American Horror Story: Cult e o futuro que mais tememos

American Horror Story é uma série de terror norte-americana, criada por Ryan Murphy (também criador de Glee), que a cada temporada exibe universos diferentes com os mesmos atores.

Ela está na oitava temporada, mas esse post será dedicado inteiramente a sétima temporada, American Horror Story: Cult.  (p.s. o post contém alguns spoilers, mas nada que afete a trama principal)

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Cartaz da sétima temporada.

A narrativa dessa temporada começa literalmente um dia após Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, ganhar as eleições de 2016. Antes que pense que é baseado em fatos reais, não é, mas poderia ser e esse foi o motivo de eu fazer essa análise.

Nós seguimos a história de um casal lésbico, Ally Mayfair-Richards (Sarah Paulson) e Ivy Mayfair-Richards (Alison Pill), após a ascensão de Trump e o declínio mental de todos os personagens em volta das duas.

Assim que o candidato, que odeia a comunidade LGBTQ, ganha, a vida de Ally e Ivy muda pra pior. Além de o casal não poder mais mostrar afeto na rua, pois são ameaçadas por homofóbicos, a saúde mental de Ally piora devido ao medo de ser quem é e, assim, todas as fobias que ela já teve na vida voltam a atormentá-la.

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Ally em choque quando Trump ganha as eleições.

Ao mesmo tempo em que acompanhamos o casal, vemos a trajetória de Kai Anderson (Evan Peters), um jovem eleitor de Trump, que se sente humilhado, pois ninguém dá atenção para as coisas que ele diz, o que o motiva a se candidatar a vereador de sua cidade.

Para Kai, é necessário que os políticos assustem as pessoas da violência da cidade e, assim, darem ao estado o direito de fazer o que for necessário para proteger os moradores de lá.

Visto que Kai mal recebe apoio dos cidadãos, ele decide agir com as próprias mãos e começa a recrutar seguidores para concretizar seu plano de salvar a nação do mal.

E como ele faz isso?

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Kai Anderson (Evan Peters)

Kai vai atrás de pessoas que estão passando por alguma crise, seja financeira ou existencial, pessoas que se sentem abandonadas pela sociedade e usa a insegurança dessas pessoas a seu favor. Mas, como?

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O casal Harrison e Meadow Wilton

Um dos primeiros a serem recrutados por Kai é o casal Harrison (Billy Eichner) e Meadow Wilton (Leslie Grossman). Harrison e Meadow são amigos há anos e tinham um pacto: caso nenhum dos dois se casasse até os 35 anos, eles iriam se casar.

No entanto, Harrison é gay e não consegue ter relação com Meadow. Já ela, é apaixonada pelo amigo e mesmo sabendo da sexualidade dele, topou se casar. Ainda, os dois enfrentam uma difícil crise financeira, em que a única saída é hipotecar a casa e pagar suas dívidas.

Eis que chega o salvador! Kai Anderson investiga a vida de Harrison e se aproxima dele, dizendo que tem a solução dos seus problemas e que ele só tem que acreditar em Kai.

Kai consegue um novo apartamento para o casal e em troca eles o obedecem sem questionar qualquer ato de Kai.

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Beverly Hope (Adina Porter)

A próxima a ser recrutada é Beverly Hope, uma repórter negra, que trabalha duro para conseguir destaque, mas perde todas as oportunidades para uma repórter branca e mais nova, que está se relacionando com o patrão.

Para convencê-la a se juntar ao grupo, Kai mata a outra repórter e diz que a partir de agora Beverly tem que confiar nele, pois ele quer o melhor para ela.

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A outra repórter (Emma Roberts) sendo assassinada.

A partir do início desse culto, Kai se aproveita do medo de seus seguidores e os manipula a enfrentar todo o mal que os cerca.

E o que é esse mal?

Esse mal é toda e qualquer pessoa que pensa diferente dele. Até mesmos seus fiéis discípulos, quando ousam questionar alguma de suas ideias, sofrem com a repressão.

Agora eu te pergunto: por que os roteiristas da série fizeram uma história assim justamente após a eleição de Donald Trump?

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“Nós vamos construir uma grande muralha!”

Donald Trump conquistou seus fiéis instigando o medo e o ódio. Ou seja, grande parte de sua campanha foi baseada em acusações aos mexicanos, gays, negros e mulheres de serem o problema da sociedade americana e que se ele fosse eleito, iria corrigir tudo isso.

Sem adentrar muito na política, o que a ficção de American Horror Story tem de semelhante com a vida real?

Quando as pessoas estão perdidas e desacreditadas do futuro, é fácil para um salvador chegar e dizer que vai solucionar tudo rapidamente. Isso é exatamente o que todos queremos ouvir! Quem me dera alguém resolvendo todos os meus problemas num piscar de olhos e foi exatamente isso que aconteceu nos EUA e está acontecendo com a sociedade brasileira atual.

O Brasil está economicamente mal e todos estão sofrendo com isso, logo, quando chega um candidato como o Jair Bolsonaro dizendo que vai resolver todos os problemas, é fácil acreditar porque é isso o que queremos, uma solução rápida.

No entanto, o que a série mostra, é que soluções rápidas trazem perdas irreversíveis. O personagem Kai queria tanto salvar a população do mal, que se propôs a matar e assustar pessoas, culpando mexicanos, por exemplo, para dizer que era só acabar com os mexicanos que os americanos estariam salvos da violência.

E a verdade é: Kai era o problema. Ele queria tanto ser adorado e amado por todos, que topou fazer de tudo, inclusive matar, para conquistar a confiança de seus seguidores e mostrar uma falsa civilização em que nada de ruim aconteceria.

Problemas vão acontecer sempre, quer a gente queira ou não, porém, não dá pra aceitar soluções fáceis caso essas soluções prejudiquem outras pessoas porque isso é o início de uma guerra.

Acabar com uma minoria pode até aliviar pro lado de alguns, mas com o passar do tempo, essa minoria vai ter seu medo e ódio instigado e provavelmente vai querer vingança também. É justamente isso que a série alerta!

Sem querer dá um spoiler do final, mas a ideia é que todos os humilhados caso não tenham chances na sociedade atual, um dia vão buscar suas oportunidades com as próprias mãos, assim como o Kai fez e ninguém vai ganhar com isso.

A série mostra que é fácil “lavar as mãos” e deixar um salvador tomar as decisões por todos, mesmo que essa decisão afete a vida de milhões, e caso algo dê muito errado, todos apontam o “salvador” como o culpado e acreditam que não tem culpa de nada, quando na verdade ao dar voz a ele, todos se tornaram cúmplices e culpados também.

Assim, minha dica é: assista a série e reflita sobre nossa sociedade atual e veja o quão próximo dessa realidade estaremos caso a gente não faça nada para evitar isso.

É claro que a ficção leva tudo ao extremo, ainda mais porque a série é de terror, mas traga a ficção para a realidade – a morte de Marielle Franco, a morte de Mestre Moa, a morte de pessoas da comunidade LGBTQ – e tire suas próprias conclusões. Você prefere se omitir e lavar as mãos ou prefere evitar um futuro trágico como esse?

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“Ally: Eu não sou a inimiga!”

BIBLIOGRAFIA:

G1.”O que se sabe sobre as mortes de Marielle Franco e Anderson Gomes”. 2018. Disponível em:<http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-fala-sobre-feminismo-em-programa-de-estreia-confira.ghtml&gt;. Acesso em: 21 de out. 2018.

G1. “Investigação policial conclui que morte de Moa do Katendê foi motivada por briga política; inquérito foi enviado ao MP”2018. Disponível em: <https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2018/10/17/investigacao-policial-conclui-que-morte-de-moa-do-katende-foi-motivada-por-briga-politica-inquerito-foi-enviado-ao-mp.ghtml>. Acesso em: 21 de out. 2018.

WIKIPEDIA. “American Horror Story: Cult“. 2018. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/American_Horror_Story:_Cult&gt;.Acesso em: 21 de out. 2018.

 

 

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Me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família

A História é cíclica e já é possível perceber semelhanças entre o que está acontecendo no Brasil, diante da liderança de Você-Sabe-Quem nas pesquisas eleitorais, e o movimento integralista nos anos 1930. A Ação Integralista Brasileira tinha por inspiração o fascismo, disseminado por Mussolini na Itália, e por Hitler na Alemanha (nazismo).

“Os integralistas (…) seguiam o lema ‘Deus, pátria e família’ e saudavam o chefe com o brado ‘Anauê!’. Os integralistas sonhavam com uma ditadura nacionalista que eliminasse os comunistas. Na época, a Igreja católica era politicamente conservadora. Muitos padres brasileiros aderiram ao integralismo crendo que só o fascismo preservaria a moral cristã no Brasil”. (SCHMIDT, 2005, p. 144)

O discurso fascista mostrado no trecho acima, retirado do livro “Nova História Crítica”, que foi o que usei na 8ª série, lembra bastante o atual bordão daquele-que-não-deve-ser-nomeado: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Aliás, ainda durante o início do governo de Getúlio Vargas, em 1934, o presidente já demonstrava simpatia ao movimento integralista. O problema maior surgiu em 1937, quando o governo forjou uma tramoia comunista e a usou como pretexto para dar um golpe na democracia.

“Apoiado pelas Forças Armadas, Getúlio cancelou as eleições e fechou o Congresso”. (SCHMIDT, 2005, p. 146)

Daí veio uma nova Constituição e começou a ditadura do Estado Novo, que perdurou até 1945.

Mas por que estou falando sobre esse período em particular, se em geral as pessoas comentam mais a respeito da Ditadura Militar de 1964 a 1985 para criticar o inominável? Porque me preocupa o tempo que leva para determinados pensamentos serem erradicados na sociedade.

Digamos que um homem que apoiava o integralismo tenha tido uma filha, que por sua vez tornou-se mãe. E o filho dela também procriou. Como quebrar essa linha de pensamento que contamina as relações humanas com discriminação, seja por meio do racismo, homofobia, ou machismo.

Com tantas pessoas ainda hoje apoiando esse tipo de discurso, quando a sociedade será formada por indivíduos que entendam os erros do passado para que eles não sejam repetidos? Até quando o nome de Deus será usado para legitimar discurso de ódio? E pior: demonstrar o ódio às minorias, como vimos nesta semana um vídeo de homens gritando que Você-Sabe-Quem mataria os gays. Afinal, não foi o próprio inominável que disse preferir um filho morto do que um filho homossexual? Difícil pensar que não há relação entre a fala e a manifestação de ódio, não é mesmo?

Mas eu tento não julgar essas pessoas por elas terem crescido no meio de homens opressores que estavam ali moldando a visão de mundo delas desde crianças. Se antes a função social da mulher era ser esposa e mãe, por exemplo, após a luta de muitas, hoje podemos estudar, trabalhar, sermos independentes. E ainda temos que persistir nessa luta diária pela equidade.  O que me motiva é justamente a minha própria existência. Quando penso que me livrei das amarras conservadoras (e quiçá fascistas) que ainda prendem membros da minha família, me vejo abraçada pela esperança de uma sociedade menos facista e mais liberal.

Minhas apostas para o Oscar 2018 de Melhor Filme

Consegui, finalmente, assistir a todos os títulos indicados à categoria de Melhor Filme do Oscar. (Pela primeira vez na vida! Ufa!) Então decidi fazer – ainda há tempo – uma análise geral das obras que estão concorrendo em 2018.

Melhor Filme

O que eu quero que ganhe: Me Chame Pelo Seu Nome

Me Chame Pelo Seu Nome (Também está concorrendo a: Melhor Ator – Timothée Chalamet, Melhor Roteiro Adaptado, e Melhor Canção Original – “Mystery of love” de Sufjan Stevens)

Esse filme merece levar o Oscar por causa da sua história, atuações e local onde é gravado. Falo mais sobre esses fatores em uma resenha. Você pode lê-la clicando aqui. E ainda considero sua trilha sonora como um bônus que torna a adaptação desse livro homônimo maravilhoso ainda mais incrível e apaixonante! Além de assistir ao filme, recomendo ler o livro. É uma das histórias imperdíveis, que nós temos que encarar em algum momento da vida.

O que amei e acharia justo se ganhasse: Corra!

Corra! (Também concorre às categorias de: Melhor Direção – Jordan Peele, Melhor Ator – Daniel Kaluuya, Melhor Roteiro Original)

Não sou uma pessoa ligada a filmes de terror, mas esse título que deixou plugada na tela do início ao fim. É assustador, mas não de uma forma que te dá sustos horripilantes ao longo do filme. É assustador de uma forma real. Não sei o que é sofrer racismo na pele, mas Corra! conseguiu passar o sentimento de como é estar em meio a um grupo de pessoas racistas que agem como se não o fossem. Há comentários “sutis” porém bizarros que nos deixam intrigados enquanto aguardamos os próximos acontecimentos e tentamos entender o que está acontecendo na casa daquela família peculiar. Apesar de não ter sido meu predileto, eu amei esse indicado e, se vencer, considero com prêmio muito merecido!

O que recomendo a todos assistirem: Lady Bird – A Hora de Voar

Lady Bird – A Hora de Voar (Melhor Direção –Greta Gerwig, Melhor Atriz –Saoirse Ronan, Melhor Atriz Coadjuvante – Laurie Metcalf, Melhor Roteiro Original)

Gostei desse. Se eu fosse o bonequinho do jornal O Globo, estaria aplaudindo sentada a esse filme. A história é muito boa e, caso não vença Melhor Filme, torço para que leve Melhor Roteiro Original. A construção dos diálogos e maneiras de mostrar os sentimentos dos personagens são duas coisas que funcionaram muito bem juntas. Claro que as atuações contribuíram bastante para isso. Mesmo assim, não espero que a estatueta pare na mão de Saoirse Ronan. Laurie Metcalf, a atriz que fez o papel da mãe da personagem dela, porém, é capaz de ser considerada a Melhor Atriz Coadjuvante. Ela fez uma mãe firme, séria e severa, mas frágil em seu íntimo. A cena em que ela e a filha olham casas de ricos à venda é de partir o coração. Ali ficou evidente o quanto as duas são parecidas e de onde vieram os sonhos irreais de Christine McPherson.

O que reforça a paixão pela carreira: The Post – A Guerra Secreta

The Post – A Guerra Secreta (Melhor Atriz – Meryl Streep)

The Post foi uma história maravilhosa para reafirmar a paixão pelo jornalismo, ainda que não tenha chegado aos pés de Spotlight. Meryl Streep e Tom Hanks formaram uma dupla e tanto! O desenrolar dos fatos é interessante, e a gritante diferença entre homens e mulheres na década de 1970, fundamental de ser evidenciada.

Filmes “dobradinha”

O Destino de Uma Nação e Dunkirk se complementam primorosamente. Ambos contam a história do salvamento das Forças Armadas britânicas presas em Dunquerque, na França, durante o avanço dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Enquanto o primeiro mostra o desenrolar da política a partir da posse de Winston Churchill como primeiro-ministro do Reino Unido, o segundo mostra os soldados em meio à batalha da sobrevivência na praia no Norte da França.

O Destino de Uma Nação (Mehor Ator – Gary Oldman, Melhor Fotografia – Bruno Delbonnel, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Design de Produção).

Dunkirk (Melhor Direção – Christopher Nolan, Melhor Fotografia – Hoyte van Hoytema, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Design de Produção, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original)

O superestimado, mas que gostei: A Forma da Água

Tomado como favorito entre os críticos de cinema, A Forma da Água não atingiu minhas expectativas. Não digo que é ruim, só não gostei tanto quanto esperava. É bonito e é bom para se distrair. A atuação de Sally Hawkins está excelente, mas Michael Shannon ficou péssimo. O vilão que ele interpretou ficou muito forçado, ele pesou na mão, como quando um cozinheiro erra na receita e o prato não fica como deveria. Ele me cansou. A fantasia do filme não me convenceu tão bem, assim como a história de amor entre a moça e a criatura marítima. No entanto, as cenas entre eles ficaram interessantes, assim como as cenas em que o casal recebe apoio de personagens inesperados.

A Forma da Água (Melhor Direção – Guillermo del Toro, Melhor Atriz – Sally Hawkins, Melhor Ator Coadjuvante – Richard Jenkins, Melhor Atriz Coadjuvante – Octavia Spencer, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Design de Produção, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original – Alexandre Desplat)

Os dois que se vencerem, vou considerar um desperdício de Oscar

Embora as atuações em Três Anúncios Para Um Crime estejam incríveis e os atores mereçam as indicações, o filme em si não é tão bom assim para um prêmio de Melhor Filme. A história é exagerada demais. Algumas cenas simplesmente não fizeram sentido e não ficou parecendo ser uma ironia como o filme argentino Relatos Selvagens. Pelo contrário, me deu a impressão de seriedade, só que de um jeito inverossímil.

Três Anúncios Para um Crime (Melhor Atriz – Frances McDormand, Melhor Ator Coadjuvante – Woody Harrelson / Sam Rockwell, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Trilha Sonora Original)

Finalmente, entre todos os indicados, Trama Fantasma é o mais fraco, para mim. O personagem principal é tão insuportável que chegou um momento do filme que eu não aguentava mais e fiquei me perguntando por que aquela mulher, interpretada por Vicky Krieps, não simplesmente ia embora??? Ficava com vontade de ela construir sua própria história em vez de se diminuir para um homem horroroso que não dava a menor para ela e para ninguém, só pensava nele próprio. Os vestidos, porém, de fato são lindos e acho que entre as indicações, seria justo Trama Fantasma vencer Melhor Figurino. (O que de fato aconteceu!)

Trama Fantasma (Melhor Direção – Paul Thomas Anderson, Melhor Ator – Daniel Day Lewis, Melhor Atriz Coadjuvante – Lesley Manville, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora Original – Jonny Greenwood)

 

Três razões para ‘Me chame pelo seu nome’ ser meu indicado ao Oscar favorito

A adaptação do livro “Me chame pelo seu nome”, escrito por André Aciman, para o filme dirigido por Luca Guadagnino, é o meu favorito entre os indicados ao Oscar de Melhor Filme 2018, a levar a prêmio que será entregue neste domingo, em Los Angeles.

A primeira razão seria a história em si. O romance entre Elio e Oliver é tão bonito que me fez pensar no quanto um amor intenso nos faz sofrer. E o quanto isso é maravilhoso.

A necessidade de estar com a pessoa amada a todo instante, as tentativas de disfarçar o que é tão evidente e as de agir naturalmente como se nada estivesse parecendo consumir suas entranhas por dentro. Tudo isso está presente – e foi muito bem adaptado do livro para o cinema.

(Lendo a história, os pensamentos do adolescente são evidentes e bastante claros, mas o ator no filme conseguiu demonstrá-los por suas expressões, voz e linguagem corporal, o que me faz também torcer para que Timothée Chalamet ganhe o Oscar de Melhor Ator. Apesar disso, não acho que ele vá levar a estatueta, e sim Gary Oldman – sim, o Sirius Black de “Harry Potter” – por sua atuação em “O destino de uma nação”, em que ele encarna Winston Churchill. Mas devo dizer ainda que Chalamet está o-u-t-r-a pessoa em “Lady Bird: a hora de voar”, o que me fez admirá-lo ainda mais. Então mesmo achando que Oldman mereça o Oscar, não vou achar nem um pouco injusto se o novato vencer. Ainda sobre a questão da adaptação, amei que os diálogos foram preservados. A essência do livro está toda lá).

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Uma das minhas cenas favoritas do filme “Me chame pelo seu nome” também é uma das partes que mais gostei no livro

E, convenhamos, é gostoso ver Elio deixar sua timidez de lado, enquanto Oliver vai se entregando, aos poucos, aos seus sentimentos.

A trilha sonora é envolvente e se encaixa muito bem com as cenas. Não é à toa que a música “Mystery of love”, de Sufjan Stevens, foi indicada ao Oscar de Melhor Canção Original – que, aliás, também torço para conquistar a estatueta.  Não acredito que seja um motivo para garantir o Oscar de Melhor Filme, mas considero um bônus que torna o filme ainda mais especial.

A próxima razão é a atuação dos atores Timothée Chalamet, no papel de Elio, e Armie Hammer, que interpreta Oliver. Fiquei surpresa quando vi ambos dizendo em entrevistas que são heterossexuais. (Indico assistir a essa participação deles no programa da Ellen Degeneres).

Timothée e Armie se beijam demonstrando tanta paixão no filme que imaginei que a produção tivesse escolhido artistas gays. De fato, não há nem como suspeitar que eles tenham outra orientação sexual. Mesmo nas cenas em que eles ficam com mulheres, você percebe claramente que aquelas pessoas não são as com que deveriam estar. Eles conseguem mostrar de uma forma muito natural que cada um combina com o outro. Os gostos semelhantes, as conversas, aquela casa na Itália maravilhosa, com os quartos dos dois um do lado do outro. Amei a situação relatada pelos atores na entrevista sobre “quebrar o gelo” no início das filmagens.

Algo que me deixou chocada foi saber que o ator Michael Stuhlbarg, que faz o pai de Elio, trabalhou também nos filmes “A forma da água” e “The Post: a guerra secreta”, que também estão concorrendo na categoria de Melhor Filme, sendo esse primeiro o favorito, segundo a mídia. O mais impressionante é que não consegui reconhecê-lo. Assisti aos três filmes sem perceber que era a mesma pessoa, mas depois li uma publicação no grupo do Cine Arte UFF que trazia essa informação, para minha surpresa.

Michael Stuhlbarg

O que me leva à terceira razão para ter amado muito “Me chame pelo seu nome”: o lugar. Viajei para a Itália em 2014 e considero como um dos lugares mais bonitos que já fui. No filme, aquela energia de um verão italiano é transmitida diretamente para o público. A impressão que tenho é que aquele país tem uma tonalidade amarela, uma luz diferente de qualquer outro lugar no mundo. E o filme conseguiu mostrar isso.

Assistir à obra é uma forma de descansar no Norte da Itália, aproveitar boas conversas, vencer os medos do que a sociedade pode pensar, viver uma história de amor e conseguir sobreviver a ela.

Para terminar, sugiro a vocês ouvirem a outra música do artista Sufjan Stevens que faz parte da trilha do filme:

Jane, A Virgem: o dramalhão mais divertido da atualidade

Sabe aquela série que você assiste o primeiro episódio e acha meio “bleh”? Então, eu assisti  Jane, The Virgin e não me apaixonei, no entanto, por uma sorte muito grande, recentemente eu insisti nessa série e finalmente DEU MATCH!

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Cartaz da série.

SINOPSE: Jane é uma jovem religiosa que trabalha como garçonete em um hotel em Miami e tem sua vida virada de cabeça para baixo quando sua médica acidentalmente faz uma inseminação artificial nela. Agora, Jane precisa tomar a maior decisão de sua vida.

O piloto da série não me convence tanto porque fazer inseminação artificial na paciente errada é um erro médico gravíssimo e uma clínica série nunca faria isso. Porém, depois de conhecer melhor a médica que comete o erro e entender que esse acidente foi só o impulso da série, eu ignorei esse detalhe e fui me encantar com tamanha criatividade e diversidade numa série americana.

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que essa série é uma adaptação da telenovela venezuelana Juana, la virgen (2002). Eu não acompanhei a novela, mas a série é bastante fiel aos clichês de novelas, o que dá um charme ao programa.

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“Mas eu nunca fiz sexo!”

1) Representatividade Latina

Pra quem está acompanhando o que tem acontecido em Hollywood sabe que muitas celebridades estão falando abertamente sobre os abusos, machismo e a falta de punição aos opressores. Além disso, existem outras reivindicações, como uma maior diversidade na frente e por trás das câmeras.

Ou seja, ninguém aguenta mais ver macho hetero branco sendo protagonista porque o mundo vai além de macho branco. Sendo assim, uma maior diversidade seria dar protagonismo as mulheres, aos negros, personagens LGBTQ e de outras nacionalidades, por exemplo.

Com isso, acredito que a série Jane, A Virgem teve êxito nesse quesito, pois a protagonista é uma jovem mulher, interpretada pela atriz Gina Rodriguez, que vive com sua mãe e sua avó, é descendente de venezuelanos e todas falam espanhol. Aliás, a avó só fala a língua espanhola e nada de inglês.

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Aleluia mesmo!

2) Além dos esteriótipos

Para quem está acostumado com novelas sabe que esse tipo de narrativa usa e abusa de esteriótipos e isso é cansativo. Apesar de Jane, The Virgin ser carregado de esteriótipos, a trama usa isso como artifício de humor e, em alguns casos, para nos fazer refletir.

Por exemplo, a Alba (Ivonne Coll), avó de Jane, entrou ilegalmente nos EUA e ela teme que o governo descubra e a deporte. No entanto, o público se encanta com a “abuela” e a gente começa a entender o lado humano e toda vez que ela corre o risco de ser deportada, a gente sofre junto com ela e torce para que isso não aconteça.

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Sim, sim, é amor por você Alba.

Além disso, Alba é uma mulher absurdamente religiosa e foi justamente ela quem convenceu Jane a se casar virgem. Porém, ao mesmo tempo em que é bastante conservadora, ela quebra tabus quando se trata de amor e família, pois sua filha e mãe de Jane, Xiomara (Andrea Navedo), engravidou aos dezesseis anos de idade e criou a filha sozinha com a ajuda da mãe.  Eu não resisto quando tem um núcleo de família em que mãe, filha e neta são super próximas e o porto seguro uma da outra.

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Suas lindas!

3) Mulheres independentes

Falando na Xiomara, a história dela é muito interessante também. Ela engravidou muito nova, contou ao rapaz e ele pediu que ela fizesse um aborto, só que ela seguiu o caminho oposto e criou sua filha sem ajuda nenhuma do pai.

Ademais, ela é aquele mulherão que conquista os homens e ela aproveita isso bastante. Ao longo dos anos, Xiomara se relacionou com vários homens e teve poucos relacionamentos sérios, por escolha própria. Numa sociedade tão conservadora quanto a nossa, essa personagem seria bem crucificada, mas o que a gente vê é uma mãe religiosa que apesar de criticar a filha, nunca a abandonou.

E claro, não posso me esquecer que o sonho de Xiomara é ser uma cantora famosa, mas como ela teve filha muito cedo acabou deixando este sonho de lado. No entanto, agora que sua filha já está crescida, ela continua atrás do seu sonho e a gente sofre com as rejeições que ela tem por ser uma mulher mais velha e torce para que ela tenha seu momento de brilhar.

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Você mesma, Xiomara!

Continuando a listinha, a própria protagonista é um ótimo exemplo de mulher independente. Ela acabou de se formar, não aceita os vacilos dos homens ao seu redor, mesmo quando está mega apaixonada, investe no seu sonho de ser escritora, optou por continuar virgem até o casamento – eu acho isso ótimo porque assim como a mulher tem o direito de transar quando achar que deva, ela também pode fazer essa escolha de se resguardar, cabe a cada mulher (homem também) decidir a hora certa de perder a virgindade – e segue adiante enfrentando tudo o que vem pela frente.

Ainda, aproveito para fazer propaganda da atriz que interpreta Jane, a Gina Rodriguez. Ela luta bastante pela boa representatividade da cultura latina no audiovisual norte-americano, que insistiu por anos em usar esteriótipos ofensivos e repetitivos e agora está dando voz a várias culturas que merecem esse espaço.

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“Esse prêmio vai além de mim. Ele representa uma cultura que quer se ver como heróis.”

Para não falar de todas as personagens mulheres que existem na série, vou terminar a listinha com a Petra Solano (Yael Grobglas).

A Petra é a vilã e rival de Jane, sim ela é um estereótipo que eu particularmente detesto, pois faz de tudo para manter seu homem e ter dinheiro. Entretanto, há algo que eu gosto bastante nessa personagem que é o passado dela e os relacionamentos abusivos que ela vive e como é IMPORTANTE debater isso.

Não irei adentrar na história dela porque seria um baita spoiler, mas direi o seguinte: ela se envolve com homens muito agressivos e vive relacionamentos absurdamente abusivos e, mesmo sendo a vilã da história, a gente sente a dor dela na pele quando ela passa por algum tipo de agressão física ou verbal. A verdade é que homem NENHUM tem o direito de encostar o dedo em alguma mulher de forma violenta ou sem a autorização dela e, independente de ser amiga ou não da mulher em questão, sempre a defenderei de homens machistas que merecem estar na cadeia.

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Feminismo sempre!

4) Representatividade LGBTQ

Apesar de não ter muitos personagens LGBTQ, ao menos não na primeira temporada, o casal Rose (Bridget Regan) e Luisa (Yara Martinez) foge de muitos esteriótipos que estamos acostumados a ver sobre lésbicas.

A história delas é tão louca quanto a do casal protagonista, mas não existe homofobia ou queerbaiting*. Rose é casado com o pai de Luisa, porém elas se envolveram antes de saber desse detalhe e acabaram se apaixonando de verdade.

É difícil falar desse casal sem dar spoiler, no entanto, o que eu acho legal é ver duas mulheres lindas que realmente se apaixonaram uma pela outra e tentam viver essa paixão de alguma forma. Como nenhum casal é normal nessa série, acho mega válida a história delas e AMO todas as cenas em que elas aparecem juntas!

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Rose e Luisa.

5) Os homens da série

É complicado falar de macho sem se decepcionar, ainda mais com tudo o que tem acontecido em Hollywood, todavia, eu gostaria de dar destaque a alguns personagens masculinos.

Vamos começar pelo Michael Cordero Jr. (Brett Dier).

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Michael e Jane.

Ele é um policial, todo certinho, completamente apaixonado pela namorada, que é a Jane e, o que eu acho mais incrível, é que eventualmente ele aceita o fato de que Jane decidi continuar com a gravidez – mesmo tendo sido um erro médico e não sendo filho dele – e ele não age de forma agressiva com ela, como muitos homens agiriam no lugar dele.

Sim, esse personagem comete erros e faz umas machices que cansam, mas ele nunca usa a força física para se impor ou tentar diminuir Jane ou as mulheres a sua volta e, por isso, eu tenho que parabenizá-lo. No mundo em que vivemos, o que eu mais vejo são personagens masculinos, policiais ou não, absurdamente agressivos e grosseiros e ver um que foge desse padrão me deixa contente.

Como ainda estou na primeira temporada, não sei se há alguma mudança brusca no comportamento dele, mas até agora eu gosto bastante da forma como ele age e acho fofo o quanto ele é apaixonado pela Jane.

Agora, vamos ao Rafael Solano.

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Rafael Solano

O maior playboy, filhinho de papai, mas que durante sua jornada na trama tem uma evolução de caráter muito grande. Digamos que ele era o típico Joey e Barney (só que bonito) e isso desanima bastante, porém ele tem câncer e descobre que somente poderá ter filhos com a amostra de esperma que foi acidentalmente inseminado na Jane, ao invés de sua namorada.

A temporada vai seguindo e ele passa a enxergar Jane de um jeito diferente, se apaixonando e se transformando num cara determinado a esperar pelo casamento para finalmente transar com ela, ser pai e constituir uma família.

Acontece muita coisa doida na vida dele, então é possível entender alguns surtos que ele tem, mas eu gosto do jeito que ele vai amadurecendo e melhorando na narrativa.

Por último, o personagem masculino que mais me diverte, Rogelio de La Vega (Jaime Camil).

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Sou eu mesmo.

Rogelio é um ator famoso de telenovelas que só fez sucesso depois dos trinta e nove anos, absurdamente dramático e pai biológico de Jane. Na época, ele não ficou sabendo que Xiomara continuou com a gravidez e só soube da existência de sua filha quando ela já tinha vinte e três anos de idade. Assim, ele decide recuperar o tempo perdido e dá uma de “paizão”.

Apesar do desastre que ele é, fazendo tudo de uma forma épica e exagerada, eu acho muito fofo o jeito que ele se encanta pela filha e como se esforça pra recuperar o tempo perdido. Além disso, ele acaba se apaixonando de novo pela Xiomara e eu AMO o casal Xiomara e Rogelio. É o núcleo mais divertido da série e pra quem gosta de “draminha”, vulgo mimimi, vai se divertir horrores com eles dois.

E claro, por fim, quem interpreta a mãe do Rogelio é a atriz Rita Moreno, a “abuela” de One Day at a Time, deusa, maravilhosa, mais amada do Netflix, que eu falo no meu post anterior.

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Rogelio e Xiomara.

Sendo assim, assistam a série e não julguem sem pelo menos assistir a primeira temporada, pois Jane, The Virgin é uma série de comédia incrível!

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Elenco principal da série.

*queerbaiting – uma estratégia midiática utilizada na indústria do entretenimento para atrair o público que foge do padrão da cis-heteronormatividade. Ele se concretiza quando há alguma espécie de tensão sexual ou romântica entre personagens do mesmo gênero, tendo o intuito de tornar a produção representativa, mas sem desagradar a parcela conservadora da audiência.

One Day At A Time: a sitcom mais incrível da atualidade

Preciso compartilhar com o mundo minha mais recente descoberta na Netflix, a sitcomOne day at a Time.

Música tema e abertura da série, cantada pela Gloria Estefan.  É uma das poucas séries que eu faço questão de assistir a abertura de todos os episódios porque eu fico dançando também.

A série conta a história de uma família de cubanos que mora nos EUA. A “abuelita”/Lydia, interpretada pela rainha Rita Moreno, foi embora de Cuba muito cedo, devido aos problemas políticos, deixando parte de sua família para trás e começando uma nova nos Estados Unidos.

Apesar da perda, a narrativa nos leva para uma nostalgia muito grande por parte da avó, onde aprendemos e sentimos de perto sua dor, além de nos trazer problemas bastante atuais com a história dos netos e da filha.

One day at a time é um remake* de uma sitcom com o mesmo nome. A série foi exibida entre os anos de 1975 – 1984 no canal CBS no EUA, tendo um total de nove temporadas.

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Cartaz da série original.

A série original contava a história de Ann Romano (Bonnie Franklin), uma mulher recém divorciada que se muda para a cidade de Indianapolis com suas duas filhas.

Apesar de ser uma série antiga, ela também abordava assuntos bastante delicados pra época, como uma mulher divorciada que, ao mesmo tempo em que quer educar as filhas, quer dar a liberdade que ela nunca teve quando mais nova.

O remake da Netflix segue o mesmo caminho, atualizando os papeis dentro da família e alguns temas abordados.

1) Lydia ou “Abuelita” (Rita Moreno)

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Rita Moreno como Lydia.

Quem é a melhor personagem e porque é a “abuelita”?

Sinceramente, nem sei como começar a falar dessa personagem. Eu amo a Lydia de todas as formas! Ela é absurdamente engraçada, mas também nos faz chorar toda vez que ela relembra seu passado, é conservadora, mas aceita toda a diversidade que está presente em sua casa, ela faz drama, drama, drama, ou seja, ela é simplesmente incrível.

Eu tenho esse carinho especial pela “abuelita”, pois a associo com pessoas da minha vida, como minhas tias por parte de pai. Assim como Lydia, minhas tias eram musas inspiradoras quando jovem, os homens babavam por elas – e babam até hoje – e foram mulheres absurdamente corajosas e guerreiras, então não tem como eu não me apaixonar por essa personagem. Tudo nela é encantador e é só ela abrir a boca que eu já estou rindo com suas maluquices.

Para não ficar uma hora falando desse amorzinho de pessoa, vou fechar com uma notícia que enche meu coração de alegria. A atriz que interpreta a Lydia é ninguém mais, ninguém menos, que Rita Moreno. Moreno é uma atriz, cantora e dançarina porto-riquenha, ganhadora do Oscar, Emmy, Grammy e Tony, que tem 86 anos de idade e esbanja juventude, talento e carisma. Quer mais o quê?

Vídeo feito pela Netflix em homenagem a carreira de Rita Moreno.

2) Penelope (Justina Machado)

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Justina Machado como Penelope.

Penelope é filha de Lydia, nascida nos Estados Unidos e ex-veterana de guerra. Quando sua filha mais velha, Lena, nasceu, ela e seu ex-marido decidiram se realistar no exército devido ao ataque terrorista de 11 de setembro em Nova Iorque. Anos depois, ela voltou para o EUA e, atualmente, mora com os filhos e a mãe em Los Angeles, onde trabalha como enfermeira.

Essa personagem tem uma trajetória muito interessante e quanto mais a gente conhece a história dela, mais nos apaixonamos por ela. Penelope está em processo de separação do marido por vários motivos pesados e agora cuida dos filhos com a ajuda da mãe, mas é ela quem banca os custos da casa.

Ou seja, além de ser mãe solteira e ter que lidar com todas as dificuldades que vem com esse papel, Penelope também lida com sua depressão pós-guerra. Ela toma anti-depressivos e faz terapia, mas a gente vê de perto a dificuldade que é enfrentar tudo isso e manter um sorriso estampado no rosto. Eu simplesmente adoro a veracidade dessa personagem e a força dela como mulher independente num mundo tão machista quanto o nosso.

3) Elena (Isabella Gomez)

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Isabella Gomez como Lena.

Porque ela é a segunda melhor personagem e eu a AMO tanto? Talvez seja porque Lena é FEMINISTA, MARAVILHOSA, luta pela diversidade e é contra o privilégio dos homens brancos heteros. Ela é o pacote completo da perfeição e só não é a minha favorita porque a “abuelita” me ganha toda vez que acorda dançando.

A primeira temporada mostra a descoberta da sexualidade de Lena de uma forma extraordinária. A personagem começa a questionar se ela gosta de meninas ou meninos e vai descobrindo aos poucos, de uma forma muito bastante sincera. Eu sou completamente apaixonada por essa personagem e pela narrativa abordar a homossexualidade de uma forma natural e acolhedora. Para mim, a série vale só pela jornada da Lena.

Além disso, Elena é uma personagem muito fiel as meninas e mulheres que estão cansadas de serem diminuídas por causa do seu gênero e por isso abraçam o feminismo. Eu AMO essa personagem e a riqueza que vem junto com ela. Por favor, que venham mais Lenas na televisão, no cinema, na música, no MUNDO.

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“Ei ,mãe, eu acho que gosto de garotas.”

4) Alex ou “Papito” (Marcel Ruiz)

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Marcel Ruiz como Alex ou “Papito”.

Pra quem tem um irmão, seja mais novo ou mais velho, sabe o que é ter um “Papito” na sua vida. Que menino mimado, senhor! A avó não cansa de elogiar o Alex e dizer o quão especial ele é e deixa a Lena de lado. Apesar de ser engraçado, eu vejo muito isso ao meu redor, onde só por você nascer homem, sua família automaticamente te enxerga como alguém especial.

Felizmente, isso tem mudado bastante. Com Lenas vindo por aí, dou alguns anos para os paparicos virem tanto para meninas quanto meninos, cis ou trans, heteros ou gays, não importa. Todo mundo tem um quê de especial e os privilégios vão acabar, eu tenho certeza disso.

No entanto, eu admito que na segunda temporada o Alex tem um salto gigante na narrativa e ele começa a enfrentar a xenofobia* na escola, ou seja, por ele ser descendente de cubanos, ele é ofendido o tempo todo. É muito incrível a forma como a série aborda esse assunto e, pela idade dele, eu fico boba quando ele dá uma banho de ensinamento na mãe e na avó ao aceitar super bem o fato da Lena talvez gostar de meninas assim como ele.

Tomara que os meninos que estão vindo por aí aprendam com esse personagem e deixem de lado essa mania de querer socar tudo e achar que pra ser homem é preciso esconder sua dor. Homens, por favor, se libertem do machismo assim como o “Papito”, ser homem não te impede de chorar, nem de ser sensível e nem de aceitar as diferenças dos outros, pelo contrário, está mais do que na hora dos homens entrarem na luta e acabar de ver com o machismo da sociedade. Juntos somos mais!

5) Schneider e Dr. Berkowitz

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À esquerda, Todd Grinnell (Schneider), e a direita Stephen Tobolowsky (Dr. Berkowitz).

Eu queria dedicar uma seção para cada um desses personagens, mas devido a todas as acusações em Hollywood, temo estar dando espaço para quem não merece. No entanto, como esses dois personagens são muito especiais, não vou deixar de falar deles.

O Schneider é um canadense que mora nos EUA há anos e é dono do prédio em que a família da Penelope mora. Ele é um homem branco hetero mega privilegiado, mas que aos poucos vai entendendo, mesmo que MUITO DEVAGAR, o quão privilegiado ele é e vai mudando a partir do momento em que entende as vantagens que ele tem sobre os outros.

Ele tem um passado com drogas e álcool que a série ainda não abordou muito a fundo, mas que a gente começa a entender sua trajetória quando ele fala da sua família, que não parece ser tão conectada quanto a família dos seus vizinhos cubanos. No entanto, ele tem um jeito muito sensível e acaba conquistando seu lugar na família cubana que ele tanto perturba.

Já o Dr. Berjowitz é uma figura! Sério, que personagem divertido. Ele é apaixonado pela Lydia, mas ela diz que pertence ao Berto, seu falecido marido, e deixa o médico na zona de amigo e ele leva de boa. Às vezes, eu torço por esse casal, mas ao mesmo tempo eu entendo que a “abuelita” não quer e fico feliz pela série abordar essa amizade inusitada e extremamente engraçada.

No geral, gosto muito desses dois personagens, pois são homens heteros fora da caixinha, visto que eles abraçam a diversidade, choram, são amigos e sensíveis, ou seja, o tipo de homem que a gente torce pra ver na vida real. Tomara que seja o começo de personagens masculinos assim na ficção e que a era do “macho fazendo machice” acabe de vez.

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Está esperando o que para começar a maratona?

*sitcom: comédia de situação, onde existem uma ou mais histórias de humor encenadas em ambientes comuns, como família, grupo de amigos ou local de trabalho.

*remake: refilmagem de algum filme ou série antiga.

 

 

Porque é importante debater o caso Aziz Ansari?

Esses dias alguém me perguntou qual era a minha opinião sobre o caso do ator, comediante e criador da premiada série Master of None (Netflix), Aziz Ansari.

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Aziz Ansari.

Resumidamente, há alguns dias, o site Babe postou um relato anônimo, em que uma garota de 23 anos disse ter conhecido Aziz numa festa após o Emmy Awards*, onde eles trocaram telefone e tempos depois tiveram um encontro em New York.

No dia do encontro, eles jantaram e o ator a convidou para o seu apartamento. Ela aceitou e, chegando lá, ele acelerou as coisas e a deixou numa situação desconfortável. Eis uma parte do relato:

“Meu desconforto estava explícito, eu me afastava e contestava. Sei que minha mão parou de mexer, eu congelei (…) Eu acredito que Aziz tenha tirado vantagem de mim. Eu não fui ouvida e fui ignorada. Foi de longe a pior experiência que eu já tive com um homem”.

Antes de mais nada, quero dizer que me considero feminista, mas a cada dia aprendo mais e mais. Obviamente, se aprendo é porque eu questiono as coisas, ouço relatos, converso, debato e leio, leio muito. Estou dizendo isso para que saibam que eu não sou especialista em nada, eu só gostaria de abrir um debate sobre esse assunto e expor minha opinião também.

Minha visão da situação é a seguinte: Pelo relato da moça, no lugar dela eu estaria desconfortável também e talvez não soubesse verbalizar um Não. A maioria das pessoas está dizendo “Porque ela não disse não?” Porque ela não foi embora?”, inclusive saiu uma reportagem no New York Times com um péssimo título “Aziz é culpado sim. De não ler mentes”, onde a autora claramente desqualifica o relato da moça.

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Nada legal.

Eu não acho que o Aziz seja um cara ruim e essa situação está longe de compará-lo com casos piores que estão circulando Hollywood, no entanto, acho que existem níveis diferentes de abuso e a base de tudo começa justamente com o cara legal.

As pessoas tem a mania de achar que homens que cometem estupro, assédio e abusos são monstros, mas, na verdade, eles são homens normais criados dentro de uma sociedade machista. Nossa sociedade é absurdamente machista e ninguém escapa disso, porém, por sorte, muitos começam a refletir, especialmente as mulheres, e entendem o quão ruim é essa cultura machista, misógina e opressora.

Sinceramente, o caso do Aziz foi leve comparado com outros casos vindo à tona na imprensa, mas não foi nenhum pouco legal. No relato, a  jovem diz que falou mais de uma vez que não queria transar e ele insistiu mesmo assim. Então eu já me pergunto, onde foi que ela não verbalizou? Se a pessoa diz que não quer transar, ela NÃO quer transar e ponto. Porque insistir?

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Deusa Michelle me representa, “PORQUE?”

Eu vi algumas pessoas falando nas redes sociais “Mas ela aceitou ir pro apartamento dele para fazer o quê, brincar de adoleta?”. Gente, quer dizer que se a mulher aceita ir no apartamento do cara, obrigatoriamente ela tem que transar com esse cara? Talvez ela estivesse afim de transar, mas quando chegou lá ela mudou de ideia. Entretanto, pela lógica de alguns, se ela topou ir para o apartamento dele, ela teria que transar porque já era tarde demais para mudar de ideia.

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Print com alguns comentários no facebook.

AMIGOS(AS), apenas parem com essa mentalidade! Ela tem todo o direito de mudar de ideia e ponto final. Inclusive, ela tem o direito de aceitar o convite para ir no apartamento de um homem e não ter segundas intenções, pois nem tudo é sexo. Pelo relato dela, ela parecia realmente interessada em conhecê-lo melhor. Já ele, parecia querer sexo, mas se um não quer, NINGUÉM FAZ E PONTO FINAL.

Acho que tem muita gente revoltada achando que esse caso diminui as acusações de outras mulheres sobre casos de assédio, outras estão achando que agora as mulheres querem reclamar de tudo, quando, na verdade, o Aziz é considerado um cara legal, se diz feminista e apoia a causa das mulheres, mas vacilou feio. Se mulheres em situações parecidas com essa não expressarem seus sentimentos agora, caras legais como o Aziz provavelmente vão continuar agindo assim, até correr o risco de fazerem coisas piores.

Não estou dizendo que ele irá fazer algo pior e tampouco acusando ele disso ou daquilo, mas eu sou sempre a favor das mulheres falarem abertamente sobre seu desconforto, mesmo que o caso tenha uma gravidade menor que outros, para a gente possa debater e entender o ponto principal: A cultura machista está impregnada na nossa sociedade e ela afeta a todos nós, especialmente as mulheres. Enquanto uma mulher passar por situações em que ela não consiga expressar sua voz, é mais do que necessário o debate e a reflexão para a gente entenda onde está o problema e tentar consertá-lo da melhor maneira possível.

Ou seja, é importante parar de diminuir a dor ou desconforto de outra mulher. Mesmo que na situação dela você agisse diferente, lembre-se que não é toda mulher que consegue se impor. Nossa cultura sempre ensinou e ainda ensina as mulheres a se preocuparem mais com o bem estar alheio do que com o dela próprio.

Se uma mulher faz um relato desse e todo mundo silencia ela, tentando ensiná-la o que ela deveria fazer e ninguém tenta debater com o homem da situação, sobre o que ele deveria ter feito, a gente continua cometendo o mesmo erro “Culpar as mulheres!”

Vamos elevar a gravidade dessa história e olha onde podemos chegar:

“Mas porque ela estava com uma roupa tão curta?”, “Porque ela não gritou?”, “Porque ela saiu sozinha tão tarde da noite?”.

Você não acha que tem algo parecido nessas situações?

O assunto e a história são mais suaves que outros, mas é a voz de uma mulher desconfortável e ninguém pareceu preocupado em dialogar com o Aziz e dizer o que ele poderia ter feito nessa situação, como ter perguntado – “Poxa, porque você está desconfortável?, “Você quer que eu pare por aqui?”, “O que eu posso fazer para te deixar mais confortável?”. Essas são algumas poucas perguntas que ele poderia ter feito no momento e que talvez ajudasse a situação.

Por fim, gostaria de dizer que estou aberta ao debate e eu quis expor minha opinião, pois sei que muitas mulheres já viveram situações parecidas e não entenderam o porquê do desconforto, achando que foi apenas um encontro ruim, enquanto eu acredito que há um problema maior por trás disso. Talvez sim, tenha sido um encontro ruim, mas talvez e muito provável tenha a ver com nossa cultura machista e opressora.

Notas finais

Sobre o Aziz, acho que foi algo positivo ele não ter negado a história e ter relatado a visão dele, pois demonstra interesse da parte dele em mudar ou se redimir. Mas isso pode ser só impressão minha. Segue o depoimento do artista:

“Em setembro do ano passado, eu conheci uma mulher em uma festa. Nós trocamos telefones. Nós enviamos mensagens e eventualmente saímos em um encontro. Nós saímos para jantar e depois nos envolvemos em atividade sexual, que por todas as indicações eram completamente consensuais. 

No dia seguinte eu recebi uma mensagem dela dizendo que ‘apesar de ter parecido ok’, após ter refletido ela se sentiu desconfortável. É verdade que tudo pareceu ok para mim, então quando eu soube que não era o mesmo para ela eu fiquei surpreso e preocupado. Eu ouvi suas palavras e respondi privadamente depois de ter tido o tempo para processar o que ela disse.

Eu continuo apoiando o movimento que está acontecendo em nossa cultura. É necessário e há muito tempo atrasado”. 

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Print do depoimento original.

Sobre a jornalista do New York Times que escreveu que o Aziz deveria ler mentes, acho que fica a reflexão: Num mundo onde as vozes das mulheres pouco são ouvidas, será que vamos ter que ensinar os homens a lerem mentes?

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Vai saber…

*Emmys Awards:  o maior e mais prestigiado prêmio atribuído a programas e profissionais de televisão.

BIBLIOGRAFIA

BABE. I went on a date with Aziz Ansari. It turned into the worst night of my life. 2018. Disponível em: https://babe.net/2018/01/13/aziz-ansari-28355. Acesso em: 17 de jan. 2018.

EL PAÍS. “Por que ela não foi embora?”: a acusação contra Aziz Ansari abre um debate que nos atinge bem de perto.” 2018. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/15/cultura/1516034198_916720.html. Acesso em: 17 de jan. 2018.

OMELETE. Aziz Ansari é acusado de abuso sexual e responde alegações. 2018. Disponível em: https://omelete.uol.com.br/series-tv/noticia/aziz-ansari-e-acusado-de-abuso-sexual-e-responde-alegacoes/. Acesso em: 17 de jan. 2018.

 

Impressões após ler ‘O Conto da Aia’

Sem fôlego. É assim que fiquei quando terminei de ler “O Conto da Aia”, escrito pela canadense Margaret Atwood e publicado em 1985. (É bizarro o quanto permanece atual). A história é brutal, mas escrita de forma leve e instigante. É difícil deixar o livro de lado. Admito que comecei a ler, principalmente, por causa da vontade de ver a série depois, produzida pela Hulu, mas, conforme adentrei na cabeça de Offred, mais presa à escrita me senti. Agora, independentemente da adaptação, sei que o livro é indispensável. E estou satisfeita por ter feito a escolha de ler antes de começar a assistir.

O texto deixa a impressão de ir além das palavras redigidas. A experiência de ler “O Conto da Aia” é como acompanhar o processo da pintura de um quadro. A voz da narradora é poderosa e atraente. O livro beira a linguagem poética. Ela vai mostrando ao leitor imagens, pouco a pouco, com cuidado. Fragmentos da realidade em que ela vive na República de Gilead, onde um governo teocrático controla os passos de todos. Como se a personagem estivesse nos conhecendo e como se estivéssemos conquistando sua confiança, ela nos conta episódios de seu passado e os detalhes do presente, já tendo perdido sua identidade. 

“Uma cadeira, uma cama, um abajur. Acima no teto branco, um ornamento em relevo em forma de coroa de flores, e no centro dele um espaço vazio, coberto de emboço, como o lugar em um rosto onde o olho foi tirado fora. Outrora deve ter havido um lustre, um candelabro. Eles tinham removido qualquer coisa em que você pudesse amarrar uma corda.

Uma janela, duas cortinas brancas. Sob a janela, um assento com uma pequena almofada. Quando a janela está parcialmente aberta — ela só se abre parcialmente — o ar pode entrar e fazer as cortinas se mexerem.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Seu nome, Offred, faz sentido quando entendemos que “of”, em inglês, significa “de”. Assim, ela é identificada como “De Fred”, sendo este o nome do comandante do qual deve engravidar, para cumprir seu papel na sociedade. 

Facebook (Margaret Atwood)/Reprodução

O livro vale a pena ser lido não só por passar uma mensagem forte, fantasiada de crítica a um pensamento que diminui as mulheres, mas também por ser muito bem escrito. O regime autoritário narrado é assustador, chega a ser angustiante, mas, devido à proximidade que estabelece entre os leitores e a personagem principal, é impossível largar o livro sem saber o que vai acontecer com ela. Lendo, realmente passei a me importar com Offred. Conforme acontecimentos absurdos são expostos, me surpreendo com o quanto refletem visões já presentes entre nós, por algumas pessoas que, aliás, detém posições de liderança política. Tais visões são apenas amplificadas pelo regime autoritário que dissolveu os Estados Unidos, na história. 

Na distopia, o presidente é assassinado, o Congresso desfeito, e os filhos de Jacob assumem o poder. As religiões como conhecemos tampouco são permitidas. O que o livro critica não é a fé, mas, sim, aquela outra palavra com “f”, o fundamentalismo. Os casais que não são unidos na seita bizarra da história têm seus casamentos desfeitos, como acontece com a Offred. Ela começou a se relacionar com Luke quando ele ainda estava casado, portanto, apesar do posterior divórcio, a união deles não é considerada legítima. Sua filha lhe é tirada para morar com outra família que segue os valores tradicionais. De seu marido, não sabemos. Offred, por sua vez, é enviada ao Centro Vermelho Raquel e Lea, onde aprende os dogmas do regime com as Tias, mulheres mais velhas que forçam os novos costumes goela abaixo das “meninas” consideradas privilegiadas por serem férteis numa época em que isso tornou-se raro. 

“Mas de quem foi a culpa?, diz tia Helena, levantando um dedo roliço.

Dela, foi dela, foi dela, foi dela, entoamos em uníssono.

Quem os seduziu? Tia Helena sorri radiante, satisfeita conosco.

Ela seduziu. Ela seduziu. Ela seduziu.

Por que Deus permitiu que uma coisa tão terrível acontecesse?

Para lhe ensinar uma lição. Para lhe ensinar uma lição. Para lhe ensinar uma lição.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

No período que antecedeu o autoritarismo, a taxa de natalidade caiu absurdamente, muitas pessoas contraíram doenças que as impediram de ter filhos e acidentes em usinas nucleares emitiram quantidades grandes de radiação e lixo tóxico que prejudicou ainda mais o meio ambiente, tornando certos locais inviáveis para a habitação humana. Apesar disso, o regime enviou para tais áreas perigosas, consideradas fatais e chamadas de Colônias, os desobedientes, as Não mulheres, como feministas, lésbicas, além daquelas que trabalhavam como Aias, mas não conseguiram gerar bebês. Afinal, elas serviam apenas com esse objetivo. Nem todas as Colônias, porém são tóxicas. Algumas delas são localizadas em plantações e as pessoas que nelas moram trabalham para levar produtos às cidades. Os criminosos, contudo, não tinham a mesma “sorte”. Uma vez executados, tinham seus corpos expostos no Muro, em via pública, servindo de lição para os demais. Como forma de moeda de troca, presos políticos eram apresentados como estupradores diante das Aias, que sem desconfiar de suas reais intenções, podiam agir da forma como bem entendessem, descontando seus sentimentos oprimidos. Tal linchamento recebeu o nome de Particicução. 

Facebook (Margaret Atwood)/Reprodução

Outras mulheres ocupam posições distintas, como as Esposas, as Econoesposas (de famílias menos abastadas), Marthas (empregadas domésticas), Tias (propulsoras do regime), e Salvadoras (capatazes a serviço do governo). (Não oficialmente, havia as prostitutas para o alto escalão).  

“— A Natureza exige variedade para homens. É lógico, razoável, faz parte da estratégia de procriação. É o plano da Natureza. — Não digo nada, de modo que ele prossegue. — As mulheres sabem disso instintivamente. Por que elas compravam tantas roupas diferentes, nos velhos tempos? Para enganar os homens levando-os a pensar que eram várias mulheres diferentes. Uma nova a cada dia.

Ele diz isso como se de fato acreditasse, mas diz muitas coisas assim. Talvez acredite mesmo, talvez não acredite ou talvez faça ambas as coisas ao mesmo tempo. Impossível saber em que ele acredita.

— De modo que agora, que não temos roupas diferentes — digo —, vocês apenas têm mulheres diferentes. — Isso é ironia, mas ele não demonstra ter notado.”
Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Os homens também ocupam diferentes cargos, como Comandantes, Guardiões (membros do Exército), Olhos (espiões, tipo investigadores, para pegar quem estaria traindo o regime), Salvadores, além de servos de serviços gerais, como o motorista Nick, que trabalha para o mesmo Comandante que Offred. 

As relações entre as pessoas da sociedade de Gilead são estritamente formais, pelo menos oficialmente, preenchidas com diálogos próprios com base na seita cristã que rege o novo estado.

“— Bendito seja o fruto — diz ela para mim, a expressão de cumprimento considerada correta entre nós.

— Que possa o Senhor abrir — respondo, a resposta também correta.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Ao mesmo tempo em que me senti mal pelos personagens e por quem pensa de forma muito semelhante ao que a distopia apresenta, senti-me aliviada por viver numa era em que ainda há esperança de que o mundo mude para melhor. De que as mulheres não sejam vistas como coisas e que as pessoas tenham liberdade para amar quem elas amam e serem quem elas são. De que possamos compreender o outro, respeitando sua realidade, limitações e escolhas. De que medidas de regimes totalitários do passado fiquem no passado. De que haja justiça da forma como deva ser feita justiça. De que haja amor. 

“Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta. Havia matérias nos jornais, é claro. Corpos encontrados em valas ou na floresta, mortos a cacetadas ou mutilados, que haviam sido submetidos a degradações, como costumavam dizer, mas essas matérias eram a respeito de outras mulheres, e os homens que faziam aquele tipo de coisas eram outros homens. Nenhum deles eram os homens que conhecíamos. As matérias de jornais eram como sonhos para nós, sonhos ruins sonhados por outros. Que horror, dizíamos, e eram, mas eram horrores sem ser críveis. Eram demasiado melodramáticas, tinham uma dimensão que não era a dimensão de nossas vidas.

Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços brancos não preenchidos nas margens da matéria impressa. Isso nos dava mais liberdade.

Vivíamos nas lacunas entre as matérias.”
Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Para quem está buscando um livro que seja um soco no estômago, fica aqui a sugestão para  “O Conto da Aia”. Desde que não interpretem seu conteúdo como um manual, tudo bem. Que fique claro que o livro é uma crítica ao regime que ele apresenta. Deve ser lido como “o que devemos evitar”, “para qual caminho não devemos seguir”. Façamos diferente. Sejamos diferentes.

“Quando eu sair daqui, se algum dia conseguir registrar isso, de qualquer modo, mesmo sob a forma de uma voz para outra, será uma reconstrução também, em um grau ainda mais distante. É impossível dizer alguma coisa exatamente da maneira como foi, porque o que você diz nunca pode ser exato, você sempre tem de deixar alguma coisa de fora, existem partes, lados, correntes contrárias e nuances demais; gestos demais, que poderiam significar isto ou aquilo, formas demais que nunca podem ser plenamente descritas, sabores demais, no ar ou na língua, semitonalidades, quase cores, demais. Se acontecer de você ser homem, em qualquer tempo no futuro, e tiver chegado até aqui, por favor lembre-se: você nunca será submetido à tentação de sentir que tem de perdoar um homem, como uma mulher. É difícil de resistir, creia-me. Mas lembre-se de que o perdão também é um poder. Suplicar por ele é um poder, e recusá-lo ou concedê-lo é um poder, talvez de todos o maior.

Talvez nada disso seja a respeito de controle. Talvez não seja realmente sobre quem pode possuir quem, quem pode fazer o que com quem e sair impune, mesmo que seja até levar à morte. Talvez não seja a respeito de quem pode se sentar e quem tem de se ajoelhar ou ficar de pé ou se deitar, de pernas abertas arreganhadas. Talvez seja sobre quem pode fazer o que com quem e ser perdoado por isso. Nunca me diga que isso dá no mesmo.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Steven Universe e Star vs As forças do mal: os desenhos animados que você TEM que assistir

Bom, faz um tempo que não escrevo aqui no site, pois estou na reta final da minha Pós-Graduação e tive que me ausentar.

No entanto, como eu faço Pós-Graduação em Roteiro para Cinema e Televisão e meu trabalho de conclusão é uma série de comédia teen voltada para o público LGBTQ, eu tenho assistido e investido muito em conteúdos parecidos para usar como referências no meu trabalho.

Sendo assim, eu vim aqui falar de duas animações televisivas que me encantaram e merecem demais a nossa atenção, justamente por abordar assuntos delicados de uma forma tão sensível e divertida: Steven Universe e Star vs As forças do mal.

1) Steven Universe

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Cartaz do desenho animado “Steven Universe”.

Steven Universo (Steven Universe) narra a trajetória de Steven, um menino de doze anos, metade humano e metade Gem, que vai morar com as outras Gems: Pérola, Garnet e Ametista.

As Gems são criaturas de outro planeta que resolveram ficar e proteger o planeta Terra, influenciadas pela Rose, mãe de Steven. No entanto, Rose se envolve com Greg Universe, um humano da cidade fictícia Beach City, e eles têm um filho. Para que o filho possa viver, Rose tem de abrir mão da sua forma humanóide.

Assim, vemos como Steven lida com o fato de nunca ter conhecido sua mãe, além de aprender como controlar seus poderes e o que é ser humano.

E por quê essa história é incrível?

Primeiro por um motivo MUITO maravilhoso: o desenho foi criado por Rebecca Sugar e é a primeira animação do canal Cartoon Network desenvolvido por uma mulher.

É bizarro pensar que já estamos em 2017 e somente uma mulher teve a oportunidade de produzir uma animação no canal. Como eu já relatei em outros textos, infelizmente essa área ainda é muito dominada pelos homens, mas é justamente por isso que temos que parabenizar e valorizar o trabalho de mulheres como a Rebecca.

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Rebecca Sugar, criadora de “Steven Universe”.

Eu poderia ficar horas falando da Rebecca porque ela é animadora*, compositora, roteirista, diretora, maravilhosa, ela é GIRL POWER total. No entanto, eu vou focar no desenho, pois foi por isso que vim escrever.Como falar dessa animação que tem cinco temporadas e já ganhou meu coração? (Saudades dos depoimentos do velho Orkut*).

Antes de tudo, preciso dizer que apesar de ser uma animação voltada para crianças, a trama do programa é muito complexa e seria quase impossível explicar os detalhes sem dar spoiler* ou confundir vocês. Então, eu vou abordar somente alguns dos fatores que fazem o desenho ser maravilhoso.

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Uma imagem vale mais que mil palavras, não?

Logo no piloto* da série a gente fica sabendo que a mãe do Steven não está mais entre nós e que ele vai morar com as outras Gems. Ou seja, é uma criança/adolescente de doze anos que tem que lidar com a perda da mãe.Até então, como ele não a conheceu não há uma dor muito profunda, mas como as outras Gems e o pai do menino sempre falam da Rose (mãe de Steven), volta e meia ele faz perguntas para entender o porquê ela deixou tanta saudade e por que ele não pode conhecê-la.

Além disso, a história de cada Gem é encantadora e muito particular. Seria bem difícil explicar os motivos pelos quais elas são maravilhosas, mas tentarei resumir as qualidades das personagens: Pérola, Garnet e Ametista.

A) Pérola

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“Os humanos acham maneiras incríveis para gastar o tempo deles.”

A Pérola é a mais “certinha” do grupo e como ela é uma gem, ela não entende muitas coisas que os seres humanos fazem. Por exemplo, as gems não precisam de alimentos, então ela não compreende como que os humanos comem o tempo todo. Aposto que se ela provasse um açaí com granola e mel mudaria de ideia. Ainda, existem várias Gems que também são Pérolas, elas literalmente tem a mesma forma física e função no planeta Gem, mas foi com a Rose e no planeta Terra que a Pérola se sentiu única e por isso ela não a esquece de jeito nenhum. Mesmo que ela ame o Steven, como ele assumiu o lugar da mãe na Terra, a Pérola sente muita falta da Rose e de vez em quando tem umas crises existenciais bastante humanas, por sinal.

Eu amo essa personagem de todas as formas, até porque é com ela que eu me identifico mais. Essa entrega pelos outros, sua solidão e angústia, além da saudade que sempre a faz chorar por quem já se foi é explorada de um jeito lindo e muito poético.

B) Garnet

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Garnet.

A Garnet é literalmente puro amor. Como não quero dar spoiler não vou falar muito da narrativa dela, mas preciso dizer que é uma história muito especial e digna de conto de fadas da era moderna. Quando eu disse que ela é puro amor foi porque ela mesma fala que é feita de amor e a gente aprende bastante sobre respeito, amor e relacionamento com essa personagem. Aliás, o que é mais legal nela é que o amor que ela tanta fala é um sentimento que não vê cores, gênero ou sexualidade, é o amor da forma mais pura e honesta possível. Não é à toa que tem um episódio que a personagem canta uma música sobre o tema, chamada “Stronger than you (Mais forte que você)”.

No Estados Unidos é a cantora Estelle que dá voz pra personagem e suas lindas canções.

C) Ametista

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Ametista e suas dancinhas maravilhosas.

A Ametista tem um passado distinto das outras, o que a faz se sentir diferente e um pouco “excluída” do grupo. Porém, com o passar das temporadas ela vai deixando o jeito “rebelde” de ser e a gente começa entender o porquê ela tem dificuldades em se abrir com os outros. Eu adoro a Ametista porque ela é o oposto da Pérola. Ela não precisa comer e come o tempo todo, ela não segue regras e adora se divertir com o Steven. É muito legal ver essa diferença das personagens que se completam de alguma forma.

Falando em se completar, Steven Universe fala muito de conexão. As Gems podem fazer fusões, ou seja, elas podem se unir com duas ou mais gems e virar uma só. No entanto, essa união tem que fazer sentido e as intenções têm que ser boas, senão elas sofrem demais e ficam mal após a fusão.

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Opal, fusão da Pérola e Ametista.

Eu aconselho essa história porque mesmo sendo um desenho animado ela lida com assuntos delicados de uma forma extraordinária. A trama fala de perdas, relacionamentos (independente do gênero e sexualidade), amizades, amadurecimento, entre muitos outros assuntos e tanto um adulto quanto uma criança podem ver e se identificar. Tem muito mais coisas que eu poderia dizer, como a lindinha da Connie e sua amizade com o Steven, a relação do Steven com o pai hippie, mas eu fiz esse post só pra te provocar e quando você souber todos os mínimos detalhes a gente fofoca a respeito.

2) Star vs As forças do mal

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Cartaz do desenho “Star vs As forças do mal”

A animação conta a história de Star Butterfly, uma princesa da dimensão mágina de Mewni que ao completar catorze anos ganha de seus pais uma poderosa varinha mágica, além de um livro de magias que contém todos os feitiços criados pelas antigas proprietárias da varinha.

No entanto, Star é péssima em usar sua varinha e seus pais a mandam para o Planeta Terra, onde ela deverá aprender a controlar seus poderes mágicos e ter responsabilidade.

Na Terra, ela fica hospedada na casa de Marcos Díaz, um descendente de mexicanos extremamente certinho e nerd. Juntos, eles lutam contra monstros que tentam a todo custo roubar a preciosa varinha e aprendem lições valiosas sobre amizade e responsabilidade.

Apesar de ser a narrativa de uma princesa e manter o tom de conto de fadas, o humor do programa é bastante ousado e as aventuras que Star vive são hilárias e a ensinam bastante sobre amadurecer e exercer o papel de futura rainha. Aliás, a própria Star é um “desastre” de princesa e é isso que a torna tão especial.

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Star Butterfly, a princesa desastre.

Além disso, a amizade entre Star e Marcos foge de qualquer conto de princesas e mostra que é possível meninos e meninas serem melhores amigos sem segundas intenções. Eu adoro desenhos e filmes que abordam a amizade entre uma garota e um garoto de uma forma positiva, sem necessariamente eles terem que virar um casal no final.

Eu tenho muitos amigos homens e sempre me incomodou o fato das pessoas acharem que eu tinha algo romântico com eles ou vice-versa. Isso é uma besteira! Claro que poderia ser o caso, mas não era. Homens e mulheres podem e devem ser amigos e a gente tem que parar de achar que essa amizade não existe, ela existe SIM e Star e Marcos são a prova disso.

Tem muita gente que chipa* esse casal, mas até onde eu vi do programa eles são só amigos e eu AMO esse fato. O próprio Marcos tem uma crush* pela Jackie Lynn e a Star sempre o incentiva a puxar papo com Jackie e investir nessa história de amor.

Inclusive, tem um episódio em que Star e Marcos vão num show da banda preferida dela e eles cantam a música “Just Friends (Apenas Amigos)”. Eu ia dar um mega spoiler desse momento, mas não farei isso. Porém, não posso deixar de mencionar que essa cena foi a primeira cena de um desenho animado da Disney Television Animation que mostrou um beijo de um casal homossexual e isso é LINDO!

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Casal de homens se beijando em “Star vs As forças do mal”. MUITO AMOR POR ESSA CENA!

Ademais, um grande ponto do programa é a diversidade e a quebra de padrões. O Marcos é um descendente de mexicano nerd, a Star é uma princesa muito doida e que se mete em confusão, sua melhor amiga é um Pônei Colorido sem corpo, um dos vilões adota algumas “crianças” e vira pai solteiro, etc. Quer mais o quê pra eu te convencer que esse programa é único e maravilhoso?

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Star e Pony Head te seduzindo pra assistir o programa.

Sendo assim, só posso dizer que essas duas animações me surpreenderam de uma maneira surreal. Eu já chorei em vários episódios do Steven Universe porque me emociona demais as histórias dos personagens e como eles lidam com suas perdas e ganhos. Já em Star vs As forças do mal, eu me divirto horrores com essa princesa maluca e me encanto com o fato de que ela é uma princesa, porém é dona de si, forte, comete erros e também acertos, se apaixona, mas não fica chorando por nenhum menino e aprende lições valiosas em cada episódio do programa.

VAI LOGO ASSISTIR ESSAS MARAVILHAS!

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Steven e Star Butterfly.

*animadora: uma pessoa que trabalha com desenho animado.

*orkut: antiga rede social que fez muito sucesso entre os brasileiros.

*spoiler: é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo.

*piloto: é o nome dado ao primeiro episódio de uma série televisiva.

*crush: alguém por quem temos uma queda ou paixonite.

*chipar: quando você torce que uma pessoa forme par com outra, ou seja, que eles formem um casal.

Após ataque em Las Vegas, guitarrista muda de opinião sobre a segunda emenda

Um atirador, identificado como Stephen Paddock, de 64 anos, abriu fogo contra milhares de pessoas que curtiam o festival de música country Route 91 em Las Vegas, nos Estados Unidos, na madrugada desta segunda-feira (2), deixando 58 mortos e mais de 500 feridos, segundo a polícia.

Esse fato por si só já foi o bastante para ser um choque em todo o mundo. Conforme foram surgindo informações sobre o autor dos disparos, mais dúvidas sobre a motivação do massacre apareceram. O Estado Islâmico reivindicou a sua autoria, mas não apenas a família do suspeito, já encontrado morto pelos policiais em um quarto do 32º andar do cassino Mandalay Bay, afirmou desconhecer qualquer afiliação religiosa da parte dele, como também o FBI negou uma conexão entre ele e o grupo terrorista. No cômodo de Stephen, havia mais de dez armas. Com isso, ainda não há um motivo concreto que ajude a elucidar as razões que levaram o aposentado a cometer tal atrocidade.

Em decorrência deste que foi o ataque armado com maior número de vítimas nos Estados Unidos, o guitarrista do conjunto Josh Abbott Band mudou sua opinião a respeito da segunda emenda à constituição americana. Caleb Keeter escreveu em seu perfil do Twitter que defendeu o direito ao porte de armas durante toda sua vida – até este momento. “Eu não consigo expressar o quanto estava errado”, disse o músico.

 

Keeter contou que integrantes da equipe técnica da banda possuem licenças para possuirem armas, inclusive algumas delas estavam no ônibus deles. “Elas foram inúteis”, registrou o guitarrista na rede social. A conclusão a que ele chegou é a necessidade de um controle de armas nos Estados Unidos com urgência.

O músico explicou em sua publicação que ninguém da equipe técnica podia acessar suas armas para não confundir os agentes, que poderiam pensar que fizessem parte do ataque e os atingissem por medida preventiva. “Meu maior arrependimento é, teimosamente, não ter percebido isso até eu e meus irmãos de estrada sermos ameaçados”, confessou.

“Escrever adeus aos meus pais e ao amor da minha vida ontem à noite e meu testamento vital porque senti que não sobreviveria no decorrer da noite foi o suficiente para eu perceber que isso está completa e totalmente fora de controle. Esses disparos foram poderosos o bastante para que os caras da minha equipe técnica, estando próximos a uma vítima baleada por este covarde da porra, ficassem com ferimentos por estilhaços”, frisou Keeter.

Considero como nobre a reação do guitarrista ao reconhecer seu erro e admitir, publicamente, que mudou de lado sobre as vendas de armas nos Estados Unidos, que é um sério problema, apontado por muitos já há algum tempo. A tragédia de Las Vegas marcou a história americana, mas ao menos serviu para abrir os olhos para uma possível mudança. Não vejo, contudo, essa possibilidade acontecendo ainda durante o mandato do presidente Donald Trump, mas vejo a retomada do debate como algo minimamente positivo a partir de uma barbárie tão devastadora. Minhas orações estão com as vítimas e suas famílias.

Em outro post, vale destacar, o músico salientou que “não viverá com medo de ninguém”. E assim todos devemos seguir, independentemente de onde ocorreu o massacre. A dor humana é compartilhada entre todos que sentem empatia.