e universidades são fundamentais na formação do caráter humano.

O currículo aborda, por exemplo, o conceito de masculinidades, visando promover masculinidades positivas e desconstruir comportamentos machistas. Você pode ver mais sobre este conceito em um texto que publiquei aqui, chamado A máscara que os meninos usam.

Entre os temas que aparecem nos planos de aula, estão:

  • sexo, gênero e poder;
  • violências e suas interfaces;
  • estereótipos de gênero e esportes;
  • estereótipos de gênero, raça/etnia e mídia;
  • estereótipos de gênero, carreiras e profissões;
  • diferenças e desigualdades;
  • vulnerabilidades e prevenção.

Para baixar o conteúdo, clique nos títulos abaixo:

Inventário | Currículo |Plano de aula 1 | Plano de aula 2 | Plano de aula 3 | Plano de aula 4 | Plano de aula 5 | Plano de aula 6

A violência no ambiente escolar

Publicado neste mês, o relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), sobre violência escolar e bullying, mostra que milhões de meninas e meninos sofrem com a violência no ambiente escolar.

Vemos bastante isso sendo retratado, por exemplo, nas obras de ficção. Recentemente, fiz uma resenha sobre Eleanor & Park, um livro que aborda tais assuntos de uma maneira muito sutil. E se na escola houvesse um trabalho como esse que a ONU Mulheres apresenta? Como a história seria se Eleanor tivesse recebido apoio na escola? Talvez, assim, ela não precisasse enfrentar o bullying, além da violência do padastro em casa. Talvez, a escola pudesse auxiliá-la de diversos modos. No entanto, esta história é ficção e já está escrita, assim como outras histórias que, ainda que sejam reais, também já estão registradas no passado. Mas, você, como uma educadora ou um educador, pode mudar a atual situação pela qual os jovens passam.

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Eleanor mora com sua mãe, seus irmãos mais novos e o padastro agressivo. Além de sofrer com a violência a que a mãe é subjugada, a menina também enfrenta bullying na escola. Mas, no meio disso tudo, há pessoas boas, como o Park, que a ajudam a superar.  

Há pouco tempo, comecei a ler Extraordinário, um livro de R.J Palacio, que tem tudo a ver com a problemática do bullying. Neste caso, contudo, não se trata de violência à menina ou à mulher, mas, sim, a um menino com uma deformidade no rosto. Aliás, o livro tem uma linguagem muito boa para crianças, muito por causa do narrador ser em primeira pessoa. Então parece mesmo que você está conversando com um menino que enfrenta preconceito e olhares estranhos dos adultos e dos colegas de classe. Se eu fosse professora, gostaria muito de passar um trabalho em sala de aula sobre Extraordinário. (Em breve, haverá resenha aqui também sobre esta história).

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E vai estrear neste ano!

“Esses atos [de bullying] são impulsionados por dinâmicas de poder desiguais, que muitas vezes são reforçadas por normas e estereótipos de gênero, orientação sexual e demais fatores que contribuem para a marginalização — como pobreza, identidade étnica ou idioma”, afirma o documento da UNESCO sobre violência escolar e bullying.

Dia Laranja Pelo Fim da Violência

Esta quarta-feira, 25, foi o Dia Laranja Pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O objetivo da data é engajar ativistas, governantes, gestores e agências das Nações Unidas a se mobilizar pela prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas. Contribua também da forma como você pode para que o mundo seja mais justo para todas e todos.

Oscar 2017: os recordes como um passo para a Diversidade

Quem acompanha, anualmente, a premiação do Oscar deve-se lembrar de que, no ano passado, ocorreu uma grande revolta por parte de famosos e do público devido às indicações.

No ano de 2016, somente atores, atrizes e diretores brancos foram indicados nestas categorias, o que foi suficiente para mostrar a falta de diversidade fora e dentro das telas. Com isso, muitas pessoas do mercado audiovisual americano, assim como os fãs, utilizaram a hashtag #OscarSoWhite, como forma de protesto, além de que alguns famosos se recusaram a comparecer na premiação.

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Esses foram os artistas indicados nas categorias de Melhor Ator e Atriz e Melhor Ator e Atriz Coadjuvante em 2016.

Apesar das divergentes opiniões sobre o assunto, eu acredito que esse movimento foi de extrema importância para questionar a supremacia branca no maior prêmio cinematográfico de Hollywood.

Por meio dessa polêmica, a presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas*Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra a assumir o cargo, disse, ainda no ano de 2016, que “o conselho iria se comprometer a duplicar o número de mulheres e membros diversos da Academia até 2020”. Desde então, eles começaram a convidar novos membros, como por exemplo, a diretora brasileira Anna Muylaert.

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Cheryl Boone Isaacs, primeira mulher negra presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Com isso em mente, aproveitando que a lista dos indicados foi divulgada nessa semana, no dia 24/01, farei uma breve análise sobre os recordes deste ano, mas também mostrarei que ainda falta muito para alcançarmos a igualdade e diversidade necessária neste meio.

1) Pontos Positivos:

Em primeiro lugar, vamos falar da Diva Viola Davis, que teve sua terceira nomeação, como Melhor Atriz Coadjuvante, pelo filme Cercas (2016). A atriz já havia concorrido por Dúvida (2008) e Histórias Cruzadas (2011) e, assim, se tornou a primeira atriz negra a receber três indicações ao Oscar.

Além disso, é a primeira vez na história em que três atrizes negras concorrem na mesma categoria (Melhor Atriz Coadjuvante) no Oscar do mesmo ano. As indicadas são: Viola Davis (Cercas), Naomie Harris (Moonlight: Sobre a Luz do Luar) e Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo).

Em segundo, vem a indicação da maravilhosa Meryl Streep, que quebrou o seu próprio recorde, recebendo sua vigésima nomeação. Ela concorre como Melhor Atriz pelo filme Florence Foster Jenkins (2016) e, de quebra, fez um discurso lindo ao receber o prêmio Cecil B. DeMille* no Globo de Ouro 2017.

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Você é maravilhosa, Meryl!
Em terceiro lugar e, uma das mais lindas nomeações, foi a da montadora americana, Joi McMillon, na categoria de Melhor Edição, pelo filme Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016), conquistando o posto de primeira mulher negra a concorrer como Melhor Editora. No site do mulhernocinema.com é possível saber um pouco mais sobre a carreira de Joi, no texto “Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição” e, como esta, mesmo com todas as dificuldades, conquistou seu espaço na sétima arte.

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Joi McMillon e Nat Sanders, também Editor do Filme.
Em quarto, temos a indicação de Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, por Melhor Edição de Som, sendo o primeiro time indicado nesta categoria, composto só por mulheres. Elas concorrem pelo musical La La Land (2016).

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Cartaz do filme.
Ademais, ainda temos o recorde do ator Denzel Washington, que foi nomeado pela sétima vez, pelo filme Cercas (2016), também quebrando o seu próprio recorde de nomeações para um ator negro. Assim, contando todas os indicados na categoria de ator e atriz, protagonista e coadjuvante, essa é a primeira vez na história em que seis atores negros concorrem nestas categorias, no mesmo ano. Junto de Denzel, temos as atrizes, já citadas, Viola, Octavia e Naomie, além de Ruth Negga por Melhor Atriz (Loving) e Mahershala Ali por Melhor Ator Coadjuvante (Moonlight: Sobre a Luz do Luar).

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Ostavia Spencer, Ava Duvernay, Viola Davis, Naomie Harris, Ruth Neggas (Imagem retirada do Google Imagens).

2) Pontos Negativos:

Após mencionar esses recordes maravilhosos, está na hora de falarmos dos equívocos. Mesmo com esse pequeno passo a diversidade, não podemos deixar de notar que NENHUMA mulher foi nomeada como Melhor Diretora, sendo que já estamos na 89ª edição do Oscar e, no total, apenas quatro mulheres foram nomeadas nesta categoria ao longo de oitenta e nove anos, sendo Kathryn Bigelow a única vencedora, pelo filme Guerra ao Terror (2008).

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Kathryn Bigelow no Oscar 2010.
Além disso, entre os nomeados de melhor roteiro original e adaptado, apenas Allison Schroeder encabeça o time das mulheres, com o longa-metragem Estrelas Além do Tempo (2016). Se continuarmos, as únicas áreas em que mulheres costumam ser nomeadas são: Melhor Produção, Direção de Arte, Figurino e Maquiagem. No entanto, nas categorias  dos prêmios mais badalados, quase não existem mulheres concorrendo e, infelizmente, isso só corrobora o fato de que são poucas as que conseguem visibilidade e oportunidade nesse mercado de trabalho.

Como questiona Mary McNamara no texto “Oscar não tão branco, mas ainda muito masculino” no site do Los Angeles Times: Is it time for #OscarsSoMale? (Estaria na hora de um #OscarMuitoMasculino?).

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Alisson Schroeder, co-roteirista de Estrelas Além do Tempo, única mulher nomeada na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.
Por fim, não posso deixar de mencionar a pior indicação deste ano. Casey Affleck, irmão de Ben Affleck, foi nomeado pelo filme Manchester a Beira Mar (2016), inclusive ganhou o Globo de Ouro 2017 por este trabalho, mesmo sendo acusado de assédio, por mais de uma mulher que trabalhou com ele no set de filmagem.

Por quê precisamos falar sobre isso?

Infelizmente, muitas pessoas reproduzem a ideia de que não devemos associar a carreira do ator com sua vida pessoal, mas, particularmente, eu acho isso um erro. No momento em que homens como Casey Affleck, Jonnhy Depp e Bernardo Bertolluci, por exemplo, são acusados de assédio, violência doméstica e estupro, respectivamente, e não são punidos, pelo contrário, são premiados e glorificados pelo talento e geniliadade, dá a entender que homens como eles estão acima da lei e podem fazer o que bem quiserem, com quem quiserem.

A atriz Constance Wu, que interpreta Jessica Huang na série Fresh Off the Boat, foi uma das famosas que mencionou o caso em público, dizendo “Eu fui aconselhada a não falar sobre isso em público para preservar minha carreira. Sendo assim, dane-se minha carreira, pois eu sou mulher e humana em primeiro lugar.”(Tradução Livre).

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Sim Constance, você está certíssima em falar do assunto em público.
Ela continua no Twitter “Homens que assediam sexualmente as mulheres para o OSCAR! Porque boas performances valem mais do que humanidade, do que a integridade humana!” e “Meninos! Resolvam seus problemas fora dos tribunais! É só ser um bom ator, isso é tudo que importa! Porque arte não é sobre humanidade, certo?”

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Tweets da atriz Constance Wu.
Essa fala é importante, ainda mais vindo de alguém com visibilidade, pois nos faz questionar o porquê nossa sociedade protege esses artistas, quando, na verdade, ela devia denunciar e puni-los por seus crimes. Inclusive, como o BuzzFeed americano mostrou no post “As pessoas estão agradecendo Constance Wu por falar em público contra a nomeação ao Oscar de Casey Affleck”muitas pessoas parabenizaram a atriz e a apoiaram na causa, mostrando que o público não vai mais aceitar que esses casos passem impunes.

Para uma melhor reflexão sobre o assunto, eu recomendo o texto da Rebeca Puig “POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?”, do site collantsemdecote.com.br, que fala muito bem sobre a razão pela qual não devemos velar os crimes destes homens: Eu sei que esse é um assunto polêmico, mas se a gente não discute esse tipo de assunto então continuamos para sempre nessa repetição de padrão. Chega de passar a mão na cabeça, chega de panos quentes e chega de tapinhas nas costas. Chega de escolher o lado do agressor.”

Sendo assim, apesar das conquistas no Oscar 2017, ainda são necessárias muitas mudanças para que a diversidade seja algo comum na maior indústria cinematográfica que existe. Enquanto isso, torcemos por Violas, Meryls, Kathryns e McMillons e aguardamos mais e mais representatividade, dentro e fora das telas.

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Cartaz do filme Estrelas Além do Tempo, obra que prova o quão importante é a diversidade e representatividade, já que aprendemos quem são “As mulheres que ninguém conhece, por trás da missão que todos conhecem”.
*Academia de Artes e Ciências Cinematográficas: nome oficial do Oscar, que é o mais importante e prestigiado prêmio do cinema mundial.

*Cecil B. DeMille: é um prêmio dado anualmente pela Hollywood Foreign Press Association, na cerimônia do Globo de Ouro, para todos aqueles com contribuições relevantes para o mundo do entretenimento.

BIBLIOGRAFIA:

CHO, Kassy. People Are Thanking Constance Wu For Speaking Out Against Casey Affleck’s Oscar Nomination. 2017. Disponível em: <https://www.buzzfeed.com/kassycho/people-are-thanking-constance-wu-for-speaking-out-against-ca?utm_term=.rkpRzPkDG#.yxB1DP0XE&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

DEARO, Guilherme. 10 recordes quebrados nas nomeações do Oscar 2017.2017.Disponível em: <http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/10-recordes-quebrados-nas-nomeacoes-do-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GENESTRETI, Guilerme. Academia do Oscar convida Anna Muylaert e outros brasileiros. 2016. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/06/1787051-academia-do-oscar-convida-anna-muylaert-e-outros-brasileiros.shtml&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

GLOBO,O. Oscar muda drasticamente suas regras para promover a diversidade. 2016.  Disponível em: <http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/oscar-muda-drasticamente-suas-regras-para-promover-diversidade-18525821&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

MCNAMARA, Mary. Oscars not so white, but still very male. 2017. Disponível em: <http://www.latimes.com/entertainment/la-et-oscar-nominations-2017-live-oscars-not-so-white-but-still-very-1485275087-htmlstory.html&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Joi McMillon é a primeira mulher negra indicada ao Oscar de edição. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/joi-mcmillon-e-a-primeira-mulher-negra-indicada-ao-oscar-de-edicao/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PÉCORA, Luísa. Veja todas as mulheres indicadas ao Oscar 2017. 2017. Disponível em: <http://mulhernocinema.com/noticias/veja-todas-as-mulheres-indicadas-ao-oscar-2017/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

PUIG, Rebeca. POR QUE É TÃO FÁCIL PERDOAR O GÊNIO MASCULINO MESMO QUANDO ELE É UM CRIMINOSO CONDENADO?. 2016. Disponível em:<http://collantsemdecote.com.br/por-que-e-tao-facil-perdoar-o-genio-masculino-mesmo-quando-ele-e-um-pedofilo-condenado/&gt;. Acesso em: 25 de jan. 2017.

Dois Irmãos e a violência como sinal de masculinidade

Nesse ano de 2017 foi lançada a minissérie Dois Irmãos, no canal Rede Globo. A produção é baseada na obra de Milton Hatoum, foi escrita por Maria Camargo e tem direção artística de Luiz Fernando Carvalho.

A produção técnica do programa, assim como a maioria das produções do canal, é incrível e digna de Hollywood. Da fotografia ao som, não há o que questionar. No entanto, o conteúdo, mais especificamente, o roteiro, não segue o mesmo caminho e perpetua esteriótipos que estão mais do que na hora de serem questionados e quebrados na programação brasileira.

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Sinopse: A história gira em torno de dois irmãos gêmeos idênticos, Omar e Yaqub, que têm personalidades conflitantes desde pequenos, e suas relações com a mãe (Zana), o pai (Halim) e a irmã (Rânia). Moram na casa da família a empregada Domingas e seu filho, Nael. O menino é quem narra, após trinta anos, os dramas que testemunhou calado. Do seu canto, ele vê entes da família de origem libanesa terem desejos incestuosos e se entregarem à vingança, à paixão desmesurada, em Manaus.

No primeiro capítulo, somos apresentados a Manaus, mais parecida com uma vila, em plena década de 20. Na trama, o personagem Halim (Bruno Anacleto) é apaixonado por Zana (Gabriela Mustafá) e, um dia, decide entrar no restaurante do pai desta e recitar um poema. Assim, com esse simples gesto, a menina se encanta e está decidida e a se casar com o moço.

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Halim (Bruno Anacleto) e Zana (Gabriela Mustafá)

Recentemente, vi uma crítica que dizia achar incrível que Zana avisa ao pai que irá se casar, como quem diz que vai na padaria. Porém, ao meu ver, eu questiono muito essa forma de romance, em que nada acontece e é só o rapaz declamar um poema para que a menina, considerada a mais linda da cidade, caia de amores. Eu amo poemas e poesias, mas convenhamos que ninguém se apaixona por alguém em três segundos, muito menos por causa de uma declamação , a não ser em filmes à la Disney.

A partir disso, os anos se passam e o casal está pronto para ter filhos. Na verdade, a mulher que exige filhos, já que o marido, não gostaria de ser pai. Assim, eles têm os gêmeos Omar e Yaqub, e se inicia toda a tragédia.

De acordo com o narrador, o filho “caçula”, Omar, nasceu muito fraco e quase morreu e, por isso, a mãe o cuidou com mais zelo e carinho, do que seu irmão. Por meio dessa preferência da mãe, surgiu uma relação de ciúme doentio dentro da família, do pai com os filhos e de Omar (o filho queridinho) com Yaqub (o menino calado).

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Os intérpretes de Omar e Yaqub, Lorenzo e Enrico Rocha, Matheus Abreu e Cauã Reymond.

Por meio disso, a história incita o ódio entre os irmãos o tempo todo, justificando a briga e violência destes, por causa de ciúmes e culpando todas as mulheres envolvidas. Ainda no capítulo 1, Omar, agora com uns 10 anos de idade, e Yaqub, se apaixonam por Lívia e esta, parece interessada nos dois. Não conhecemos nada da menina, ela simplesmente aparece para “provocá-los” e causar discórdia.

Na cena em que eles vão a exibição de um filme, na casa dos vizinhos, Yaqub beija Lívia e Omar, possuído pelo ciúme e ódio, quebra uma garrafa de vidro e corta o rosto do irmão. Zana, a mãe sofredora, não sabe lidar com a situação sem magoar um dos filhos e Halim, o pai bipolar, decide enviar o filho machucado para o Líbano, seu país de origem, por alguns anos.

Nesse trailer da série é possível ver a cena do corte.

O tempo passsa e a relação de Zana e Omar, agora confusa, com beijos no pescoço e pegadas por trás, fica mais forte e ambígua, enquanto Yaqub, volta, anos depois, mais quieto do que nunca e sem se sentir um membro da família. Ou seja, Yaqub, quem levou a cortada, que foi mandado embora e, exatamente ninguém, sentou para conversar com Omar e dizer que o que ele fez foi errado.

Por meio de narrativas assim, continuamos a ensinar aos meninos que quanto mais violento e dominador eles forem, mais eles provarão sua masculinidade. A mídia, seja televisão, cinema, internet, quadrinhos, etc, tem um papel essencial na construção de um indivíduo e quando mostramos cenas nesse estilo , crianças e adultos permanecem com a ideia estereotipada de masculinidade como forma de oprimir e dominar.

Além disso, a não ser pela personagem Zana, que é a mãe dos gêmeos, todas as mulheres mal falam e tampouco tem personalidade e histórias interessantes. A maioria aparece para saciar as vontades dos homens ou causar “discórdia” entre eles, o que me fez lembrar o texto que li no site groknation.com, “Porquê mulheres são vistas como puritanas ou putas?”.

Na imagem, a personagem Lívia, mais conhecida como a “causa” da discórdia entre os irmãos.

Segundo uma das colaboradoras do groknation*, Sa’iyda Shabazz, “As duas primeiras imagens de mulheres foram ou a Virgem Maria ou Maria Madalena, uma prostituta que buscava a redenção de Jesus. Quando somente há duas únicas visões de mulheres, desde os primórdios, como é que se supõe que iremos passar adiante disso? […] Nós ainda preferimos manter as mulheres ao padrão da mãe virgem, porque é mais seguro, do que ver as mulheres como pessoas totalmente formadas que podem desfrutar de algo como o sexo, sem motivos de procriação.” (Tradução livre)

Outro detalhe interessante é vermos as cenas de Zana e Rânia, sua filha, numa eterna disputa de poder e beleza, além de que, conforme a própria narração diz sobre a mãe: “ao envelhecer, Zana perde sua beleza para a filha”. Enquanto jovens, somos lindas, quando envelhecemos, somos esquecidas e rechaçadas e, claro, a disputa entre mulheres não foge nem dentro da família. Nao sei aonde iremos parar com esses “ensinamentos”.

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Zana, interpretada por Gabriela Mustafá, Juliana Paes e Eliane Giardini.

E o quê falar da personagem Domingas (Zahy Guajajara)?

Quando criança, ela fica órfã e é entregue à Zana, como um presente, para servir como empregada doméstica, mas, na verdade, ela se torna uma escrava. O próprio narrador, que é seu filho, comenta “Domingas é meio ãma, meio escrava”. Meio não, ela é escravizada, humilhada e abusada o tempo todo. Inclusive, a personagem é estuprada pelo gêmeo Omar e NINGUÉM comenta o assunto e a jovem ainda é humilhada, quando anda com seu filho pela cidade, chamada por nomes horríveis, até mesmo pela “patroa”, que diz não querer “um filho de ninguém” em sua casa.

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Domingas (Zahy Guajajara).

Será que ninguém percebe o quão errado é isso? No momento em que uma das personagens é humilhada, estuprada, abusada, e não tem sequer voz e história por trás, fica a entender de que ela pertence à família e eles podem fazer o que quiserem com ela, especialmente os homens. Esse tipo de história concretiza a ideia de que nós, mulheres, somos meros objetos de prazer masculino. E não, nós NÃO somos! Sem contar que, também remete à ideia de que índios são inferiores, sendo justificável os brancos, no caso, libaneses, escravizá-los.

Para piorar, as outras mulheres, maioria negras ou estrangeiras, aparecem quando Omar quer transar ou quando quer provocar sua família, em particular sua mãe, que insiste em humilhar as moças, as chamando de vadias e destruidoras de lares, passando a mão na cabeça do filho, que estupra, abusa e soca quem ele quiser, sem nunca ser punido.

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O filho quem leva a “destruidora de lares” para casa e ela quem é humilhada e expulsa do lugar.

Por fim, entendemos que a redenção de Omar acontece, quando seu filho, Nael, vindo de um estupro, estende suas mãos ao “pai”, querendo ouvi-lo dizer perdão. Infelizmente, Omar, assim como a maioria dos homens, que usam e abusam de sua “masculinidade”, nunca assume e, talvez, nem entenda seus erros, enquanto, Domingas são esquecidas e jogadas ao mar. É simplesmente cansativo vermos minisséries como esta, em que os homens seguem esse padrão de violentar quem eles bem quiserem para provar seu lugar como macho alfa e nunca serem reprimidos ou punidos por seus crimes.

Até quando insistiremos em histórias assim?

Ano passado, tivemos o prazer de assistir Justiça que, mesmo tendo histórias tristes e pesadas, deu um show de humanidade. Então por que não vemos mais programas como este, ao invés de Dois Irmãos, que somente investe em misoginia, preconceito, ódio e mais ódio? O que estamos querendo passar aos nossos meninos/homens e o que estamos dizendo sobre nossas meninas/mulheres?

Para refletir sobre o assunto, indico o documentário the Mask You Live In , abordado pela Louise Queiroga, no texto “A máscara que os meninos usam”, em que a autora diz O filme aborda como a masculinidade é socialmente construída e o quanto isso fere a forma de como os homens poderiam se expressar”. Ademais, o doc ainda mostra como a mídia influência no desenvolvimento de caráter de uma pessoa.

Sendo assim, uma produção que tinha tudo para ser extraordinária, acaba ferindo as mulheres e perpertua a educação machista de nossa sociedade. Uma das coisas que salva o programa, é a maravilhosa interpretação de Juliana Paes e Eliane Giardini, mas, até mesmo a primeira, quando elogiada, tem seu corpo e nudez glorificado e o talento velado.

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As primeiras notícias do Google, ao pesquisar sobre a atriz na minissérie, são sobre as cenas em que ela aparece nua.

*groknation.com: é o site da atriz e neurocientista Mayim Bialik, mais conhecida pelo papel de Amy Farrah Fowler, na sitcom americana The Big Bang Theory.

BIBLIOGRAFIA:

GROKNATION. FEMINISM 101: WHY ARE WOMEN ONLY SEEN AS “PRUDES” OR “SLUTS”?. 2017. Diponível em: <http://groknation.com/women/feminism-101-why-are-women-only-seen-as-prudes-or-sluts/&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

GSHOW.‘Dois Irmãos’: conheça a história da nova minissérie da Globo. 2017. Disponível em: http://gshow.globo.com/tv/noticia/2016/11/dois-irmaos-conheca-historia-da-nova-minisserie.html&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

WIKIPEDIA. Dois Irmãos. 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dois_Irmãos_(minissérie)&gt;. Acesso em: 22 de jan. 2017.

Uma das organizadoras da Marcha das Mulheres dá a melhor resposta a comentários islamofóbicos que inundaram seu perfil do Twitter após o evento

Linda Sarsour deu a melhor resposta para os xingamentos que inundaram seu Twiter após a Marcha das Mulheres

Linda Sarsour, uma das líderes do Women’s March on Washington – que ocorreu neste sábado, 21, um dia após a posse do presidente dos EUA, Donald Trump – recebeu uma série de “críticas de pessoas contra o islamismo e a presença de muçulmanos nos Estados Unidos” (um termo brando que usei aqui para me referir a islamofóbicos que inundaram o Twitter da ativista de origem paquistanesa com xingamentos). Acredito que essa exposição preconceituosa reinforce ainda mais a necessidade pela marcha e pela continuação da mensagem que ela traz. Aliás, Linda Sarsour deu a melhor resposta para essa situação:

“Quando a oposição, incluindo islamofóbicos, estão enchendo sua timeline com ódio – você percebe que fez alguma coisa certa. #marchadasmulheres”

A origem da Women’s March on Washington

O resultado da eleição presidencial norte-americana saiu no dia 8 de novembro de 2016 e, no dia seguinte, Teresa Shook – conhecida como Maui – convidou cerca de 40 amigas para marchar em Washington, D.C. A ideia se espalhou e, a partir do momento que alcançou o Facebook, já havia um extenso número de mulheres envolvidas no movimento, criando páginas e encorajando milhares de outras a participarem.

O problema era que, neste primeiro momento, praticamente todas eram brancas. E elas sabiam da necessidade de haver representatividade no movimento. Dessa forma, uma das organizadoras, chamada Vanessa Wruble, tomou essa iniciativa.

O reconhecimento de ser preciso dar voz a todas

O primeiro passo foi contatar Tamika Mallory, Carmen Perez e Linda Sarsour. Em 2015, elas lideraram uma marcha da cidade de Nova York a Washington, viajando por impressionantes 250 milhas a pé, enquanto clamavam por mudanças no sistema de justiça criminal dos Estados Unidos. Além disso, são conceituadas líderes que construíram carreira, organizando mobilizações interseccionais.

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Na imagem, Carmen Perez está ao centro e, ao seu lado de moletom também preto, Tamika Mallory. A foto foi postada no Twitter de Linda Sarsour.

No vídeo abaixo (em inglês), as três contam sobre as origens da Women’s March on Washington, dizem que a marcha é uma forma de mostrar que estarão de olho no governo de Trump, caracterizado por elas, logo no início da conversa, como um narcisista. Além disso, salientam que a marcha vai muito além de ser sobre os pontos que elas são contra, como racismo, retaliação policial e segregação, mas, sim, para dizer o que elas defendem, quais são os valores que importam e devem ser conquistados e compartilhados por todos.

Foi necessário para o movimento, certificarem-se de que ele estava sendo construído em uma estrutura sólida, unindo vozes asiáticas, das ilhas do Pacífico, mulheres trans, nativas americanas, deficientes, homens, crianças, e muitos outros, de forma que todos possam se expressar e encontrar apoio.

Entre os tópicos debatidos na entrevista, há a diferença entre as lutas das feministas brancas e das “de cor” (uma expressão traduzida ao pé da letra que se refere às mulheres que são latinas, muçulmanas, negras, ou seja, as minorias). Por exemplo, Tamika fala sobre a diferença salarial entre homens e mulheres, mas destaca o fato de que as mulheres negras recebem ainda menos do que as brancas. Além disso, há uma série de outras lutas que estão na agenda das mulheres de cor que não fazem parte da realidade das brancas. No entanto, o mais importante é expandir a sororidade e, ainda, integrar os homens na luta.

A Women’s March on Washington em imagens

Agrupei as imagens da marcha que mais gostei. Em uma delas, há um cartaz que um homem segura que diz: “Marcho pelo meu filho que nós estamos criando para ser um feminista”. Em outro, um garoto segura a seguinte mensagem: “Garotos serão garotos bons seres humanos” e uma menina, esta: “Tenho apenas 4 anos e já sei que todo mundo é igual”. Não faltaram referências à Princesa Leia como símbolo de resistência e da luta rebelde contra o império galáctico e, como fã da personagem/atriz/saga, ela precisava também entrar nessa lista. Ademais, destaquei a presença de algumas celebridades, como Emma Watson e Miley Cyrus. Estas imagens foram retiradas de álbuns criados pelas páginas Quebrando o Tabu e Collant Sem Decote.

Os valores pelos quais lutamos são para todos os humanos

Como foi dito no texto A máscara que os meninos usam, feminismo não é apenas sobre mulheres, é sobre igualdade e respeito a todos os seres humanos. Trump não é o presidente do Brasil e, por isso, talvez algumas pessoas possam não entender a importância de falarmos sobre essa marcha aqui. No entanto, considerando a semelhança que existe entre ele e alguns (muitos) de nossos políticos, temos muitas razões para abraçarmos esse exemplo para engajar por aqui nossa resistência. De forma que mulheres brancas, como eu, reconheçam seus privilégios e lutem pelas causas urgentes das mulheres negras, da mesma forma como homens, de modo geral, percebam que uma sociedade desigual também os prejudica, sendo necessário, portanto, lutar pelo respeito aos direitos humanos.

Vivemos tempos difíceis, mas também vivemos uma época que nos oferece a oportunidade de defender os valores que nós acreditamos, como empatia, equidade, inclusão e diversidade. A marcha é de todas e todos. Sigamos em frente.

A máscara que os meninos usam

O documentário The Mask You Live In, do roteiro e direção de Jennifer Siebel Newsom, e disponível na Netflix, é um daqueles filmes que deveria ser assistido por todos, meninos ou meninas, homens ou mulheres. O filme aborda como a masculinidade é socialmente construída e o quanto isso fere a forma de como os homens poderiam se expressar. Mas também fala sobre bullying, assassinato, agressividade e suicídio. Eu sou feminista, o que significa que sou contra o machismo. Isso também significa que eu não sou contra os homens. E este texto é sobre eles.

“Ele veste uma máscara, e seu rosto se molda a ela…” – esta frase de George Orwell foi um excelente ponto de partida do documentário The Mask You Live In (que em português pode ser traduzido como A Máscara Em Que Você Vive).

A partir daí, dá-se início à discussão sobre como a cultura norte-americana contribui para solidificar essa máscara nos homens, desde a infância, impedindo que eles exponham o que há por baixo dela.

É interessante observar o amadurecimento de alguns deles. Me impressionou a história de um rapaz que, no ensino médio, sentiu a necessidade por afirmar-se como homem com H maiúsculo e deixou de fazer coisas que gostava, entrou para o time de futebol da escola, namorou uma líder de torcida e deixou de ser amigo do menino que conhecia desde o ensino fundamental porque ele não seguiu esse mesmo caminho e continuou fazendo coisas consideradas como “não masculinas o suficiente”. O outro menino perguntou para ele o porquê do afastamento e, na época, ele não soube responder. A ficha só caiu anos depois, quando ele reconheceu as pressões da família, da escola, da sociedade como um todo para “ser um homem”. Ademais, reconhece, inclusive, os privilégios de ser um homem branco, quando fala sobre o seu avô, um “macho alfa”, em suas palavras.

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Este é um dos entrevistados. Ele conta sobre sua passagem do ensino fundamental para o médio, quando sofreu bullying, abandonou o teatro (que anos depois ele retomaria, porque – afinal – ele gosta!) e a necessidade que havia por afirmar-se como homem. Aqui, nesta passagem, ele fala sobre o avô, um homem branco do sul dos EUA, que serviu ao exército e viveu o “sonho americano”.

Coloco aqui a fala de um psicólogo que resume a mensagem do documentário e também do que vivo tentando dizer para as pessoas:

Meninos e meninas são muito mais humanos e muito mais iguais do que são diferentes. Se você der 50 mil testes psicológicos para meninas, os resultados formarão uma curva em forma de sino. Se der os mesmos 50 mil testes psicológicos para meninos, os resultados formarão uma curva de sino de meninos. Se sobrepuser as duas, elas coincidirão em 90%”, afirma o psicólogo Dr. Michael Thompson

Concluindo:

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A neurologista Lise Eliot explica as diferenças entre os conceitos de sexo, um termo biológico, e gênero, uma construção social, em que há “expressões de masculinidade e feminilidade”. O problema da construção da masculinidade durante a infância dos meninos é passar para eles a ideia de que devem rejeitar o que é considerado feminino. Com o tempo, eles acabam acreditando que são superiores às mulheres e aí vem toda a história do machismo que nós já conhecemos bem.

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A neurologista Lise Eliot explica as diferenças entre sexo e gênero e afirma que as expressões de masculinidade e feminilidade são socialmente construídas.

Como afirmei no início do texto, essa é uma publicação sobre os homens, mas também é para os homens. Por isso, deixo aqui uma mensagem para eles:

Prezados homens,

sei que houve momentos em que vocês se sentiram tristes, solitários e assustados, mas não demonstraram isso porque vocês pensavam que deveriam agir de outro modo. E essa é a máscara que os meninos usam. Vocês, mesmo que sem notarem, escondem quem são, ou ao menos esconderam durante um período da vida. Agora, como muitos dos entrevistados (já na fase adulta), é possível que tenham enxergado que não é essa máscara que faz de vocês homens, que define vocês. Porque, antes de mais nada, vocês são humanos e está tudo bem se demonstrarem isso.

As pesquisas indicadas no documentário mostram que a fase da vida em que os garotos começam a esconder as emoções consideradas femininas coincide com o aumento do número de suicídios, que são superiores ao das garotas.

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O número de suicídio de meninos aumenta na fase da vida em que eles mais sentem pressão social para serem machos e não demonstrarem emoções consideradas femininas.

Este é um dado muito delicado e abordado de uma forma emocionante pelo documentário, com depoimentos de rapazes que consideraram ou até mesmo tentaram suicídio. As causas e consequências são analisadas pelos especialistas que salientam a necessidade da observação em casos de determinados comportamentos típicos da depressão. O problema, contudo, é que o senso comum acaba confundindo tristeza com depressão, o que pode dificultar o diagnóstico da doença nos garotos. Os que sofrem desse mal podem demonstrá-la por meio de agressividade, crimes (quantas notícias já vimos sobre atentados de jovens americanos com armas de fogo?) e, por fim, o suicídio.

Há muitos aspectos relatados no documentário que são dignos de serem mencionados aqui (arquétipos da cultura pop, bullying, sexualidade, bebidas, drogas, aversão ao que é feminino, a ideia que fazem das meninas, entre muitos outros), mas acredito que você deva assistir e permitir emocionar-se com os relatos dos garotos entrevistados. Há criminosos em prisão perpétua, estudantes de periferia, jovens de classe média, crianças, adultos, gays, héteros, e por aí vai.

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Um resumo do que você vai encontrar no documentário

É por isso que defendo o feminismo e acredito que ele seja, sim, um movimento para todas e todos. Seria ótimo se os homens, de modo geral, enxergassem que a igualdade de gêneros também diz respeito à liberdade de eles serem quem são e não precisarem se esconder atrás de uma máscara imposta pela sociedade.

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Esta é uma das minhas cenas favoritas, em que um professor faz uma dinâmica com os alunos. Ele dá uma folha para cada um com uma máscara desenhada em um dos lados e pede para que escrevam ali o que os outros sabem deles e, no verso, o que eles não permitem que os outros vejam. Boa parte das respostas contiveram “dor”. Por que meninos não mostram que sentem dor?

Women’s March: a marcha das mulheres e o que está por trás do evento.

O dia 16 de janeiro de 2017 foi considerado o dia mais triste do ano, chamado de “Blue Monday”, segundo o estudo de Cliff Arnall, psicólogo da Universidade de Cardiff, no País de Gales. No entanto, ao meu ver, o dia mais triste do ano é hoje.

Hoje, infelizmente, nós perdemos e muito. No dia 20 de janeiro de 2017, Donal Trump assume a presidência dos Estados Unidos e é doído escrever sobre isso. Hoje, nos despedimos da maravilhosa família Obama e entramos numa era assustadora, com Trump, Temer, Brexit*, tristeza e tristeza.

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“A Esperança é necessária.” Já estamos com saudades, Michelle!

Como não sou jornalista e não entendo tanto de política, eu vou mudar o foco do texto e falar sobre a luta feminista e, mais especificamente, o Women’s March (Marcha das Mulheres), que irá ocorrer amanhã, dia 21 de janeiro de 2017.

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“Marcha das Mulheres em Washington, 21 de janeiro de 2017, às 10hrs”

No dia após a posse do novo presidente, mulheres irão marchar, para que suas vozes não mais sejam silenciadas. A ideia surgiu depois que os resultados das eleições presidenciais saíram, nos EUA, tendo como ponto de partida, a cidade de Washington e, agora, são mais de 600 cidades. No site do womensmarch, é possível ler sobre a missão e visão do projeto:

“Estamos juntos em solidariedade com nossos parceiros e crianças para a proteção de nossos direitos, nossa segurança, nossa saúde e nossas famílias – reconhecendo que nossas comunidades vibrantes e diversas são a força do nosso país.”(Tradução livre)

E por quê essa caminhada é tão importante para a sociedade?

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“Quando os poderosos usam sua posição para praticar bullying nos outros, todos nós perdemos.”

Aproveitando a fala da querida Meryl Streep, no Globo de Ouro 2017, vale a reflexão de que está mais do que na hora de discutirmos o quão assustador e retrógrado será, para todos nós, um homem como o Trump assumir a presidência de uma das maiores potências econômicas atuais, destilando ódio e preconceito em todas as suas falas.

Eu não vou fazer esse texto criticando ele, porque senão eu escreveria um livro de 500 páginas só pro primeiro capítulo, mas, sim, usarei as palavras das líderes da Marcha, para mostrar o quão importante esse evento será.

“A Marcha das Mulheres em Washington enviará uma mensagem ousada ao nosso novo governo em seu primeiro dia no comando e para o mundo, de que os direitos das mulheres são direitos humanos. Estamos juntos, reconhecendo que defender os mais marginalizados entre nós é defender a todos nós.”(Tradução Livre)

Como o grupo deixa bem claro no site, essa luta não é só contra o machismo e misoginia, é contra todo e qualquer tipo de preconceito. É a favor de todas as minorias, que, por sinal, são os grupos de maior ataque do atual presidente.

Segue o link da página do Facebook, Women’s March on Washington, com um vídeo (em inglês) explicando sobre o evento.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fwomensmarchonwash%2Fvideos%2F1401849963161612%2F&show_text=1&width=560

Como a Paula Cosme Pinto diz muito bem, no texto A Marcha das Mulheres também é sobre os homens” no site Expresso: Se a forma misógina, desrespeitosa e totalmente discriminatória como se refere ao sexo feminino (mais de metade da população mundial) não era suficiente para irmos todos para a rua, então que pensemos também nos comentários racistas, xenófobos, homofóbicos e totalmente desproporcionados no que toca a diabolizar minorias ou populações mais excluídas. Na forma como constantemente desrespeitou e pôs em causa as regras mais básicas do direitos civis e humanos, no seu país e nos demais.”

Também no site Nexo, podemos ler que: “Em entrevista ao jornal “The New York Times”, Breanne Butler, uma das organizadoras da marcha, disse que a manifestação é uma afirmação política, uma demonstração de “boas vindas” por parte de grupos marginalizados e atacados por Trump durante a campanha presidencial, que agora tentam mostrar estar atentos a suas ações. Por isso, direitos de imigrantes e de minorias em geral também estão em pauta, além das questões de gênero.”

Ou seja, essa marcha põe em pauta todas as questões que homens brancos, como Donald Trump, insistem em pisotear e debochar, cegos com todo o seu privilégio.

Os 5 princípios do Women’s March, retirado do site original, com tradução livre, são:

  1. A não-violência é um modo de vida para pessoas corajosas.
  2. A amada Comunidade é o quadro para o futuro.
  3. Ataque as forças do mal, não as pessoas que fazem o mal.
  4. Aceitar o sofrimento, sem retaliação, pelo bem da causa, para alcançarmos nosso objetivo.
  5. Evitar a violência interna do espírito, assim como a violência física externa.

Ainda de acordo com o site, para as brasileiras e brasileiros interessados na causa, haverá uma marcha na cidade do Rio de Janeiro, em Ipanema – Praça Nossa Senhora da Paz, dia 21 de janeiro às 13hr. Segue o evento no facebook. Para os que não poderão ir, espalhe a notícia ou use a hashtag #WhyIMarch e mostre sua força e resistência, mesmo que através da internet. Estamos juntos nessa!

Sendo assim, em tempos em que levamos golpes cruéis, como no Brasil ou pela ascensão dos republicanos no EUA, não por Trump ser o mais votado, visto que Hillary Clinton teve 2,9 milhões de votos à mais, mas pelo sistema antiquado que silencia a democracia, devemos mais do que nunca, nos juntar nessa causa e usarmos nossa força maior: a fala.

Não ao ódio, ao preconceito, ao racismo. Chega de homofobia, machismo e xenofobia. Chega, Chega, CHEGA!

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“Mulheres do mundo unidas.”

BÔNUS DO DIA

Para quem tem interesse em ler e entender um pouco mais sobre a luta feminista, segue o link do texto em que falo sobre o documentário “She is Beautiful When She is Angry”.

*Brexit: é a abreviação das palavras em inglês Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída). Designa a saída do Reino Unido da União Europeia.

BIBLIOGRAFIA:

DN.Resultado final: Hillary teve mais quase 2,9 milhões de votos que Trump. 2016. Disponível em: <http://www.dn.pt/mundo/interior/resultado-final-hillary-teve-mais-quase-29-milhoes-de-votos-que-trump-5567750.html&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

DE LIMA, Juliana Domingues. As mulheres que marcharam em Washington em 1913. E as que prometem marchar em 2017. 2017. Disponível em: <https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/01/17/As-mulheres-que-marcharam-em-Washington-em-1913.-E-as-que-prometem-marchar-em-2017?utm_campaign=a_nexo_2017117_-_duplicado&utm_medium=email&utm_source=RD+Station&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

PINTO, Cosme Paula. A Marcha das Mulheres também é sobre os homens. 2017. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/blogues/bloguet_lifestyle/Avidadesaltosaltos/2017-01-20-A-Marcha-das-Mulheres-tambem-e-sobre-os-homens&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

UOL NOTÍCIAS. Hoje é ‘Blue Monday’,o dia mais triste do ano, mostra estudo. 2017. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/ansa/2017/01/16/hoje-e-blue-mondayo-dia-mais-triste-do-ano-mostra-estudo.htm&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

WOMEN’S MARCH. 2017. Disponível em: <https://www.womensmarch.com/mission/&gt;. Acesso em: 20 de jan. 2017.

This is US: o mais novo amor em forma de série.

Representatividade importa e muito. Esse assunto tem sido o tópico de muitos textos, não só do Projeto Nellie Bly, como vários outros blogs, de pessoas que estão cansadas das mesmas histórias, com o mesmo tipo de protagonista, como se o mundo não tivesse a diversidade que tem.

No entanto, essa luta não é só do público, na verdade, existem pessoas no mercado que entendem essa demanda, pois fogem ou também se cansam do padrão, e estas pessoas nos presenteiam com trabalhos incríveis. Este texto é justamente sobre uma das mais recentes séries dramáticas americanas, que o público ganhou e MUITO.

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Trailer da série.

Série criada por Dan Fogelman e exibida pelo canal NBC, lançada em 2016.

Sinopse: Rebecca Pearson teve uma gravidez difícil de trigêmeos. O nascimento dos filhos aconteceu no dia em que seu marido, Jack Pearson, completava 36 anos. A vida de Rebecca, Jack e seus três filhos – Kevin, Kate e Randall – são apresentadas em diferentes fases. As histórias de Rebecca e Jack geralmente ocorrem durante a fase inicial do casamento, em torno do nascimento das três crianças ou em diferentes etapas da educação destas. Além disso, seguimos as narrativas de Kevin, Kate e Randall, quando estes tem exatamente 36 anos, cada um com sua própria bagagem. Assim, presenciamos essas tramas, todas conectadas entre si, não só pelo laço familiar, mas pelo emocional.

No piloto da série, já é possível entender a ligação de todos os personagens e perceber que, as histórias mostradas, se passam em épocas diferentes e isso é o charme de This is Us. Tudo começa com Rebecca (Mandy Moore), comemorando o aniversário do marido, Jack (Milo Ventimiglia), e antes que ela pudesse finalizar sua dancinha sensual, sua bolsa estoura e eles correm para o hospital.

Ao mesmo tempo em que conhecemos o casal, somos apresentados à novos personagens, que vivem situações separadas, mas todos estão interligados, pois fazem parte da mesma família. Decidi falar de casal em casal, porque é muito amor para uma série só e todos merecem uma chance de brilhar.

1) Rebecca e Jack Pearson.

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Rebecca Pearson (Mandy Moore) e Jack Pearson (Milo Ventimiglia)
O casal central deste novo drama tem uma linha narrativa muito intrigante. A vida deles se passa nos anos 70, às vezes pulando décadas, mas, no começo, é sobre a etapa de vida em que eles são pais de trigêmeos. Primeiro que, no dia do parto, o casal já sofre uma das maiores perdas possíveis e, de alguma forma, a vida dá uma oportunidade pra eles, de passar e superar essa dor, justamente através do amor.

Além disso, acho maravilhosa a relação deles, pois cada um lida de uma forma diferente com tantas mudanças na vida e, sempre quando achamos que eles vão surtar e ter um problema, o casal consegue fazer o que a maioria dos casais se esquecem: conversar. A partir disso, um consegue compreender o lado do outro e vemos como eles vão amadurecendo, juntos, com todas as dificuldades, ganhos e perdas, e o público se envolve com essa relação fofa.

Aliás, outro fato interessante é que Rebecca deixa bem claro que não será mãe sozinha. Como a história se passa nos anos setenta, normalmente vemos o pai trabalhando e voltando pra casa, enquanto a mãe toma conta dos filhos e do lar. Porém, já nos primeiros episódios, a personagem se impõe, dizendo que não vai aceitar isso e que espera uma atitude de pai, em relação ao Jack, e, por incrível que pareça, ao invés de se irritar ou dizer que ele é quem trás o dinheiro pra casa, ele entende as questões da mulher e seu dever como marido e pai e assume isso pra si. Como não faltam reviravoltas nessa série, é importante falar que estou me referindo somente ao início da relação deles.

2) Beth e Randall Pearson.

This Is Us - Season Pilot
Beth Pearson (Susan Kelechi Watson) e Randall Pearson (Sterling K. Brown)
A sequência do casal Beth e Randall se passa nos dias atuais, já casados e com duas filhas pequenas. No entanto, como grande parte desta trama tem a ver com Randall em busca de seu verdadeiro pai, volta e meia, o programa mostra essa narrativa no passado, para entendermos como este foi abandonado pelo pai biológico e adotado pela família de Rebecca.

Primeiro que o Randall é um fofo, que abraça tudo e todos. Eu me surpreendo muito com as atitudes dele e com seu sofrimento, de tentar achar respostas, sem magoar ninguém e me encanto, pois, infelizmente, acaba sendo diferente vermos personagens masculinos com tanta sensibilidade, quando, na verdade, era o tipo de representatividade que mais precisamos para acabar com esse esteriótipo de que homem tem que gritar, provar que é machão e nunca chorar.

Segundo que a mulher dele é incrível. Ela é a mentora dele, ao mesmo tempo em que ela precisa se achar e se impor no meio dessa busca do marido, pelo pai biológico. Aliás, a grande sacada dessa série é justamente um personagem ser o mentor do outro. Acho incrível essa troca de conhecimento, pois todos temos muito o que apender e ensinar, também.

Por fim, é bastante interessante vermos a infância e juventude dele, quando este sofria preconceito na escola por ser negro e adotado, e toda a dificuldade que Randall passa, às vezes recebendo o apoio da família, outras, sendo negado por esta, como é o caso de seu irmão, Kevin, que também reproduzia os preconceitos da sociedade.

3) Kate e Kevin Pearson.

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Kate Pearson (Chrissy Metz) e Kevin Pearson (Justin Hartley).
Kate e Kevin são irmãos gêmeos, do tipo que conseguem sentir a dor física do outro, mesmo estando a quilômetros de distância. Talvez, essa seja minha trama preferida, porque vemos Kevin, um ator famoso, lindo e rico, irritado com o último papel que conseguiu e buscando novas oportunidades, sendo divertido assistir um homem branco objetificado na sitcom em que trabalha e magoado com isso. Quem sabe assim, alguns homens entendam o quão cansativo e vazio é pra nós, mulheres, quando atuamos ou vemos isso acontecendo com a maioria dos personagens femininos.

Além disso, Kate trabalha para o irmão, mas tem seu drama pessoal, que é sua dificuldade em se aceitar, devido ao seu peso. Ela inicia uma terapia em grupo, onde conhece Toby Damon (Chris Sullivan), um cara que enfrenta os mesmos problemas que esta e, pela primeira vez, ela consegue assumir o protagonismo em sua vida e não mais viver às sombras do irmão. Eu não consigo deixar de me apaixonar pela Kate, toda vez que ela entra em cena e dá um show de talento e sensibilidade, nos provando que ela tem tanto brilho quanto o irmão.

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Sua linda!
Aliás, essa história é emocionante, não só por dar voz a uma personagem que, normalmente, é o alívio cômico* das séries, mas, porque, assim como ela, posso me identificar com a dificuldade em conseguir achar seu espaço nesse mundo machista e padronizado, que costuma dar voz aos “Kevins” que existem.

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Poster da série.
This is US está na primeira temporada, sendo que já foi renovada para mais duas e levou o prêmio de melhor série dramática estreante no People’s Choice Awards* 2017. Isso não é mera coincidência e, sim, devido à maravilhosa forma como o roteiro nos guia, nas dores pessoais de cada um, além de seguir um dos temas mais prestigiados da televisão: família.

Sentimos, através da história, dos diálogos e dos atores, a dificuldade de cada um, nos simpatizando e nos identificando, como humanos. Claro que cada um tem um problema diferente, uns com assuntos mais pesados, outros menos, mas todos com dores e sofrimentos, aos quais podemos ter empatia e entender cada vez mais, o que é estar na pele de uma pessoa diferente de você.

Assim, prepare seu coração e guarde um horário na semana, para começar a maratona e se emocionar e encantar com novos pontos de vista dentro de uma produção televisiva.

BÔNUS DO DIA

Como de costume, sempre coloco um “bônus” nos meus textos e nesse não seria diferente. Eu posso estar ficando maluca, mas não consigo assistir ao programa, sem comparar Mandy Moore, no papel de Rebecca Pearson mais velha, com a Diane Keaton e lembrar do filme, em que elas fizeram papel de mãe e filha, Minha mãe quer que eu case (2007).

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Mandy Moore como Rebecca Pearson mais velha.

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Diane Keaton.
Ok, talvez nas fotos não pareça tanto, mas juro que na série elas se assemelham bastante e lembrar de Diane Keaton é sempre um amorzinho, né?

VAI LOGO ASSISTIR ESSA SÉRIE!

*alívio cômico: é a inclusão de um diálogo, cena ou personagem humorístico, para quebrar situações de drama ou suspense.

*People’s Choice Awards: premiação norte-americana voltado ao cinema, música, televisão e, mais recentemente, internet, aonde o público é quem vota nos seus favoritos.

BIBLIOGRAFIA

ADOROCINEMA. Veja a lista completa de vencedores do People’s Choice Awards 2017. 2017. Disponível em: <http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-127157/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

IMDB. This is Us. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt5555260/&gt;. Acesso em: 19 de jan. 2017.

Uma História de Amor e Fúria: A animação brasileira que você precisa assistir.

Antes de mais nada, acredito que você, assim como a maioria dos brasileiros, mal conheça animações nacionais. Infelizmente, como já é muito difícil produzir a sétima arte no Brasil, com o desenho animado não seria diferente, então é normal não conhecer essas produções, pois elas não existem em grande quantidade como a norte-americana e tampouco são divulgadas como deveriam.

No entanto, nossa produção não é nula, muito pelo contrário, o conteúdo de filmes de animação no Brasil tem qualidade, não sendo à toa que no ano de 2016, O Menino e O Mundo concorreu ao Oscar de melhor animação, merecidamente.

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Poster do filme O Menino e o Mundo, filme de Alê Abreu.

Com isso, a intenção deste texto é justamente falar de uma das animações brasileiras que você, ela e todo mundo, precisam assistir.

 

Trailer do filme.

Filme escrito e dirigido por Luis Bolognesi, também conhecido pelos roteiros de Bicho de sete cabeças (2000), As Melhores Coisas do Mundo (2010) e Elis (2016).

O longa-metragem Uma história de amor e Fúria (2013) conta a história de um guerreiro imortal, que está vivo há mais de 600 anos, sempre em busca do seu eterno amor, Janaína. Mas como o próprio título já diz, essa trama, além de amor, contém fúria, passando por momentos marcantes da evolução de nosso país, desde a época em que “Brasil era o nome de uma árvore”, até o ano de 2096.

Apesar de ser uma ficção, a narrativa nos encanta com essa relação do casal, que perpetua por séculos, além de nos mostrar toda a força e resistência do povo brasileiro, contra as injustiças que, infelizmente, continuam até hoje.

A animação começa em 2096, com uma cena rápida e, volta para o ano de 1566, na Guanabara, quando o o guerreiro Tupinambá Abeguar, descobre seu destino. Segundo o xamã da tribo, Abeguar foi escolhido pelo deus Munhã para liderar seu grupo e lutar contra o malvado Anhangá. Quando seu povo é dizimado pelos portugueses, o herói se transforma em um pássaro e voa por mais de duzentos anos para encontrar Janaína, que foi morta no massacre aos índios.

As quatro encarnações de Janaína e seu guerreiro imortal.

 

Assim, vamos para o ano de 1825, onde nosso protagonista é Manuel Balaio que vive com Janaína e suas duas filhas, no Maranhão. Quando uma de suas filhas é abusada pelo comandante policial, Balaio lidera os moradores oprimidos e eles libertam a cidade de Caxias. No entanto, o governo envia Duque de Caxias e suas tropas vencem o povo. Balaio se transforma novamente em um pássaro, indo encontrar sua amada, no ano de 1968, no Rio de Janeiro.

Mesmo sendo uma animação, lembrando que este tipo de produção nem sempre é voltado para crianças, vemos cenas fortes de tortura e violência, mostrando a dura época da ditadura. Após essa fase, o roteiro nos leva de volta à cena inicial, no ano de 2096, onde a disputa agora, é pela água, que vale mais do que qualquer outra coisa.

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Cena do filme.
É incrível como a partir de uma história de amor, o público é levado pro passado e futuro, nos lembrando de todas as feridas, que ainda não foram cicatrizadas, e nos fazendo refletir, sobre aonde podemos chegar e o que perderemos com tudo isso.

O motivo de resistência por parte do nosso guerreiro é seu amor por Janaína e, como nossa querida Janaína, foi uma guerreira em todas as suas vidas, nosso personagem principal segue os passos desta e não desiste nunca do amor e de um mundo melhor.

Aliás, Janaína é dublada pela Camila Pitanga e, só isso, já é maravilhoso. Ela é poderosa em todas as suas encarnações, sendo dolorosas, todas as vezes que perdemos nossa personagem, instantes em que sentimos na pele, o sofrimento do pássaro e viajante do tempo, dublado pelo Selton Melo.

Eu me arrepio com a eterna luta desse casal, de libertar seu povo e ficar junto. E mesmo com todas as derrotas, com todo o sofrimento, basta o sorriso um do outro, que eles lembram que estão do lado certo na luta. Mesmo eu não acreditando em destino, eu me emociono demais com as cenas dos dois, em que o mundo para pra ouvir esses corações apaixonados.

Para o texto não ficar muito melancólico e romântico, esse filme, além de ter esse lindo romance, vale pela história do nosso Brasil. Claro que somente quatro épocas são retratadas, sendo que uma se passa num futuro que ainda faltam 80 anos pra chegar, mas todas as dores permanecem até os dias atuais, nos fazendo questionar o por quê de tanta guerra e injustiça.

Normalmente eu não sou fã de longas com narrador, mas, como o narrador, no caso, é o próprio protagonista, nos contando sua história de vida e nos mostrando seu ponto de vista, é impossível não se envolver nas falas deste. Por sinal, as falas são muito marcantes e fortes, nos comovendo e nos fazendo pensar sobre nosso passado, os erros já cometidos e que ainda não foram consertados. Como o narrador diz: “Viver sem conhecer o passado é andar no escuro.”

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“Meus heróis nunca viraram estátuas. Morreram lutando contra os caras que viraram.”
Assim, eu aconselho essa produção cinematográfica pelos personagens, pela história de amor, resistência e fúria, além de ser uma animação maravilhosa, que nos lembra que é possível produzirmos esse tipo de filme no nosso país.

Eu, que escolhi a carreira de cinema, levo pancadas quase todos os dias por essa escolha difícil, mas são filmes como este, que me lembram de continuar minha jornada.

BIBLIOGRAFIA:

IMDB. Uma história de amor e fúria. 2013. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt2231208/&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.

UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA. 2013. Disponível em: <http://www.umahistoriadeamorefuria.com.br&gt;. Acesso em: 16 de jan. 2017.