Impressões após ler ‘O Conto da Aia’

Sem fôlego. É assim que fiquei quando terminei de ler “O Conto da Aia”, escrito pela canadense Margaret Atwood e publicado em 1985. (É bizarro o quanto permanece atual). A história é brutal, mas escrita de forma leve e instigante. É difícil deixar o livro de lado. Admito que comecei a ler, principalmente, por causa da vontade de ver a série depois, produzida pela Hulu, mas, conforme adentrei na cabeça de Offred, mais presa à escrita me senti. Agora, independentemente da adaptação, sei que o livro é indispensável. E estou satisfeita por ter feito a escolha de ler antes de começar a assistir.

O texto deixa a impressão de ir além das palavras redigidas. A experiência de ler “O Conto da Aia” é como acompanhar o processo da pintura de um quadro. A voz da narradora é poderosa e atraente. O livro beira a linguagem poética. Ela vai mostrando ao leitor imagens, pouco a pouco, com cuidado. Fragmentos da realidade em que ela vive na República de Gilead, onde um governo teocrático controla os passos de todos. Como se a personagem estivesse nos conhecendo e como se estivéssemos conquistando sua confiança, ela nos conta episódios de seu passado e os detalhes do presente, já tendo perdido sua identidade. 

“Uma cadeira, uma cama, um abajur. Acima no teto branco, um ornamento em relevo em forma de coroa de flores, e no centro dele um espaço vazio, coberto de emboço, como o lugar em um rosto onde o olho foi tirado fora. Outrora deve ter havido um lustre, um candelabro. Eles tinham removido qualquer coisa em que você pudesse amarrar uma corda.

Uma janela, duas cortinas brancas. Sob a janela, um assento com uma pequena almofada. Quando a janela está parcialmente aberta — ela só se abre parcialmente — o ar pode entrar e fazer as cortinas se mexerem.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Seu nome, Offred, faz sentido quando entendemos que “of”, em inglês, significa “de”. Assim, ela é identificada como “De Fred”, sendo este o nome do comandante do qual deve engravidar, para cumprir seu papel na sociedade. 

Facebook (Margaret Atwood)/Reprodução

O livro vale a pena ser lido não só por passar uma mensagem forte, fantasiada de crítica a um pensamento que diminui as mulheres, mas também por ser muito bem escrito. O regime autoritário narrado é assustador, chega a ser angustiante, mas, devido à proximidade que estabelece entre os leitores e a personagem principal, é impossível largar o livro sem saber o que vai acontecer com ela. Lendo, realmente passei a me importar com Offred. Conforme acontecimentos absurdos são expostos, me surpreendo com o quanto refletem visões já presentes entre nós, por algumas pessoas que, aliás, detém posições de liderança política. Tais visões são apenas amplificadas pelo regime autoritário que dissolveu os Estados Unidos, na história. 

Na distopia, o presidente é assassinado, o Congresso desfeito, e os filhos de Jacob assumem o poder. As religiões como conhecemos tampouco são permitidas. O que o livro critica não é a fé, mas, sim, aquela outra palavra com “f”, o fundamentalismo. Os casais que não são unidos na seita bizarra da história têm seus casamentos desfeitos, como acontece com a Offred. Ela começou a se relacionar com Luke quando ele ainda estava casado, portanto, apesar do posterior divórcio, a união deles não é considerada legítima. Sua filha lhe é tirada para morar com outra família que segue os valores tradicionais. De seu marido, não sabemos. Offred, por sua vez, é enviada ao Centro Vermelho Raquel e Lea, onde aprende os dogmas do regime com as Tias, mulheres mais velhas que forçam os novos costumes goela abaixo das “meninas” consideradas privilegiadas por serem férteis numa época em que isso tornou-se raro. 

“Mas de quem foi a culpa?, diz tia Helena, levantando um dedo roliço.

Dela, foi dela, foi dela, foi dela, entoamos em uníssono.

Quem os seduziu? Tia Helena sorri radiante, satisfeita conosco.

Ela seduziu. Ela seduziu. Ela seduziu.

Por que Deus permitiu que uma coisa tão terrível acontecesse?

Para lhe ensinar uma lição. Para lhe ensinar uma lição. Para lhe ensinar uma lição.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

No período que antecedeu o autoritarismo, a taxa de natalidade caiu absurdamente, muitas pessoas contraíram doenças que as impediram de ter filhos e acidentes em usinas nucleares emitiram quantidades grandes de radiação e lixo tóxico que prejudicou ainda mais o meio ambiente, tornando certos locais inviáveis para a habitação humana. Apesar disso, o regime enviou para tais áreas perigosas, consideradas fatais e chamadas de Colônias, os desobedientes, as Não mulheres, como feministas, lésbicas, além daquelas que trabalhavam como Aias, mas não conseguiram gerar bebês. Afinal, elas serviam apenas com esse objetivo. Nem todas as Colônias, porém são tóxicas. Algumas delas são localizadas em plantações e as pessoas que nelas moram trabalham para levar produtos às cidades. Os criminosos, contudo, não tinham a mesma “sorte”. Uma vez executados, tinham seus corpos expostos no Muro, em via pública, servindo de lição para os demais. Como forma de moeda de troca, presos políticos eram apresentados como estupradores diante das Aias, que sem desconfiar de suas reais intenções, podiam agir da forma como bem entendessem, descontando seus sentimentos oprimidos. Tal linchamento recebeu o nome de Particicução. 

Facebook (Margaret Atwood)/Reprodução

Outras mulheres ocupam posições distintas, como as Esposas, as Econoesposas (de famílias menos abastadas), Marthas (empregadas domésticas), Tias (propulsoras do regime), e Salvadoras (capatazes a serviço do governo). (Não oficialmente, havia as prostitutas para o alto escalão).  

“— A Natureza exige variedade para homens. É lógico, razoável, faz parte da estratégia de procriação. É o plano da Natureza. — Não digo nada, de modo que ele prossegue. — As mulheres sabem disso instintivamente. Por que elas compravam tantas roupas diferentes, nos velhos tempos? Para enganar os homens levando-os a pensar que eram várias mulheres diferentes. Uma nova a cada dia.

Ele diz isso como se de fato acreditasse, mas diz muitas coisas assim. Talvez acredite mesmo, talvez não acredite ou talvez faça ambas as coisas ao mesmo tempo. Impossível saber em que ele acredita.

— De modo que agora, que não temos roupas diferentes — digo —, vocês apenas têm mulheres diferentes. — Isso é ironia, mas ele não demonstra ter notado.”
Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Os homens também ocupam diferentes cargos, como Comandantes, Guardiões (membros do Exército), Olhos (espiões, tipo investigadores, para pegar quem estaria traindo o regime), Salvadores, além de servos de serviços gerais, como o motorista Nick, que trabalha para o mesmo Comandante que Offred. 

As relações entre as pessoas da sociedade de Gilead são estritamente formais, pelo menos oficialmente, preenchidas com diálogos próprios com base na seita cristã que rege o novo estado.

“— Bendito seja o fruto — diz ela para mim, a expressão de cumprimento considerada correta entre nós.

— Que possa o Senhor abrir — respondo, a resposta também correta.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Ao mesmo tempo em que me senti mal pelos personagens e por quem pensa de forma muito semelhante ao que a distopia apresenta, senti-me aliviada por viver numa era em que ainda há esperança de que o mundo mude para melhor. De que as mulheres não sejam vistas como coisas e que as pessoas tenham liberdade para amar quem elas amam e serem quem elas são. De que possamos compreender o outro, respeitando sua realidade, limitações e escolhas. De que medidas de regimes totalitários do passado fiquem no passado. De que haja justiça da forma como deva ser feita justiça. De que haja amor. 

“Nada muda instantaneamente: numa banheira que se aquece gradualmente você seria fervida até a morte antes de se dar conta. Havia matérias nos jornais, é claro. Corpos encontrados em valas ou na floresta, mortos a cacetadas ou mutilados, que haviam sido submetidos a degradações, como costumavam dizer, mas essas matérias eram a respeito de outras mulheres, e os homens que faziam aquele tipo de coisas eram outros homens. Nenhum deles eram os homens que conhecíamos. As matérias de jornais eram como sonhos para nós, sonhos ruins sonhados por outros. Que horror, dizíamos, e eram, mas eram horrores sem ser críveis. Eram demasiado melodramáticas, tinham uma dimensão que não era a dimensão de nossas vidas.

Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços brancos não preenchidos nas margens da matéria impressa. Isso nos dava mais liberdade.

Vivíamos nas lacunas entre as matérias.”
Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

Para quem está buscando um livro que seja um soco no estômago, fica aqui a sugestão para  “O Conto da Aia”. Desde que não interpretem seu conteúdo como um manual, tudo bem. Que fique claro que o livro é uma crítica ao regime que ele apresenta. Deve ser lido como “o que devemos evitar”, “para qual caminho não devemos seguir”. Façamos diferente. Sejamos diferentes.

“Quando eu sair daqui, se algum dia conseguir registrar isso, de qualquer modo, mesmo sob a forma de uma voz para outra, será uma reconstrução também, em um grau ainda mais distante. É impossível dizer alguma coisa exatamente da maneira como foi, porque o que você diz nunca pode ser exato, você sempre tem de deixar alguma coisa de fora, existem partes, lados, correntes contrárias e nuances demais; gestos demais, que poderiam significar isto ou aquilo, formas demais que nunca podem ser plenamente descritas, sabores demais, no ar ou na língua, semitonalidades, quase cores, demais. Se acontecer de você ser homem, em qualquer tempo no futuro, e tiver chegado até aqui, por favor lembre-se: você nunca será submetido à tentação de sentir que tem de perdoar um homem, como uma mulher. É difícil de resistir, creia-me. Mas lembre-se de que o perdão também é um poder. Suplicar por ele é um poder, e recusá-lo ou concedê-lo é um poder, talvez de todos o maior.

Talvez nada disso seja a respeito de controle. Talvez não seja realmente sobre quem pode possuir quem, quem pode fazer o que com quem e sair impune, mesmo que seja até levar à morte. Talvez não seja a respeito de quem pode se sentar e quem tem de se ajoelhar ou ficar de pé ou se deitar, de pernas abertas arreganhadas. Talvez seja sobre quem pode fazer o que com quem e ser perdoado por isso. Nunca me diga que isso dá no mesmo.”

Trecho de: Atwood, Margaret. “O Conto da Aia.” iBooks. 

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Steven Universe e Star vs As forças do mal: os desenhos animados que você TEM que assistir

Bom, faz um tempo que não escrevo aqui no site, pois estou na reta final da minha Pós-Graduação e tive que me ausentar.

No entanto, como eu faço Pós-Graduação em Roteiro para Cinema e Televisão e meu trabalho de conclusão é uma série de comédia teen voltada para o público LGBTQ, eu tenho assistido e investido muito em conteúdos parecidos para usar como referências no meu trabalho.

Sendo assim, eu vim aqui falar de duas animações televisivas que me encantaram e merecem demais a nossa atenção, justamente por abordar assuntos delicados de uma forma tão sensível e divertida: Steven Universe e Star vs As forças do mal.

1) Steven Universe

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Cartaz do desenho animado “Steven Universe”.

Steven Universo (Steven Universe) narra a trajetória de Steven, um menino de doze anos, metade humano e metade Gem, que vai morar com as outras Gems: Pérola, Garnet e Ametista.

As Gems são criaturas de outro planeta que resolveram ficar e proteger o planeta Terra, influenciadas pela Rose, mãe de Steven. No entanto, Rose se envolve com Greg Universe, um humano da cidade fictícia Beach City, e eles têm um filho. Para que o filho possa viver, Rose tem de abrir mão da sua forma humanóide.

Assim, vemos como Steven lida com o fato de nunca ter conhecido sua mãe, além de aprender como controlar seus poderes e o que é ser humano.

E por quê essa história é incrível?

Primeiro por um motivo MUITO maravilhoso: o desenho foi criado por Rebecca Sugar e é a primeira animação do canal Cartoon Network desenvolvido por uma mulher.

É bizarro pensar que já estamos em 2017 e somente uma mulher teve a oportunidade de produzir uma animação no canal. Como eu já relatei em outros textos, infelizmente essa área ainda é muito dominada pelos homens, mas é justamente por isso que temos que parabenizar e valorizar o trabalho de mulheres como a Rebecca.

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Rebecca Sugar, criadora de “Steven Universe”.

Eu poderia ficar horas falando da Rebecca porque ela é animadora*, compositora, roteirista, diretora, maravilhosa, ela é GIRL POWER total. No entanto, eu vou focar no desenho, pois foi por isso que vim escrever.Como falar dessa animação que tem cinco temporadas e já ganhou meu coração? (Saudades dos depoimentos do velho Orkut*).

Antes de tudo, preciso dizer que apesar de ser uma animação voltada para crianças, a trama do programa é muito complexa e seria quase impossível explicar os detalhes sem dar spoiler* ou confundir vocês. Então, eu vou abordar somente alguns dos fatores que fazem o desenho ser maravilhoso.

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Uma imagem vale mais que mil palavras, não?

Logo no piloto* da série a gente fica sabendo que a mãe do Steven não está mais entre nós e que ele vai morar com as outras Gems. Ou seja, é uma criança/adolescente de doze anos que tem que lidar com a perda da mãe.Até então, como ele não a conheceu não há uma dor muito profunda, mas como as outras Gems e o pai do menino sempre falam da Rose (mãe de Steven), volta e meia ele faz perguntas para entender o porquê ela deixou tanta saudade e por que ele não pode conhecê-la.

Além disso, a história de cada Gem é encantadora e muito particular. Seria bem difícil explicar os motivos pelos quais elas são maravilhosas, mas tentarei resumir as qualidades das personagens: Pérola, Garnet e Ametista.

A) Pérola

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“Os humanos acham maneiras incríveis para gastar o tempo deles.”

A Pérola é a mais “certinha” do grupo e como ela é uma gem, ela não entende muitas coisas que os seres humanos fazem. Por exemplo, as gems não precisam de alimentos, então ela não compreende como que os humanos comem o tempo todo. Aposto que se ela provasse um açaí com granola e mel mudaria de ideia. Ainda, existem várias Gems que também são Pérolas, elas literalmente tem a mesma forma física e função no planeta Gem, mas foi com a Rose e no planeta Terra que a Pérola se sentiu única e por isso ela não a esquece de jeito nenhum. Mesmo que ela ame o Steven, como ele assumiu o lugar da mãe na Terra, a Pérola sente muita falta da Rose e de vez em quando tem umas crises existenciais bastante humanas, por sinal.

Eu amo essa personagem de todas as formas, até porque é com ela que eu me identifico mais. Essa entrega pelos outros, sua solidão e angústia, além da saudade que sempre a faz chorar por quem já se foi é explorada de um jeito lindo e muito poético.

B) Garnet

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Garnet.

A Garnet é literalmente puro amor. Como não quero dar spoiler não vou falar muito da narrativa dela, mas preciso dizer que é uma história muito especial e digna de conto de fadas da era moderna. Quando eu disse que ela é puro amor foi porque ela mesma fala que é feita de amor e a gente aprende bastante sobre respeito, amor e relacionamento com essa personagem. Aliás, o que é mais legal nela é que o amor que ela tanta fala é um sentimento que não vê cores, gênero ou sexualidade, é o amor da forma mais pura e honesta possível. Não é à toa que tem um episódio que a personagem canta uma música sobre o tema, chamada “Stronger than you (Mais forte que você)”.

No Estados Unidos é a cantora Estelle que dá voz pra personagem e suas lindas canções.

C) Ametista

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Ametista e suas dancinhas maravilhosas.

A Ametista tem um passado distinto das outras, o que a faz se sentir diferente e um pouco “excluída” do grupo. Porém, com o passar das temporadas ela vai deixando o jeito “rebelde” de ser e a gente começa entender o porquê ela tem dificuldades em se abrir com os outros. Eu adoro a Ametista porque ela é o oposto da Pérola. Ela não precisa comer e come o tempo todo, ela não segue regras e adora se divertir com o Steven. É muito legal ver essa diferença das personagens que se completam de alguma forma.

Falando em se completar, Steven Universe fala muito de conexão. As Gems podem fazer fusões, ou seja, elas podem se unir com duas ou mais gems e virar uma só. No entanto, essa união tem que fazer sentido e as intenções têm que ser boas, senão elas sofrem demais e ficam mal após a fusão.

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Opal, fusão da Pérola e Ametista.

Eu aconselho essa história porque mesmo sendo um desenho animado ela lida com assuntos delicados de uma forma extraordinária. A trama fala de perdas, relacionamentos (independente do gênero e sexualidade), amizades, amadurecimento, entre muitos outros assuntos e tanto um adulto quanto uma criança podem ver e se identificar. Tem muito mais coisas que eu poderia dizer, como a lindinha da Connie e sua amizade com o Steven, a relação do Steven com o pai hippie, mas eu fiz esse post só pra te provocar e quando você souber todos os mínimos detalhes a gente fofoca a respeito.

2) Star vs As forças do mal

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Cartaz do desenho “Star vs As forças do mal”

A animação conta a história de Star Butterfly, uma princesa da dimensão mágina de Mewni que ao completar catorze anos ganha de seus pais uma poderosa varinha mágica, além de um livro de magias que contém todos os feitiços criados pelas antigas proprietárias da varinha.

No entanto, Star é péssima em usar sua varinha e seus pais a mandam para o Planeta Terra, onde ela deverá aprender a controlar seus poderes mágicos e ter responsabilidade.

Na Terra, ela fica hospedada na casa de Marcos Díaz, um descendente de mexicanos extremamente certinho e nerd. Juntos, eles lutam contra monstros que tentam a todo custo roubar a preciosa varinha e aprendem lições valiosas sobre amizade e responsabilidade.

Apesar de ser a narrativa de uma princesa e manter o tom de conto de fadas, o humor do programa é bastante ousado e as aventuras que Star vive são hilárias e a ensinam bastante sobre amadurecer e exercer o papel de futura rainha. Aliás, a própria Star é um “desastre” de princesa e é isso que a torna tão especial.

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Star Butterfly, a princesa desastre.

Além disso, a amizade entre Star e Marcos foge de qualquer conto de princesas e mostra que é possível meninos e meninas serem melhores amigos sem segundas intenções. Eu adoro desenhos e filmes que abordam a amizade entre uma garota e um garoto de uma forma positiva, sem necessariamente eles terem que virar um casal no final.

Eu tenho muitos amigos homens e sempre me incomodou o fato das pessoas acharem que eu tinha algo romântico com eles ou vice-versa. Isso é uma besteira! Claro que poderia ser o caso, mas não era. Homens e mulheres podem e devem ser amigos e a gente tem que parar de achar que essa amizade não existe, ela existe SIM e Star e Marcos são a prova disso.

Tem muita gente que chipa* esse casal, mas até onde eu vi do programa eles são só amigos e eu AMO esse fato. O próprio Marcos tem uma crush* pela Jackie Lynn e a Star sempre o incentiva a puxar papo com Jackie e investir nessa história de amor.

Inclusive, tem um episódio em que Star e Marcos vão num show da banda preferida dela e eles cantam a música “Just Friends (Apenas Amigos)”. Eu ia dar um mega spoiler desse momento, mas não farei isso. Porém, não posso deixar de mencionar que essa cena foi a primeira cena de um desenho animado da Disney Television Animation que mostrou um beijo de um casal homossexual e isso é LINDO!

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Casal de homens se beijando em “Star vs As forças do mal”. MUITO AMOR POR ESSA CENA!

Ademais, um grande ponto do programa é a diversidade e a quebra de padrões. O Marcos é um descendente de mexicano nerd, a Star é uma princesa muito doida e que se mete em confusão, sua melhor amiga é um Pônei Colorido sem corpo, um dos vilões adota algumas “crianças” e vira pai solteiro, etc. Quer mais o quê pra eu te convencer que esse programa é único e maravilhoso?

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Star e Pony Head te seduzindo pra assistir o programa.

Sendo assim, só posso dizer que essas duas animações me surpreenderam de uma maneira surreal. Eu já chorei em vários episódios do Steven Universe porque me emociona demais as histórias dos personagens e como eles lidam com suas perdas e ganhos. Já em Star vs As forças do mal, eu me divirto horrores com essa princesa maluca e me encanto com o fato de que ela é uma princesa, porém é dona de si, forte, comete erros e também acertos, se apaixona, mas não fica chorando por nenhum menino e aprende lições valiosas em cada episódio do programa.

VAI LOGO ASSISTIR ESSAS MARAVILHAS!

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Steven e Star Butterfly.

*animadora: uma pessoa que trabalha com desenho animado.

*orkut: antiga rede social que fez muito sucesso entre os brasileiros.

*spoiler: é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo.

*piloto: é o nome dado ao primeiro episódio de uma série televisiva.

*crush: alguém por quem temos uma queda ou paixonite.

*chipar: quando você torce que uma pessoa forme par com outra, ou seja, que eles formem um casal.

Após ataque em Las Vegas, guitarrista muda de opinião sobre a segunda emenda

Um atirador, identificado como Stephen Paddock, de 64 anos, abriu fogo contra milhares de pessoas que curtiam o festival de música country Route 91 em Las Vegas, nos Estados Unidos, na madrugada desta segunda-feira (2), deixando 58 mortos e mais de 500 feridos, segundo a polícia.

Esse fato por si só já foi o bastante para ser um choque em todo o mundo. Conforme foram surgindo informações sobre o autor dos disparos, mais dúvidas sobre a motivação do massacre apareceram. O Estado Islâmico reivindicou a sua autoria, mas não apenas a família do suspeito, já encontrado morto pelos policiais em um quarto do 32º andar do cassino Mandalay Bay, afirmou desconhecer qualquer afiliação religiosa da parte dele, como também o FBI negou uma conexão entre ele e o grupo terrorista. No cômodo de Stephen, havia mais de dez armas. Com isso, ainda não há um motivo concreto que ajude a elucidar as razões que levaram o aposentado a cometer tal atrocidade.

Em decorrência deste que foi o ataque armado com maior número de vítimas nos Estados Unidos, o guitarrista do conjunto Josh Abbott Band mudou sua opinião a respeito da segunda emenda à constituição americana. Caleb Keeter escreveu em seu perfil do Twitter que defendeu o direito ao porte de armas durante toda sua vida – até este momento. “Eu não consigo expressar o quanto estava errado”, disse o músico.

 

Keeter contou que integrantes da equipe técnica da banda possuem licenças para possuirem armas, inclusive algumas delas estavam no ônibus deles. “Elas foram inúteis”, registrou o guitarrista na rede social. A conclusão a que ele chegou é a necessidade de um controle de armas nos Estados Unidos com urgência.

O músico explicou em sua publicação que ninguém da equipe técnica podia acessar suas armas para não confundir os agentes, que poderiam pensar que fizessem parte do ataque e os atingissem por medida preventiva. “Meu maior arrependimento é, teimosamente, não ter percebido isso até eu e meus irmãos de estrada sermos ameaçados”, confessou.

“Escrever adeus aos meus pais e ao amor da minha vida ontem à noite e meu testamento vital porque senti que não sobreviveria no decorrer da noite foi o suficiente para eu perceber que isso está completa e totalmente fora de controle. Esses disparos foram poderosos o bastante para que os caras da minha equipe técnica, estando próximos a uma vítima baleada por este covarde da porra, ficassem com ferimentos por estilhaços”, frisou Keeter.

Considero como nobre a reação do guitarrista ao reconhecer seu erro e admitir, publicamente, que mudou de lado sobre as vendas de armas nos Estados Unidos, que é um sério problema, apontado por muitos já há algum tempo. A tragédia de Las Vegas marcou a história americana, mas ao menos serviu para abrir os olhos para uma possível mudança. Não vejo, contudo, essa possibilidade acontecendo ainda durante o mandato do presidente Donald Trump, mas vejo a retomada do debate como algo minimamente positivo a partir de uma barbárie tão devastadora. Minhas orações estão com as vítimas e suas famílias.

Em outro post, vale destacar, o músico salientou que “não viverá com medo de ninguém”. E assim todos devemos seguir, independentemente de onde ocorreu o massacre. A dor humana é compartilhada entre todos que sentem empatia.

“Mãe!” Significados e referências bíblicas 

“Mãe!” (2017), da direção de Darren Aronofsky, é uma obra para incomodar e promover discussões. Não é um filme para relaxar e assistir despretensiosamente. Admito que até a ficha cair demorou um pouco, pelo menos para mim. O início é arrastado, mas quando você percebe o que está acontecendo, cada minuto compensa. 

Este texto contém spoilers. Caso você não tenha ainda assistido ao filme, recomendo que pare a leitura aqui. 

As referências bíblicas foram surgindo aos poucos e o momento mais claro pra mim de que se tratava de uma alegoria ocorreu na cena em que o poeta (Javier Bardem) marca a testa de um dos seus leitores com tinta. Aquela imagem está tão ligada à Quarta-feira de Cinzas que não consegui imaginar mais em qualquer outra coisa além do Cristianismo. Com isso, quando o bebê nasceu, já tinha entendido que seria Jesus e não me surpreendi quando ele morreu nas mãos dos seguidores do pai dele. 

– A quebra da pedra e a morte do irmão 

Um acontecimento antes mesmo de a personagem da Jennifer Lawrence engravidar passou a fazer sentido depois que pesquei as referências bíblicas. 

O casal de hóspedes (Ed Harris e Michelle Pfeiffer), que invade o escritório do poeta – o cômodo proibido da casa -, representam Adão e Eva. Ela leva o homem até o local onde o Criador não permita a entrada de ninguém sem a sua presença. Lá, encostam e quebram o objeto mais precioso e querido do dono da casa, tal como Eva faz com que Adão coma a maçã da árvore proibida. O seguimento da história segue a mesma alegoria com a morte de um dos irmãos, tal como Caim e Abel. 

– O novo poema 

Depois das histórias do Antigo Testamento, chega uma nova era da vida do Criador. A partir do momento que a mulher engravida, ele escreve mais, o que pode ser interpretado como o Novo Testamento. A vinda de Jesus foi um divisor de águas e modificou a forma de muitas pessoas olharem o mundo. A ideia de sermos irmãos e compartilharmos as coisas fazem parte disso. Até mesmo quando o bebê morre, há a cena em que os seguidores do poeta comem seu corpo, assim como nós, católicos, comemos o corpo e bebemos o sangue de Cristo. 

No entendo, outro pensamento que também tive é que o novo poema do escritor pode ser a própria história a que estamos assistindo. Pode ser uma metalinguagem empregada ali. Afinal de contas, alguém pensou nessa história e criou aqueles personagens. O texto escrito pelo Criador pode ali no filme ser a própria história deles, o que de certa forma, se encaixa com a teoria de uma alegoria ao Novo Testamento. 

– A representação do mundo

As palavras dele se espalham e a população de seguidores surge em sua casa. Uma das cenas parecia claramente a imagem de um noticiário de protesto, ao mostrar conflito entre batalhão do choque e manifestantes. Houve música, explosões de guerra, mortes, fanatismo. Tudo o que existe e nos incomoda. Tudo o que queremos mudar, mas que foge do nosso alcance. Também queremos que parem. Entendi a dor da personagem gritando e clamando e ninguém a ouvindo. 

Nessa parte friso a crítica que o filme fez ao machismo. Chega a doer quando a mãe está sendo agredida devido a sua reação após a morte de seu filho. Os xingamentos são aqueles clássicos dirigidos às mulheres: vadia, puta, cachorra, etc. Vi um machismo também na forma como ela se portava diante do marido por meio da divisão de papéis entre eles. Ele escreve e ela arruma a casa. Depois, claro, entendemos que ela É a casa, o lar. Mas até chegar a esse ponto, ela foi retratada como a musa do poeta. 

– Ninguém ouve 

Isso tudo fez com que eu pensasse no quanto a humanidade está destruindo o mundo e parece que ninguém está ouvindo os chamados da natureza. A casa que estava sob reforma foi ficando cada vez mais danificada. As pessoas estavam derrubando e acabando com todo o trabalho da personagem. E não importava o quanto ela gritasse e pedisse, as pessoas continuavam abusando e utilizando suas coisas e roubando seus pertences. Ela tentou mostrar, mas quem poderia escutá-la? Quem está escutando? São furacões, terremotos e vulcões acontecendo e pessoas morrendo. Não seriam gritos pedindo o fim da destruição? 

– O trabalho como um parto 

Quando fazemos um trabalho que exige muito de nós, dizemos que foi “um parto”. Então acredito que essa também seja uma interpretação válida para explicar que a partir do momento que a inspiração do poeta engravidou, ele começou a escrever. Quando o trabalho foi concluído, ela deu à luz. Um trabalho importante é como um filho, é como algo que faz parte da gente, porque, afinal, é algo que veio de nós, saiu de nossas entranhas. Ao terminarmos, entregamos para o mundo aquilo que somos. E as pessoas fazem daquilo o que bem entenderem. (Desde fanfics até adaptações para o cinema, no caso de livros, por exemplo). As pessoas podem até mesmo destroçar a sua criação. Isso pode ser simbolizado na morte do bebê. (E que cena forte foi aquela!) 

“Mãe!” é provocativo e é um ótimo filme para ser visto e debatido. Você saí do cinema com vontade de conversar. Você olha pro lado e já quer falar com sua companhia: “Você entendeu o mesmo que eu?”. 

E vocês, o que entenderam depois de assistir a “Mãe!”? Deixe sua opinião nos comentários! 

Grandes olhos: resenha

A artista americana Margaret Keane, de 89 anos, acredita que os olhos são a janela da alma e se baseia em seus sentimentos para pintar belíssimos quadros que encantam a todos. No entanto, para levar o crédito por suas pinturas, precisou vencer o machismo dos anos 1950 e 1960, que se fez presente em sua vida por meio de um relacionamento abusivo que a consumiu por dentro, despedaçando-a pouco a pouco, enquanto seu marido fora reconhecido por um trabalho que não lhe pertencia por anos a fio.

O filme “Grandes Olhos” (2014), dirigido por Tim Burton e estrelado por Amy Adams e Christoph Waltz, apareceu nas opções da Netflix na seção “Adicionados recentemente” e eu e minha mãe resolvemos assisti-lo. E ficamos encantadas. 


A atuação da Amy Adams é deslumbrante, como sempre. (Não teve um trabalho dela de que eu não gostei). Vê-la subjugada provoca uma dor misturada com raiva. Raiva que você não quer sentir dela, porque ela é a vítima ali. O segundo marido aplica um golpe terrível e leva o crédito por todo o trabalho de Margaret, mas ela acredita nas palavras do salafrário de que “é melhor assim”. E continua pintando para ele. 

Gostei muito de ver a relação entre a pintora e a filha. É baseada em companheirismo e amor pleno. Desde o início, quando elas deixam a casa do primeiro marido de Margaret em um típico subúrbio American Way of Life rumo às ladeiras de São Francisco, onde ela começaria a mostrar sua arte em uma freira de rua em dias ensolarados. 

Em um desses dias, ela conhece o homem que, em um primeiro momento, demonstra charme, elegância e sedução com o papinho de “ah, as ruas de Paris”. (Blah). 

Conforme a relação avança, os dois dividem o mesmo sobrenome e, conforme Margaret assina seus quadros, a ideia de assumir o crédito por eles surge na mente do impostor. É assim vai, por anos. 

“De onde vem suas ideias?”, uma pessoa perguntou ao impostor que, boquiaberto, não soube dizer. Ficou ali observando um quadro em uma das exposições de sucesso da arte produzida por sua mulher. 

A mulher dele sofre em silêncio. E parece que quanto mais sofre, mais pinta. Parece trabalho escravo. Extorsão de vida, de identidade. 


Margaret viveu em um tempo em que mulher separada não tinha respeito, arte feminina não costumava ser reconhecida, esposas ficavam em casa enquanto o marido tinha o posto de provedor do lar. Tudo isso favoreceu para ela ficar nas mãos do impostor, que de artista não tinha nada. Mas a mentira dele terminou. A força que ela sempre teve guardada renasceu. E ela continua pintando. Vivendo. E emocionando. 

Deixo aqui essa dica de um filmaço. Verdadeiro e inspirador. 

13 Reasons Why | Precisamos falar sobre suicídio

Eu não tinha certeza se escrever uma resenha sobre 13 reasons why seria a coisa certa a ser feita porque tinha medo de me expor demais. Mas desde que terminei de assistir a série ontem às 2h da manhã, não consegui parar de pensar sobre a Hannah, Clay, Justin, Alex, e as vidas de todos aqueles personagens e como não podemos julgar ninguém. 

Pensei sobre minhas dificuldades e das pessoas próximas a mim que também já passaram por problemas. Aliás, quem não passa por problemas? 

O mais importante da série é o efeito que ela provoca. A conscientização, as conversas que ela gera e, se tudo der certo, as transformações na forma como nos relacionamos. Uma pessoa deprimida não pode passar despercebida. 

Hannah é uma adolescente que muda de escola e, sem ter muitos amigos, ganha uma reputação de “vadia” depois que os meninos viralizam uma foto dela pra todo mundo ver. Aos poucos, o bullying vai crescendo e se torna uma bola de neve, que ela chama de “efeito borboleta”. Os acontecimentos vão se embolando e piorando tudo. E durante todo esse tempo, Hannah sofre silenciosamente. 

Ela é uma menina incrível, bonita, inteligente, que escreve bem, e poderia ter sido feliz. Mas, conforme ela relata nas fitas que gravou justificando seu suicídio, as pessoas destruíram pouco a pouco sua alma, quem ela era, deixando-a completamente vazia e sem propósito. Ela se sente um fardo para os pais e imagina que a vida de todos seria melhor sem ela, porque a vida dela deixa de ter valor pra ela própria. 

O cyberbullying também marca presença na série, ressaltando que o sofrimento não surge apenas cara a cara. As pessoas se escondem por trás de um dispositivo e se sentem mais livres da responsabilidade de propagar determinada imagem ou boato, sem pensar que aquele simples ato traz sérias consequências. 

Às vezes algo que parece pequeno pode provocar uma dor muito grande no outro. E não é fácil perceber isso. 

É uma série forte e muito pesada, mas extremamente necessária. É muito importante que as pessoas assistam. Tanto as que possivelmente cometem atitudes semelhantes aos dos colegas de escola da Hannah, quando as pessoas que se sentem como ela. 

E se você precisa de ajuda, conversa com alguém, se abre, mostra o que está sentindo, mesmo que não esteja sentindo nada. Há muitas pessoas que também se sentem assim. Você não está sozinho, ainda que tudo indique que está. 

Em setembro de 2015, tudo o que eu queria era sumir. Mas consegui falar e contar pros meus pais o que estava acontecendo. Vamos falar sobre isso, vamos enfrentar e enxergar que há sempre uma saída, que as coisas melhoram e a escuridão passa. 

A história da Hannah não precisa ser a história de outras meninas e meninos.

Se você estiver procurando o que assistir, veja 13 Reasons Why. Se não estiver procurando, assista. Não seja um porquê na vida de alguém, e se você tiver um porquê, fale sobre isso. Nem todo mundo é ruim. Ainda há pessoas boas. Acredite em mim. 

Centro de Valorização da Vida: http://cvv.org.br

Joey & Barney: o mulherengo que NÃO precisamos em nossas vidas

Como toda fã de Friends, recentemente voltei a assistir o seriado, pois é e sempre será uma das melhores séries de comédia que já existiu. Ao mesmo tempo, também decidi rever How I Met Your Mother porque é outra sitcom maravilhosa e tem minha amada Robyn Scherbatsky (Cobie Smulders).

No entanto, agora, já com 25 anos de idade e bastante engajada no feminismo, não consigo deixar de notar e me incomodar com dois personagens dessas comédias: Joey (Matt LeBlanc) e Barney (Neil Patrick Harris).

Para quem entende das séries, provavelmente já sabe o porquê deu ter escolhido justamente esses dois personagens, mais conhecidos como os mulherengos e pegadores do grupo. Assim, farei uma breve análise e introdução dos dois e, depois, explicarei o porquê esses personagens precisam de uma bela repaginada.

1) Joey Tribbiani – FRIENDS

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“Ichiban, batom para homem.”

O Joey é um aspirante a ator, não muito inteligente, descendente de italiano, tem sete irmãs e leva muito jeito com as mulheres. Com o passar das temporadas, ele finalmente consegue um papel importante na sua carreira, como o famoso Dr. Drake Ramoray, no entanto, ao contrário dos outros, não muda muito o seu jeito de ser.

Sim, ele é hilário. Sim, tem cenas que matam a gente de tanto rir. Sim, é fofo quando ele se apaixona pela Rachel (Jennifer Aniston) e, sendo bem sincera, torci mais por esse casal do que por Rachel e Ross (David Schwimmer). Sim, sim, sim. Sabemos de tudo! Agora, vamos aos fatos:

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“Como você vai?”

Com a famosa frase “Como você vai?”, nosso querido galanteador conquista milhares de mulheres, mesmo não sendo esse colírio todo (ao menos não pra mim). E qual o problema disso?

O problema é que de todas as mulheres, apenas 2 ou 3 tem nome e mexem com os sentimentos do personagem. O resto não tem nome, sobrenome, não falam e ainda viram deboche das inúmeras piadas machistas do programa.

Além disso, lembro de um episódio que o Joey vai num apartamento que ele já tinha ido antes e fica revoltado porque acha que a mulher não lembra de ter dormido com ele. Ou seja, esquecer o nome delas, mentir, não ligar no dia seguinte, tudo bem, MAS, esquecer o famoso Joey, NÃO PODE, pois ai você mexe com o ego do bonitão. Outro episódio que me recordo, é quando a Rachel passa a morar com o Joey e eles combinam que ela iria ajudá-lo a despachar as mulheres que dormiam com ele.

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“Não estou arrependido!” Sabemos que você não está arrependido.

Novamente, eu gosto da série e do personagem, porém, devemos problematizar essas atitudes machistas e misóginas. Depois que eu falar sobre o Barney, vou refletir melhor sobre o assunto. Sigam-me os bons!

2) Barney Stinson – HOW I MET YOUR MOTHER

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O Barney tem uma ótima vida financeira, detesta relacionamento sério, foi criado, junto de seu irmão, somente por sua mãe e é o cara mais pedante e carente possível, que passa a maioria dos episódios tentando levar alguma mulher desconhecida pra sua casa e, adivinha… ele consegue!

Apesar de adorar a série, eu realmente não gosto do Barney. Acho ele chato e desnecessário, mas entendo o motivo do personagem existir e é ótimo pra discussão.

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“Desafio aceito!” Também aceitei o desafio, querido.

O personagem pega milhares de mulheres, todas sem nome, se envolve amorosamente 2 ou 3 vezes, o relacionamento mais importante é com a Robyn e, inclusive, tem um livro de cantadas, ao qual ele se vangloria e acha que deve ensinar outros homens a serem iguais a eles.

Agora que fiz uma pequena introdução dos personagens, vamos problematizar direito.

Qual o problema deles serem mulherengos e não gostarem de relacionamento sério?

O problema é simples: nossa sociedade machista. Mas como assim? O que isso tem a ver com machismo?

Tudo, eu lhes digo. Pois enquanto você, homem, é ensinado que deve sair e se relacionar com o máximo de mulheres possíveis, até encontrar a tal pra casar, caso encontre, nós, mulheres, somos ensinadas a buscar um príncipe encantado (ao qual nunca existirá) e claro, se dar ao respeito e ter poucos parceiros na vida.

Ou seja, é muito fácil pra um Joey ou um Barney paquerar uma mulher, levar ela pra cama e no dia seguinte esquecer o nome dela, pois ele já está pensando na outra que ele vai conquistar. Mas, não é fácil pra uma mulher, dentro da sociedade MACHISTA, se libertar dos ensinamentos dados a ela e ir pra cama com um cara, sem envolver sentimentos. Pior ainda é que, quando envolvemos sentimentos e ficamos interessada no outro, somos grudentas e carentes. Quando dormimos e não nos importamos com o nome dele, somos, no mínimo, vadias ou mulheres que não são pra casar.

Eu sei que muitas mulheres incríveis estão quebrando isso na vida delas e ajudando outras amigas a quebrarem também, no entanto, a verdade é que a maioria das mulheres ainda vive dentro dessa bolha e é muito difícil rompê-la, é mais difícil ainda quando vemos séries, filmes ou novelas, com os tais galãs, que perpetuam esses ensinamentos de tratar mulher como objetos sexuais e depósito de esperma.

Claro que rimos e nos divertimos com Joey e Barney, mas, se trouxermos essas histórias pra vida real, com certeza eu ou você, conhecemos alguma mulher que foi tratada desse jeito e levou bastante tempo pra superar isso, até porque, a sociedade ensina as mulheres a sempre verem defeito nela mesma, enquanto o homem vê defeito no outro.

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“Morto para mim!” Isso aí, Lily… temos que ACABAR com essa cultura machista!

Digo isso, pois, nos últimos dias, tive uma conversa com alguns amigos e eles admitiram que já xingaram muitas mulheres que o rejeitaram, enquanto eu, quando fui rejeitada, critiquei a mim mesma, pois sempre achei que o defeito estava em mim. Isso ainda é um processo, mas hoje em dia já quebrei mil tabus que não voltam mais, só que ainda sei que muitas meninas vão passar pelo o que passei e serão poucas as pessoas que vão conversar com elas e explicar que NÃO, o problema não está nelas. E pior ainda é quem justifica, dizendo que é instinto de homem. Não é instinto, mas, SIM, cultura.

Homens não pegam mulheres só por instinto, pois nós também temos instintos e todos sabemos o quanto sexo é bom. No entanto, eles são ensinados e provocados a todo o instante a irem atrás de mulheres diferentes e gozarem o máximo que puderem, sem se preocupar com o nome delas, em ligar no dia seguinte, muito menos em ter um relacionamento sério, pois, “macho que é macho”, faz isso tudo e um pouco mais.

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“Foda-se essa porra sexista.”

Sexo por sexo seria ótimo se todos tivéssemos a mesma criação, porém, enquanto nossa cultura ensinar que mulheres devem ser “belas e recatadas e que saibam o promoção do dia dos mercados” e homens “devem se sentir o máximo e acharem que seus órgãos genitais são mágicos”, Joeys e Barneys vão sempre ser homens idiotas e covardes, mas, que a sociedade sempre criticará as mulheres fáceis que quiseram deitar com eles, ao invés de criticá-los, por terem tratado elas como a presa do dia.

Me questiono ainda mais, como Joey, que tem sete irmãs, é capaz de fazer isso, sem se sentir mal. Aparentemente, se não for família, ai pode tratar mulher como objeto, né? Muito menos entendo justificarem as atitudes do Barney, dizendo que ele foi abandonado pelo pai, sem mencionar que ele tem uma mãe fantástica, que deu tudo do bom e do melhor pra ele. Claro que tem outras justificativas, como ele ter gostado de uma garota que destruiu seu coração, mas, coração partido todo mundo tem e nem por isso é razão pra tratarmos os outros de uma forma desprezível e descartável.

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Assim, fica a reflexão, do por quê não é legal ser um Joey ou Barney, ainda mais na era Tinder, em que o sexo ficou muito mais acessível. Precisamos falar de amor e sexo, mas deixando claro e evidente que amor e sexo só será algo lindo e maravilhoso de se viver, quando mulheres e homens tiverem direitos iguais, inclusive e, especialmente, na vida amorosa, evitando, assim, que mulheres sofram ou se punam por motivos e pessoas desnecessárias e que entrem em relacionamentos abusivos e destrutivos.

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Adiós, muchachos!

Para as pessoas que querem mudar isso, independente se você sai com homem ou mulher, se é hetero, bi ou gay, não importa, apenas sejam sinceros e tratem o outro como uma pessoa com sentimentos. Caso você queira só sexo, dê a chance do outro escolher, se ela/ele quer e aceita só isso, também. Talvez algo não te afete tanto, mas pro outro pode ser uma grande facada. Sendo sincero (a), você já permite que o outro escolha o melhor caminho nessa situação.

Vai ter FEMINISMO, SIM! Juntas enfrentamos o machismo de todo o dia.

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Juntinhas!!!

 

Jojo Moyes fala do terceiro livro sobre Louisa Clark

Jojo Moyes, a autora dos livros “Como eu era antes de você” e “Depois de você”, sobre o relacionamento entre Louisa Clark e Will Traynor, que conquistaram corações mundo a fora, confirmou em seu perfil nas redes sociais que a saga continua em nova publicação.  

Leia a postagem traduzida na íntegra:

“Estou animada para anunciar que a história continua para Louisa Clark! A garota que todos nós conhecemos e amamos de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ e DEPOIS DE VOCÊ retornará em um novo livro a ser lançado na primavera de 2018, mas se encontrará despedaçada entre sua antiga vida e a nova. Para saber mais, assine a newsletter de Jojo Moyes: http://www.jojomoyes.com/

 Mais em: http://usat.ly/2lHhG7c”


Na imagem acima, Jojo afirma que “Eu sempre soube que uma vez que eu me comprometesse a escrever uma continuação para ‘Como eu era antes de você’, eu também iria escrever um terceiro livro… Revisitar a história de Lou tem sido uma alegria, enquanto eu a impulsiono a ir para um novo país, um mundo novo, e uma casa repleta de segredos. Com sua usual mistura de honor e emoção, ela precisa perguntar a si mesma algumas perguntas fundamentais, como a que lado do Atlântico ela realmente pertence? Espero que os leitores aproveitem essa nova aventura tanto quanto eu aproveitei escrevendo-a”.

Quem aí também está ansioso por essa continuação? o/ 

As emoções de ‘Manchester à beira-mar’ | sem spoilers

Após meu repentino sumiço, voltei para continuar a maratona de resenhas especiais para o Oscar 2017. Como mudei de emprego, precisei de um tempo para me adaptar à nova função e ao novo horário. Agora, já me sinto mais descansada, então vamos a “Manchester à beira-mar”!

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Manchester à beira-mar concorre em seis categorias do Oscar 2017

A história se passa em uma cidade no estado do Maine, a aproximadamente 270km de Boston, onde Lee Chandler (Casey Affleck) trabalha como um zelador e vive sozinho. No entanto, precisa retornar a Manchester quando recebe a notícia do falecimento de seu irmão, Joe (Kyle Chandler). Aos poucos, somos apresentados à família e aos amigos de Lee. Ficamos sem entender, em um primeiro momento, por que ele mostra-se tão relutante a voltar para sua cidade natal.

O suspense é preenchido com belas paisagens e as reações de cada personagem, à sua maneira, após a morte de Joe. O sobrinho de Lee, Patrick (Lucas Hedges), parece encarar bem a situação inicialmente, mas há uma cena em que ele se desmancha e deixa suas emoções à mostra, provando que ninguém é de ferro. Nem mesmo o adolescente do time de hockey da escola, que se acha durão o suficiente, pode encarar qualquer coisa facilmente. Há conflitos internos maiores do que podemos imaginar.

A relação entre tio e sobrinho é conturbada nesse processo de adaptação à nova realidade. Lee se considera como apenas um “apoio” na vida de Patrick. De repente, se descobre na nova função de tutor legal do adolescente. Com isso, veem as responsabilidades de cuidar de Patrick como um pai e os questionamentos e as incertezas se ele está apto para esta função. No entanto, Joe confiava em Lee o suficiente para colocar em seu testamento o desejo que ele retornasse a Manchester e tomasse conta de seu filho.

Lee considera entregar Patrick para a mãe que há muitos anos se separou de Joe, não convivendo mais com o filho. No entanto, ainda que tenha mudado com o tempo, deixando para trás os vícios que a atormentavam no passado, a ligação entre ela e o filho não poderia ser mais a mesma. E, com isso, o tio do garoto foi percebendo cada vez mais que era para ele levar adiante a criação de Patrick. Um precisava do outro para superar as dores que os seguiam.

As razões que repelem Lee daquele lugar aparecem posteriormente. Então entendemos seus medos e nos compadecemos por suas dores. O relacionamento com a ex-mulher, Randi (Michelle Williams) que havia há muito esfriado, mexe com ambos quando Lee volta a Manchester.

Manchester by the Sea (screengrab from EW.com Exclusive clip)
Michelle Williams concorre ao Oscar de melhor atriz coadjuvante

A atuação de Williams está brilhante, ainda que eu não ache que ela vá vencer a estatueta. Nesse caso, minha aposta é Octavia Spencer, de “Estrelas Além do Tempo”.

Dirigido por Kenneth Lonergan, o longa conta com seis indicações ao Oscar: melhor filme, direção, roteiro original, melhor ator (Casey Affleck), melhor ator coadjuvante (Lucas Hedges) e melhor atriz coadjuvante (Michelle Williams), sobre a qual você pode ler no texto de Louise Smith que aborda a performance de Williams, além das demais atrizes que concorrem com ela.

As acusações de assédio sexual ao ator Casey Affleck

Quando Casey Affleck recebeu o Globo de Ouro em janeiro por sua atuação em “Manchester à beira-mar”, as redes sociais foram tomadas por críticas dos que não se esqueceram das acusações de assédio sexual feitas por duas mulheres durante a produção do filme “Eu ainda estou aqui” (2010). O caso foi resolvido na época por um acordo extrajudicial. No entanto, muitos questionam Hollywood por não levar em consideração a ética dos atores no momento de classificar quem está apto a receber prêmios por seus trabalhos.

Estrelas Além do Tempo

É provável que você já tenha ouvido falar no filme Estrelas Além do Tempo, que está concorrendo na categoria de Melhor Filme no Oscar 2017, mas, já parou pra pensar sobre o por quê só ouvimos falar na história de Katherine, Dorothy e Mary em pleno 2017?

Para refletir o assunto, resolvi fazer uma pequena análise do filme, pois devemos falar dessa obra-prima, além de enxergar o que está por trás desse “silêncio” todo.

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Filme escrito por Allison Schroeder e Theodore Melfi – também diretor do filme – e baseado no livro de Margot Lee Shetterley.

Sinopse: Estrelas Além do Tempo conta a história de uma equipe de matemáticas afroamericanas que tiveram um papel vital na NASA durante os primeiros anos do programa espacial dos EUA.

O filme se passa na década 60, no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, e mostra uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres negras, que lideraram uma das maiores operações tecnológicas registradas na história americana e se tornaram verdadeiras heroínas da nação.

Ou seja, a história se passa há mais de 40 anos atrás e, somente no final de 2016, que fomos apresentados a essas incríveis mulheres, que, mesmo sendo rechaçadas e desrespeitadas em seu ambiente de trabalho, deram um show de inteligência, humanidade e talento, deixando os homens brancos muito atrás.

Sendo assim, nada mais justo do que falar sobre as protagonistas dessa fantástica história.

1) Katherine Johnson

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Katherine Johnson e Taraji P. Henson

Katherine (Taraji P. Henson) é a gênia da matemática, não sendo à toa que ela foi convocada para trabalhar num setor onde só homens brancos trabalhavam e teve de enfrentar todo o desprezo, machismo e racismo dos colegas de trabalho, para finalmente provar sua capacidade intelectual.

É incrível a força dessa mulher e como ela consegue silenciar todos a sua volta, através do seu talento e coragem. Além disso, é de chocar as atitudes dos homens e, também, das mulheres brancas, que insistiam em impor a sua falsa superioridade.

É doloroso assistir as cenas em que a personagem é obrigada a mudar de prédio para ir no banheiro feminino de “pessoas de cor” ou tomar café em uma cafeteira exclusiva, também para “pessoas de cor”.

No entanto, Katherine dá um show de habilidade e deixa todos seus colegas com inveja, quando, graças a ela, a disputa espacial vira a favor de seu país. Assim como eu digo que a escrita é minha grande aliada, é possível perceber que os números são os aliados de Katherine, pois, como ela mesma diz: “Números não mentem!”

 2) Dorothy Vaughan

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Dorothy Vaughan e Octavia Spencer

Dorothy é a líder das mulheres negras matemáticas e, mesmo tendo que lutar a todo instante para assumir o cargo de supervisora, ao qual relutam muito para nomeá-la, consegue mostrar seu dom para liderar um time com tamanha maestria.

Além disso, é emocionante a forma como ela não desiste de sua ascensão no trabalho e é desgastante assistir as sequências em que Dorothy é desmotivada e deixada de lado pela secretária Vivian Michael (Kristen Dunst), enquanto tudo o que ela quer é assumir o cargo de supervisora, ao qual já era seu por direito.

Todavia, quando a gente vê nossa heroína incentivando sua equipe e decodificando as novas máquinas da NASA, dá vontade de gritar e pular, de tanta alegria e admiração por ela. Assim, Dorothy se tornou a primeira supervisora mulher e negra da história da NASA.

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Vivian e Dorothy.

3) Mary Jackson (Janelle Monáe)

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Janelle Monáe e Mary Jackson

Mary se consagrou como a primeira engenheira negra da NASA e teve um papel muito importante, não só na história da corrida espacial, como na história da vida acadêmica dos EUA, pois ela conquistou o direito de se tornar estudante de engenharia e foi a primeira mulher negra a conquistar o posto.

Apesar de aparecer menos que as outras personagens, sua narrativa é maravilhosa e seu jeito decidido a torna muito especial. O filme começa com as três mulheres consertando o carro enguiçado e sendo abordadas por um policial branco e, ao explicarem a situação, nos divertirmos com a cena em que Mary dirige o carro e “persegue” o policial, já que, até então, o “vilão” e “bandido” era ele com todo o seu machismo e racismo.

Ademais, uma das melhoras falas do roteiro, é quando Mary é questionada caso fosse um homem branco, se ela gostaria de se tornar engenheiro e ela responde “Se eu eu fosse um homem branco eu não precisaria me tornar, eu já seria um engenheiro.”

E o quê é possível aprender com essa obra cinematográfica e trazer para os dias atuais?

Infelizmente, não é difícil entender o porquê só agora essa história foi divulgada com tamanha proporção. Vivemos num mundo que, ainda, é extremamente machista e racista, especialmente na área científica e acadêmica, não sendo à toa que, na época de escola, quase não ouvimos ou nunca ouvimos falar de mulheres na área de engenharia, ciência, pesquisa, etc.

Isso é lamentável e é necessária uma mudança urgente e fica evidente o quão importante é a luta da igualdade de gênero e a luta contra a segregação racial. Como não vivo a questão racial na pele, estou longe de falar pelas mulheres negras, mas,  aprendo como ouvinte e apoio o feminismo de todas as mulheres e torço para que mais Katherines, Dorothys e Marys apareçam na vida real e na ficção.

Amei o filme e mais ainda em saber que essa história foi baseada em fatos reais e enfatiso o quão importante é representatividade e diversidade no meio cinematográfico. Como foi mostrado no site geledes.org.br, no texto Heroínas de ‘Estrelas além do tempo’ inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA, com histórias assim, meninas podem se inspirar e aspirar por um futuro tão brilhante quanto.

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Ambrielle-Baker Rogers, Morgan Coleman e Miah Bell-Olson

Sendo assim, aconselho essa produção porque ela está incrível, muito bem escrita e dirigida, com atrizes maravilhosas no elenco, além de dar uma fantástica aula de história, ao qual nunca teríamos na sala de aula normal.

BÔNUS DO DIA

Já que estamos perto do Oscar 2017, não posso deixar de falar que Estrelas Além do Tempo está concorrendo nas categorias de Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Atriz Coadjuvante e, é o único filme a concorrer Melhor Roteiro Adaptado escrito por uma mulher, Allison Schroeder, junto de Theodore Melfi.

Infelizmente, não foi nesse ano em que vimos mais mulheres concorrendo nas categorias de Roteiro e Direção, mas, fico na torcida por Allison Schroeder.

BIBLIOGRAFIA

IMDB. Estrelas Além do Tempo. 2016. Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt4846340/?ref_=nv_sr_1&gt;. Acesso em: 09 de ef. 2017.

GELEDES. Heroínas de Estrelas Além do Tempo inspiram garotas em trabalho de escola nos EUA. 2016. Disponível em: <http://www.geledes.org.br/heroinas-de-estrelas-alem-do-tempo-inspiram-garotas-em-trabalho-de-escola-nos-eua/#gs.OHUiTXc&gt;. Acesso em: 09 de fev. 2017.