Ressaca pós Gilmore Gilrs revival – contém spoilers

Esse texto é uma nota para dizer que não vou publicar o segundo vídeo do canal nessa semana por motivos de ressaca emocional.

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Gilmore Girls

Eu bebi muito entusiasmo com relação aos novos episódios de Gilmore Girls e agora estou frustrada porque minhas expectativas foram por água abaixo. Claro que nem tudo foi péssimo e decepcionante. Mas, vamos combinar, ficar grávida aos 32 anos de um homem sem caráter que trai a noiva e vive dando esmolas para a amante não foi lá o que imaginei para a Rory. Aliás, pode ser que o bebê nem seja do Logan, mas tudo indica para que seja.

Eu estava bêbada de esperanças, ansiedade e animação para rever os personagens tão queridos da série. No entanto, por mais que eu tenha aprovado e curtido o crescimento de todos com a exceção da Rory, a história dela ficou tão ruim que eu estou sem reação. Ela podia ter engravidado sem problemas. Mas do LOGAN? Sério. Depois de uma década, ela ainda estava presa naquele amor? E o tal do namorado dela, o Paul? O que foi aquilo, gente? Ela não dava a menor importância para o rapaz. Coitado.

Estou tão angustiada que não consegui gravar um vídeo sobre o tema que havia planejado. Queria falar sobre o poder transformador da ficção nas nossas vidas, o quanto gosto de histórias e alguns personagens e o quanto eles são reais para mim. SÓ QUE AGORA NÃO DÁ PRA FALAR DISSO. Então, desisti e vou pular essa semana.

Se Amy Sherman-Palladino quis que o final fosse assim, ótimo. Mas eu não sou obrigada a gostar. Aqueles amigos do Logan, incluindo ele próprio, são machistas e tratam as mulheres como se fossem acessórios com os quais eles usam para brincar. Eles são imaturos, esnobes, mesquinhos e acham que podem comprar tudo e todos.

Quando assisti ao primeiro episódio, pensei “beleza. Rory está no fundo do poço, mas ela vai superar essa fase difícil. Não precisa vencer na vida conquistando tudo o que sempre sonhou. A série está realística e isso é bom. Mas, ela está uma bagunça. Vai se ajeitar por dentro”. Achei verossímil ela ser uma Carrie de Sex And The City que deu errado. Por que às vezes é assim mesmo. Nós sonhamos em ser jornalistas de sucesso e não conseguimos.

Como eu me formei apenas nesse ano, tenho ainda esperanças de que as coisas podem seguir um fluxo de conquistas profissionais interessantes, mas reconheço que isso não pode necessariamente se concretizar. Mas, diferentemente da Rory, eu abraço a ideia de fazer mestrado e dar aula com bom agrado. Admiro muito meus professores e se eu for o mínimo do que eles são, ficarei realizada.

Aí continuei assistindo, com a companhia da minha mãe, claro, como sempre fizemos e agora eu estou INDIGNADA. Não tenho como gravar um vídeo assim porque assustaria meus amigos e as poucas pessoas que não me conhecem e que porventura também assistiriam. Isso e porque o prédio em frente está tocando música alta desde cedo.

A superação da Emily foi MARAVILHOSA. Tenho que elogiar. Kelly Bishop sambou. Foi disparada a melhor personagem, a que teve o maior crescimento pessoal e profissional! Arranjar um trabalho no museu na cidade para onde se mudou foi fantástico. A casa na praia é linda. A cena dela deixando o sapatinho social e calçando o tênis branco foi muito simbólica, assim como trocando o gigantesco quadro do Richard por um do tamanho certo, como ela de fato queria.

Emily reconheceu o que precisava ser mudado e se reencontrou, passando a atender as suas próprias necessidades. Estou tão orgulhosa dela por ter deixado aquelas mulheres chatas do DAR para trás! Ela merece tanto ser feliz. Amei a casa na praia. Amei ela ter acolhido a família da empregada Berta. Lembram que ela vivia trocando de empregadas? Emily foi a melhor parte do revival de Gilmore Girls.

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Emily, interpretada por Kelly Bishop, foi minha personagem favorita no revival de Gilmore Girls. 

No entanto, fiquei triste por ela não ter ido ao casamento da Lorelai com o Luke, mas acho que foi até mesmo uma forma de ela deixar a filha mais livre, já que elas tiveram problemas no passado. Problemas estes que começaram a ficar para trás.

Acho que a terapia de certa forma ajudou a Lorelai. Não foi a tal caminhada “Livre: a jornada de uma mulher em busca do recomeço” que ela nem chegou a fazer. Lembrar o passado nos ajuda a mostrar onde estão os acontecimentos que fizeram a diferença nas nossas vidas. Algumas ações de pessoas próximas provocam mudanças na nossa forma de olhar para nós mesmos e para onde vamos a partir daquele momento. E acho que foi isso que a Lorelai percebeu ao lembrar do dia que encontrou o pai no shopping em seu aniversário de 13 anos quando foi humilhada na escola pelo garoto de quem gostava.

Rory tem só 32 anos. Ela está nova ainda, vamos admitir. E daí que ela engravidou de um cara horroroso que não estará por perto do crescimento do filho ou filha deles? O pai dela também não esteve por perto e aquela cena entre eles dois ficou ainda mais forte depois de termos visto o final em que ela conta para Lorelai a notícia bombástica.

Gosto de finais que mostram que a história não acabou. Porque a vida é assim, gente. As coisas seguem em frente, em movimento, sempre.

O fato de a Rory não ter conquistado os sonhos profissionais dela de se tornar uma correspondente internacional importante ou ser a próxima Christiane Amanpour me lembrou bastante a Emma Morley, do livro Um Dia,  de David Nicholls. Emma terminou a faculdade quando era jovem, tinha ambições, sonhos e desejos. Por anos, muitos deles foram deixados de lado pela necessidade de trabalhar. Diferentemente da Rory, Emma não tinha uma família rica para quem poderia recorrer. Ela precisou enfrentar a vida com a cara e a coragem.

Londres engoliu as ambições de Emma e Nova Iorque – e Londres – engoliram as ambições de Rory. E as duas encontraram na escrita uma saída de escape. Achei isso muito fascinante. Porque para mim também é isso que está acontecendo. Esse ano foi de mudanças para mim. Me formei, comecei a trabalhar, e quando me vi sem um propósito real na vida, dei início a uma história na qual acredito. E aqui estou eu também escrevendo um livro.

Acho inclusive que Emma foi uma personagem muito mais forte e com personalidade mais intacta do que a Rory, que me pareceu mais perdida do que nunca. Apesar de Emma também ter se envolvido durante um tempo com um homem comprometido. Isso também de certa forma liga as duas mulheres.

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Anne Hathaway interpretou Emma Morley na versão cinematográfica de Um Dia

Até o estilo de homem das duas é parecido. Dexter, o melhor amigo de Emma, e por quem ela foi apaixonada, também é um riquinho esnobe que dorme com todo mundo, assim como Logan. Mas, ao menos vemos o amadurecimento de Dexter. Logan continuou o mesmo.

As histórias de todos da série estavam do jeito como tinham que ser. A cena do ensaio do musical foi desnecessária, mas gostei de ver a empolgação do Taylor. Não precisava também da Brigada da Vida ou Morte. Aqueles homens são INSUPORTÁVEIS.

A ideia de a Rory escrever um livro (próprio, sem colaboradoras inglesas bêbadas) foi genial. E nem um pouco surpreendente ter vindo do Jess, o melhor dos namorados que ela teve. Jess, o que a ama e olha para ela como um hipster olha para um café da Starbucks.

Fora isso, tudo ok. Vida que segue.

PS: E o que falar de todos aqueles celulares?

7 comentários em “Ressaca pós Gilmore Gilrs revival – contém spoilers

  1. uau, consigo sentir daqui toda sua inquietação enquanto digitava todo esse texto. Sim, 100% concordo. Transformaram ela em uma tremenda fracassada, em todos os sentidos, também fiquei achando que ela daria a volta por cima, são as Gilmore. Elas nunca esmaecem. Mas, infelizmente foi tudo tão ridículo, só o Jess fez sentido em tudo isso, a ideia, o jeito de olhar para ela, tudo nele é perfeito para ela…ele a empurra para os precipícios sabendo que ela vai voar. Quer amor mais transformador que esse?
    De verdade minha decepção só não foi maior por conta da Lorelai, a história com o pai foi sensacional e ela foi tão Lorelai em todos os episódios, ela resgatou tudo que a personagem tinha, eu amei a Emily, mas a Lorelai foi além da dor…eu amei ela tentar a trilha, ela voltar e saber que não era aquilo, ela ligar para mãe…(só me decepcionei de ela aceitar o caso da Rory com o Logan, ela tinha ficado irada com a história do Dean, como agora ela aceita isso da filha?)

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    1. Haha sim! Escrevi o texto logo depois de assistir porque precisava colocar pra fora. Amei a Lorelai também! ❤ Acho que ela não ficou tão brava com a história do Logan por a Rory ser mais velha e, supostamente, sabendo tomar suas decisões. Ela era mais nova quando aconteceu o caso com o Dean e foi um choque pra mãe. Dessa vez como foi um segundo caso, acho que não surpreendeu tanto, rs. De qualquer forma, senti falta também de uma conversa sobre isso. Eles deixaram muito tempo pro musical!

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  2. Concordo com seus pontos sobre Emily e Lorelai. Sobre a Rory me vi nela, estou com 30 anos, terminei a faculdade ano passado tendo ótimas notas, um tcc fantástico e uma expectativa de conseguir conquistar o mundo. Neste ano todas as expectativas foram para o ralo e percebi o quanto estou vulnerável na carreira. Também não me incomodaria de fazer mestrado e estar junto com meus ex professores. Mas vendo o seriado pela perspectiva da Rory, sempre colocaram tudo como alcançável para ela, tinham certeza que ela iria para o New Yorker e ela recusou uma boa oferta de um jornal acreditando nisso. Agora com 31 anos ela parece ter a mesma posição, estava aparentemente numa fase boa recebendo elogios sobre artigos publicados, prestes a escrever uma biografia que poderia ser ótima se a mulher não fosse uma bêbada, sendo assediada por um jornal em ascensão on-line muito abaixo do nível dela (ou ela pensava assim). Então as coisas começam a dar errado, ela não se dá conta da posição dela mantendo o ar superior muitas vezes ao se desfazer do fato de virar professora ou se achar tão boa como editora ao ponto de ignorar o poema que todos gostam e sempre foi fixo no jornal da cidade. E pelo currículo dela sabemos que ela não é má jornalista, mas aquela entrevista com a Sandy? Quem vai tão despreparada para uma entrevista mesmo que o emprego estivesse garantido e ainda xingar a mulher?
    Sobre a vida amorosa, desde o início vemos que ela tinha tendências a maus relacionamentos pois traiu o Dean com o Jess, transou com o Dean sendo ele casado, teve um relacionamento aberto com o Logan… Sinceramente não me espanta ela manter o nível de relacionamento que teve com o Paul sendo uma fraca para terminar um namoro que nem existia e de ficar com um cara noivo sem nunca discutir a relação deles. Acho que se ela conversasse com ele, ele largaria a noiva e ficaria com ela, mas ela já o dispensou uma vez e ele havia largado seu império junto ao pai mostrando que mudou para ficar com ela. Não me admira também depois dessa decepção ele voltar a seguir os planos da família e se relacionar com sua sociedade secreta, por piores que eles sejam eles se divertem.
    Sobre ela engravidar eu acho que é algo também comum mesmo para pessoas bem resolvidas e cientes da necessidade de proteção. Ela nem esperava mais vê-lo até ele surgir com a surpresa.
    Resumindo acho que além da vontade de mostrar que “a vida real é feita de altos e baixos” a diretora deixou a ponta para continuar um spin off da Rory provavelmente, já que sabemos da capacidade dela de ser jornalista oi editora de um jornal mais importante do que o pacato jornal de Stars Hollows.

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    1. Oi, Lu! Sim, eu também gostei que a série foi bem correspondente à realidade quando coloca a Rory sem ter alcançado ainda os sonhos profissionais. Fiquei muito decepcionada pela forma como ela tratou o Paul. Não entendi o relacionamento aberto com o Logan. Ela dizia estar ok, mas não parecia estar lidando bem com a situação. :/ Concordo com você sobre a entrevista no site que ela julgava menor. Ela sempre quis conquistar algo grande porque todos ao redor dela diziam que ela podia, mas às vezes é preciso seguir outros caminhos, não é mesmo? Xingar a dona do site foi passar (bastante) dos limites. Depois ela foi caindo em si. Estou curiosa agora pra saber se vai ser menino ou menina!

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  3. Concordo muito com seus pontos sobre a Lorelai e a Emily, roubaram a cena sem dúvida (Paris também! ❤ ). Não acho que o Jess é o cara perfeito pra Rory, também não acho que seria o Dean ou o Logan, os três foram namorados péssimos. Mas acho que no final o Logan não deixa ela criar esse filho sozinha, a situação deles é completamente diferente da situação Lor e Chris. São anos de diferença, ela tem todo um sistema de apoio – ela tem a cidade inteira de sistema de apoio! E claramente a Amy quis que os dois continuassem apaixonados depois de 10 anos pq só isso explica esse romance bizarro deles. E agora, quem sabe? Talvez o pai do logan realmente tivesse razão quando disse que a Rory não tinha o que era preciso pra ser uma jornalista, talvez o destino dela seja escrever livros e não jornais ou até mesmo, quem sabe, ser professora em Chilton e morar por perto com @ filh@. E vamos combinar, apesar de tudo a combinação Rory + Logan tem tudo pra dar um bebe muito bonito e perfeito pra Chilton ahahaha

    E sério, eu ODIEI a sookie, acho que foi a maior decepção que tive com o seriado, a Melissa não estava nada dentro do papel, até a voz dela não era a voz da Sookie. Sei lá acho que com toda aquela história dela participar ou não, ser chamada e etc me parece que ela fez o episódio meio de má vontade.

    Ah e só uma coisa, a Emily não apareceu no casamento da Lor e do Luke pq eles resolveram fazer aquele casamento de última hora, assim como o Jess também não estava lá, mas claramente no casamento correto os dois estariam, uma vez que a Emily até tem uma conversa achando que a Lor tinha cancelado e que ela já tinha comprado o vestido e etc.

    Fora isso eu achei um final ótimo pra série, muito melhor que o final da sétima temporada (mas a sétima temporada é irrelevante como um todo no meu ponto de vista) e gosto desse final que deixa em aberto as possibilidades.

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